quarta-feira, 13 de abril de 2016

A VERSÃO DE JUDAS

A VERSÃO DE JUDAS
Por João Octávio Barbosa

Todo dia é dia de alguma coisa, atualmente. E hoje é o dia do beijo. Um beijo une casais, une filhos com pais e mães, une amigas (amigos não, jamais! rs), une até desconhecidos, em certas ocasiões. Mas surgiu uma expressão que denomina um beijo de desunião. Filho do “abraço de urso”, há o “beijo de Judas”. Neste momento, vamos falar de Judas; não aquele que entregou Jesus para os inimigos com um beijo (Lucas 22:47-48), mas seu xará.
         
Judas Iscariotes, o X-9, não tem livro na Bíblia, é claro. Judas era um nome muito comum, na época de Jesus, e temos pelo menos mais dois na Bíblia:
·        Judas, o outro apóstolo. Mais conhecido como “Não o Iscariotes” (que ostracismo...);
·        Judas, irmão de Jesus, que vemos em Marcos 3:6.

Não se sabe ao certo se o Judas de quem falaremos é o 2° ou o 3°, mas posso garantir que não é o 1°! Ele escreveu um curto livro de apenas um capítulo e 25 versos, logo antes de Apocalipse, no final da Bíblia que você tem na sua casa, ou que pode ler pela internet. Seria muito válido.

Nessa carta, Judas tenta motivar os fiéis com a esperança que há em Jesus. Mas ele também avisa sobre os perigos dos irmãos não convertidos. Boa parte dos versículos abordam problemas oriundos de pessoas autoproclamadas cristãs, servas do Senhor, mas com vidas não condizentes com os ensinamentos de Jesus.

Judas é profético ao indicar que no fim dos tempos haveria escarnecedores. Ele, igualmente, se preocupa em alertar as pessoas quanto aos falsos mestres. E ainda são tantos hoje em dia! Eles estão em nossa TV, vendendo seu próprio evangelho de prosperidade, e omitindo as principais mensagens de Deus.

Judas, porém, deixa uma promessa nas entrelinhas: o Bem vence o Mal nesse Grande Conflito. Apesar de todas as coisas ruins, às vezes dentro da própria Igreja, o Bem vence. Além disso, o livro de Judas valoriza o que muitos evangélicos esquecem: o Velho Testamento, a primeira parte das Sagradas Escrituras!

Certa vez, num grupo de amigos evangélicos, ouvi um deles dizer que “na verdade, o Antigo Testamento não serve mais pra nada”. É triste ouvir um cristão pensar nisso. Jesus disse: “Examinais as escrituras, pois cuidais ter nelas a vida eterna...” (João 5:39). Se a vida de Jesus é o começo do Novo Testamento, o que ele chamava de escrituras que direcionam para a vida eterna é justamente o Antigo Testamento, que vale sim, e muito! E quem garante isso é o Novo!

Num livro de apenas 25 versículos, Judas cita Sodoma, Gomorra, Caim, Balaão, Coré, Adão, Moisés e Enoque!

Ah, falando em Moisés e Enoque... Chegamos à parte da coluna que vai abordar o trecho mais importante do livro de Judas - a versão que ele traz sobre a vida, a morte e o encontro das duas. Você crê em vida após a morte? O que acontece imediatamente após o último suspiro? Vamos ao Céu, ao Inferno, ao Purgatório? Descansamos na sepultura?

Caso você não saiba, a Bíblia revela claramente, no livro de Deuteronômio, 34:5-7, que Moisés morreu na Terra, como todo ser humano. Quando morremos, ficamos descansando, repousando, aguardando a volta de Jesus. Ora, aí vem a polêmica: se Moisés morreu, COMO É QUE ELE APARECE A JESUS NO MONTE DAS OLIVEIRAS em Mateus 17:1-3?!?!?!?! Era um fantasma? Uma alma penada? Um anjo ou demônio? Deus? Moisés, mesmo ele morto? Teria ele ido direto para o Céu ao morrer, como algumas denominações pregam?

Aí, entra Judas de novo. Versículo 9. Repare na explicação que o texto dá:
Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.
Judas v.9

Moisés foi retirado, ainda morto da sepultura e levado por um anjo. Por onde mais, senão o Céu, e de que outra forma, senão ressuscitado, já que morte não pode haver no Céu? Com isso, vivo, ele pôde aparecer junto com Elias (que nunca morreu e foi levado para o Céu “direto”) a Jesus, muitos anos depois.

Isso não está em Deuteronômio! Por algum motivo, o Espírito Santo quis guardar a resposta de algo que nos deixa em dúvida em Mateus, que “deveria” estar em Deuteronômio, mas que só se encontra em Judas! Como Judas “descobriu” isso não sabemos. Mas veja a importância dessa peça no quebra-cabeça da Bíblia! Tudo se completa, tudo se encaixa.

A curiosidade-motivadora que me fez falar desse perfil sem curtidas, que é Judas, foi esse grande mistério bíblico de Mateus 17; uma polêmica vital para o entendimento do “pós-vida”. De fato, eu credito muito da existência do livro de Judas na Bíblia à resolução desse “problema” de doutrina sobre ressurreição, que só não é mais conhecido porque muitos dos que deveriam ser estudiosos da Palavra de Deus, são, na verdade, frequentadores de culto, seguidores de pastores, e evangelistas de clubes de amizade.


Por fim, mesmo se você ainda encontrar outros mistérios sem soluções na Bíblia, Judas tem um último recado para você. Versículo 22, Versão na Linguagem de Hoje: “Tenham misericórdia dos que têm dúvidas.”.

Não peço que concordem, espero que reflitam!

Desafio do JOBS: Que animal matou, mas não devorou um profeta, em I Reis?
Resposta semana que vem.
Resposta da semana passada: Judas (Judas 1).

2 comentários:

  1. Mais uma, para os evangelistas dos clubes de amizades refletirem.

    ResponderExcluir
  2. A parte que eu mais gosto: "O Bem vence o Mal".
    Lindo, isso...

    ResponderExcluir

Participe também, comentando!