quarta-feira, 21 de setembro de 2016

BEIJINHO NO OMBRO

BEIJINHO NO OMBRO
Por João Octávio Barbosa

Hoje é dia de São Mateus. Esse homem, diz a Bíblia, era um coletor de impostos malvisto pelo seu povo, devido à sua profissão muito impopular. Foi chamado por Jesus para ser Seu discípulo e aceitou. Largou seu emprego público de fiscal de renda e foi virar “pescador de almas”.

Com muitos anos de experiência como seguidor de Jesus, ele escreveu um livro sobre tudo que tinha visto em sua experiência com o Senhor. Temos acesso a suas palavras no primeiro livro do Novo Testamento bíblico, o Evangelho de Mateus. Em seu capítulo 26, mais especificamente em dois trechos (versos 3-5 e 57-66), Mateus introduz um personagem vital nos momentos finais da vida de Jesus na Terra: Caifás, sumo sacerdote judeu da época. Ele é nosso Perfil Sem Curtidas de hoje.


Caifás, diz a história, ficou cerca de vinte anos no mais alto cargo eclesiástico (e, consequentemente, social) dos judeus, após indicação de Roma, o Império que nessa época dominava aquela região, politicamente. A função do sumo sacerdote era sagrada para o povo de Israel. Era hereditária, também, e caiu no colo de Caifás sem nenhum merecimento, como veremos a seguir.

Recalque. Inveja. Perfídia (primeira vez que uso essa palavra na minha vida. Repita comigo: per-fí-dia). O traiçoeiro Caifás não se conformou em ver um profeta discriminado de Nazaré ir roubando aos poucos toda a atenção e carinho do povo judeu. Mais que seu status, seu cargo estava em jogo. O poder que possuía poderia ser perdido, caso Jesus convencesse o povo a não obedecer, cegamente, seus líderes religiosos.


Movido pelos satânicos sentimentos da inveja, medo, e vingança, foi na casa de Caifás que aconteceu um encontro dos principais líderes judeus para um pacto de assassinar Jesus. Em João 11:47-53, logo após Lázaro ressuscitar, Caifás já declarava abertamente, dentro da sua cúpula, que a morte de Jesus era vital para a mantença do seu cargo. Nós nem precisamos fazer um “grampo telefônico” na casa dele. Ele confessa a tentativa de golpe e João nos alerta.

A oportunidade surge quando Judas perde toda a fé em Jesus e vende sua lealdade a ele para Caifás por 30 moedas de prata. É o servo de Caifás quem perde a orelha num golpe de Pedro, enquanto Jesus é preso. Caifás vê o homem que ele odiava curar milagrosamente o seu guarda-costas ali, na hora, e nem isso amolece seu coração mau.


Foi para a casa de Caifás que Jesus foi levado naquela madrugada. O líder do “povo de Deus” permitiu e incentivou a violência ao Mestre, das suas portas para dentro. Igualmente, permitiu a injustiça de um julgamento sem lei, sem respaldo, sem precedentes.

Nesse momento emblemático, ele questiona a Jesus, diretamente: “És o filho de Deus?” Quando Jesus responde que sim, Caifás dramatiza seu espetáculo com um grito de blasfêmia e o rasgar de suas vestes. Embora pareça um razoável gesto de agravo pela declaração bombástica (todavia, real) de Jesus, Caifás estava cometendo apenas mais um pecado, descumprindo a ordem dada em Levítico 21:10, de que o sumo sacerdote nunca deveria rasgar suas vestes.


Era um despreparado. Um homem com todos os defeitos que não se devia achar em um sumo (principal) sacerdote, e nenhuma das qualidades.

Entre seus pecados, a teimosia no erro. Em sua última citação bíblica, em Atos 4:6, Caifás, seu sogro Anás, e outros da sua patotinha, continuavam perseguindo Jesus, por meio de seus seguidores, por pura inveja e medo de perder suas altas posições político-sociais-financeiras.

Caifás foi um líder religioso traidor da sua própria religião. Cuidado! Ainda existem muitos iguais por aí.


Não peço que concordem, espero que reflitam! 

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