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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

NEM TE REPAREI...

NEM TE REPAREI...
Denize Vicente - Rio de Janeiro - Cidade Maravilhosa
 
Você já ouviu falar em “invisibilidade pública”?

No segundo ano de sua faculdade de Psicologia, aos 19 anos de idade, o estudante Fernando Braga da Costa fez algo “parecido” com o que o atual prefeito de São Paulo fez no primeiro dia de seu mandato. Fernando vestiu uniforme de gari aos 19 anos, para um trabalho de Psicologia Social, e por DEZ ANOS, duas vezes por semana, trabalhou varrendo as ruas da USP (Universidade de São Paulo). Entendeu, agora, por que eu usei aspas, ao dizer que ele fez uma coisa parecida com a que fez o João Doria Júnior?

Falando numa linguagem bem simples: Fernando comprovou sua tese de que existem pessoas invisíveis. Ele constatou que, para o público em geral, trabalhadores braçais são “seres invisíveis” e “sem nome”. As pessoas enxergam a função que uma pessoa exerce, e não a pessoa. Veem o uniforme, e não quem o veste. Uma percepção lamentavelmente triste...


Ele trabalhou como gari, nesses dez anos, e descobriu uma coisa que deveria fazer a gente rever os conceitos, em 2017: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência..  Mas aí você pode pensar: Ah, eu sei que um bom dia é importante, que um bom dia faz bem... Por isso todos os dias eu dou bom dia nos meus grupos de WhatsApp, dou bom dia no Facebook, no Instagram, no Twitter...

Não, cara! Ele tá falando de outra coisa... Ele tá falando sobre um “bom dia” como ”sopro de vida”, como “um sinal da própria existência”... tá entendendo? Sobre essa coisa de você passar por alguém na rua e nem notar... O gari, o carteiro, o ascensorista, o moço que está tapando o bueiro da sua rua, o caixa do mercado, o jardineiro que caminha procurando umas gramas pra cortar, o cara do gás, o jovem que sobe no poste para instalar a linha de telefone, a senhora que limpa o banheiro... Tá falando que a gente precisa sair do mundo virtual, sair da casinha, e ser mais gente, ver mais gente, ver o mundo que está em volta da gente. Não é só sobre a importância de dar um “bom dia” olhando nos olhos de alguém que se tornou “invisível”, é também sobre o mal que a gente causa ao não fazer isso.

O experimento se estendeu durante a graduação, o Mestrado e o Doutorado. Fernando conta que professores que o abraçavam nos corredores da USP passavam por ele enquanto ele varria o chão e não o reconheciam - por causa do uniforme. 

Às  vezes, esbarravam no  meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me  ignorando, como se  tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão.”, diz o Psicólogo. 

Ele conta que quando estava trabalhando e via um de seus professores se aproximando ele até parava de varrer, porque o professor iria passar por ele e, quem sabe, poderia parar pra trocar uma ideia... Mas, que nada! “O pessoal passava como se tivesse passando por um  poste, uma árvore, um orelhão.”.
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente à lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse  trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não  senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

Fernando aprendeu muito com esse experimento social. Ele diz que mudou; que nunca mais deixou de cumprimentar um trabalhador; faz questão de que o trabalhador saiba que ele sabe que o cara existe.


Sabe, a “invisibilidade pública transforma pessoas em objetos”, e eu não acho que nós queremos um mundo assim. João Doria Junior foi fotografado, cumprimentado, elogiado, foi até criticado, mas foi notado, foi visto. Sorriram pra ele. Porque tinha uma ação de marketing mostrando a pessoa que vestia o uniforme. Mas qual foi a última vez que você deu “bom dia” pro gari da sua rua, pro terceirizado da limpeza que lava o banheiro do prédio em que você trabalha, pro entregador de pizza, pro ascensorista do prédio onde fica o consultório do seu médico?

Eles têm nome. Mas a gente não sabe. A gente passa por eles e nem sabe há quanto tempo eles estão ali, há quantos meses ou anos eles prestam seus serviços naquele mesmo lugar. Se estão bem, se estão tristes... A gente não os vê. Os animais domésticos. Eles têm nome e são tratados pelo nome. Esses trabalhadores... eles têm nome??

Maria Madalena foi levada a Jesus por homens que viam a função que ela exercia, mas não viam a pessoa. Eles a jogaram diante de Jesus, dizendo:
- Mestre, essa mulher foi apanhada em adultério.

