sábado, 24 de junho de 2017

Jackson Valoni – Angra dos Reis/RJ 

Comprei um Playstation 4 e parcelei em 10 vezes. Havia uma promoção muito boa nas Lojas Americanas, fiz cara de coitado pra Pamela e ela me deixou comprar. É ela quem controla as finanças daqui de casa. Nossas finanças estão descontroladas.

2017 será um divisor de águas em minha vida. Vou pra Disney. A terra do Mickey me encanta e eu deveria ter ido pra lá em 2014, mas como minha irmã teve o visto americano negado no dia da entrevista (Juliana falou um monte de besteira pra moça), tive que mudar meus planos e acabei indo pra Israel.

Mas 2017 é o ano, agora vai. Não há dinheiro, mas no decolar.com a gente consegue parcelar a passagem em 10 vezes (que nem meu vídeo game).

Este texto tá parecendo um daqueles programas de televisão cheio de merchandising.

Eu não sou muito acostumado com coisa chique. Fui saber o gosto de salada Caesar há uns dois anos. Petit gateau, idem. Recentemente Pamela me apresentou um tal de tiramisú. Eu cresci comendo biscoito de maizena molhado no leite, pão Plus Vita com manteiga, Creme Cracker com queijo minas. Esses eu compro à vista.

Nesses planos de viagem que temos feito, percebemos que é impossível prever tudo. A gente (Pamela) faz uma estimativa de gastos, tenta controlar cada centavo por dia, mas sempre haverá algo imperdível fora do combinado.

Eu viveria me aventurando por aí, conhecendo coisas chiques com a moça que vai escrever o texto amanhã aqui no blog. “Onde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!” (Rute 1:16). O problema é: se toda vez que eu quiser viver fortes emoções tiver que parcelar em 10 vezes, terei que começar a fazer poesia pra vender em Paraty.

Dia em que participei de um concurso de poesia em Paraty.
Fracasso total.
 
O fato é: “pra tudo se dá um jeito, menos pra morte”, como diz vovó Maria. Mas Deus me mostra que até pra morte tem solução, e o pra sempre nunca acaba.

Meu desejo é que você busque viver consciente da nova casa em que logo irá morar, lá no Céu, quando Jesus voltar e nos levar com as pessoas que amamos. Esse é o lugar onde viveremos em paz, a verdadeira paz. Onde tudo fará sentido.

Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro... Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.

Jesus está voltando.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

SIM, A GENTE CHORA.


SIM, A GENTE CHORA.
Denize Vicente – Cidade (ainda) Maravilhosa/RJ

Você viu a chuva de terça-feira. Onde eu moro caíram gotinhas. A uns quilômetros daqui foi quase um dilúvio. Gente perdeu casa, perdeu bens. Vidas quase se perderam na correnteza. Desabamentos. Mas passou. Oficialmente, “o Rio passou no teste da chuva”1. Será? Eu só sei que choramos...


Há poucas semanas, no começo deste mês, Jackson estava sofrendo a dor de perder sua tia – coração puro, um ser bondoso e amável, que viveu como Jesus viveu, mas que partiu depois de muito sofrimento com uma doença que dilacera o nosso coração e nos comove sempre que faz mais uma vítima... Choramos junto a dor que ele sentiu.

Faz alguns meses, quase todos os passageiros e tripulantes de um avião que levava um time de futebol para jogar no exterior morreram, e a gente se viu chorando por famílias e sonhos que ficaram despedaçados...

São muitas coisas tristes... Você tem suas particulares histórias de lágrimas também, eu sei.


Mas um dia se segue ao outro dia. O desespero do ontem, às vezes manifestado com gritos de horror e agonia, dá lugar aos poucos a um silêncio doído, um choro quieto e amargo. Nessa hora nada acalma o coração, a não ser o pensamento em Deus - Aquele que conhece o fim desde o princípio - o Único capaz de enxugar nosso pranto. E eu nem sei como. Há muitas coisas que não se explicam, neste mundo. E mesmo quando explicadas, não se justificam. Não são justas. Não podiam ter acontecido. Não. E não. Nunca. A fé, num Deus que não nos abandona, jamais, e que tem braços de amor do tamanho do mundo, para nos abraçar, serve de amparo e consolo quando tudo falha. E se você não crê nisso, tudo fica ainda muito mais difícil... E pensando nisso foi que me lembrei deste texto do Rubem Alves. E quero compartilhar com você.


