sexta-feira, 8 de maio de 2015

MÃE, O TESOURO DA NOSSA VIDA



MÃE, O TESOURO DA NOSSA VIDA
(Por Denize Vicente)

Tenho muitas lembranças da minha infância. Muitas. Muito saudáveis. Divertidas e agradáveis. Uma delas era a aula de postura que minha mãe nos dava. Três irmãos. Todos tínhamos essas aulas. À tardinha, todos os dias, minha mãe punha os três filhos para andar elegantemente pela casa. Sim, a nossa casa era, verdadeiramente, nosso espaço para tudo: em casa a gente brincava, estudava, fazia as festinhas de aniversário, ouvia música, cantava, tocava piano, flauta, escaleta, xilofone e gaita, fazia orações, fazia experimentos (na cozinha, nos tubos de ensaio, nas panelinhas de brinquedo, experimentava até modelos alternativos de “enceradeira”, quando um de nós sentava num grande flanelão e segurava firme as pontas, sendo puxado de um lado para o outro, pelos irmãos, às gargalhadas, para encerar o chão da sala e dos quartos); era ali, em casa, que a gente estudava pra escola, estudava a Bíblia, trazia amiguinhos para almoçar e pra dormir, tinha aulas de elegância... Eu posso dizer que a nossa casa era um lar, doce lar. Minha mãe foi e ainda é muito sábia, como educadora.

Então, todas as tardes, lá vinha a mamãe, e nos mandava colocar um livro na cabeça. Era a aula de postura. Colocar um livro sobre a cabeça e andar pela casa, equilibrando-o, sem deixá-lo cair. Para isso, você precisa estar com a coluna ereta, concentrado, cabeça erguida, olhos na linha do horizonte, nunca fitando o chão. E aprendíamos, com isso, a andar elegantemente, e a manter a postura correta, no dia a dia. Talvez sem saber, ela nos ensinava a ter postura diante da vida, percebe? "A mente quieta, a espinha ereta"[1], cabeça erguida, olhos na linha do horizonte, elevados... caminhando sempre em frente.

O Dia das Mães está chegando... Eu não sei que tipo de lembranças você, que é filho, guarda da sua infância. Também não sei dizer que marcas você tem deixado nos seus filhos, agora que se tornou pai/mãe. Mas não há dúvidas de que aquilo que acontece na infância de alguém tem um impacto significativo na sua formação. “As lições aprendidas, os hábitos formados durante os anos da infância, têm mais que ver com o caráter e a direção da vida do que todas as instruções e educação dos anos posteriores.” (A Ciência do Bom Viver, p. 380, Casa Publicadora Brasileira.)

Anna-alguma-coisa - Anna Jarvis, eu acho -, a mulher que "inventou" o Dia das Mães nos Estados Unidos da América, pretendeu "desinventá-lo" quando percebeu que a data havia se tornado extremamente comercial. Morreu aos 84 anos de idade, e mesmo tendo feito campanhas de grande repercussão para que o espírito que originou sua ideia ressurgisse, pouco ou nada conseguiu...

Mas nem tudo está perdido! Certa vez eu ouvi uma história, contada num Dia das Mães. Vou falar sobre ela. Já ouvi muitos filhos contando histórias lindas a respeito de mães igualmente belas. E acho que Anna Jarvis se sentiria um pouco mais animada se nos visse aqui, nesta sexta, lendo e contando histórias que não têm a ver nem com dinheiro nem com comércio. Queria contar pra você a história que ouvi de um filho. 41 anos. Abraçado a sua mãe, ele disse que ela é o maior e melhor exemplo de todas as boas coisas do mundo. Contou que dos dez filhos que ela teve "só oito vingaram"; e que quando o mais novo tinha apenas dois anos de idade o pai faleceu. A partir de então... u'a mulher viúva, com oito filhos pequenos, sem emprego e sem pensão.

Moravam numa comunidade carente na periferia da cidade - comumente chamada "favela" - e os vizinhos, vendo as crianças órfãs e as condições da mãe, diziam mesmo que nada lhes restaria a não ser o mundo do crime, que seriam todos bandidos, a única saída. Pois aquele filho nos contou que, a vida inteira, jamais tomaram para si alguma coisa que não lhes pertencesse, porque foi assim que aprenderam com a mãe. 

"Hoje" - relatou aquele homem, ainda abraçadinho à mãe, já velhinha, bem vestida, com um relógio bonito no punho e a face marcada pela dureza da vida -, "todos os oito filhos estão bem de vida". E tudo isso graças à mãe, da qual eles todos têm orgulho. E num beijo demorado e carinhoso, o filho encerrou sua declaração. Dos olhos cabisbaixos da mãe, que parecia repassar mentalmente o filme da sua vida enquanto ouvia seu filho falar, rolaram duas lágrimas. Chorávamos também todos nós que ouvimos a história...

Eu não sei que tipo de lembranças você tem como filho nem sei que marcas você vai imprimir nos seus filhos, se já é mãe. Mas se quiser acertar sempre, siga os conselhos de Paulo (Efésios 6:1-4):

Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.
‘Honra teu pai e tua mãe’ - este é o primeiro mandamento com promessa – ‘para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra’.
Pais, não irritem seus filhos;
antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”

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Referência
[1]Trecho de Serra ao Luar, de Walter Franco.

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