“Essa mulher”, reparou? Bem indistintamente. Bem indiferentes.

Mas Jesus, não. Ele disse: “Mulher”... mas olhou dentro dos seus olhos e falou com ela (João 8: 1-11). Ele enxergou a pessoa. Ele deu o “bom dia” que foi o sopro de vida para aquela mulher. “Um sinal da própria existência...”

2017 chegou já faz mais de um mês. Chega de mais do mesmo. Vamos ser mais semelhantes a Jesus! É o que eu desejo pra nossa vida. Olhe nos olhos. Olhe ao redor. Enxergue as pessoas. O seu “bom dia” pode ser um sopro de vida pra alguém.

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Referências:

Artigo de Plínio Delphino, Diário de São Paulo, Orquidário Cuiabá, 7/12/2008

Garis – Um estudo sobre a invisibilidade pública – Disponível em: http://www.bv.fapesp.br/pt/publicacao/6180/garis-um-estudo-de-psicologia-sobre-invisibilidade-publica/ - acessado em 10.01.2017

Fernando Braga da Costa é Doutor em Psicologia Social e Professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina de Jundiaí, São Paulo.

sábado, 31 de dezembro de 2016

2017

2017
Por Jackson Valoni

Já terminou com alguma namorada? Já desfez alguma amizade? Conhece alguém que passou por um divórcio? Você já conviveu com alguém em processo de separação? Por que relacionamentos são destruídos?

Os relacionamentos duram porque há troca de expectativas atendidas. É uma regra básica: a manutenção de uma relação pressupõe segurança (lealdade, fidelidade, amizade, confiança, respeito).

Posso contar com meu amigo se eu ligar pra ele reclamando da vida. Posso contar com minha esposa quando peço pra ela fazer pudim de leite pra mim, hoje (tomara que ela leia este texto e faça o pudim). Nós nos sentimos confortáveis com a pessoa com quem escolhemos nos relacionar.

No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. (I João 4:18, 19)

“O temor tem consigo a pena” porque o medo supõe castigo. Se você algum dia foi a alguma igreja, o que o levou a fazer isso? Simples convite, turismo, ou sua convicção religiosa?

Faz uma semana que o mundo comemorou o nascimento de Jesus. Na minha casa, não temos o hábito de trocar presentes na época do Natal, mas a gente come muito. Há quem finja ser um homem acima do peso com roupa vermelha e distribua presentes no Natal. Eu, sinceramente, não vejo problema nenhum nisso.


Um dia Jesus foi convidado pra participar de uma festa de casamento. Os casamentos daquela época costumavam durar uma semana inteira, mas nessa festa houve um pequeno problema: havia acabado a bebida. Seria uma vergonha enorme para os anfitriões da festa e um desrespeito com os convidados se não houvesse mais o que beber. Não se sabe depois de quantos dias de festa a bebida havia acabado, mas, não importa; a tragédia é que tinha acabado a bebida.

Maria, mãe de Jesus, avisa a Ele sobre o fim do suco. Em seguida, ela, literalmente, entrega os problemas nas mãos de Jesus. “Fazei tudo o que Ele vos disser.” (João 2:5), foi o que Maria falou para os empregados daquela festa.

Quando as festas chegam ao fim os convidados se despedem e vão embora. Foi assim com você, no Natal? Estou falando a respeito de Jesus. Ele mesmo, a “imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15), Jesus, nos ama antes que nós inventássemos qualquer vinte-cinco-de-dezembro para dedicarmos alguns minutos em agradecimento pelas bênçãos do ano inteiro.

Repare, Jesus nos ama. Eu não creio num Jesus simplesmente histórico e morto numa cruz, sepultado. O meu Jesus é vivo, ressucitou, e é meu Amigo e Salvador.

“O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus. Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer.” (Salmos 14:2,3)

Mesmo eu e você sendo dessa forma suja, Deus ainda cuida de nós. Julgamos que determinada pessoa é boa ou ruim usando critérios muito subjetivos. Jesus falou para o jovem rico que “ninguém é bom senão um, que é Deus.” (Marcos 10:18)

“Que importa se alguns deles foram infiéis? A sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso. Como está escrito: ‘De modo que são justas as tuas palavras e prevaleces quando julgas’." (Romanos 3:3, 4)

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo (não para condenar o mundo), mas para que o mundo fosse salvo por Ele. (João 3:17)

O que você fez no passado, é com Deus. Peça perdão a Deus, se arrependa, e comece uma nova história na sua vida. “Deus sabe o que vai dentro d'alma, Deus ouve a oração suplicante, Deus vê sua angústia e o acalma.” Podemos recomeçar tudo com Jesus. Podemos renascer.