Os trinta e três nomes de Deus2

De vez em quando perguntam-me se acredito em Deus. Mas é claro. Acredito mais que a maioria das pessoas. Tenho até trinta e três nomes para ele. Esses nomes foi a Margueritte Yourcenar que me contou. Ela foi uma escritora maravilhosa, autora do livro Memórias de Adriano, quem lê nunca mais esquece, quer ler de novo. Pois esses são os trinta e três nomes de Deus que ela me ensinou. É só falar o nome, ver na imaginação o que o nome diz, para que a alma se encha de uma alegria que só pode ser um pedaço de Deus... Mas é preciso ler bem devagarinho... 1.Mar da manhã. 2.Barulho da fonte nos rochedos sobre as paredes de pedra. 3.Vento do mar de noite, numa ilha... 4.Abelha. 5.Voo triangular dos cisnes. 6. Cordeirinho recém-nascido.... 7.Mugido doce da vaca, mugido selvagem do touro. 8.Mugido paciente do boi. 9. Fogo vermelho no fogão. 10.Capim. 11.Perfume do capim. 12.Passarinho no céu. 13.Terra boa... 14.Garça que esperou toda a noite, meio gelada, e que vai matar sua fome no nascer do sol. 15. Peixinho que agoniza no papo da garça. 16. Mão que entra em contato com as coisas. 17.A pele, toda a superfície do corpo 18. O olhar e tudo o que ele olha. 19.As nove portas da percepção. 20.O torso humano. 21.O som de uma viola e de uma flauta indígena. 22.Um gole de uma bebida fria ou quente. 23.Pão. 24.As flores que saem da terra na primavera. 25.Sono na cama. 26. Um cego que canta e uma criança enferma. 27. Cavalo correndo livre. 28.A cadela e os cãezinhos. 29.Sol nascente sobre um lago gelado. 30.O relâmpago silencioso. 31. O trovão que estronda. 32.O silêncio entre dois amigos. 33.A voz que vem do leste, entra pela orelha direita e ensina uma canção...

Agradeço ao Carlos Brandão por haver me apresentado os trinta e três nomes de Deus da Margueritte. Não é preciso que sejam os seus. Faça a sua própria lista. Eu incluiria: Ouvir a sonata Apassionata de Beethoven. Sapos coaxando no charco. O canto do sabiá. Banho de cachoeira. A tela “Mulher lendo uma carta”, de Vermeer. O sorriso de uma criança. O sorriso de um velho. Balançar num balanço tocando com o pé as folhas da árvore... Morder uma jabuticaba... Todas essas coisas são os pedaços de Deus que conheço... Sim, acredito muito em Deus.
Rubem Alves - Quarto de Badulaques (LXXX)


As lágrimas de solidariedade que choramos, as lágrimas que derramamos pelo sofrimento de amigos ou de desconhecidos que nunca vimos, mas que não queríamos que experimentassem a angústia e a aflição, o desabrigo, a perda dos seus bens materiais e de bens maiores, como de entes queridos... para mim também são pedaços de Deus que eu conheço. “Sim, acredito muito em Deus.”


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Referências:

1.    A cidade do Rio passou no teste da chuva? – disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/a-cidade-do-rio-passou-no-teste-da-chuva-21505097 - acessado em 21.06.2017.

2.    Rubem Alves – Crônicas - disponível em www.institutorubemalves.org.br/ - acessado em 21.06.2017.
 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

SEM QUERER QUERENDO

SEM QUERER QUERENDO
Vinícius Mendes

Pois a boca fala do que o coração está cheio. A pessoa boa tira o bem do seu depósito de coisas boas, e a pessoa má tira o mal do seu depósito de coisas más. Mateus 12:34, 35

Você já trocou sem querer o nome de uma pessoa muito próxima? Freud explica. Isso pode ter sido um ato falho, que, segundo a psicanálise, ocorre quando alguém diz o que está pensando e não o que quer dizer de fato. Nas palavras do personagem Chaves, foi “sem querer querendo”.


Assim, as pequenas confusões do dia a dia podem revelar as profundezas do chamado inconsciente, que, segundo Sigmund Freud, é a camada da mente onde são acumulados os sentimentos que não queremos reconhecer e expressar. Às vezes, eles rompem a barreira e aparecem na fala, causando desconforto.

Para que a linguagem dos cristãos seja pura e edificante (e sem atos falhos) é preciso alimentar a mente com conteúdo santo. O resultado é uma linguagem condizente com o que se espera de alguém que foi salvo por Jesus.

No entanto, se o coração não for exposto diariamente a Deus, o pecado tem acesso à mente, fortalecendo as trevas ao invés da luz. E o resultado será uma linguagem que pode, em algum momento, traduzir a podridão subterrânea da mente, tomando forma em palavrões, injúrias e grosserias.

No tempo de Cristo, os fariseus bancavam a imagem de santarrões. Procuravam demonstrar por meio de suas palavras e atos públicos uma suposta santidade que, em realidade, muitos deles não tinham.


Ao se posicionarem contra o Senhor, entretanto, estavam sendo traídos pelas próprias palavras, e o inconsciente mau e impuro deles vinha à tona, sem que percebessem. Queriam manter a posição de pessoas boas, mas, “sem querer querendo”, suas palavras contra Cristo deixavam claro quem eles de fato eram, ou seja, ímpios travestidos de gente boa.

Você não precisa ser traído por palavras que aparecem de repente. Abra seu coração para Jesus, e sua linguagem vai revelar somente a pureza de uma vida que aprendeu a amar a Deus sobre todas as coisas.


Neste dia, o Espírito Santo deseja fazer uma limpeza em seu coração. Se você permitir, toda vez que abrir a boca, as palavras revelarão amor e santidade que transbordam de sua vida. E até “sem querer querendo” você vai testemunhar de Jesus.




(Vinícius Mendes - SIGA O MESTRE – Inspiração Juvenil. Tatuí, SP, Brasil: CPB, 2017)