terça-feira, 6 de setembro de 2016

PERDÃO INFINITO

PERDÃO INFINITO
Por Airton Sousa

“Perdão Infinito 70x7” é o nome de um grupo de jovens da minha igreja. Gosto deles. Até ganhei a camiseta de presente e a inspiração para falar sobre este tema gostoso.


Perdão é uma palavra intimamente relacionada à minha vida pessoal. Costumo dizer que não “existe amigo perfeito e sim amigo perdoado”. Essa frase tem muito mais a ver comigo do que com os outros, pois eu vou lhe contar: eu vacilo muito e sempre acho que mereço o perdão; mas houve uma vez em que vacilei feio.

Eu estava numa festa, bebi muito. Nessa época eu bebia muito mesmo. Exagerei. Fiz um papelão. Cismei de tirar uma história a limpo com uma garota que estava quietinha na festa. Fui lá, briguei, gritei, ofendi e a deixei chorando. Era uma festa corporativa.

O conceito de “graça”, que eu falo tanto aqui, não existe no mundo corporativista. Existem regras visíveis e invisíveis. Você tem que fazer seu caminho por si mesmo. Você não ganha nada sem merecer. A lei é dura. Errou, pagou.  E se der vexame na festa da firma é rua, na certa. Só percebi o estrago no dia seguinte, quando acordei.

A moça não só não aceitou meus pedidos de desculpas sinceras (eu também não aceitaria) como levou o caso à alta esfera da agência (eu não levaria).

E agora eu estava ali, na sala da Presidência. Foi um momento importante na minha carreira. Eu não tinha defesa. Meus amigos não poderiam me defender, pois eles também me consideraram culpados, dessa vez. Então, eu assumi a culpa. Eu disse, claramente: “Sou culpado e estou disposto a pagar por isso”. Tentei ser o mais errado possível e também o mais humilde, mas eu estava realmente envergonhado e realmente arrependido.

- Perdão, chefe. Eu errei.
- Sim, você errou feio.
- Eu sei que tenho que pagar por isso. Estou disposto a arcar com as consequências.

Na verdade, eu estava ferrado.

Meu presidente coçou a cabeça, olhou pra mim e deu a sentença final: “Em todos esses anos de administração eu sempre achei que todo mundo merece segunda chance, seja o que for que tenha feito....”. Eu não ouvi o resto, eu não me lembro do resto. Ele me perdoou. Eu estava livre do castigo. Aleluia!

A moça poderia me processar, exigir pagamentos, ou usar outros meios de desforrar as ofensas que eu tinha feito. Ela preferiu não fazer nada disso, mas exigiu que eu nunca mais lhe dirigisse a palavra.

Com o tempo as mágoas foram cessando. O perdão corporativo veio, mas o perdão moral, da garota, eu nunca recebi.

Naquela ocasião fui tão grato ao meu Presidente que prometi lealdade e fidelidade por todo o tempo em que ele me mantivesse na empresa. Ainda hoje, quando vislumbro essa cena toda, eu me emociono. Lembro-me dos meus amigos esperando eu sair daquela sala. A expectativa era muito grande. Eu sairia dali totalmente detonado. Eu mesmo antes de me dirigir àquela sala, já havia arrumado minha mesa e gavetas.

O perdão corporativo é bom. Ele lhe dá condições de se manter mais um tempo em suas funções, mas você vive escravo da segunda chance. Você não pode errar nunca mais.

Nossa caminhada cristã é assim. Necessitamos do perdão de Deus.


Nossos bolsos estão vazios, e nosso débito é de milhões. Não precisamos de salário; precisamos de um presente. Não necessitamos de lições de natação; necessitamos de um salva-vidas. Não carecemos de um lugar para trabalhar; carecemos de alguém que trabalhe em nosso lugar. Este ‘alguém’ é Jesus Cristo.
(Nas Garras da Graça, Max Lucado, CPAD, pág. 148)

Para o meu chefe e meu amigo foi fácil perdoar; ele tinha o poder de decidir pelo sim ou pelo não. Ele escolheu me perdoar.

Com Jesus Cristo foi diferente. Ele nos perdoou uma dívida intransponível, mas para isso teve que dar o seu próprio sangue. O mesmo sangue que ainda escorre e se derrama pela nossa vida renovando nossa história, diariamente.

“Quando nosso coração nos faz sentir culpados, ainda assim podemos ter paz diante de Deus”. Ele é maior que nosso coração e sabe todas as coisas. (I João 3:20)


 

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