domingo, 5 de abril de 2015

NOS BASTIDORES


NOS BASTIDORES
(Por Lucileide Santos)

Dia 28 de março é um dia que nem sempre é lembrado ou divulgado, mas o sujeito homenageado nesse dia está mesmo acostumado a trabalhar escondido, a dar suporte por trás das “câmeras” e, geralmente, prefere desse jeito. Sentado, algumas vezes, atrás de um computador e algumas vezes atrás de pilhas e pilhas de papeis, o revisor é um individuo silencioso, que faz seu trabalho de forma quieta e observadora.

Uma profissão que aprendi a amar e admirar, pois, pensem bem... sem revisão as coisas seriam um desastre.

Pegar um livro todo bonitinho, bem corrigido, e poder ter o prazer de lê-lo, nem sempre nos remete a essa figura que por vezes perdeu noites e fins de semana (no caso do freelancer) para que tudo estivesse em ordem.

Nessa situação em que coisas acontecem “miraculosamente” muitas vezes não paramos para imaginar ou mensurar o processo pelo qual passam, como tudo pode acontecer para ser como é. Podemos não estar atentos e acabar não alcançando a profundidade das coisas e seus reais agentes.

Não é só o revisor quem costuma trabalhar nos bastidores e muitas vezes não ser lembrado. Na maior parte do tempo estamos correndo tanto que recebemos pequenos milagres, ou até mesmo grandes milagres, mas não prestamos atenção e nem lembramos  de ser gratos, pois não olhamos mais a fundo, não nos ligamos no processo e esquecemos de enxergar um Deus que trabalha nos bastidores. Alguém que não podemos ver, mas que sabemos que está lá... do contrário nada daquilo poderia acontecer. Alguém que nos presenteia com um lindo pôr do sol ou uma chuvinha fina pra terminar o domingo. Alguém que nos dá bons e amados amigos.

Se passarmos a vida correndo, não observaremos o que é essencial! É necessário que se entenda que o essencial, muitas vezes, é invisível aos olhos; e quando não se está atento, muito do que importa se perde.

Deus está no controle. Todos os dias Ele está comigo e com você, mesmo você não O vendo...  Agora o que falta é você creditar a Ele todos os bons momentos que Ele proporciona.

Um domingo abençoado para você e todos que você ama.

sábado, 4 de abril de 2015

PÁSCOA


PÁSCOA
(Por Jackson Valoni)

É meia-noite. O país inteiro teme pelo anúncio pronunciado há poucos dias. Moisés já havia alertado ao Faraó sobre o que iria acontecer, mesmo tendo sido ameaçado de morte se, novamente, aparecesse na sua frente (Êxodo 11:4; 10:28). Nenhuma das nove pragas que atingiram o Egito teria acontecido se o Faraó tivesse aceitado o pedido de Moisés: libertar os escravos para que eles pudessem chegar à terra que Deus havia prometido. Mas agora aconteceria a última e pior praga de todas. Os primogênitos das famílias, entre adultos e crianças, estavam com sua vida em risco. Nem animais seriam poupados.

Para preservar aquelas vidas, cada família teria que separar um cordeiro como sacrifício e seu sangue passar nas ombreiras e na verga da porta das casas. A carne daquele animal seria assada e servida como alimento, junto com pães sem fermento e ervas amargas (Êxodo 12:7-9). Foi durante aquele jantar, com sangue na porta e apreensão no peito, que a Páscoa foi institucionalizada.

Páscoa significa, literalmente, “passar por cima” (Êxodo 12:27). Simbolizava o livramento que Deus havia dado àqueles que seguiram a ordem divina em oposição à morte dos egípcios, fruto da desobediência. A morte passou por cima das casas daqueles que não foram atingidos pela praga, sinal de que Deus aprovava o sacrifício daquele cordeiro. A vida encontrava agora um novo caminho, não mais para a escravidão, mas para um lugar especial, fértil, “que mana leite e mel”, longe da humilhante vida no Egito. Por quatro gerações seguidas tinham ouvido falar que Deus havia prometido um refúgio (Gênesis 15:16). Era o momento de ir até a famosa Canaã.

No Egito, a décima praga castigou aqueles que rejeitaram obedecer aos propósitos de um Deus que era conhecido por todos. Aos olhos de quem negava o Deus dos hebreus, os inúmeros deuses que já idolatravam, representados por elementos da natureza e forjados em metais sob formas animalescas, eram mais eficazes e atraentes. Também não achavam conveniente a adoração de um único Deus, o mesmo dos escravos.

