sábado, 9 de maio de 2015

CHANCE

CHANCE
(por Jackson Valoni)

É fácil julgar, difícil é viver. Sou contra o aborto, por razões que passam por aspectos biológicos, jurídicos, religiosos e morais. Mas é fácil tomar uma posição quando não estamos na pele de alguém que sofreu estupro; que não tem a menor condição social ou financeira para cuidar de uma criança; que gera em seu ventre um bebê anencéfalo, que não tem a menor expectativa de vida fora do ventre materno; que tem a vida em risco devido a complicações durante a gestação e a única forma de preservar sua vida é interrompendo a gravidez.

Eu sou contra o aborto, repito. Totalmente contra. Mas é fácil julgar, difícil é viver.
Quando eu estava na segunda série do ensino fundamental tive um amigão na escola que se chamava Ronald. Ele era negro, gordinho e sorridente. Eu tinha 6 ou 7 anos e tinha sido convidado pro aniversário dele. Era um passeio no Jardim Zoológico! Foi um dia muito divertido, levei minha irmã mais nova à tiracolo. Ronald era adotado, e sua família adotiva (família do coração) o amava demais. Mudei pra Angra, cresci e não tive mais contato com ele.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 8º, caput, diz que “é assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal”.

Eis a dúvida. Quando surge a vida? O atendimento pré-natal, teoricamente, surge com a descoberta da gravidez. Mas é possível considerar que exista vida no ventre materno no primeiro dia em que o óvulo é fecundado pelo espermatozoide?

Conheço pelo menos quatro teorias a respeito do início da vida:
  • Perspectiva concepcional - a vida tem início no momento em que óvulo e espermatozoide são fecundados, instantaneamente. 
  •  Perspectiva biológico-evolutiva – indica que a vida pode ser considerada a partir de determinada etapa da gestação. No 14º dia de gestação o embrião fica alojado na parede uterina. A partir do 15º dia forma-se o tubo neural (quando surge o esboço dos primeiros órgãos). No 3º mês de gravidez o bebê tem o início de sua atividade cerebral. Ou seja, considera-se que a vida tem mais valor em determinada etapa da gestação do que em outra. 
  •  Perspectiva relacional - Essa teoria propõe que a vida seja reconhecida através do apego da mãe pelo filho, quando esta passa a desejá-lo. Simples assim.

Eu tenho uma tendência natural a ficar com a primeira teoria. Conforme Maria Rita canta na música Cria, “semente fecundou, já começa a existir”. Mas ainda falta uma vertente de pensamento a respeito da origem da vida. Essa, porém, é mais especial, porque o próprio Deus fala: 
  •  Jeremias 1:5 – “Antes que Eu te formasse no ventre materno, Eu te conheci”.
Quanto a esse pensamento divino, existe uma explicação ainda mais detalhada em Salmo 139:16: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda”.

Todos nós sabemos as situações difíceis que a vida nos traz. Cuidar de uma criança é algo de responsabilidade incomparável. Mas Deus conhece cada um de nós, em detalhes, mesmo antes de nascermos. A gravidez é um milagre, é uma bênção. Gerar uma outra vida através do próprio corpo é um privilégio que só as mulheres podem receber.

Há pessoas, porém, como o meu antigo amigo Ronald, que não conheceram o pai nem a mãe de sangue, mas ganharam uma família cujo amor ultrapassa qualquer medida. Outras, além da amorosa família, ganharam prestígio mundial como o visionário Steve Jobs, criador da Apple, iPod, iPhone, iPad... e John Lennon, integrante de uma das bandas mais conhecidas no mundo e que revolucionou todo um gênero musical. Ambos, adotados.

Dê chance à vida, de algum jeito. Deus conhece cada um de nós e sabe quem ainda virá. Deus lhe conhece e você é especial pra Ele.

“Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que essa viesse a se esquecer dele, Eu, todavia, não me esquecerei de ti.” (Isaías 49:15)
Embora não saibamos, Deus tem um propósito na vida de cada um de nós.

Você recebeu uma missão: Me preparar para a vida
Uma mulher, entre milhões, foi a pessoa escolhida
Fonte de amor, simples assim, te definir é impossível
Tento encontrar explicação pra compreender o seu amor
(...)
Obrigado por fazer-me abençoado
Adoro ter você sempre ao meu lado
Não há maior prazer que ter o teu amor
E eu nem sei dizer o quanto é bom”


Referências:

TESSARO, Anelise. O debate sobre a descriminalização do aborto: aspectos penais e constitucionais. In: Alberto Silva Franco, Guilherme de Souza Nucci. (Org.). Doutrinas Essenciais Direito Penal. 1ed.São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, v. 5, p. 189-198.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal – Parte Especial Vol. II. 12º ed. Niterói. Editora Impetus, 2015. P. 233

FELIPE CARVALHO. Mensagem. Ser Mãe, Sony Music, 2013. CD.

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