sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO
(Por Denize Vicente)

Quantas vezes durante este ano você esteve do lado certo, se viu fazendo a coisa certa, do jeito certo, ao mesmo tempo em que viu gente se colocando do lado errado, fazendo a coisa errada e do jeito mais errado possível? Triste, porque percebeu que aqueles que fizeram tudo errado estavam se dando bem, e que tudo estava dando errado pra você que tinha feito as coisas direitinho, você olha pro céu e pergunta: - Como assim, Deus? Como assim? Não estou entendendo nada!

Tentado a sentir amargura, sem encontrar resposta para cada “por quê?”, o homem, muitas vezes, é tomado pela raiva, ou pela depressão, por sentimentos de inveja e desgosto... mesmo as pessoas mais sinceras e justas agem com revolta ou insensatez.

Eu estava lendo a letra de uma das doze músicas compostas por Asafe, um músico da antiguidade. A certa altura ele diz mais ou menos assim:

Quando o meu coração estava amargurado
e no íntimo eu sentia inveja,
agi como insensato e ignorante;
minha atitude para contigo era a de um animal irracional...”

Ele ‘tava falando isso pra Deus.
Conhecer a história que envolve a composição de u’a música é sempre muito interessante. Eu, pelo menos, gosto muito. As músicas passam a ter um sentido mais forte e começam a ter maior significado, pra mim...

Pois bem.
Asafe viveu um momento de crise existencial, por assim dizer, numa fase da sua vida. Exatamente porque estava se deparando com aquela triste realidade: os maus tendo sucesso, os arrogantes prosperando. E ele, nada! Então, teve inveja. Ficou sem norte, tonto, irritado, revoltado com a falsa impressão de que seu cuidado em ser justo e correto não lhe rendia absolutamente nada.

Quantas vezes na sua vida você viveu a mesma experiência? Quantas vezes, neste último ano, olhou pro lado e viu alguém todo errado prosperar e se dar bem, enquanto você, sendo honesto, não arruma emprego, não tem a saúde que desejaria ter, sofre, e parece que é castigado todas as manhãs? Qual foi a última vez que você sentiu a espécie de inveja e aflição que Asafe sentiu?

“(...) quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles.

Asafe. Essa música traz a expressão da sua amargura. A dor de alguém que pergunta sem encontrar resposta: “Que tipo de Deus é esse incapaz de ouvir a voz dos Seus próprios filhos chamando?”.

E no meio dessa crise toda ele sai pra pensar. Vai meditar. A música que compôs é um relato, digamos, do tempo em que ele ficou meditando... A letra completa você encontra na Bíblia (Salmos 73).

Nos versos 16 e 17 ele diz assim:
“Então eu me esforcei
para entender essas coisas,
mas isso era difícil demais para mim.
Porém, quando fui ao teu Templo, entendi
o que acontecerá no fim com os maus”.

Em outra versão:
“Quando tentei entender tudo isso,
achei muito difícil para mim,
até que entrei no santuário de Deus,
e então compreendi o destino dos ímpios.”

O santuário, entendiam os israelitas, e Asafe era um levita, não era, exclusivamente, o templo construído, aquele espaço físico. Templo significava a própria presença de Deus, e eu acho que foi nesse sentido que Asafe “entrou no santuário”. As coisas começaram a fazer sentido pra ele quando ficou a sós com Deus. Ele e o seu Deus. Pronto. De repente, a mente foi ficando clara para que percebesse que “nem tudo que reluz é ouro”.


Às vezes, ou melhor, muitas vezes, pra compreender certas coisas é preciso que a gente saia do meio do burburinho, do fogo cruzado, do ambiente em que a gente vive. Pra falar com Deus sem interferências, e ouvi-lo. Não se trata de ficar sozinho “para ouvir a sua voz interior”, não é mera introspecção, autoavaliação, reflexão filosófica, porque, como ele disse: “em só refletir para compreender isso, achei mui pesada a tarefa para mim...”. O lance é “entrar no santuário”.

É aí, então, que ele se toca de que tinha sido levado pela falsa impressão de que aquele brilho na vida dos ímpios era ouro. Asafe entende que, “na verdade, Deus é bom (...), ele é bom para aqueles que têm um coração puro”. Esses são os primeiros versos da música, mas se você não conhecesse a história toda, não saberia o quanto o cara sofreu pra ter essa certeza e escrever isso logo de cara.

Então, fica combinado assim: na próxima vez em que você for tomado por sentimentos de amargura e não compreender as coisas que estão acontecendo, “entre no santuário”; e só saia de lá quando tiver suas respostas. E, de repente, quem sabe... a letra da sua próxima música!


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