quarta-feira, 6 de maio de 2015

METAL DE SACRIFÍCIO

METAL DE SACRIFÍCIO
(Por Eduardo Santos)

Com certeza você já deve ter visto materiais metálicos enferrujados ou enferrujando, não é mesmo? É um processo inevitável; são as chamadas “leis naturais”. Mas existem coisas que não podem ficar enferrujando com essa facilidade toda, têm um custo elevado demais para serem trocadas com muita frequência! Nesses casos, existem algumas alternativas para resolver esse problema, por exemplo: usar metais mais nobres e, consequentemente, mais caros, ou usar um metal de sacrifício.

Metais diferentes possuem características distintas. Quando digo isso, quero afirmar que uns têm maior facilidade de enferrujar, oxidar (para usar um termo mais técnico), do que outros. É, exatamente, nisso que se baseia o artifício do metal de sacrifício: para protegermos um material metálico importante, devemos acoplar a ele um metal mais propenso a enferrujar do que a peça a ser protegida. Em outras palavras, é abrir mão de algo para que outra coisa bastante importante continue intacta.

Isso me fez lembrar da história de um dos julgamentos do sábio rei Salomão, um dos reis do povo de Israel dos tempos bíblicos. Duas mulheres foram à presença do rei pedindo que ele julgasse sua causa. Cada uma tinha um filho, mas, após uma noite de sono, uma das crianças havia acordado morta e elas queriam que o rei (que também era juiz) decidisse quem era a mãe do bebê.

A história completa se encontra em I Reis 3:16-28, não vou poder contá-la toda aqui. Resumindo, Salomão olhou para aquelas duas mulheres que afirmavam ser a mãe da criança viva e deu uma ordem baseada na sabedoria que Deus o havia dado, como o próprio capítulo 3 de I Reis relata: “Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei.
E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo; e dai metade a uma, e metade a outra.
(I Reis 3:24-25).

O veredito é dado por meio da observação da reação de cada mulher. Enquanto uma não fez questão de que a criança permanecesse viva e inteira, a outra abriu mão de sua companhia para que seu bebê tivesse a oportunidade de continuar vivo. Por amor, aquela mãe abriu mão de ver seu filho crescer para não vê-lo morrer de forma brutal; escolheu não receber seus abraços, vê-lo dar seus primeiros passos, falar as primeiras palavras; escolheu usar um metal de sacrifício.

Enquanto escrevo este texto, tento alcançar a profundidade desse amor tão genuíno, mas sou incapaz. Amor de mãe é algo inexplicável, indescritível, abnegado. É um sentimento diferente, incalculável, inexprimível! É amor e ponto!

Essa história me fez lembrar de outra comum a todos nós, e se resume em um só verso: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16). Sim, o maior exemplo do uso de um metal de sacrifício, quero dizer, dO Metal de Sacrifício.

Nesta semana, quando comemoramos o dia das mães, não comemore só por sua simpatia, por sua bravura, determinação, seu carinho, companheirismo, doçura, etc., mas, sim, pela oportunidade de ter, aqui pertinho, alguém capaz de conter dentro de um coração tão pequeno o sentimento que chega mais próximo do amor de Deus. Ainda que não sejamos capazes de entender, vamos aceitar esse privilégio!


2 comentários:

  1. Li esse texto mais de uma vez, Dudu, de tanto que gostei!
    Eu sei que é Química e química é meio aquela coisa de laboratório. Mas essa parada de "metal de sacrifício" é emoção pura!!!!

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  2. Hahahahaha Obrigado!
    Mas a Química tá na vida corriqueira também, na verdade, essa é a que mais me chama atenção.

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