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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

CARIOCA DA GEMA, SIM SENHOR!


CARIOCA DA GEMA, SIM SENHOR!
Airton Sousa - Direto de FLORIANÓPOLIS Paciência/Rio de Janeiro/RJ

Dos meus tempos de morador de São Paulo, eu lembro que a primeira reação que as pessoas tinham quando reparavam no meu sotaque era me chamar de “carioca”, mesmo eu não tendo nascido no Rio de Janeiro - mas elas não sabiam disso. Eu sempre fiz questão de me mostrar “um carioca legitimo fora da sua cidade”. Assim, meu sotaque era mais chiado que o de costume, meus “S” tinham mais som de “X” do que mesmo a maioria dos próprios cariocas que moravam lá também. Eu fazia questão de ser carioca, de falar do “Mengo” e ressaltar as belezas da cidade. A paulistada correspondia e me chamava de “carioca”.

Até o dia em que fui morar em Campo Grande, ali pelos lados de Santo Amaro, na zona sul, e conheci o Paulinho, hoje meu grande amigo. Quando fui apresentado como “carioca”, ele me olhou de cima a baixo e disse:

- Você é carioca, com essa cara de “Joãozinho Trinta”? Nunca!

Tremi. Meu segredo estava para ser descoberto... Naqueles anos todos de sampa nunca ninguém havia contestado a legitimidade da minha carioquice. Esse era um segredo que eu guardava a sete chaves. Meus documentos todos nunca ficavam visíveis. Eu fazia muita questão de ser carioca e de ser reconhecido como tal.

- Ah, eu sou carioca, sim; sou filho de nordestinos, mas nasci no Rio. Sou carioca da gema.

Que grande bobagem!

O segredo foi descoberto, numa bela manhã de domingo. Enquanto eu estava no banho, um amigo entrou lá em casa. E enquanto me aguardava, na sala... Eu havia esquecido os meus documentos na mesinha e quando saí do banheiro o amigo estava com minha carteira de identidade nas mãos e me disse:

- Quer dizer que você nasceu em Caxias, no estado do Maranhão... e esse tempo todo “pagando” de carioca... Você é uma fraude mesmo.

Bem, se alguém ainda tinha dúvidas... não há mais. Eu não sou carioca, e embora tenha vivido aqui no Rio desde os meus primeiros anos de vida, embora tenha mania de ir ao shopping de Havaianas e regata, embora tenha todos os costumes, o que vale é o que consta na minha Certidão de Nascimento e na Carteira de Identidade. E o que consta é que eu nasci em Caxias-MA. Foi o fim de uma era...

- Amigão, que fraude! E essa cara de Marlene Matos nunca me enganou!


O convite de hoje é para sermos novas criaturas, adquirindo uma identidade que nos torna incorruptíveis, filhos de Deus. O chamado é para sermos renovados na cruz de Cristo. Isso é tudo que temos para hoje. E é lindo demais! É uma nova chance de recomeço.


”Portanto, abandonem a velha natureza de vocês, que fazia com que vocês vivessem uma vida de pecados e que estava sendo destruída pelos seus desejos enganosos. É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados. Vistam-se com a nova natureza, criada por Deus, que é parecida com a sua própria natureza e que se mostra na vida verdadeira, a qual é correta e dedicada a ele”. Efésios 4:22-24

Graças a Deus eu entendi que a única identidade que vale é aquela para a qual Deus nos chamou.

E assim começamos uma nova temporada. Novos caminhos, nova vida, novos dias, nova identidade.

“Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas.” II Coríntios 5:17

E nunca esqueça, meu amigo, quem define você não é a sua velha identidade comida pelo tempo, não é o lugar de onde você veio nem para onde você vai. Quem o define não é o caráter torto, sua personalidade distorcida, seus traços mal riscados. Quem define você é a Graça de Deus. E isso basta para começar um ano novo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

QUE REI SOU EU?


QUE REI SOU EU?
Por João Octávio Barbosa

Roubo o título da coluna de hoje de uma famosa novela global do século passado. Na Inglaterra, houve um rei chamado Henrique VIII. Ele sabia que era rei, mas decidiu acumular outro cargo. O de papa. Por isso, abandonou a Igreja Católica para fazer sua própria religião, criando o Anglicanismo.


Obviamente, Henrique VIII tratou de se nomear o líder da nova fé. Com tal liberdade, pôde se separar de sua esposa (a qual acreditava ser estéril e incapaz de lhe dar um filho herdeiro) sem ser repreendido pelo Bispo de Roma.

Minha menção a essa história quase medieval não é apenas porque hoje, 31 de agosto, é o 794° aniversário de morte de Henrique V (três Henriques antes do oitavo), o que, aliás, é completamente irrelevante (mas peguei a mania de citar um aniversário em todos os textos e agora vai ter que ser assim até dezembro), mas principalmente porque essa estranha ligação entre monarquia e fé me remete a outro rei, nosso Perfil Sem Curtidas de hoje.


