sábado, 29 de abril de 2017

DIREITO À PERVERSÃO




DIREITO À PERVERSÃO
Jackson Valoni – Angra dos Reis-RJ

No último fim de semana encontrei um homem. Foi o fim de semana mais longo da minha vida.

Meu primo havia me chamado para a igreja que ele frequenta, no Rio de Janeiro. Preparei minhas coisas para ficar sexta e sábado na casa dele. Algumas coisas, porém, fugiram dos nossos planos (dos meus planos) depois que encontrei um homem, o homem que fez o meu fim de semana se estender até a terça-feira seguinte.

Quis matá-lo. Em minha mente, o matei. Em minha mente, o agredi, o insultei, o castiguei. Em minha mente, não havia quem pudesse me segurar. Aquele homem poderia ser exterminado com a força do meu pensamento, mas ele está ileso.

Estudiosos do Direito Penal identificam algumas fases para que um crime possa acontecer. Mas não qualquer crime; apenas aqueles causados de forma intencional (dolosos), como seria, no meu caso, se eu pudesse dar efeito à minha imaginação.

As leis do Brasil me dão o direito de desejar praticar o mal, durante a primeira fase do crime (fase de cogitação).  É durante a fase de cogitação do crime que as pessoas possuem o “direito à perversão”, que é a liberdade que o ser humano possui para pensar atrocidades – conquanto a criatividade animalesca não se manifeste em atos, fique à vontade. Você não será preso por isso.




“Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (I Pedro 4:11)

O conselho de Pedro no verso acima é um ideal inatingível pra mim. Permita que eu pare de escrever na primeira pessoa.

Nós (eu e você) fomos criados à imagem e semelhança de Alguém infinitamente superior. Mas nossos pensamentos são miseráveis, os desejos são mesquinhos e a justiça é impecavelmente imunda.


As noites que se passaram, desde que me encontrei com aquele homem até o presente momento em que escrevo este texto, foram difíceis. Muitas imagens vinham à minha mente, sentimentos me consumiam e eu desejava apagar esse fim de semana da minha memória. “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6), e é com a certeza da força desse Deus invisível que tenho buscado minha transformação.

“... Ele nos amou primeiro.” (I João 4:19)
Não sei o porquê desse amor, mas sei que é suficientemente forte para curar meus pensamentos perversos.

Ele tem me curado.
 

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