Aquele ambiente de horror e salvação, invadido pelo som do desespero e clamor de pessoas aterrorizadas por testemunharem a morte de parentes e amigos, nos leva até a cena da cruz, onde Jesus fazia o papel de Cordeiro da Páscoa (1 Coríntios 5:7). O sangue de Cristo, assim como o do cordeiro na porta das casas, é o símbolo do perdão. “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), “sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” (Hebreus 9:22).

O cordeiro, nos dois episódios, teve que ser sacrificado a fim de resgatar vidas. Jesus é a nossa Páscoa, Seu amor demonstrado na cruz passou por cima dos pecados da humanidade e hoje podemos ter a certeza de que estamos ainda mais perto da nossa terra prometida, a Canaã celestial (João 14:2,3).

“Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu. (...) Depois de tanto sofrimento, ele será feliz; por causa da sua dedicação, ele ficará completamente satisfeito. O meu servo não tem pecado, mas ele sofrerá o castigo que muitos merecem, e assim os pecados deles serão perdoados” (Isaías 53:5,11).


“E ao olhar pra Cruz eu entendo o amor derramado ali por mim
Sacrifício de sangue por um pecador
Não sou merecedor, Tua graça me alcançou.”

(ADORADORES. DVD-Adoradores. Ao olhar pra cruz, Novo Tempo, 2014. DVD)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

LIBERTAÇÃO


LIBERTAÇÃO
(Por Denize Vicente)

Quando eu era uma menininha, na minha infância, tinha minhas amiguinhas do prédio. Éramos crianças, e todos nos chamavam carinhosamente no diminutivo - a Rita era a “Ritinha”, a Virgínia era a “Virginha”, e eu era a “Denizinha”.

Eu fui criança num tempo em que brincar na rua era bom e não era perigoso. A gente brincava de casinha, fazia comidinha, pulava corda, amarelinha, andava de bicicleta, e brincava de roda. Sim! Brincávamos de roda, cantando alegremente. Às onze da manhã, todos os dias, a pedreira que havia em frente à nossa casa estourava, e eu sabia que era hora de me despedir das amiguinhas, subir, tomar banho, almoçar e seguir feliz pra escola. Bons tempos...

Uma das músicas que a gente cantava nas brincadeiras de roda, além da famosa “ciranda, cirandinha”, tinha uns versos bem interessantes:
Lá vem a lua saindo
Com três estrelas do lado
A do meio vem dizendo
Que a ......... tem namorado.
- Tô presa, meu bem, tô presa
Tô presa por um cordão.
Me solte, meu bem, me solte,
Me solte pelo coração.
Eu amo a letra ......
Por ela tenho paixão,
O nome que eu mais escrevo:
...... do meu coração.
Eu gostava do Jorge, irmão da Ritinha, embora ela nunca tenha desconfiado, nem ele, nem ninguém, até porque eu não cantava “Eu amo a letra J...”; eu sempre inventava um nome desconhecido, pra não me entregar, claro! A Ritinha gostava do outro menino, o Márcio, e ela não escondia; o apelido dele era Poeira e ela cantava assim: “Eu amo a letra ’Pu’ / Pulera tenho paixão / O nome que eu mais escrevo: ’ Puera’ do meu coração.
Assim mesmo! :)

Entre paixões escancaradas e outras ocultas, estávamos ali, cantando pela liberdade que somente um amor pode trazer: “Me solte, meu bem, me solte / Me solte pelo coração.

Quando penso em amor e liberdade, quando eu penso numa paixão daquelas, capaz de tirar as amarras da gente, soltar a alma pelo coração, não lembro somente da minha infância, do Jorge, e do Poeira. Lembro também de alguém que ao me ouvir gritando: “Me solte!!”, vem correndo pra me libertar. Uma paixão que não se atrasa, que se sacrifica, um amor que me vendo aflita, presa em meio às amarguras da vida, sofrendo com os cordões que me amarram às coisas que não me fazem crescer, que não contribuem para a minha felicidade, aprisionada nos maus hábitos que tento vencer, e louca pela liberdade, vem e me solta pelo coração.

