quinta-feira, 30 de março de 2017

VEGETARIANO FAJUTO


VEGETARIANO FAJUTO 
Jackson Valoni – Angra dos Reis - RJ

Parei de comer carne há sete meses. Não fui doutrinado para tomar essa decisão. Não foi nenhuma ideologia que me forçou a rejeitar esse tipo de alimento. Não foi por religião, não foi por causas ambientais, não foi por sentir pena dos animaizinhos abatidos. Foi por comodidade. Minha esposa decidiu parar de comer carne há sete meses; por isso parei também.

Durante os comerciais de fast food, sinto o desejo de comer hambúrguer mais do que nunca. Bife acebolado nunca aparentou ser tão saboroso.


Sou um vegetariano fajuto que uniu o útil ao agradável para acompanhar minha esposa. A recente operação "Carne Fraca" da Polícia Federal impulsionou o desejo contido que havia em minha mente. Depois de terem descoberto carnes adulteradas em diversos frigoríficos, senti que estava andando pelo caminho certo, mesmo contra minha vontade.

Numa retrospectiva dos últimos sete meses "sem carne", escorreguei na minha missão solitária algumas vezes. Uma salsicha de frango ali, uma carne moída aqui, e aos trancos e barrancos vou vestindo uma camisa que até o presente momento não me acostumei, mas sinto que é o mais conveniente não só pra cozinha daqui de casa, mas pra minha saúde também.

Às vezes, penso que todos nós agimos como vegetarianos fajutos, de vez em quando. Deus deve nos enxergar assim muitas vezes. Com frequência, tentamos andar por um caminho tão puro, e temos a impressão de que o próprio Deus havia traçado aquele plano para a nossa vida! Tão perfeito... até que escorregamos, satisfazemos o próprio apetite, e perdemos de vista aquele projeto moldado por Ele.

E a gente escorrega quando decide parar de ouvir o que Deus quer pra nós. E a gente para de ouvi-lo, quando as escolhas que a gente faz parecem ser bem mais legais do que aquilo que o Espírito Santo tem para nos orientar.

"Pois, se continuarmos a pecar de propósito, depois de conhecer a verdade, já não há mais sacrifício que possa tirar os nossos pecados." Hebreus 10:26


Há uma chama viva dentro de nós; é por meio dela que Deus fala ao nosso coração. Enquanto há vida, há esperança. Alimente a relação que Deus quer ter em sua vida; afinal de contas, Ele habita em você! (I Coríntios 6:19, 20)
Não deixe que Ele vá embora!

Pare um pouco. Relaxe. Chame por esse Deus que não desiste de você.

"Não apagueis o Espírito." I Tessalonicenses 5:19

quarta-feira, 29 de março de 2017

CREPÚSCULO

CREPÚSCULO
João Octávio Barbosa – Bento Ribeiro City - RJ

Isabella Swan (Kristen Stewart) e seu pai, Charlie (Billy Burke), mudaram-se recentemente. No novo colégio ela logo conhece Edward Cullen (Robert Pattinson), um jovem admirado por todas as garotas locais e que mantém uma aura de mistério em torno de si. Eles aos poucos se apaixonam, mas Edward sabe que isso põe a vida de Isabella em risco.*


E nessa trama neo-teen (expressão que acabo de inventar) de 2008, o mundo foi apresentado à versão cinematográfica da série de livros “Crepúsculo”. Romances, vampiros e hormônios da puberdade delicadamente entrelaçados para agradar os adolescentes.

Não vi o filme. Não li o livro. Sim, usei descaradamente a marca registrada apenas para chamar atenção. Porém, antes de você me xingar muito no Twitter, eu queria ensinar pra você uma coisa muito interessante que tem a ver com a palavra “crepúsculo”. Você é do tipo curioso, não é? Se não fosse, não chegaria até aqui. Então “senta que lá vem história”.

“Crepúsculo” é uma palavra usada para descrever a fraca luz natural logo que o Sol está se pondo, ou logo após ele nascer. Ou seja, tem a ver com o nascer e o pôr do Sol. Quantas vezes você já teve a oportunidade de parar e observar esses momentos que acontecem todos os dias?


E olha que coisa: você sabia que, biblicamente, a hora do pôr do sol é o momento de alteração do dia? É claro que hoje nós trabalhamos com o horário do relógio: amanhã, a quinta-feira, começa no exato momento em que chegarmos à meia-noite de hoje. Mas na época dos escritos da Bíblia não havia relógio, e observar o Sol era muito mais simples e eficiente. E isso vem desde o relato da criação. Veja:

E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
Gênesis 1:5

Repare na ordem: primeiro vem a “tarde” (na verdade, significa noite – período do dia sem Sol) e depois o dia (período do dia com Sol). Ou seja, na forma como se vivia nos tempos bíblicos, a primeira parte do dia (período de 24 horas) era a noite! A segunda era a manhã. Começava quando ficava escuro, no pôr do sol, e durava até o próximo pôr-do-sol.

