segunda-feira, 1 de maio de 2017

FRÁGIL COMO FOLHAS DE OUTONO


FRÁGIL COMO FOLHAS DE OUTONO
Maria Paula Guimarães – Niterói, RJ

Dia desses, contei aqui da partida de um amigo. Eu disse que ele era, na verdade, amigo de um amigo – acho engraçada essa categorização de gente que costumamos fazer. Eu disse que ele se foi. Não porque decidiu ir, mas porque a vida, sendo frágil, insistiu em partir-se dele. A vida é assim. Escorre por entre os nossos dedos e surge sobre os nossos braços, frágil, de repente, num mundo já pronto, mas sempre despreparado para um novo alguém.

Existir é sempre uma fragilidade. Fingimos que não, pra que seja divertido, pra que achemos graça, pra que viver seja doce, ainda que a vida seja frágil. Frágil, como folhas de outono, como diz a canção dos Arrais. E tudo o que é frágil requer cuidado. Cuidar exige paciência. E paciência é essa coisa meio chata que nos faz entender que nem todo dia é verão, nem todo dia é primavera ou inverno. Às vezes, simplesmente, é outono. E as folhas caem. E os sonhos não acontecem do jeitinho que gostaríamos. E, quando olhamos pra fora, sabe-se lá por que, as folhas estão todas pelo chão. Nada faz sentido. Num ímpeto de desespero, tentamos pôr no pé de novo. Mas elas não ficam. Secaram.


Olhar da janela o caos ao redor não parece uma boa ideia. Dá uma sensação de impotência devastadora. Um negócio ruim, que não dá pra explicar. Dentro de algum lugar de nós bate um desespero. Desesperar-se é, justamente, não saber lidar com a espera. Mas se pensarmos que Quem criou o tempo, por ser Eterno, não precisava disso, algumas coisas começam a tomar novo sentido.


Quando lemos as palavras inspiradas por Aquele que é Eterno, encontramos, em Eclesiastes 3:1, que há tempo para todo propósito debaixo do céu. Pode parecer irônico ler a Eternidade falando sobre a temporalidade da vida - algo que está abaixo dEle. Mas Deus foi muito didático ao explicar o tempo e ao criá-lo. Ele o fez por e para a humanidade.

Porque a existência humana é temporalmente organizada, há momentos de chuva, de sol, de folhas caindo e de flores brotando. Aquele que é Eterno o é também em sabedoria e, por isso, sabia que precisaríamos ver as estações acontecendo do lado de fora para que entendêssemos que, às vezes, elas acontecem também do lado de dentro. E passam, assim como as de fora.


Hoje, as folhas podem estar caindo lá fora e a temperatura, mais amena no coração, mas Deus nos diz que há tempo para todo propósito debaixo do Sol. Há o tempo da fragilidade das folhas de outono, sim. Há tempo também de sentir o frio do inverno lá dentro da alma. Mas, logo, logo, quando a Terra girar mais um pouquinho, as flores tão bonitas da vida voltarão a enfeitar nossos dias. E melhor do que isso é que, muito, muito em breve, nem nos preocuparemos mais com essas estações – internas ou externas; porque, na Eternidade que Ele nos está preparando, os dias serão sempre coloridos e floridos. Até lá, tenha paciência para lidar com a fragilidade do outono, pois há tempo para todo propósito.

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