quarta-feira, 23 de novembro de 2016

MAALÁ, NOA, HOGLA, MILCA E TIRZA

MAALÁ, NOA, HOGLA, MILCA E TIRZA
Por João Octávio Barbosa

O ano de 2005 foi um momento marcante para a política de toda a África. Há exatos onze anos, Ellen Johnson Sirleaf tornou-se a primeira mulher a governar um país africano, ao derrotar o ex-futebolista George Weah nas eleições presidenciais da Libéria¹. A maioria dos cientistas credita a uma mulher africana a honra de ser o primeiro exemplar da raça humana. Certos ou não, foram necessários milhares de anos para que uma mulher do Continente Negro alçasse uma liderança executiva dentro dele.


Hoje, não pela primeira vez (interessados vejam os textos sobre Débora, Mulher Sírio-Fenícia, Abigail, Agar e Mulher de Jó), falaremos aqui da força da mulher. Sim, da mulher, o suposto gênero inferiorizado pela Bíblia. Pois bem, num dia histórico para o direto eleitoral feminino na África, a história do Perfil sem Curtidas de hoje é sobre o direito civil de cinco mulheres árabes.

Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza. Você pode conhecê-las lendo Números 27:1-11. Elas mudaram o Código Civil Hebraico pelo seu caso particular. É um bom case para qualquer faculdade de Direito. Acontece que as moças eram todas irmãs, filhas de um tal de Zelofeade (logo se vê que a beleza do nome das meninas não deixa de ser vingança do pai pela graça que recebeu do avô delas). Zelô, para os íntimos, tentou cinco vezes e não teve herdeiro homem. Morreu, e criou um dilema jurídico.


A terra de um homem era repassada aos seus filhos homens. Às filhas, cabia herdar outra terra, por matrimônio - aquela que seus maridos receberiam de seus próprios pais. A sociedade hebraica foi alicerçada pelas determinações de Deus quanto à propriedade privada. E esse Código Civil era bastante rígido no que diz respeito à impossibilidade do latifúndio.

Isso é incrível! Enquanto até hoje ainda não conseguimos resolver a questão da reforma agrária, Deus, há milhares de anos, institucionalizou uma sociedade sem desigualdades sociais, na qual, mesmo que você ficasse rico e seu vizinho pobre, e com isso você comprasse a terra dele, essa negociação só tinha a validade de um “jubileu” - período de 50 anos. Pois de 50 em 50 anos, todas essas negociações eram canceladas, e todos voltavam a possuir a terra que tinham antes, quer ricos, quer pobres.
        
E isso porque “Deus odeia os comunistas”, né? AHAM...


E Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza com isso? Bom, elas ficariam sem herança, sem a continuidade do nome de seu pai no meio de Israel. A terra que era dele entraria num vácuo jurídico e seria tomada indevidamente por alguém. Então, ousadamente, elas pleiteiam junto a Moisés e os líderes do povo uma exceção: que elas mesmas herdem a terra. Deus é justiça; então, é claro, ele atende.

Mas não só isso. Ele formaliza a situação, e dá garantias de que dali pra frente a regra para filhas de um pai sem filhos seria essa. Isso porque “Deus odeia e inferioriza as mulheres”, né? AHAM...


Mais tarde, houve um novo imbróglio a respeito dessa situação. Veja Números 36:1-12. A tribo das filhas de Zelofeade temeu sair perdendo com essa exceção. Acontece que se as cinco mulheres se casassem com homens das outras onze tribos de Israel, e esses homens viessem morar na terra que elas receberam, oficialmente essas terras passariam a ser de outras tribos, e assim o território deles seria distribuído e diminuído.

Deus resolveu mais uma vez a situação ao promover que as moças se casassem com rapazes da mesma tribo. Pronto, tudo em paz. O mais interessante dessa história toda é a forma como Deus foi um juiz justo para todos, independentemente de gênero, idade, costume, preferências etc. E é assim que devemos vê-lO: Alguém que tudo sabe, e que vai recompensar cada um exatamente como esse um merece.


Não é confortante saber que existe uma justiça acima da humana? Uma justiça que nem tarda, nem falha, nem inexiste, nem é cega para as exceções necessárias, nem é covarde para ceder ao mais fácil... enfim, tão diferente da justiça opaca em que estamos mergulhados, neste mundo. Confie na justiça de Deus, tanto para saber que as injustiças que você sofre serão reparadas, quanto para se precaver, pois as injustiças que você comete terão consequências.

Não peço que concordem, espero que reflitam.

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Referência:

  1. Biografia de Ellen Johnson Sirleaf – disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_Johnson_Sirleaf> - acessada em 06.11.2016.

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