sexta-feira, 29 de julho de 2016

EU JURO

EU JURO

Por Denize Vicente

- Juro por Deus!
- Juro minha mãe mortinha!
- Jura??
- Eu juro por tudo o que é mais sagrado.
- Juro pela minha santinha.
- Juro de pés juntinhos!
- Juro!

Você já ouviu por aí tudo isso. Você já até jurou assim, talvez.
Quando eu era criança a gente dizia: “Quem jura, mente.”, mas o coleguinha cruzava os dedinhos na frente da boca, dava um beijinho, cruzava do outro lado e dava outro beijinho, e repetia a jura pra provar que era sério e não estava mentindo. Éramos crianças. E jurar era coisa séria.

Eu detestava quando alguém dizia “juro minha mãe mortinha”. Eu achava um desrespeito. E um perigo. Era como aquela história do chinelo virado... - ou você nunca ouviu dizer que “chinelo virado a mãe morre”? Por via das dúvidas, nunca se deve mexer com a nossa santa e amada mãezinha, nem de brincadeira, nem nos juramentos, e jamais se deve arriscar essa coisa do chinelo. Jurar pela mãe é sério demais! 


As crianças juram (os adultos também) quando querem fazer o outro crer naquilo que dizem, no que estão prometendo, no que afirmam que vão fazer. Um juramento é uma promessa. E a ideia de que “quem jura, mente” talvez tenha vindo de uma interpretação um pouco estreita de um verso bíblico escrito por Tiago, irmão de Jesus: “Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto" (Tiago 5:12). Até porque Jesus tinha dito a mesma coisa: "De modo algum jureis; nem pelo céu... nem pela terra..." (Mateus 5:34-35).


A História conta que os escribas e fariseus - aquele pessoal do tempo de Jesus, que, em sua maioria, não era bem um modelo de como um seguidor de Cristo deve viver -, haviam desenvolvido um sistema de juramentos bem “interessante”... Era mais ou menos assim: se um juramento fosse feito de determinadas maneiras, ele não precisava mais ser considerado como válido nem obrigatório. Tipo assim: se alguém dissesse “eu juro pelo ouro do templo de Jerusalém”, tinha a obrigação de cumprir a jura; mas se dissesse “eu juro pelo templo de Jerusalém”... Ahahaha! Imagine! O juramento poderia ser quebrado de consciência limpa e tranquila.

A gente também tem um jeitinho brasileiro, não tem? Fazer uma promessa de dedos cruzados significa o quê? Pois é... obrigação “zero” de cumprir a promessa. Mas, vamos combinar, a gente geralmente faz isso de brincadeira. Naqueles tempos os escribas e os fariseus faziam isso à vera. Era um joguinho de palavras que era feito e levado a sério, e se fosse usado era capaz de anular os juramentos.


Foi isso o que Jesus Cristo criticou e Tiago reafirmou. Ora, bolas! Os caras juravam pelo ouro do templo e tinham que cumprir a promessa; mas quando juravam pelo templo podiam quebrar o juramento, de boa. Que malandragem! Que contradição! O ouro do templo era mais sagrado que o próprio templo?  “Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?” (Mateus 23:17)

Então eu acho que você entendeu onde Jesus Cristo queria chegar, quando disse lá no Sermão da Montanha (Mateus 5): “nem pelo céu… nem pela terra… nem por Jerusalém… nem jurarás pela tua cabeça”. Pelo céu, pela terra, por Jerusalém, pela própria cabeça, eram as formas falsas de juramento que os escribas e fariseus haviam criado, aqueles joguinhos de palavras. “De maneira nenhuma jureis...” desse jeito torto, com base nesse sistema de juramentos falsos...

“Temam o Senhor, seu Deus, sirvam somente a ele e jurem só pelo nome dele. (Deuteronômio 6:13). Os escribas e fariseus, malandrinhos, pra não terem que jurar falsamente pelo nome de Deus, juravam (falsamente) pelo céu, pela terra, por Jerusalém, pela própria cabeça!

E agora vamos lá pra onde eu quero chegar: sabe o que Deus quer da gente? Que a gente leve a sério as promessas que faz; que a gente não engane; que a gente diga “sim” quando for “sim, e “não” quando for “não” (Mateus 5:37) e não fique fazendo joguinho de palavras...

Porque Deus leva a sério as promessas que faz. E Ele quer que a gente também seja assim.

Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; pois foi ele quem a estabeleceu sobre os mares e a firmou sobre as águas. Quem poderá subir o monte do Senhor? Quem poderá entrar no seu Santo Lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, que não recorre aos ídolos nem jura por deuses falsos. Ele receberá bênçãos do Senhor, e Deus, o seu Salvador, lhe fará justiça.” (Salmo 24:1-5)

Pode dizer que jura por Deus.
Mas trate de levar a sério o seu juramento.
Porque se você estiver de mãos limpas e coração puro Ele vai encher a sua vida de bênçãos, e lhe fará justiça.
Não é lindo, isso?


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