quarta-feira, 23 de setembro de 2015

QUANTO MAIS SAL, MELHOR - Parte 1


QUANTO MAIS SAL, MELHOR - Parte 1
(Por Eduardo Santos)

Sei que o título de hoje é bastante intrigante; mas, para evitar que você abandone a leitura, eu me explico logo de início: o texto, apesar de falar de sal, não trata sobre alimentação. Em outras palavras, não estou fazendo nenhum tipo de apologia a uma rotina alimentar desregrada que conduza à hipertensão, pedras nos rins e outras tantas doenças - mesmo porque não pretendo arranjar problemas com a colega de blog do dia seguinte (Carina Baptista, a Cah), que tanto preza por nossa saúde!

Mas devo dizer que, ainda assim, o título deste texto continua bem misterioso...  Sendo legal com você, adianto que, para entender bem, será necessário que acompanhe esta microssérie de dois textos com um pequeno intervalo de uma semana entre eles. Deixei você curioso? Era a intenção! Mas, se não deixei, permita-me lhe pedir que leia mesmo assim; prometo que o tempo empregado aqui será um ótimo investimento.

Estava conversando com minha irmã (Lucileide Santos, a Lu) há um tempo sobre algumas metáforas bíblicas e a profundidade delas, quando tive um momento de imensa admiração, seguido da exclamação: “Como Jesus foi genial!” Isso tudo foi consequência da lembrança do ensinamento que Cristo transmitiu aos seus discípulos: ”Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” (Mateus 5:13).

É sempre meio complicado falar de sal com um Químico, pois sempre rola aquela pergunta, mesmo que por pouquíssimos instantes: “De que sal estamos falando?”. O conceito de sal na Química é muito mais abrangente do que o conceito cotidiano, o que nos dá certa permissão para viajar um pouco. No entanto, Jesus falava sobre o sal que usamos na cozinha - isso fica mais evidente quando a gente se lembra de que esse era um artigo de muito valor nos tempos do Império Romano, época na qual Jesus viveu.

Normalmente, aborda-se o caráter gustativo do sal, na parábola, justamente porque é a função que o próprio Cristo cita. Mas lembre-se de que Ele adequava seus ensinos às pessoas e aos conhecimentos da época, e ainda não se sabia muito sobre alguns temas. Acredite você, ou não, existem muitas, quero dizer muitas mesmo, aplicações para essa metáfora, mas veremos apenas uma em cada texto.

Uma propriedade muito conhecida do sal, atualmente, é a de conservante. Sim, um exemplo bem próximo disso são os alimentos em conserva. Eles vêm dentro de latinhas, frascos de vidro etc., contendo o produto e uma pequena quantidade de água com sal.

Esse é um procedimento padrão para evitar crescimento e proliferação de colônias de microrganismos - aqueles responsáveis por causar uma quantidade imensa de doenças que conhecemos e também de outras que não conhecemos. Possivelmente, isso ocorre por diversos motivos, mas, provavelmente, o principal deles é a falta de controle osmótico. Funciona da seguinte forma: se existe uma necessidade de água na parte externa para diluir um meio concentrado, ocorre uma migração desse líquido para a área de necessidade. E quase todos os seres vivos, senão todos, dependem de água para sobreviver. Sendo assim, na ausência de água, eles morrem.

Propositalmente, Cristo nos chamou de sal da Terra. Conhecendo o mundo em que vivemos e sabendo que está contaminado pelo pecado, podemos dizer que Ele nos chamou para sermos diferentes, sermos os agentes de purificação e conservação da Terra. Não por nós mesmos; afinal, não há poder em nós que nos tire da condição pecaminosa, mas, por meio do poder de Cristo somos capazes de assim fazer. Jesus mesmo nos lembra disso em João 15:5: “(...) porque sem mim nada podeis fazer..

A lição do sal nos ensina que nossa missão é bem mais profunda do que deixar a vida de nossos irmãos mais saborosa. Ela nos mostra que nosso propósito aqui é curar um mundo enfermo, mitigar os efeitos do erro sobre a vida do ser humano e, principalmente, nos ensina sobre o relacionamento entre o ser humano e Deus. Mas antes de tudo isso ser efetivo precisamos concluir, verdadeiramente, como Paulo o fez: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. (Gálatas 2:20).

Um forte abraço e até semana que vem!

2 comentários:

  1. Estava com saudade de ler seus textos, cara. Muito bom!

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    1. Obrigado pelo elogio. Estava sentindo falta de conseguir um tempo pra escrever também, mas, graças a Deus, estou de volta! =D

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