quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O CANTAR DA ÁGUA

O CANTAR DA ÁGUA
(Por Eduardo Santos)

Era segunda e, ao contrário do que o senso comum prega, foi um dia positivamente especial. A família estava reunida desde o fim da tarde, algo pouco usual devido à correria da semana. Conversamos, rimos, assistimos filmes pela metade, assistimos um filme inteiro (na verdade, neste exato momento, ainda estamos tentando) e, por fim, preparamos o jantar.

Como toda boa família carioca, não podia faltar a famosa mistura de arroz e feijão. Neste caso, faltava só o arroz. Não sei se já inventaram algum outro jeito de fazer arroz, mas o que eu conheço ainda precisa ferver a água! E foi assim: fiquei olhando uma panela de água fervente. Sendo sincero, acompanhei o processo de uma etapa anterior à ebulição e fui agraciado por uma bela sinfonia.

Não se preocupe, ainda estou em meu perfeito estado mental, apesar de não parecer! Pode parecer estranho falar de canto e sinfonia quando o assunto é água. Lembro-me de quando ouvi sobre isso pela primeira vez, achei que fosse piada, mas não era.

O processo de ebulição, ou fervura, da água é um evento físico no qual a água líquida se transforma em vapor. Você já presenciou esse fenômeno muitas vezes na preparação de alimentos como legumes cozidos, macarrão, arroz etc.; outra oportunidade de tê-lo visto é quando toma banho quente. É coisa simples: quando a água atinge a temperatura certa, vemos umas bolinhas subindo do fundo recipiente e causando uma baita confusão no líquido. Se continuarmos aquecendo, logo, logo a água evapora toda. Isso você já sabia... mas já prestou atenção imediatamente antes de começar a ebulição?

Se já prestou, com certeza você ouviu um barulhinho diferente saindo da água. Isso é o que se chama canto da água. É claro que isso não explica muita coisa, né?! Por isso que vou dar mais detalhes desse fenômeno, agora:

A passagem de um estado físico para o outro se dá por meio de concessão de energia na forma de calor, em outras palavras, aquecemos a água e ela passa de líquido para vapor. Em um dado momento, a energia necessária é quase atingida e inicia-se a formação de bolhas no fundo do recipiente. Mas, se você prestou atenção no que acabei de escrever, percebeu que coloquei um “quase”, discreto, no meio da frase, indicando que ainda não se tinha a demanda necessária. E no mundo físico-químico é assim: para que um fenômeno aconteça significativamente, é preciso cumprir os requisitos, não tem essa de “jeitinho brasileiro”!

O que acontece em seguida é que as bolhas formadas são comprimidas pelo líquido no qual estão imersas, até que somem. É aí que está o pulo do gato para entender o barulho. Existe uma lei pronunciada por um famoso químico francês, Lavoisier, que diz: “Na natureza, nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma.” Apesar de ser um insight muito inteligente, foi aplicado ao conceito de conservação de massa, mas, possivelmente, influenciou a lei da conservação de energia que diz que a energia de um sistema isolado é constante - o que significa dizer que uma forma de energia pode ser transformada em outras.

É isso o que acontece. A chama transfere energia térmica para a água, bolhas de vapor são criadas no interior do líquido, mas ainda não há energia suficiente para serem estabilizadas; elas são comprimidas até sumir e a energia que continham é transformada em energia sonora, majoritariamente, e de outros tipos. O que acho legal desse fenômeno é que ele é um prenúncio do que realmente se espera, embora não seja capaz de precisar o momento certo da fervura. Ele acontece como algo que nos certifica de que em breve a água vai ferver, seja qual for a finalidade dela.

Essa certeza do acontecimento do evento e da brevidade de sua realização me faz lembrar de uma promessa maravilhosa: “E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” (João 14:3).

Ultimamente, temos sido expostos a catástrofes naturais, sociais e econômicas. Aspectos apresentados por Cristo em Mateus 24, como sendo prenúncios de Sua majestosa vinda. Mas eles têm se tornado tão corriqueiros, tão intensos, tão chocantes que alguns julgam esse evento como algo fictício, uma esperança infantil, uma boa história. Outros tendem para o outro lado, vivendo uma vida alarmista, marcando datas ou dizendo já ter acontecido. E, em meio a tanto sofrimento, às vezes erguemos um rogo em forma de pensamento: “Até quando, Senhor? Até quando nós teremos que esperar? Até quando, Senhor? Até quando nós teremos que chorar?1.

Assim como o canto anuncia a ebulição, mas ainda não é o momento certo, essas catástrofes nos dão a certeza de que muito em breve Jesus irá retornar, nas nuvens do céu. E quando achamos que é possível prever com exatidão a hora H ou que Cristo está atrasado, somos alertados pelas palavras de Pedro e, ao mesmo tempo, confortados pela certeza do cumprimento da promessa: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (II Pedro 3:9).

O tempo tem passado depressa e já podemos ouvir o soar das bolhas sendo comprimidas. Não sabemos até quando elas serão esmagadas pela pressão do líquido que as envolve, ou melhor, não imaginamos até quando veremos os fatos que anunciam o retorno de um Rei que está às portas. Temos, por enquanto, apenas um lembrete de que a esperança é válida. Preste atenção e verá que o que outrora parecia um barulho irreconhecível se tornará nas poderosas palavras que narram a chegada de Cristo: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá.” (Apocalipse 1:7).

O pensamento de hoje é: não se recebe um rei de qualquer maneira; será que estamos preparados?

Tenha um ótimo dia!
Um abraço!

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Referências:

1-    ATÉ QUANDO, SENHOR? Disponível em: <http://letras.mus.br/compasso-livre/1516528/>. Acessado em: 20/10/15.

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