Se você é amigo de algum adventista do sétimo dia, de algum batista do sétimo dia ou de algum judeu, deve saber que ele “guarda o Sábado” (leia Êxodo 20:8-11). O que você talvez não saiba é que esse período de 24 horas que ele dedica a Deus, conforme ordem Divina, não começa na meia-noite de sexta e dura até a meia-noite de sábado (para domingo). E, sim, vai de pôr do sol a pôr do sol, do de sexta ao de sábado.


Bom, é isso. Não tem spoiler final, hoje. Ratifico que não sei nada sobre a saga Crepúsculo. Mas, se você é fã do filme, não ia descobrir nada novo aqui, e se não viu, ainda pode ver sem que eu tenha estragado nada. Vamos ao que é mais importante: em ambos os casos você aprendeu mais sobre Deus, a Bíblia, e o Sábado, o dia especial de Deus.

Se a curiosidade clamar por mais, deixe um comentário aqui embaixo que a gente responde.

Não peço que concordem, espero que reflitam!

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Referência:

* http://www.adorocinema.com/filmes/filme-131377/ - acessado em 03/03/2017.


terça-feira, 28 de março de 2017

DIAS DE LUTA, DIAS DE GLÓRIA


DIAS DE LUTA, DIAS DE GLÓRIA
Airton Sousa - Direto de Florianópolis Paciência/RJ

Hoje é um dia especial e você já vai entender o porquê. “Segura as pontas”, aí, pois preciso fazer uma introdução caprichada antes de falar o que interessa mesmo.

Eu quero falar de vitória. E toda vez que penso em escrever sobre dias de glória ou de vitória, me vêm à memória as lembranças de Ayrton Senna. Herói, campeão brasileiro de F1. O maior ídolo de todos os tempos. Incomparável, Ayrton encantou nossas manhãs de domingo e o Galvão narrava assim:

- Lá vem Ayrton, trazendo na ponta dos dedos, para vencer mais uma... Vem Ayrton, vem Ayrton, Ayrrrrrrrrrrrrrrton Senna do Brasil...
(tan tan tan, tan, tan...)

E o domingo estava pronto para ser festivo durante todo o dia.



Todos nós também temos nossos dias de glória. Você mesmo teve seu dia de glória quando aquela pessoa que você amava lhe disse “sim”. Quando seu bebê nasceu. Quando você casou... Momentos de felicidade, momentos de vitória.

Eu gosto muito da letra da música do Charlie Brow Junior:

A vida me ensinou a nunca desistir, nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir. Podem me tirar tudo que tenho, só não podem me tirar as coisas boas que eu já fiz para quem eu amo.

E eu sou feliz e canto e o universo é uma canção e eu vou que vou. História, nossas histórias. Dias de luta, dias de glória...

Meu dia de glória foi o dia 28 de março de 2016, e hoje estou comemorando um ano... sem cigarro!

Na época, escrevi uma série de posts - “Como deixei de fumar em quatro dias”:

Quando acordei naquela manhã estava chovendo muito, e como eu tinha decidido parar de comprar cigarros, fiquei com preguiça de ir na chuva até a casa da minha irmã para pedir um cigarrinho. Escovei os dentes, fiz o gargarejo. Não fumei a manhã inteira. Foi tenso. Eu precisava de um cigarro de qualquer jeito, mas eu podia evitar, eu tinha que evitar. A mensagem veio à minha mente: “Decidi parar de fumar”... “decidi parar de fumar”... Decidi, então, ficar em jejum para limpar o organismo e tentar manter a calma.



Lembrei-me da dica da doutora Michele: “Não se irrite. Evite atropelos. Fuja do café, do cigarro e mantenha-se firme. Hoje é dia de vitória. Vá em frente. ”.

Hoje, passado um ano, já consigo correr 3 quilômetros todas as manhãs. Tenho mais disposição durante o dia inteiro. Nunca mais precisei fumar pontinhas nem guimbas do cinzeiro porque não tinha mais moedas para inteirar para comprar cigarro. Não preciso mais fumar quando eu acordo. Não sinto vontade de dois cigarros depois das refeições. Durmo muito melhor. Minhas horas de sono são dobradas.

