sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

CORRUPTO, EU?!


CORRUPTO, EU?!
(Por Denize Vicente)

Três em cada quatro brasileiros... isso mesmo!, três em cada quatro, nada menos, cometeriam um ato de corrupção se estivessem no lugar dos políticos. Foi o que mostrou a pesquisa do Ibope divulgada em março de 2006. Numa reportagem minuciosa, ficou fácil perceber que os entrevistados tinham uma reação dúbia à corrupção - se por um lado condenavam as irregularidades, de outro admitiam que cometeriam atos ilícitos se tivessem oportunidade. Por exemplo, 78% deles consideraram inaceitável aproveitar viagens oficiais para lazer próprio e de familiares; no entanto, o percentual dos que afirmavam que não fariam isso foi de apenas 57%.

A cultura do “achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado”, é outro exemplo do estilo - “brasileiríssimo”, talvez -, que se desenvolveu por aí. Malandragem, esperteza, ganância, são espécies de um mal que tem dominado mentes e corações - a desonestidade.

Se aquela pesquisa de 2006 fosse repetida hoje, qual, você acha, seria o resultado? Seria diferente? Passados quase dez anos, teriam as pessoas mudado? Estariam agora menos corruptas ou menos sinceras?

Meu pai repetia-nos sempre as palavras de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem‑se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar‑se da virtude, a rir‑se da honra e a ter vergonha de ser honesto.[1]

Ser honrado e honesto; e não se envergonhar disto.
É como cantava Davi...
Afastarei de mim
Pensamentos desonestos
e não terei nada a ver com a maldade.[2]

Pensando bem, no mundo em que vivemos isso não é fácil.
Mas aceite o desafio!


[1] Citado em “O Des Cobrimento Do Brasil”, de Miguel Aparecido Teodoro, p. 110, Editora Clube dos Autores, 2010.
[2] Salmos 101:4

2 comentários:

  1. Os últimos acontecimentos fazem aumentar cada vez mais a descrença em valores tão nobres como a honestidade e honra. Do bilhões desviados ao troco a maior não devolvido, temos todos que fazer nossa parte e assumir nossas responsabilidades. Muito pertinente o assunto.

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    1. Essa do troco é um exemplo fortíssimo, Sérgio. Forte e comum. E muitos nem acham que isso é desonesto. Dizem, muitos, que "é justo"...
      Pode isso, produção???

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