terça-feira, 10 de maio de 2016

HISTÓRIAS DE MÃE

HISTÓRIAS DE MÃE
Por Airton Sousa

Ainda sobre ela, e ainda sobre o dia das mães, eu queria contar que em 2015 minha mãe estava fraquinha de saúde; eu mesmo a acompanhei algumas vezes ao Pronto Socorro e me lembro de uma madrugada de sexta para sábado que passamos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), em uma situação de emergência. O medo de perdê-la foi tão grande, que ali, em meio às lagrimas, eu pedi, desesperadamente, a Deus que curasse minha mãe; e muito abusado pedi mais: “Senhor, prolongue a vida da minha mãe por mais dez anos. Senhor, só mais dez...”.

Minha mãe conta que fumou até os 24 anos de idade e deixou de fumar há exatos cinquenta anos; e mesmo parando de fumar, ativamente, ainda conviveu com meu pai e com alguns dos meus irmãos e eu, fumantes - o que complicou ainda mais sua saúde. Ela tem enfisema pulmonar. Sua saúde é precária, toma remédios para asma, tem sérios problemas respiratórios. Quando os médicos alertaram, seriamente, de que ela deveria ficar longe dos fumantes e de cachorro e gato, minha irmã Bete a levou pra morar com ela, cedendo um quarto mais confortável e alguns privilégios em sua casa.

Agora, toda vez que preciso de um colo, e pra ver minha mãe, tenho que atravessar uma avenida perigosa e uma passarela cansativa, mas valem a pena cada passo e cada subida, pois sempre volto pra casa com uma oração e algum conforto e alívio. E, claro, sempre com bons conselhos e orientações para aquele dia.

No dia 18 de fevereiro deste ano atravessei a passarela azul na hora do almoço; era o início do Projeto “Dez dias de oração”. A família da Bete estava toda reunida; nós iniciamos o Projeto juntos, decidimos orar por milagres reais, pela saúde da minha mãe e pela nossa saúde espiritual... Devia ser uma e pouca da tarde. Coloquei diante de Deus o meu dilema profissional - a lojinha estava insustentável, eu precisava sobreviver, precisava de uma solução; ou a lojinha decolava de vez, ou eu deveria sair para um novo emprego. De novo fui abusado: eu não queria voltar para São Paulo; o emprego deveria ser no Rio de Janeiro. Quem conhece o mercado publicitário, sabe que ele quase não existe no Rio de Janeiro.

Eu orei, minha irmã orou e, no final, minha mãe confirmou nossa oração, orando. Eu já percebi que ela sempre pede pra gente orar primeiro; depois, ela vem e confirma. “Eu te peço que abençoes os meus descendentes para que eles continuem a ter sempre a tua proteção. Tu, ó Senhor, os tens abençoado, e que tua benção esteja com eles para sempre.” (I Crônicas 17:27 Youversion).

Ainda nem bem havíamos chegado ao oitavo dia de oração - eram dez, lembra? - e as respostas começaram a pipocar! Recebi alguns telefonemas de pessoas com quem há muito tempo eu não falava, me chamando, pedindo curriculum, e dois convites para trabalhar em São Paulo. Muito curioso, isso, pois durante um ano e seis meses não recebi nenhuma proposta de emprego e, de repente, elas começam a acontecer em plena crise econômica e política no país. Coincidências?

Eu recebi dois convites para trabalhar e morar em São Paulo, e um deles era irresistível... Mas, lembrem-se, as orações eram para um emprego na cidade do Rio de Janeiro - mesmo porque minha mãe não iria suportar mais trinta anos longe do seu filho predileto (isso aí é por minha conta, mas só porque ainda não está provado se sou mesmo o filho predileto).

Bem, era um pedido especifico, de gente que sabe com quem tá falando, gente que tem intimidade pra falar com Deus. Foi dela a ideia do emprego, foi dela a ideia de pedir que fosse no Rio. E foi dela o apelo final para que eu retornasse à igreja por meio do batismo: “Filho, tá na hora de molhar os pés...” - não é assim que diz a música? “Para atravessar o mar coloque o pé na água.”

Na sexta feira, nono dia de oração, encontrei minha mãe na igreja, à noite:
- Mãe, o convite chegou HOJE. Hoje à tarde chegou o convite para trabalhar aqui no Rio de Janeiro; fazendo o que eu gosto, com um salário igual àquele de São Paulo.

Ela deu um grito, na porta da igreja, que atraiu os olhares do pequeno grupo ali reunido: “Glória a Deus!”.

Sou bondoso com aqueles que me amam e obedecem aos meus mandamentos e abençoo os seus descendentes por milhares de gerações.” (Êxodo 20:6 – youversion).

Eu não sei explicar, mas eu fico mais emocionado quando olho pra minha mãe e vejo nos olhos dela essa fé imensa, sem duvidar em nenhum momento. “Você só precisa crer, meu filho...”. Ela gosta desta canção: “Pra chegar ao outro lado você precisa acreditar. Deus quer abrir o mar pra você. Mas, antes, você precisa crer.”.

Outro dia questionei à Bete se minha mãe iria ficar muito tempo, ainda, na sua casa, e ela respondeu: Zé, você se lembra da arca da aliança? Você se lembra da festa que o Rei Davi fez quando trouxe a arca da aliança de volta para Jerusalém? Houve muita alegria por parte do rei e de todo o povo quando os sacerdotes entraram na cidade com a arca em seus ombros. Aquela arca simbolizava a presença de Deus no meio do seu povo.

E terminou dizendo: A arca da aliança é a minha mãe, e ela ficará na minha casa e a minha família será muito abençoada.


É... para chegar ao outro lado é preciso atravessar, digo, acreditar!


Um comentário:

  1. Vou repetir, embora vc esteja cansado de saber: amo histórias de mães e amo demais as da sua mãe...

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