segunda-feira, 31 de julho de 2017

DE ONDE MENOS SE ESPERA


DE ONDE MENOS SE ESPERA
Cecília E. Nascimento

O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
(Mateus 25:40 - Versão Almeida Revista Atualizada)

Jason McElwain, apelidado de “J-Mac”, foi diagnosticado com autismo aos dois anos de idade. No início, tinha bastante dificuldade de interagir com outras crianças, mas, com o tempo, começou a desenvolver habilidades sociais. Desde menino, gostava de basquete. Quando estava no ensino médio, Jim Johnson, o técnico do time de sua escola, deixava que ele ficasse no banco de reservas acompanhando as partidas.

Na última partida da temporada de 2006, quando Jason estava com 18 anos, o técnico lhe entregou um uniforme e disse que o deixaria entrar se, no final do jogo, o time estivesse ganhando com folga. Faltavam quatro minutos para o fim da partida e a equipe liderava por mais de dois dígitos. Era a vez de J-Mac.

Os colegas, simpáticos e solidários a ele, passaram-lhe a bola. Errou a cesta. Deram-lhe uma nova chance. Errou de novo. Até aí, nada demais. Era o esperado. Mas ninguém estava preparado para o que viria a seguir: Jason acertou seis arremessos de três pontos e um de dois pontos seguidamente. Foram vinte pontos em menos de quatro minutos. A torcida foi à loucura, aplaudindo-o mais e mais. Seu feito foi eternizado ao receber o prêmio ESPY, do canal ESPN, de melhor momento do esporte em 2006. Superou inclusive os 81 pontos que Kobe Bryant marcou em uma só partida naquele ano. Jason recebeu os cumprimentos do presidente dos Estados Unidos. Atualmente, ele faz palestras motivacionais e ajuda a angariar fundos para pesquisas sobre o autismo.

Temos a tendência de julgar as pessoas. Classificá-las por aquilo que parecem ser capazes de fazer ou não. Colocamos no banco de espera de nossa vida os diferentes e os que parecem mais debilitados. Buscamos amizades com os populares, bonitos e inteligentes. Ao agirmos assim, perdermos a oportunidade de ver talentos incríveis desabrochando.

Além disso, Jesus foi bem claro: quando estendemos a mão amiga e de misericórdia para os pequeninos aos olhos deste mundo, estamos fazendo o bem ao Senhor. É assim que ele considerará no grande dia do juízo.

Abra a mente. Deixe de lado os preconceitos. Olhe ao redor, procure alguém que esteja de escanteio e chame essa pessoa para entrar em campo. Você vai se surpreender.


(De Olho no Prêmio - Cecília E. Nascimento – CPB, 2016)

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