sexta-feira, 11 de novembro de 2016

AMOR NA MEDIDA CERTA. É DIFÍCIL. É QUASE UM MILAGRE.

AMOR NA MEDIDA CERTA. É DIFÍCIL. É QUASE UM MILAGRE.
Por Denize Vicente

Há algumas semanas eu estava lendo um artigo na Revista Vida e Saúde. Embora o título fosse “Direitos iguais”, o tema não estava exatamente ligado ao mundo jurídico; falava sobre autoestima: “Você merece ser tratado tão bem quanto trata o outro – e vice-versa.”.

O enfoque do texto estava naquela ideia de que muitas vezes, e não poucas, a gente respeita os outros mas não respeita a si mesmo, e tantas outras vezes nós terminamos exigindo do outro uma atitude que não exigimos de nós mesmos ou que fere os direitos que o outro tem...

São dois caminhos perigosos que vale a pena evitar.

Não saber dizer “não”, por exemplo, é um exemplo típico de não saber respeitar a si mesmo. Fui assim por muito tempo. Minha agenda estava lotada, as responsabilidades e compromissos já eram muitos, mas se alguém me pedia pra fazer alguma coisa eu não sabia dizer “não”; achava que não seria gentil negar o pedido, me sentia egoísta, e pensava na culpa que iria carregar por não estar disponível. Curiosamente, quando alguém recusava algum pedido meu, dizendo “não”, eu não me sentia ofendida com aquilo nem culpava a pessoa por não poder me atender. Eu exigia de mim o que nem sequer esperava dos outros. Eu mesma não respeitava os meus direitos, os meus limites. Eu passava por cima de mim mesma para atender o meu próximo.



O outro caminho perigoso é aquele em que você atropela os direitos dos outros; quando você acha que a pessoa (que não é você, claro) não pode errar, não pode decidir por si mesma se faz ou não faz alguma coisa, se quer ou não quer. Você não é compassivo. Você é crítico e até hipócrita (Mateus 7:1-5). O outro tem que tomar certa atitude, mesmo sabendo que você, se estivesse no lugar dele, não tomaria; você pode se irritar com alguma coisa, mas o outro, não; você tem direito de querer ficar sozinha um pouco, mas seu namorado ou marido tem que querer estar colado em você; você chega cansado da rua e com fome, e por isso merece tomar um banho, sentar no sofá, e ser servido - uma comidinha caseira fresquinha -, mas sua mulher não tem necessidade desses mesmos mimos; você pode ter o hobby que quiser, mas critica o hobby da outra pessoa; você não precisa ser perfeito, mas o outro, sim; você pode seguir ou não o conselho de alguém, mas como pode alguém não seguir os seus maravilhosos e sábios conselhos? A lista pode ser interminável, mas a gente não tem tempo pra isso, né? Além do mais, você já entendeu onde eu quero chegar.

A chave de tudo está no equilíbrio. Vença a dificuldade de ignorar seus direitos e sua individualidade apenas para respeitar o direito dos outros; mas não exagere no respeito a si mesmo, ao ponto de desrespeitar as outras pessoas.

Equilíbrio: “(...) ame o seu próximo como você ama a você mesmo” (Gálatas 5:14). E pra se equilibrar você precisa estar pisando numa base firme: “(...) ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.”. (Romanos 12:3)

A chave de tudo está no equilíbrio. “Procuramos mais facilmente uma porta aberta do que uma chave para abri-la...”, disse uma vez um amigo meu. Pois é... Dá trabalho encontrar a chave; mas vale a pena.

Autoestima não é um alvará pra você se sentir melhor do que os outros; amor próprio não é colocar-se numa relação de amor em que você só ama a si mesmo. Amar a si mesmo é apenas o segundo passo para você conseguir amar o seu próximo do jeito certo. O primeiro é amar a Deus.

Amor e respeito não são sentimentos; amor e respeito são atitudes.
Amar e respeitar não é aquilo que se sente; é aquilo que se faz.


Saber amar na medida certa. Equilibradamente. É difícil. É quase um milagre. Mas você consegue. Peça humildemente. Deus atende.

Bons dias!




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Referências:

Revista Vida e Saúde, Ed. CPB, junho/2016.


2 comentários:

  1. Respostas
    1. Respeito e amor não são caminhos de mão única, Cris. São vias de mão dupla. Preciso amar e respeitar a mim mesma; e também amar e respeitar os outros.

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