Foi numa dessas manhãs de domingo, enquanto caminhava com minha irmã Lucia pela ciclovia de Paciência, que ela me disse: “Mano, hoje faz 50 dias que parei de fumar.”. Esse foi mais um sinal de que eu fiz a escolha certa e de que agora estava influenciando a minha irmã a fazer o mesmo.

Para se ter uma ideia da tragédia que é o cigarro, em todo o mundo morrem mais pessoas de doenças relacionadas ao tabagismo do que de AIDS, álcool, drogas ilegais, assassinatos, suicídios e acidentes automobilísticos juntos. 

O cigarro é diretamente responsável por:
9 em cada 10 mortes por câncer de pulmão.
3 em cada 10 mortes por qualquer tipo de câncer.
3 em cada 10 mortes por doenças cardiovasculares.
8 em cada 10 casos de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), como o enfisema pulmonar ou a bronquite crônica.
1 em cada 2 mortes de fumantes.


Eu consegui. A Lucia está conseguindo. Você também vai conseguir. Comece por decidir parar; depois você vai trabalhando sua decisão, dia a dia, um dia de cada vez. Cada dia, até o último dia.

Hoje é dia de escolhas. Escolha a Vida! E pode mandar tocar o tema da vitória! Hoje sim, hoje sim!!!


segunda-feira, 27 de março de 2017

NEM SEMPRE POSSO OUVIR VOCÊS

NEM SEMPRE POSSO OUVIR VOCÊS
Maria Paula – Niterói/RJ

A minha melhor amiga é surda. Na verdade, ela é mais que amiga. Deus nos concedeu a graça de termos laços sanguíneos. Minha melhor amiga é minha prima. Crescemos juntas, na região Nordeste do Brasil, mais precisamente em Natal, capital do RN.

Brincamos de tudo o que uma criança tem direito: subir em árvores, encenar narrativas inventadas por nós mesmas e nossos irmãos, reviver experiências (escolinha, santa ceia e afins). Tínhamos umas brincadeiras exóticas, também, como a da moradora de rua que se encontrava com uma mulher extremamente rica que lhe tirava da pobreza extrema. Vez ou outra brincávamos de encenar esse drama, por nós inventado, e que tinha um final feliz. Gostávamos de finais felizes. 

O tempo passou e quando minha prima tinha 10 anos, e eu oito, soube que ela e sua família se mudariam para São Paulo. Não teríamos mais as nossas aventuras com frequência e eu não teria mais que explicar pras pessoas o que ela estava falando, caso não entendessem (o que acontecia com mais frequência do que gostaríamos... às vezes, acho que as pessoas têm um pouco de má vontade para entender as outras... naquela época, ela não falava como uma ouvinte nativa do português oral, mas como uma surda oralizada... e dava pra entender, sim).

Quando soubemos da mudança, além da despedida entre famílias - a minha e a dela - com abraços, minha mãe despediu-se com um livro, de nome "Nem sempre posso ouvir vocês". Minha prima já lia muito bem e entendia o que as pessoas falavam fazendo leitura orofacial, então minha mãe lhe disse para levar esse livro para a nova escola, no primeiro dia de aula, e mostrar à professora. E, assim, ela o fez.

Era preciso que soubessem que, nem sempre, ela poderia ouvir. Era preciso que algo muito importante fosse comunicado. Era preciso comunicar a diferença.


Comunicar é tornar comum, e nossas diferenças são a coisa mais comum do mundo. É preciso tornar comum até o que é comum. As coisas não são claras até que falemos sobre elas. Falar sobre as diferenças é, muitas vezes, um tabu. Parece haver certo medo (que não dá pra saber se é anterior ao preconceito ou não) de falar abertamente sobre o assunto.

Mas, na verdade, qual seria a graça do mundo se fôssemos todos iguaizinhos? Tenho, em mim, a ideia de que Deus criou todos diferentes para que cada um pudesse ser amado de um jeito único. A igualdade do amor de Cristo é amar a cada um dentro da possibilidade individual de compreensão desse amor. Ele ama de um jeito que cada um pode se sentir amado.

Uns nem sempre podem nos ouvir, outros talvez não andem com suas próprias pernas, mas o amor de Cristo pode alcançar a todos quando Ele nos chama para sermos pequenos Cristos para quem, talvez, não se sinta amado.

 
Que sejamos nós os ouvidos de quem nem sempre pode ouvir e as pernas de quem não caminha com elas. O ouvido amigo oferece atenção e se mostra presente em momentos de angústia. As pernas nos levam aos destinos desejados e podem nos ajudar a carregar quem precise chegar lá.

Como dizem por aí: que sejamos nós a mudança que queremos ver no mundo.

E que, sempre, possamos ouvir o outro - se não com os ouvidos, ao menos com o coração.