Estou falando do amor de Jesus Cristo. Um Deus que veio atrás da gente pra tirar as amarras (não é a gente que corre atrás de Deus, já reparou?; a gente tá ali, preso por um cordão, sem ter como fazer nada; não dá pra correr, não dá pra ir atrás desse amor... e ele vem atrás da gente).

Hoje é a “Sexta-feira da Paixão”, um dia especial, numa semana em que se comemora a Páscoa. “Libertação” é a palavra que mais tem a ver com o momento. Esta não pode ser apenas mais uma Semana Santa na sua vida. Não mesmo. Você é a paixão de Cristo, deixe que Ele seja também a sua paixão. Permita que o Seu amor, a Sua vida, a Sua morte e a Sua ressurreição tragam pra você libertação e vida em abundância.
Não se esqueça: a paixão de Cristo é você.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O MAIOR AMOR DO MUNDO


O MAIOR AMOR DO MUNDO
(Por Carina Baptista)

Oi pessoal, tudo bem com vocês?

Hoje vou falar de um tema que deixa todo mundo se derretendo, coração batendo a mil, mãos transpirando, pernas bambas, sem fome (tá, não é para tanto!): o amor. Porque amor faz bem para a pele, para o coração, para a vida!

O amor é um sentimento capaz de coisas maravilhosas. Por amor pessoas viajam, por amor pessoas permanecem, por amor escrevem cartinhas, levam para sair, ouvem atentas. Mas o amor não pode ser medido com as unidades de medida que conhecemos; é muito maior que o mundo. O verdadeiro amor não pode ser definido como algo diferente de Deus. "Aquele que não ama não conhece a Deus por que Deus é amor" (I João 4:8). A lógica é perfeita. Ele não tem; Ele é amor!

Toda forma de amor exige renúncia. Como amamos nossa mãe, por exemplo, precisamos, muitas vezes, deixar nossa vontade de lado para fazer o que ela pede, mesmo indo contra aquilo que gostamos - os que lavam a louça todo domingo devem concordar comigo (rs). O mesmo acontece quando amamos nosso namorado(a), marido/esposa. Para sermos felizes é preciso saber renunciar nossas vontades. Infelizmente, vivemos num mundo em que os relacionamentos sólidos são raros e dizer que ama virou quase um emoticon do Facebook ou do WhatsApp. Temos medo de nos comprometer e nos decepcionar, agimos com os outros sempre com a guarda levantada, nos protegendo de golpes que nem sempre ocorrem.

Mas nem tudo está perdido! Muitas pessoas ainda acreditam no amor verdadeiro, no amor puro, que compreende, que aceita, que espera, que entende, que se doa, que briga, mas briga com amor. Talvez você leia isto e pense "pode até ser que exista, mas não pra mim"; acredite, você é a paixão de alguém! O problema é que às vezes insistimos no lugar errado.

Um verso que gosto muito diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho para que todo aquele que nEle crê não pereça mas tenha vida eterna" ¹. Eu não sou mãe, mas sei que sacrificar um filho por outras pessoas é, no mínimo, muito difícil - eu diria até impossível. Deus fez isso por mim e por você!

Vivemos num mundo cruel, onde constantemente somos surpreendidos por notícias tristes; precisamos ter certeza de que existe algo muito maior que o pior sofrimento e que, um dia, tudo isso vai passar. Jesus morreu na cruz para  mostrar a você que Deus é amor. Você é a coisa mais linda de Deus ². Quando tudo parecer difícil demais para suportar, lembre-se de que Deus o ama e que "a paixão de Cristo é você!".

Um beijo e até semana que vem!
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Referências:

1- João 3:16

2- A coisa mais linda de Deus - Grupo Nova Voz - Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Zecpm8Aly2k  - Acessado em 26.03.2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015

COELHO OU CORDEIRO?


COELHO OU CORDEIRO?
(Por Eduardo Santos)

Outro dia desses, estava lendo o relato bíblico sobre a Páscoa e observando como havíamos nos distanciado do original. Tempos depois, me peguei olhando uma coisa no supermercado. Fiquei surpreso por me deparar com um corredor de aproximadamente 75 m só com ovos de Páscoa. Não é nada para se espantar, afinal, na sociedade pós-moderna na qual vivemos, costumamos ver quase tudo se preparar para essa data comemorativa a partir da quinta-feira pós-carnaval. E, pra falar a verdade, esse nem deve ter sido o maior corredor de ovos que já vi, mas foi um dos que mais me fez pensar.

