sexta-feira, 11 de setembro de 2015

NÃO BASTA... OU NÃO SERVE.


NÃO BASTA... OU NÃO SERVE.
(Por Denize Vicente)

Conta-se que Julio Cesar, um dos homens mais conhecidos da História, viveu um episódio curioso, que deu origem a uma frase bastante famosa até os dias de hoje:

Pompeia, sua esposa, certa vez deu uma festa - a festa da deusa romana Bona Dea – exclusiva para mulheres. Homens não poderiam entrar. Acontece que Clódio, um jovem que pertencia à nobreza, se disfarçou de mulher e conseguiu passar pelos seguranças. Clódio estava na festa; seu objetivo era tentar se aproximar e seduzir a bela mulher de Julio Cesar. Diz-se que Pompeia vivia muito sozinha; seu marido passava meses longe de casa, com seus exércitos. Clódio, ao que se sabe, era um admirador da moça. Mas o moço se perdeu no meio de tantos corredores do Palácio, terminou sendo descoberto, e acabou preso, indo a julgamento juntamente com a pobre e inocente Pompeia.

Julio Cesar, convocado para prestar esclarecimentos, declarou ignorar o que se dizia sobre sua mulher. E, nesse contexto, Pompeia e Clódio foram inocentados da acusação.

E agora, o detalhe que deu origem à frase que eu comentei lá no começo: Julio Cesar se separou da mulher, após o julgamento, afirmando que ela era inocente, mas ao argumento de que a sua imagem pública ficaria maculada se sua esposa, além de honesta, não parecesse honesta.

“À mulher de Cesar não basta ser honesta; tem que parecer honesta.”

Sem querer polemizar* acerca da separação e de Julio Cesar ter deixado a verdade de lado, valorizando mais a aparência, quero me deter na frase, em si: não basta ser; tem que parecer. E levar você a considerar: o que as pessoas veem quando olham pra você?

Sou honesto, sou leal, sou cristão, sou amigo...
Não basta ser. É preciso parecer. 
Sua aparência tem que revelar o que você é. 
“À mulher de Cesar não basta ser honesta; tem que parecer honesta.”


Note que não se está abrindo mão do “ser”; o que se está dizendo é que, para além de “ser”, é preciso “parecer” com o que se é. Não adianta parecer e não ser.

Você se lembra do episódio da figueira?
"No dia seguinte, saindo eles de Betânia, teve fome. Vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa. Aproximando-se, nada achou senão folhas; porque ainda não era tempo de figos. Disse-lhe: Nunca jamais coma alguém fruto de ti; e seus discípulos ouviram isto." (Marcos 11:12-14)
No outro dia a figueira estava seca até a raiz! (Marcos 11:20)
As figueiras, por natureza, funcionam de um jeito diferente das demais árvores frutíferas. Primeiro elas se enchem de frutos e depois elas ficam cobertas de folhas. Esse episódio aconteceu quando não era tempo de figos, ainda; mas como a figueira já estava cheia de folhas, aquilo pareceu um sinal de que havia ali frutos maduros, perfeitos para matar a fome de Jesus... Mas era só aparência.

O vacilo daquela figueira não foi estar sem frutos – afinal, não era mesmo tempo de figos. Seu erro foi querer ter a aparência do que não era. 
Ele parece tão gentil, tão agradável, tão generoso, tão honesto, tão leal... 
Não basta parecer; é preciso ser.

Cuidemos para que nossa aparência reflita o que somos. E para que aquilo que somos seja exteriorizado suficientemente. Pois se não nos basta ser, também não basta parecer. Se não for assim, não serve.



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*Não quero substituir o Amigão nesse posto, logo agora que ele decidiu “ser menos polêmico a cada dia”.

2 comentários:

  1. Ótimo texto. Eu ligo bem pouco para o parecer em mim e nos outros porque nos engana demais. Foco mais no ser e acho que transborda naturalmente o parecer, meio que sem pensar.

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    1. Taí o ponto, Sandra: "transbordar naturalmente".
      ;)

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