Há uma semana comemoramos o nascimento de Jesus e amanhã já começa um ano novo. Não deixe Jesus ir embora da sua vida porque a festa acabou. Deixe que Ele seja um hóspede da sua casa, do seu coração. Se você já O mandou embora, Ele diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.”. (Apocalipse 3:20)

Ei, abra a porta. Deixe Jesus habitar em sua vida, você vai perceber que poderia ter se entregado a Jesus há muito tempo. Feche seus olhos agora e peça a companhia dEle durante esse novo ano. Você vai perceber que será a primeira e melhor decisão que você irá tomar em 2017.

“Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.”
(Jeremias 31:3)




sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL!
(AH!, PERA! SÓ ISSO??)


FELIZ NATAL!
(AH!, PERA! SÓ ISSO??)
Por Denize Vicente

Nestes dias que antecedem o Natal as pessoas costumam ficar bem cansadas, geralmente. É uma coisa que acontece todos os anos. As pessoas, independentemente de crise financeira, política ou social, não se permitem comemorar o Natal sem trocar presentes. Amigo oculto, amigo oculto de R$1,99 (ainda existem essas lojas?), amigo oculto de cartão (que vai sempre acompanhado de, pelo menos, um chocolate), amigo da onça, inimigo oculto... são apenas algumas das variáveis, mas o certo é que a maioria das pessoas vai às ruas, aos shoppings, aos bazares, pra descolar uma lembrancinha que seja, pra presentear alguém no Natal.


E nessa correria as pessoas vão se cansando. Muito. É o calor, são as lojas cheias, a atenção redobrada pra fugir de assaltos (às vezes inevitáveis)... tudo isso esgota a energia, compromete o humor, esvazia o bolso e enche a cabeça do brasileiro.

Nos dias que se seguem ao Natal a correria continua, mas aí é para trocar os presentes recebidos. A blusa que ficou apertada, a calça que ‘tá grande demais, o perfume que não agradou... E lá pelo dia 28 ou 29, presentes trocados, as pessoas começam a se preparar para a virada do ano.

Nesse pique, muita gente se dá conta de que o ano tá acabando, blá, blá, blá... e aí começam as mensagens de ano novo. Tem gente bem criativa ao expressar seus votos de “Feliz Ano Novo!”, e é também nessa época que as pessoas começam a fazer o balanço do ano que acaba e definir suas resoluções para o ano seguinte.


Em meio a tudo isso, eu andei reparando: mensagens de “Feliz Ano Novo!” começam a ser espalhadas antes mesmo do Natal. Mensagens de “Feliz Ano Novo!” muitas vezes trazem desejos e reflexões que poderiam muito bem ser feitos no dia do Natal. Mensagens de “Feliz Ano Novo!” substituem mensagens de Natal. Bem assim!

Para o Ano Novo as pessoas criam textos e escrevem ou falam coisas que tocam o coração, que fazem você pensar... No Natal, é o mesmo de sempre: “Feliz Natal!”. No máximo, alguns acrescentam: “Que Jesus possa nascer no seu coração diariamente!”. Rolam uns vídeos e tal, mas nada mais que isso...

O que está acontecendo?

Talvez estejamos cansados, correndo muito, talvez o foco não esteja na coisa certa, talvez a gente nem saiba o que é o Natal. A história do menino filho de pais pobres (ou, pelo menos, que não eram ricos), honestos e trabalhadores, que não nasceu na Perinatal, mas num estábulo, que cresceu sem videogame, skate, camisa do Barcelona, e ajudava seu pai na carpintaria, que se tornou um homem de bem, mas muito simples, revolucionário para os costumes e tradições da sua época, rejeitado pelos que estavam esperando um pouco mais de pompa, da sua parte... e que foi traído por 30 dinheiros, açoitado até sangrar, e depois morreu, morte de cruz!, talvez não seja a história de sucesso, cheia de alegria, fogos e brilho que se quer ouvir no meio da correria do Natal... Como assim “o Salvador do mundo”?

