terça-feira, 23 de agosto de 2016

A PIRA IMPROVÁVEL


A PIRA IMPROVÁVEL
Por Airton Sousa

“- É bem maior do que ganhar uma medalha. É a primeira vez que participo de uma abertura de Jogos.” - contou Vanderlei Cordeiro de Lima.


Até chegar a Vanderlei, a tocha passou pelas mãos de Guga, o dono do saibro e maior tenista da história do país, que, emocionado, passou para Hortência, a Rainha do basquete, que, celebrando muito, levou a chama até Vanderlei Cordeiro de Lima. Ele a recebeu, subiu as escadas e foi até a pira olímpica, no ponto alto da festa. Ele tocou a chama no caldeirão que subiu e a levou até a pira principal, que, então, se abriu para receber o fogo olímpico. Vanderlei garantiu que não sabia que seria o encarregado de acender a pira.

“- Foi uma surpresa muito grande. Eu não esperava. O meu grande momento nos Jogos, sem dúvida, era conduzir a tocha olímpica, como conduzi (em Brasília). Foi uma grande surpresa. Os deuses do Olimpo, mais uma vez, me presentearam. Tenho uma enorme gratidão!” – contou. (1)

Neste mês de agosto comecei esta série de textos sobre os Jogos Olímpicos mencionando as medalhas olímpicas, e no primeiro texto falei sobre Vanderlei Cordeiro e o comparei a Salomão. (Você pode ler o primeiro texto da série clicando AQUI). Qual não foi minha surpresa quando o vi recebendo a tocha e acendendo a pira!

Mesmo com aquela atrapalhada, mencionada no meu primeiro texto, Vanderlei não se tornou uma pessoa amarga, não deixou de sorrir. E naquela noite de abertura da Rio 2016 todos os presentes e os telespectadores puderam ver, emocionados, a História se reencontrando com Vanderlei.

Mas o que você não percebeu foi que Vanderlei Cordeiro de Lima saiu direto do meu texto para a abertura dos Jogos Olímpicos de 2016. O improvável acontece mais uma vez. Ali, naquele momento, eu pensei: “Pronto, meu texto de número 30/2016 está prontinho!”. O problema é que diante de tanta emoção acabei ficando sem palavras...

O que é só emoção também serve para reflexão. Quando um herói do povo afirma, alguns anos depois, que, finalmente, recebe sua medalha de ouro e tem seu dia de glória, a gente para pra pensar...

"Recebi minha medalha de ouro!", diz Vanderlei após cerimônia em encontro improvável.

Eu penso no improvável. Nos improváveis.

Sou membro do clube dos improváveis. Deus é especialista em improváveis. É por essas e outras que hoje venho aqui expressar mais uma vez todo meu assombro com a grandiosidade do amor de Deus “e sua inexplicável, impressionante, maravilhosa, incompreensível, inefável, incrível graça por aqueles que nasceram aqui. Entendo que me coloco numa posição vulnerável, mas prosseguirei.” (Graça Surpreendente – Philip W. Dunham, Ed. CPB, página 151). É inexplicável.

Mas, amigão, tudo isso por causa da cena improvável do Vanderlei Cordeiro de Lima?  Pode ser, mas veja o que descobri:

Nem sempre são os corredores mais velozes que ganham as corridas; nem sempre são os soldados mais valentes que ganham as batalhas. Notei ainda que as pessoas mais sábias nem sempre têm o que comer e que as mais inteligentes nem sempre ficam ricas. Notei também que as pessoas mais capazes nem sempre alcançam altas posições...” (Eclesiastes 9:11).

Eu gosto de parafrasear uma declaração do Homer Simpson: “Existem três jeitos de resolver as coisas: O jeito certo, o jeito errado e o meu jeito, que é igual ao errado, só que diferente.”.

Este é o mundo dos improváveis de que falei; e, por falar nisso, eu vou. Vou continuar meu caminho, louvando e amando a Deus. Obedecendo e servindo. Tudo de maneira imperfeita, do meu jeito, nas minhas limitações e fracassos, mas sempre debaixo da sua graça, desejando ser como Ele e fazendo o meu melhor a cada dia.

Pela graça, eu sou de Jesus. Ele é meu e sou candidato ao seu time pronto a receber a medalha de ouro, mesmo que demore muito tempo.

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