quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O DEUS TIRANO

O DEUS TIRANO
(Por Eduardo Santos)

Parei para tomar um fôlego. Não me recordava de nenhum outro exercício que tenha me deixado tão fatigado. Não me lembrar de outro cansaço não é nada tão absurdo, uma vez que minha memória não é lá tão boa, e não me recordo de outro período de sedentarismo tão grande quanto o que vivo agora. Afinal, foram vinte longos lances de uma escada quase interminável, num ritmo acelerado… Se não me cansasse, eu ficaria assustado.

Apesar da vida de pouco exercício físico, se tem uma característica que nunca perdi é uma rápida recuperação após profunda fadiga. Aproveitei meu restante de tempo de espera para continuar a pensar em algo que havia começado a pensar no dia anterior.


Faz um tempo que converso, esporadicamente, com alguns conhecidos, sobre religião; e muitos deles comentam sobre como não se identificam com “O Deus” apresentado no antigo testamento - que preferem a pintura que é oferecida pelo novo testamento, por apresentar um Ser mais amoroso, mais compassivo, mais perdoador. Dizem, inclusive, que não são capazes de associar o protagonista de cada metade da Bíblia, como se nem fossem a mesma pessoa.

Deixe-me, primeiro, contextualizar você nessa história toda:
Era um domingo de manhã e me deparei com o seguinte texto bíblico: “Vocês julgam que eu tenho prazer em que o pecador morra?, pergunta o Senhor. Com certeza que não! Aquilo que eu pretendo é unicamente que ele abandone os seus caminhos de maldade e que viva.” (Ezequiel 18:23).

Após me lembrar dessas conversas anteriores, e terminar a minha leitura de domingo, fiquei pensando no que poderia levar as pessoas a acreditarem no que disse dois parágrafos atrás. Comumente, as pessoas focam em alguns pontos que, analisados isoladamente, causam, de fato, certo baque.

Mas não quero, e não vou, falar por mim mesmo. Vamos deixar que a própria Bíblia fale, por si só; ninguém melhor do que ela para apresentar com clareza a realidade de Deus.

Inicialmente, vemos Deus criando um habitat perfeito para seus novos inquilinos. E, por meio de um aviso, os adverte a não serem enganados pelo inimigo do Divino (um anjo que havia decidido rebelar-se contra Deus), pois, ao se rebelarem, sofreriam a consequência de seus atos e "O salário do pecado é a morte (...)". (Romanos 6:23)

Infelizmente, os avisos não foram suficientes e o casal edênico deu ouvido a quem não devia. E, como o próprio Deus fala de si mesmo, sua palavra não poderia mudar, já que "Eu, o Senhor, não mudo.". (Malaquias 3:6)

E o que, aparentemente, é para nós uma vida de sofrimento, como se estivéssemos pagando por nossos próprios pecados, nada mais é do que um roteiro que apresenta “O Pastor” que abandona seu rebanho para ir em busca da ovelha que se desgarrou.

É evidente que vivemos sob as consequências da escolha que Adão e Eva fizeram há tempos, o que talvez tenha sido usado para endossar a imagem de um Deus tirano; mas Ele, em Sua justiça, não poderia privar-nos das implicações do pecado, de maneira nenhuma, uma vez que fomos avisados do que aconteceria.

O fator preponderantemente positivo sobre Deus no novo testamento é, sem dúvida, Cristo e Seu sacrifício expiatório, simbolizando a concessão da graça que nos salva. Com toda a certeza esse é um dos ápices da história deste mundo!

Mas existe algo que não podemos desconsiderar em nossa reflexão: Cristo é o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13:8). O que essas palavras querem dizer é que antes mesmo de o pecado ser assimilado, a decisão do sacrifício de Cristo já havia sido tomada.

Deus manteve sua palavra, não voltou atrás! Mas, ao invés de fazer-nos pagar pelas reais consequências de nossas escolhas, Ele decidiu fazê-lo em nosso lugar. E, se os Seres divinos de cada parte da Bíblia não parecem ser a mesma pessoa, lembre-se de que "Deus amou o MUNDO de tal maneira que deu Seu filho unigênito para que TODO AQUELE que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.". (João 3:16)

Volto a reforçar: essa decisão foi tomada pelo "Deus do antigo testamento", o que mostra que os dois testamentos apresentam um mesmo Deus de amor. Afinal, como Ele mesmo diz, Ele não muda!

Bom, deixem-me ir… Volto aos meus vinte lances de escada. Graças a Deus, agora estou descendo. Fica mais fácil!

Bom restante de semana.

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