Nabucodonosor, um dos nomes mais interessantes da Bíblia, como a gente percebe de primeira, viveu uma grande bipolaridade espiritual. A vida dele é uma caixinha de surpresas. Um personagem extremamente enigmático.

Eu não sei se alguém já se interessou em fazer uma biografia de Nabuco (apelido carinhoso que reduz bastante o tamanho do meu texto de hoje). Esse livro daria um grande trabalho. Porque Nabuco tem a rara capacidade de deixar o leitor bíblico confuso sobre se ele era do bem ou era do mal. Ou ele era dos dois?


Estamos falando de um rei que destruiu Israel, o povo separado de Deus (Esdras 5:12). Ah, ele era do mal. Mas os profetas bíblicos dizem que ele fez isso guiado por Deus (Jeremias 32:28). Ah, então ele era de Deus. Mas ele roubou objetos sagrados do Templo de Jerusalém e profanou em templos pagãos (Esdras 5:14)! Poxa, então ele era super do mal! Mas ele recebeu o poder de Deus para tomar tudo nas terras de Israel, até os animais (Jeremias 27:6)! Caramba, então ele era do Senhor!

Gente, quem era esse cara?


Em Daniel, ele é o bom rei que percebe a dieta melhor dos rapazes judeus. Depois, ele é o cruel homem que exige de seus conselheiros que adivinhem o sonho que ele teve, sem nenhuma pista, para depois interpretá-lo! Então, ele é o humilde rei que reconhece o poder de um Deus muito acima dele quando Daniel decifra o mistério, e dá os méritos para Jeová.

Em seguida, ele é o prepotente e sonso político que reinterpreta a seu bel-prazer a profecia que Daniel traduzira em seu sonho. É o sanguinário carrasco que joga pessoas numa fogueira por intolerância religiosa. É o privilegiado pecador que vê Jesus. É o homem que se converte de novo ao rever o poder de Deus.


Não acabou. Nabuco foi aquele que contou uma história pessoal, em Daniel 4, de como caiu uma última vez em seu próprio orgulho e senso de divindade. Por se engrandecer demais, ele afirma ter passado por um período de total insanidade, a ponto de viver como um verdadeiro animal largado no mundo. Após sete anos, Nabuco recobra a consciência, adora a Deus, e se converte pela milésima vez.


Nabucodonosor, que homem, que nome, que legado! De fato, falta-me certeza para pegar todas essas informações do que ele fez, viveu e escreveu, e definir que tipo de pessoa ele era aos olhos de Deus. Era um Maluco Beleza babilônico.

Na história de hoje aprendemos que... uma vida de altos e baixos espirituais não é, necessariamente, uma realidade apenas da complexa vida globalizada/tecnológica/virtual do século XXI. Tem gente que funda a própria igreja para atender seus interesses pessoais. Outros passam a vida inteira como “Cristãos Raimundos” (um pé na igreja, outro no mundo). E mais outros, que têm outros "problemas" em seguir todas as regras de uma fé rasa.

Recomendo-lhe o poder da resiliência se você for um Nabuco. E a força da paciência se você conhecer um Nabuco bem de pertinho. Que você seja a âncora dessa pessoa torta, que trilha seu caminho até Jesus. Que você seja o sábio Daniel para esse rei que não sabe quem é de verdade.


Não peço que concordem, espero que reflitam!




sábado, 5 de setembro de 2015

IDENTIDADE


IDENTIDADE
(Por Jackson Valoni)

Todo mundo tem um nome, uma história. Até mendigos têm identidade. As pessoas são conhecidas pela sua individualidade e personalidade.

Queria saber por que um dos dedos da mão tem o nome tão discriminado... "Seu vizinho" vive em função do "mindinho"? Se o "Seu" fosse algo do tipo, "Ô, seu moço!", mas não... é um pronome que dá a ideia de posse. Como pode, o mindinho, tão miúdo, ter a posse do vizinho a ponto deste ser identificado como "seu vizinho".

Se essa falange tivesse vida própria, eu diria que ela é um exemplo de humildade ou submissão (negativamente falando). Jesus veio para servir, não para ser servido. Mateus 20:28

Ser humilde não se confunde com ser bobo, fraco ou covarde. Ser humilde é ter abnegação, saber ouvir, ser altruísta, aprender com diferenças, levar os dons e conhecimentos individuais para o crescimento alheio. Aproximar o bem comum.

"Seu vizinho" não é bobo, acho até que ele protege, de alguma maneira, o pequenino "mindinho". Muitos o chamam de "Anelar", nome que ilustra a nobre função de levar consigo a aliança, símbolo de uma conquista.

"Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a lei e os profetas" Mateus 7:12

Que saibamos ter empatia mesmo com as pessoas mais necessitadas, mas com a honra de quem leva consigo o símbolo mais valioso que pode haver no mundo: ser chamado como Filho de Deus.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

TABUADA



Tabuada
(Por Eduardo Santos)

“O homem é produto do meio”¹ e “A existência precede a essência”² são frases que costumamos ouvir nas aulas de filosofia no Ensino Médio. Desconsiderando alguns conceitos baseados em uma visão humana limitada, pode-se dizer que elas dizem a mesma coisa: aquilo que entendemos sobre como o ser humano é construído a partir do que se encontra a sua volta. A realidade desse fato é o que explica a formação de grupos com suas respectivas identidades, atualmente e no passado.

Digo isso com grande certeza, pois sei do que estou falando! Eu me enquadro em um enorme grupo desses. Seus membros são identificados onde quer que estejam, pois têm características bem peculiares. Estou me referindo ao grupo de ex-alunos do Colégio Pedro II.

Esse grupo exemplifica bem a definição das frases citadas acima; afinal, estudar no Pedro II, digo, viver lá dentro, torna o aluno inconfundível, pois “o Pedro II é um estado de alma”.³ Algumas pessoas comentam sobre a magia do Colégio Pedro II; não é algo para se entender, mas para se sentir. Aliás, alguns sentem até demais, não conseguindo conter as lágrimas ao ouvir o hino do colégio.

Há quem diga que isso é loucura, há quem simplesmente estranhe e também há quem inveje essa condição, caso de Nelson Rodrigues. O fato é que o aluno ou ex-aluno do Pedro II é um ser diferente. Como dizia Nelson Rodrigues, “os outros brasileiros deveriam aprender a rir com os alunos do Pedro II”.3

É quase impossível não manter acesa a chama que arde dentro do coração de uma figura dessas, uma vez que em todo lugar se encontra um louco desses que aproveita a hora de cantar parabéns em festas para recordar os bons momentos de CPII cantando algo que, atualmente, talvez simbolize mais o aluno do Pedro II do que o próprio hino do colégio: a Tabuada. Para aqueles que não conhecem, não é uma mera sequência de multiplicações; é um emblema que eu não deixaria de colocar aqui, aproveitando esta oportunidade para reviver momentos que passei:

Tabuada4
- Ao Pedro II, tudo ou nada?
- Tudo!
- Então, como é que é?
- É tabuada!
- 3 x 9, 27
- 3 x 7, 21
- menos 12, ficam 9
- menos 8, fica 1.
- Zum, zum, zum,
- Paratimbum,
- Pedro II!

Saudosismo à parte, todos nós vivemos em um enorme grupo - somos seres humanos -, estando expostos ao que encontramos pelo nosso vasto mundo. Coisas que nos moldam de acordo com os padrões do mundo. Afinal, somos produtos do meio! Mas em relação a isso, Jesus pede ao Pai por nós, seus seguidores, em sua oração sacerdotal. E diz assim sobre nós: “(...) eles estão no mundo. (...) Não são do mundo, como eu do mundo não sou.” (João 17:11 e 16).

Assim como Jesus, pertencemos a outra pátria. Em outras palavras, não devemos permitir que o mundo imprima sua identidade em nós. Paulo, inspirado por Deus, nos aconselha: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2).

Sobre a vontade de Deus, encontramos em Levítico 20:26: “E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus.”. A santidade da qual se fala, não é aquela apregoada por algumas igrejas, mas, sim, escolher ser separado para um propósito; e, nesse caso, Jesus apresenta tal propósito: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17). O desejo de Cristo é que escolhamos cumprir os preceitos apresentados na Bíblia.

Quando permitirmos que essa transformação seja feita em nós, seremos seres diferentes. E, então, quando isso acontecer, parafraseando Nelson Rodrigues, os outros seres humanos deverão aprender a viver conosco!

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Referências:
1-    Moraes, J. B. L. Homem, produto do meio, produto dos homens. Disponível em: <http://jblm.com.br/homem-produto-do-meio-produto-dos-homens/. >. Acessado em: 19/05/2015.
2-   KARL MARX (e a critica à consciência moderna). Disponível em: <http://celitomeier.com/anexos/OuvindoVozesEspirito.PDF.>. Acessado em: 19/05/2015.
3-    RODRIGUES, N. À sombra das chuteiras imortais  O Globo, 29/09/63. Disponível em: <https://blogdoguilhermedecarvalho.wordpress.com/2010/12/22/nelson-rodrigues-ve-o-colegio-pedro-ii/>. Acessado em: 19/05/2015.
4-    Tabuada. Disponível em: <http://www.cp2.g12.br/ocolegio/hino.htm>. Acessado em: 19/05/2015