domingo, 13 de novembro de 2016

USURPAÇÃO

USURPAÇÃO
Por Pamela Henriques Moreira

No condomínio em que eu morava tem um muro que o separa de uma vila. Um dos moradores daquela vila abriu um buraco pequeno no muro, do tamanho de uma bola de futebol, pra que a gente tivesse acesso à vendinha dele, que ficava do outro lado. Nem preciso falar aqui que eu era uma compradora assídua de seus chocolates, biscoitos e doces.

Lembro-me de uma vez, ainda criança, quando comprei algo, e ao ver o troco, que não foi de bala Juquinha, percebi que tinha recebido mais do que deveria. Retornei e tudo foi acertado. Nada de mais, não é mesmo? Não fui vilã nem heroína; apenas fiz o que era certo. Afinal, mesmo sendo alguns centavos, ainda assim não eram meus.

O Código Penal brasileiro diz o seguinte:

Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: (...)



Sou muito leiga sobre as leis que regem meu país; aprendo um pouco com meu marido, já que é a área dele, mas conheço uns artigos e tenho certeza que você também conhece: o 157 e o famoso 171.


Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência...

Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento...

“(...) Existe apenas um pecado e um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente uma variação do roubo... Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça...1

Li esse trecho em um livro. Era um pai ensinando seu filho. Achei interessante a forma como o escritor relacionou o roubo a outros pecados.

Quantas pessoas são lesadas hoje em dia com a crescente violência? Pessoas mal-intencionadas que se acham no direito de tomar posse dos bens materiais que não lhes pertencem, à força, na cara dura.


E quantos se dizem líderes religiosos e agem da mesma forma, às vezes de maneira aparentemente sutil, por meio de ameaças ou aos berros? Ameaçam tirar dos crentes fiéis aquilo que é mais sagrado – a sua Salvação, dádiva única e exclusiva da graça de Deus. Nem falo somente dos chamados “Emergentes da Fé”, aqueles que tiram centavo por centavo do povo, dinheiro que deveria ser usado nas obras de Deus, usando-o para encher os próprios bolsos, enriquecendo à custa da fidelidade de outros; falo daqueles que roubam do povo a verdade. Ensinam mentiras, enganam inocentes.


Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.” João 8:44

Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” II Coríntios 4:3, 4 

A leitura das Escrituras Sagradas nos traz luz, entendimento (Salmos 119:130). Deus não apoia mentiras. Aqueles que se valem de fraudes não fazem parte da família de Cristo e não habitarão nos Céus (Salmos 101:7).

Deus é justo, Sua justiça não falha. Nosso bem maior é a Salvação e devemos cuidar para que ninguém a tire de nós, cegando-nos com seu falso evangelho. Nossa fé deve ser embasada nas palavras de Deus, a qual refletirá em nossas ações.

O que fere e é contrário à palavra de Deus pertence às trevas. Deus nos alerta para que ninguém tome a nossa coroa (Apocalipse 3:11) e nos chama a sair dos erros, de ensinamentos falsos.

Ouvi outra voz do céu dizer: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos sete pecados, e para que não incorras nas suas pragas.” Apocalipse 18:4



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Referência:

1 - Hosseini, Khaled - O Caçador de Pipas, Editora Nova Fronteira, 2005.

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