terça-feira, 29 de novembro de 2016

UM DE NÓS

UM DE NÓS 
Por Airton Sousa

Ele sentou ao meu lado e ficou em silêncio durante muito tempo.

Havia perdido o melhor amigo, assassinado - e muito jovem também (assim como ele, 18 anos de idade). Assassinato covarde, briga de trânsito.

Fiquei ao lado dele e pedia a Deus que colocasse as palavras apropriadas em meus lábios. Eu não podia simplesmente dizer “sinto muito”. Não... A gente nunca sente o suficiente. A gente não sabe. A dor é grande e insuportável, e se sente sozinho. As lágrimas lutavam para sair. Sua voz tremia, quebrada pelo vulcão da dor que martelava seu coração. Finalmente conseguiu falar:

- "É uma coisa difícil de explicar, um sentimento que mata aos poucos. É uma falta tremenda... Não consigo acreditar! Quanto mais eu penso em alguma justificativa, mais eu fico indignado. Toda hora me pego pensando e dizendo baixinho: Volta, mano, volta! Será que tudo isso que eu estou sentindo vai passar? Não sei... Só sei que dói muito, é insuportável e eu não consigo ficar bem. Eu queria muito que Deus me falasse alguma coisa... qualquer coisa...”.

Hoje, o dia em que estou escrevendo este texto, é o “Dia de Finados”, aqui no Rio, e eu me lembrei desse amigo e dessa ocasião. Na hora eu não sabia o que dizer...

Tenho visto muito disso, ultimamente. As pessoas duvidam, questionam, e cada vez mais se sentem solitárias. Desistem da vida, do mundo. Ontem eu fiquei estarrecido quando soube que uma senhora aqui do meu bairro se jogou da passarela na linha do trem e morreu. A foto do seu corpo dilacerado foi estampada nas redes sociais e eu a conhecia. Meus vizinhos contaram que era uma pessoa muito querida aqui na vila. No final de tudo, o silêncio. O respeito aos mortos, o abraço aos enlutados, e cada um sente a dor, cada um do seu jeito.

Eu queria que Deus falasse.

Deus fala!

Deus sabe como você se sente.

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” Hebreus 4:15

Ele foi um como nós. Ele próprio participou de todos os sofrimentos. Todas as dores. Os estresses, e ansiedades, e insônias.

Traição? Seu melhor amigo O traiu.

Rejeição? Seu outro melhor amigo O negou.

Solidão? Seus amigos O deixaram sozinho e foram dormir.

Morte? Ele sentiu o gosto.

E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão. (Lucas 22:44 )


Ele foi ferido e oprimido para que pudéssemos ter paz. “Tomou sobre si as nossas dores e enfermidades (Isaías 53:5). Tirou toda nossa miséria e a colocou sobre os seus ombros. Calou-se para que pudéssemos ter o direito de falar com o Pai e chorou para que pudéssemos cantar.

Morreu para que pudéssemos ter vida.

Ele tornou-se um de nós, para que quando você estiver triste, perturbado, possa recorrer a Ele e permitir que Ele o cure. Espero que você nunca se esqueça disso.

Jesus sabe como você se sente em cada circunstância de sua vida, mesmo que você ache que está sozinho, mesmo que você não acredite. Ele ama você e pagou um preço muito alto para levá-lo de volta para casa.

2 comentários:

  1. E esse texto aparece num dia como o de hoje... Dia de dor, tristeza, luto.
    Resta-nos "o respeito aos mortos, o abraço aos enlutados" e a dor, que todos sentem, cada um do seu jeito...

    Oro para que todos tenham a certeza de que Deus sabe como a gente se sente nessas horas. E que nos conforte. Especialmente as famílias dos que se foram...

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  2. A melhor resposta de Deus, ao meu ver, frente ao sofrimento e injustiças da vida é a ressureição. "Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados."
    Jo 5:28‭-‬29

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