quarta-feira, 31 de agosto de 2016

QUE REI SOU EU?


QUE REI SOU EU?
Por João Octávio Barbosa

Roubo o título da coluna de hoje de uma famosa novela global do século passado. Na Inglaterra, houve um rei chamado Henrique VIII. Ele sabia que era rei, mas decidiu acumular outro cargo. O de papa. Por isso, abandonou a Igreja Católica para fazer sua própria religião, criando o Anglicanismo.


Obviamente, Henrique VIII tratou de se nomear o líder da nova fé. Com tal liberdade, pôde se separar de sua esposa (a qual acreditava ser estéril e incapaz de lhe dar um filho herdeiro) sem ser repreendido pelo Bispo de Roma.

Minha menção a essa história quase medieval não é apenas porque hoje, 31 de agosto, é o 794° aniversário de morte de Henrique V (três Henriques antes do oitavo), o que, aliás, é completamente irrelevante (mas peguei a mania de citar um aniversário em todos os textos e agora vai ter que ser assim até dezembro), mas principalmente porque essa estranha ligação entre monarquia e fé me remete a outro rei, nosso Perfil Sem Curtidas de hoje.


Nabucodonosor, um dos nomes mais interessantes da Bíblia, como a gente percebe de primeira, viveu uma grande bipolaridade espiritual. A vida dele é uma caixinha de surpresas. Um personagem extremamente enigmático.

Eu não sei se alguém já se interessou em fazer uma biografia de Nabuco (apelido carinhoso que reduz bastante o tamanho do meu texto de hoje). Esse livro daria um grande trabalho. Porque Nabuco tem a rara capacidade de deixar o leitor bíblico confuso sobre se ele era do bem ou era do mal. Ou ele era dos dois?


Estamos falando de um rei que destruiu Israel, o povo separado de Deus (Esdras 5:12). Ah, ele era do mal. Mas os profetas bíblicos dizem que ele fez isso guiado por Deus (Jeremias 32:28). Ah, então ele era de Deus. Mas ele roubou objetos sagrados do Templo de Jerusalém e profanou em templos pagãos (Esdras 5:14)! Poxa, então ele era super do mal! Mas ele recebeu o poder de Deus para tomar tudo nas terras de Israel, até os animais (Jeremias 27:6)! Caramba, então ele era do Senhor!

Gente, quem era esse cara?


Em Daniel, ele é o bom rei que percebe a dieta melhor dos rapazes judeus. Depois, ele é o cruel homem que exige de seus conselheiros que adivinhem o sonho que ele teve, sem nenhuma pista, para depois interpretá-lo! Então, ele é o humilde rei que reconhece o poder de um Deus muito acima dele quando Daniel decifra o mistério, e dá os méritos para Jeová.

Em seguida, ele é o prepotente e sonso político que reinterpreta a seu bel-prazer a profecia que Daniel traduzira em seu sonho. É o sanguinário carrasco que joga pessoas numa fogueira por intolerância religiosa. É o privilegiado pecador que vê Jesus. É o homem que se converte de novo ao rever o poder de Deus.


Não acabou. Nabuco foi aquele que contou uma história pessoal, em Daniel 4, de como caiu uma última vez em seu próprio orgulho e senso de divindade. Por se engrandecer demais, ele afirma ter passado por um período de total insanidade, a ponto de viver como um verdadeiro animal largado no mundo. Após sete anos, Nabuco recobra a consciência, adora a Deus, e se converte pela milésima vez.


Nabucodonosor, que homem, que nome, que legado! De fato, falta-me certeza para pegar todas essas informações do que ele fez, viveu e escreveu, e definir que tipo de pessoa ele era aos olhos de Deus. Era um Maluco Beleza babilônico.

Na história de hoje aprendemos que... uma vida de altos e baixos espirituais não é, necessariamente, uma realidade apenas da complexa vida globalizada/tecnológica/virtual do século XXI. Tem gente que funda a própria igreja para atender seus interesses pessoais. Outros passam a vida inteira como “Cristãos Raimundos” (um pé na igreja, outro no mundo). E mais outros, que têm outros "problemas" em seguir todas as regras de uma fé rasa.

Recomendo-lhe o poder da resiliência se você for um Nabuco. E a força da paciência se você conhecer um Nabuco bem de pertinho. Que você seja a âncora dessa pessoa torta, que trilha seu caminho até Jesus. Que você seja o sábio Daniel para esse rei que não sabe quem é de verdade.


Não peço que concordem, espero que reflitam!




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