sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MAIS ALVO QUE A NEVE


MAIS ALVO QUE A NEVE
(Por Denize Vicente)

Eu era criança. Lá em casa tínhamos um aparelho chamado “projetor de slides”, e dentre várias historinhas que meus pais nos contavam, por slides do CENTRO EDUCACIONAL ILUSTRADO, havia uma que se chamava: “Mais alvo que a neve”.

Era a história de um menino negro, Tom, que sofria muito com o preconceito na escola em que estudava. Os meninos o chamavam de “bola de neve” e ele se sentia muito mal com isso.

Um dia, voltando pra casa, deu de cara com a propaganda de um “sabão milagroso”, e viu ali a solução para o problema que o atormentava:


Começou a juntar suas moedinhas até conseguir dinheiro suficiente para comprar o sabão. E no dia em que conseguiu, entrou na loja e perguntou ao vendedor:

“- Moço, esse sabão é mesmo milagroso? Ele clareia tudo mesmo?”
“- Sim, fica tudo branquinho.”, disse o senhorzinho.

Com a garantia do vendedor, Tom entregou suas moedinhas, pegou o produto e foi correndo pra casa. Entrou na banheira cheia de água, despejou o sabão, pegou uma esponja e começou o banho. Esfregava, esfregava, seus bracinhos já começavam a ficar arranhados... O milagre não acontecia, e Tom começou a esfregar com mais força, mais e mais, até que sua pele começou a sangrar...

A história continuava, contando que quando a mamãe de Tom percebeu onde ele estava e o que fazia, precisou tirá-lo de lá, cuidar dele, abrir a Bíblia e explicar, amorosamente, que Deus nos ama do jeitinho que somos; que para Ele todas as crianças são iguais, não importa a cor da sua pele... Estava ali uma história com final feliz.

E depois de ouvi-la, cantávamos sempre, juntos:

“Cristo ama as criancinhas
Todas que no mundo há
Não importa a sua cor
Ele as tem com muito amor
Brancas, pretas, todas são pra Ele iguais.”


Naquela época não era considerado incorreto falar “brancas e pretas”, ao se referir a pessoas, e aquela história, simplesmente, nos reafirmava o que nossos pais nos ensinavam e que a atual Constituição da República Federativa do Brasil estampa em seus artigos 3º e 5º: somos todos iguais e não queremos preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade nem outras formas de discriminação.

Mais do que isso, “Mais alvo que a neve” nos ensinava, ainda crianças, que temos um Deus amoroso; um Deus que inspira o conceito de igualdade; um Deus que amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho único, para que TODO aquele que nEle crê não morra, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)

O amor de Deus é para TODOS; a vida eterna que Ele sonhou é para TODOS.

O Dia da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, aos 20 de novembro, e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.

Hoje aproveite o dia para pensar sobre o que essa data representa, e aproveite também para refletir a respeito da igualdade e do Amor que, verdadeiramente, alcança a todos, e indistintamente – o Amor de Deus. Compartilhe essas ideias e leve essa noção de Amor aos seus filhos, aos amigos, aos seus pais; às crianças dos vizinhos, aos patrões, aos empregados; ensine aos doutores e aos operários; aos senhores, aos juízes, aos jovens, aos aprendizes; aos que nada sabem sobre isso; aos que creem que já sabem.

Bom feriado!!
Divirta-se, descanse, durma, viva e pense bem!!! Ensine e aprenda alguma coisa, hoje.


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Referências:

CRFB/1988:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...).”

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