domingo, 26 de julho de 2015

VERDE QUE TE QUERO VER

VERDE QUE TE QUERO VER
(Por Suzi)

Já há algum tempo eu tenho me programado para passar a manhã do domingo no meio das árvores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. E aí, a cada final de semana é uma coisa que acontece... e a ideia fica na cabeça e não passa pras pernas. Geralmente é a chuva. Outras vezes, a chuva e o sono. Algumas outras, o trabalho.
Enfim...

Assim como uma porção de gente que mora pertinho da praia nem pisa na areia, também existem muitos que moram no bairro do Jardim Botânico e, mesmo assim, não aproveitam aquela exuberância da natureza. E se puderem ter um vasinho com hortelã na janela da cozinha já consideram isso um bom contato com o verde... Que pena!

Nós nos acostumamos tanto ao barulho das ruas e aos monóxidos de carbono, que ter uma pracinha arborizada em frente de casa, mesmo que cheia de carros estacionados ao redor dela, já parece ser suficiente como "contato direto" com a natureza. E aí, seja pela correria do trabalho, seja por outros compromissos, seja porque nem ligamos pra isso... vamos deixando de aproveitar de verdade os pedacinhos do céu que Deus deixou no Rio. Que pena!

O Jardim Botânico tem algo de especial, pra mim. Meio mágico, até. Aquelas palmeiras imperiais têm um quê de Jardim do Éden. Eu imagino que o paraíso, de certa forma, faça lembrar o Jardim Botânico da minha cidade. Você mergulha naquele verde, ouve os barulhinhos de água e de pássaros, e esquece as buzinas lá de fora, a poluição, o cinza, as mazelas sociais, a violência. Simplesmente esquece. Ainda que por alguns instantes. Dá pra viajar, naquele ambiente. Vejo uma vitória-régia e fico pensando que uma daquelas folhas, praticamente, aguenta o meu peso em cima dela. Tenho vontade de experimentar, pra ver se me aguenta mesmo. Vejo as mangueiras carregadinhas de frutos e penso: o Brasil é mesmo uma terra abençoada - "em se plantando, tudo dá". E isso tudo encanta você de tal maneira que, quando se dá conta... já é domingo de tarde.

Se você reparar bem, vai perceber que não há ninguém molhando aquelas plantinhas, religiosamente, todas as manhãs, antes de o sol esquentar, nem ao cair da tarde, quando o sol já está fraquinho; também não há, o tempo todo, alguém podando as árvores, vestindo os lírios, perfumando as orquídeas, afinando os pássaros... Aquela “orquestra” depende apenas do Maestro... Sem que precisem se preocupar com a cor de suas pétalas e folhas, tampouco com o frescor de seus ramos, as flores e árvores permanecem belas, belíssimas; sem ensaiar e sem aulas de canto, as aves cantam belissimamente. Pássaros delicados, árvores centenárias, flores de vida curta... todos ali permanecem cheios de formosura, livres de preocupações. Isso nos ensina alguma coisa...
“(...) Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu; não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros, e contudo, o vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais do que elas? Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida? Quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, vos digo que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, se vestiu como qualquer deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Portanto, não andeis ansiosos, dizendo: que comeremos? Que beberemos? Ou: com que nos vestiremos? Pois os gentios procuram todas estas coisas. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.” (Mateus 6: 25-34)
Hoje é domingo. Caminhe pelo verde, medite nas lições da natureza, livre-se da ansiedade. É o começo de uma nova semana!

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