quinta-feira, 23 de abril de 2015

DIVINO CONFORTO


DIVINO CONFORTO
(Por Carina Baptista)

Eu não sabia exatamente como começar este texto... faltavam palavras, dava vontade de chorar, de parar, de escrever sobre outra coisa. Algo feliz, algo que pudesse fazer você sorrir, que tornasse sua vida melhor, de alguma forma. Mas não consegui. Todas as vezes em que começava a escrever vinha a mesma coisa à minha cabeça, e então eu ficava triste, mas incrivelmente confortada.

Eu sempre amei animais. Meu primeiro desenho superelaborado e colorido foi de um tucano. Lembro até hoje, e minha mãe também, das cores, dos traços infantis que revelavam o carinho que eu tinha por uma das mais incríveis criações de Deus. Mas meu amor especial sempre foi por cachorros. Em minha casa, pelo que posso recordar, sempre teve cachorro e eu me lembro de cada um deles. A Manchinha, o Tobi, a Térky e a Mel - essa ficou conosco por 14 anos, morreu em 2013. Lembro-me da dor que senti, lembro-me de confortar a minha irmã (porque a Mel era, oficialmente, dela).

Quando a Mel morreu, minha mãe falou que não queria mais saber de cachorros, que não tinha condições de ver o bichinho ficar doente e não poder pagar veterinários e tudo que sucede a isso. Ficamos alguns meses sem nenhum bichinho em casa.

Um dia, quando minha irmã e eu voltávamos dos Desbravadores1, passamos por uma feira de adoção; não resistimos e adotamos a Brianna. Minha mãe quase colocou a gente pra fora de casa, mas acabou se apaixonando por ela. Um tempo depois nasceu, na casa de um amigo, a coisa mais fofa do mundo - era dourado, gordinho e quando os olhos abriram vimos que eram verdes: "coiso mais lindo!", o Brad!

Quando Brad tinha uns 4 meses, eu o trouxe pra casa; já era gigante. Com ele veio muita alegria, fofura e contas na pet shop. Mas, infelizmente, neste mundo passamos por aflições, e com apenas 6 meses de idade ele contraiu a doença do carrapato. Fizemos tratamento, orei muito e ele ficou bom. Foi uma alegria! Ficou quase um ano conosco, contraiu a doença novamente, fizemos o tratamento, orei muito, mas dessa vez ele não resistiu.

Só Deus sabe a dor que senti... parecia que parte de mim tinha sido arrancada. Sei que para muitos pode ser exagero, mas só quem tem um bichinho sabe o que eles fazem e a alegria que trazem. O amor que eles fazem a gente sentir. Minha mãe diz que Deus coloca os animais na nossa vida para exercitarmos o amor. Pode parecer estranho pra você, mas têm pessoas que não conseguem amar outro ser humano, pelo menos não com facilidade. Quando perdi o Brad eu tinha duas opções: culpar Deus e ficar com raiva ou acreditar que TUDO que Ele permite acontecer com seus filhos é por amor. Ainda bem que escolhi a 2ª opção. Recebi um “sim” de Deus, quando Brad ficou bom, e um “não” quando ele descansou. Nas duas vezes senti o cuidado e a mão protetora que só quem entrega a vida a Deus pode sentir...

Ainda estou triste. Quando chego da rua ele não está aqui pra pular em mim e emitir sons que só ele conseguia, não protege mais a casa nem vem pedir carinho, mas meu coração está em paz, pois recebi o amor de Cristo, que é eterno. Penso que tive mais um ano para ficar com o Brad e isso me faz ter ainda mais certeza desse amor de Deus.

Desculpem o texto enorme; eu precisava compartilhar a experiência incrível que é não ter a oração atendida e ainda assim agradecer. Não sei se você está passando por algum momento triste, mas gostaria de dizer que se você entregar sua vida nas mãos do Deus do impossível Ele sempre cuidará de você, não importando as circunstâncias.

"Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais ele fará."
Salmos 37:5

Um beijo e até semana que vem!

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Referência:
1 – O Clube de Desbravadores reúne uma vez por semana meninos e meninas com idade entre 10 e 15 anos, com o objetivo de desenvolver talentos, habilidades, percepções e o gosto pela natureza. Trabalham em equipe procurando sempre ser úteis à comunidade. O Clube de Desbravadores está presente em mais de 160 países, com 90.000 sedes e mais de dois milhões de participantes. Existe oficialmente desde 1950, como um programa oficial da Igreja Adventista do 7º Dia. Meninos e meninas de qualquer fé religiosa podem participar desse movimento que tira da diversidade o colorido da energia juvenil.
Informações disponíveis em http://www.adventistas.org/pt/desbravadores/ - Acessadas em 12.04.2015

4 comentários:

  1. Eu não tenho um cachorrinho e nunca experimentei essa relação... mas pude sentir a sua dor.
    Pense na alegria de ter experimentado viver esses anos com o Brad, e guarde isso como um tesouro. A memória e as boas lembranças são os grandes presentes que ficarão para sempre.

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  2. Lendo seu texto eu me lembrei da música que os Red Hot Chili Peppers gravaram em homenagem ao cachorro do baixista da banda, que havia falecido. O nome do cachorro era "Martian". A letra da múscia é bem excêntrica, mas vale conhecer a música, super excêntrica.

    http://www.vagalume.com.br/red-hot-chili-peppers/death-of-a-martian-traducao.html

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  3. Eu deixei minha cachorra, em São Paulo, a Anacarolina, as pessoas que ficaram responsáveis, passaram pra frente e ninguem sabe o paradeiro da bichinha. Sinto saudades imensas da minha amiga inseparável, houve ocasiões em que era só eu e ela no mundo. Às vezes fico pensando e tentando descobrir o seu paradeiro e meus olhos enchem de lágrimas de saudades. Por isso eu te entendo bem. beijos e até semana que vem.

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  4. Jackson, vc me fez lembrar de Diana, do Boca Livre. Muita gente nem sabe que essa música foi feita pra uma cachorrinha... e quando descobre chora rios... É linda!

    Amigão, eu me lembro da Ana Carolina. A cachorra, não a cantora. Rsrsrsrsrs (piadinha dos tempos do sofá do Amigão)

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