sábado, 5 de março de 2016

VERMELHO

VERMELHO
Por Jackson Valoni

Sob os protestos de seu pai, Christian havia saído de casa rumo a uma cidade grande, iluminada, cuja luz lhe contagiava e fazia crescer a expectativa de tornar-se escritor. Ele aspirava se juntar a um movimento artístico chamado “Revolução Boêmia”, cujo lema era “verdade, liberdade, beleza e amor”. A voz de seu pai ecoava em sua mente, alertando-o sobre sua “ridícula obsessão pelo amor”, pois temia que seu filho fosse corrompido naquele lugar que considerava ser cheio de pecados. Mas o sonho de Christian brilhava como a grande torre que enfeitava o centro daquela cidade.

Chegando ao seu destino, Christian conheceu, no mesmo edifício em que se hospedava, um grupo de boêmios viciados em absinto. No momento daquele encontro repentino ensaiavam uma peça teatral para apresentar no famoso bordel “Moulin Rouge", que recebia a alta sociedade parisiense. O grupo de boêmios havia interrompido seu ensaio devido a uma crise aguda de narcolepsia de um dos integrantes. Para que aquele ensaio tenha andamento, Christian ocupa, provisoriamente, o papel daquele integrante sonolento. Seu talento é tão reconhecido pelos atores boêmios que eles sugerem ao jovem escritor que faça parceria com o diretor do espetáculo na elaboração do roteiro. O atual diretor, porém, revoltado com a ideia de dividir a direção da peça com o rapaz, abandona seu ofício.

Christian consegue, dessa forma pitoresca, a melhor oportunidade para utilizar sua máquina de escrever “Underwood”. Antes, porém, de criar o roteiro daquela peça, Christian e Harold Zidler, o dono do “Moulin Rouge”, deveriam se conhecer para que este concordasse com a nova escalação da equipe. Prevendo a possível censura de Zidler diante do anônimo escritor, um daqueles boêmios propôs um encontro entre Christian e a grande estrela daquele bordel: Satine, cujo apelido era “diamante cintilante”.

No encontro entre a nobre cortesã e o pobre escritor este apresentaria sua poesia, seus versos e sua inocência acerca do amor. Quando Satine entendeu os propósitos daquele homem, enxergou o lema da “Revolução Boêmia” em pessoa: “verdade, liberdade, beleza e amor”.

Satine tinha a sagacidade da serpente do Éden (Gênesis 3:1), e seu apelido – “diamante cintilante” - fazia lembrar a descrição da criatura que incorporou naquele animal para fazer a raça humana definhar pelo pecado (Ezequiel 28:13). A essência natural de Satine poderia, então, convencer Zidler de que Christian era competente para trabalhar naquela peça.

Satine era uma prostituta, e como se sustentava realizando os desejos carnais dos homens, possuía habilidade suficiente para seduzir com suas palavras, gestos e olhares. Seu perfume, brilho e cor convocavam à entrega dos prazeres inebriantes da luxúria. Embora sem dar ouvidos, Christian teria sido aconselhado para que nunca se apaixonasse por uma mulher que vendesse seu corpo. Mas o impulso do desejo o tragou, levando-o ao mundo obscuro, embora repleto de cores vibrantes (Apocalipse 17:4).

Poucos sabiam que Satine estava condenada à morte com uma grave doença. Saía sangue de sua boca quando tossia. Fingia ser forte embora desmaiasse e perdesse o ar com frequência. Seu disfarce lhe dava forças para continuar ludibriando aqueles que pagavam por ela, embora sua sentença fosse incontestável. A vida que ela escolheu decretara seu fim.

Não me espanta que o nome da nobre cortesã dessa história - Satine - se assemelhe ao nome do grande vilão da História deste mundo. O livro do Apocalipse também apresenta uma meretriz, embriagada com o sangue de pessoas decididas a cumprir o que o Cordeiro de Deus pede (Apocalipse 17:14). Mas não só. Ela está num lugar onde há “povos, multidões, nações e línguas” (Apocalipse 17:15), apoiada por grandes autoridades (Apocalipse 17:13).

Essa meretriz, longe de viver na ficção, tem influenciado grandes instituições para perverter a mensagem de Deus. Sabemos quem está por trás das ações funestas da meretriz: aquele que foi homicida desde o princípio (João 8:44).

Ela deixa seu caráter à mostra: “Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra” (Apocalipse 17:5). É mãe de tantas outras meretrizes engajadas por honrar o legado de quem as gerou, onde não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na Terra. Só prevalecem o perjurar, e o mentir, e o matar, e o furtar, e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios” (Oséias 4:1, 2), comprometidos “em mudar os tempos e a lei” (Daniel 7:25). Apocalipse 13:5-7

Temos um inimigo vigilante que anota nossas falhas e as usa contra nós, personalizando as tentações de acordo com a fraqueza de cada um. Tenho me preocupado com a forma como as pessoas têm agido, despreocupadamente, sem notar que há um juízo sobre cada um de nós; sem separar um tempo para pensar que há um Deus neste mundo, e que Seu Filho irá salvar aqueles que o honraram durante a vida.

E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo. Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” (I João 4:3,4)

Que o sacrifício de Jesus por nós não caia na apatia de nossa vida pecadora.

Sabemos como será o fim: “Caiu, caiu a grande Babilônia...” (Apocalipse 18:2).

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Referências:


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