Voltei para casa com o ímpeto de entender melhor tudo aquilo. Aliás, desde pequeno, dentro de minha mente coexistem duas Páscoas diferentes, mas que não se contradiziam até então. Sem mais delongas, vamos às histórias.

Já que o motivo da reflexão foram os ovos de chocolate, nada mais justo do que começarmos por eles, não acha? Todos já tiveram aquela dúvida sobre a ligação entre os símbolos da Páscoa que conhecemos hoje, afinal, coelhos são mamíferos e não botam ovos, muito menos de chocolate! Iniciemos nossa descoberta a partir do nome.

A palavra Páscoa tem raízes diferentes em línguas distintas; neste exato momento, nos ateremos à sua raiz inglesa. Se voltarmos um pouquinho mais no tempo, descobriremos que Easter, termo em inglês com significado de Páscoa, tem origem em uma palavra do Inglês antigo Ēastre ou Ēostre fazendo referência à deusa anglo-saxã Eostera (um de seus nomes), deusa da primavera, personagem da mitologia nórdica.

A primavera era uma época de grande importância nos tempos antigos, simbolizava renascimento, novas oportunidades, a época em que a natureza voltava a apresentar sinais de vida e, possivelmente, simbolizava também a esperança de continuar vivo após um inverno rigoroso.

Mas isso não explica o coelho e os ovos! Realmente, não, mas já estamos quase lá. Usualmente, Eostera era representada acompanhada da figura de um ou mais coelhos e, às vezes, segurando ovos. Os ovos, para os povos antigos, tinham o mesmo significado apresentado pela primavera (renascimento) e eram, comumente, decorados e utilizados nos rituais à Eostera. Já o coelho simbolizava fertilidade, outra coisa importantíssima antigamente, uma vez que a esterilidade era tida como maldição divina.

Mudando um pouco o rumo de nossa conversa, te convido a conhecer um relato diferente: era o mês de Abib (abril, em nosso calendário) de um ano que poderia ser um ano qualquer, mas não foi e todos que estavam nas terras do Egito sabiam que não era. Após 430 anos de escravidão, um alvoroço havia sido iniciado e o povo hebreu estava prestes a ser liberto. Deus dá uma série de ordenanças (Êxodo 12) a Moisés e, ao término delas, diz: “(...) esta é a páscoa do Senhor.” (Êxodo 12:11). Na raiz hebraica, Páscoa quer dizer passagem. Era a celebração da libertação que Deus havia prometido e estava cumprindo, mas apontava para algo muito maior que ainda estava por vir. A primeira cerimônia da Páscoa celebrava algo que salvou alguns milhares. O evento para o qual ela aponta pode salvar a todos de todas as eras deste planeta.

A recomendação divina é que a cerimônia seria realizada com um cordeiro macho de um ano e sem defeito. Tais características são indicativas para o “(...) Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João 1:29). Outro paralelo interessante é o momento no qual o sacrifício do animal seria feito: “(...) e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde.” (Êxodo 12:6). E foi no fim da tarde de sexta que Cristo entregou sua vida por cada um de nós, não havendo salvação por outro meio (Atos 4:12).

Não sei como, nem quando, muito menos onde as coisas foram mudadas, mas, em meio a tanta sutileza, somos levados a esquecer do significado real da Páscoa. Deixar de dar a real importância e não meditar no que ela representa para cada um.

O sacrifício já foi feito! Mas Deus, de forma nenhuma, passaria por cima de nosso livre arbítrio, apesar de querer salvar a todos. Cabe a cada um aceitar a salvação que a atitude de Cristo representa e não podemos fazê-lo se nos distrairmos com outras coisas deixando de ouvir seu convite que ecoa durante séculos. Sim, seu ato redentor não se resumiu à morte na cruz. Hoje, Ele ainda te convida: “Vem meu filho, vem sem mais te demorar. Com os braços bem abertos eu morri pra te salvar. Com os braços sempre abertos eu estou a te esperar.”. 1

Não perde tempo, corre para os braços de Jesus. Ele ainda te espera!
Feliz Páscoa.

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Referências:
1 - SAMADELLO, A. Braços abertos. Disponível em: < http://letras.mus.br/alessandra-samadello/266126/>. Acessado em: 12/03/15.
Eostre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Eostre>. Acessado em: 12/03/15.
Páscoa. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa>. Acessado em: 12/03/15.
Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Vol. 1, pp.: 584 e 585.