Como assim??


Pois é... A biografia de um homem que foi concebido no ventre de uma virgem, nasceu num bercinho de palhas e não teve um quarto decorado, viveu na humildade e morreu morte cruel, sem merecer, não acaba nisso. No dia em que se comemora o nascimento de Jesus, deveria ser inevitável falar também da vida desse moço, da Sua morte, e da Sua ressurreição. Porque isso é o que nos faz entender essa história de “Salvador do mundo”.

Jesus Cristo, o aniversariante do próximo domingo (uma data simbólica, você sabe), viveu 30 anos da sua curta existência num vilarejo, pequeno e sem expressão, desenvolveu seu ministério em apenas três anos e meio, mas causou um impacto fenomenal no mundo, dividindo a História em “antes” e “depois” de Cristo. Você já parou pra pensar nisso? Na grandeza dessa história? Na grandeza desse personagem?

Isso não é nada comum, gente! Viveu pra servir, amou incondicionalmente, defendeu os excluídos, restabeleceu a auto-estima dos desprezados, restituiu a saúde dos enfermos e debilitados, trouxe de volta à vida quem já havia morrido, deu esperança, deu pão, água, respeito... morreu (por quê?) e ressuscitou. No grande conflito entre o Bem e o Mal, Jesus Cristo é o Salvador da humanidade. É muito mais do que um super-herói.

Cristo, o Filho do Deus vivo. (Mateus 16:15, 16)
Ele veio – nasceu e morreu - para que todos tenham vida, e vida em abundância. (João 10:10)

Pensando bem... é muito pouco dizer apenas “Feliz Natal!”. 


domingo, 18 de dezembro de 2016

PROPAGANDA

PROPAGANDA
Por Pamela Henriques Moreira

Estava vasculhando notícias na internet quando uma chamadinha me chamou atenção. Dizia: “10 lugares mais perigosos do mundo”. Abri a matéria, já que adoro viajar (o problema é que “money que é good nóis num have”1). Achei bem interessante a matéria, não pelos lugares, mas por causa do merchandising2. Logo após as fotos interessantes, e ainda na matéria, quando dei por mim já estavam anunciando seguro de viagem. Espertinhos!!


Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Será?!?


Quando uma propaganda não cumpre o que promete, ela é considerada enganosa, ou seja, tem capacidade total ou parcial de dar uma ideia falsa da realidade às pessoas.


Já vi em alguns outdoors frases do tipo "Jesus está voltando", "Jesus é o nosso Senhor", e acho legal. Claro que Deus não é um produto, sequer precisa de propaganda, mas por que não falar de Seu amor infinito, das Suas obras em nossa vida, de Sua misericórdia, do Seu carinho? Por que não apresentar esse Deus maravilhoso que operou e opera milagres na vida das pessoas?

“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.” Mateus 10:32,33

Mas logo penso que é um tal de vassoura ungida daqui, rosa ungida de lá, perfume com cheiro de Jesus para vender... e vários outros produtos! Como as pessoas podem ser criativas para "vender" Jesus ao invés de levar Sua verdadeira palavra, não é mesmo?

"Examinais as Escrituras porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam." João 5:39

Quando vejo comerciais de determinados produtos com certas atrizes, pergunto-me se elas realmente os utilizam. Seria mais fácil para verificar o resultado, não?

"Já que vocês conhecem esta verdade, serão felizes se a praticarem." João 13:17

"Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas a ponham em prática. Porque aquele que ouve a mensagem e não a põe em prática é como uma pessoa que olha no espelho e vê como é. Dá uma boa olhada, depois vai embora e logo esquece a sua aparência." Tiago 1:22-24

Ter Deus em nossa vida é o maior dos presentes; falar dEle é prazeroso; praticar Seus ensinos é sabedoria e a melhor das propagandas.

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Referências:

1-  Falta-me din din 

2- Citação ou aparição de determinada marca, produto ou serviço, sem as características explícitas de anúncio publicitário, em programa de televisão ou de rádio, espetáculo teatral ou cinematográfico etc.




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA


ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Por João Octávio Barbosa

O que aconteceria se toda a humanidade, pessoa por pessoa, ficasse completamente cega? Esse é o enredo do livro de José Saramago, cujo título eu usurpei para a nossa coluna de hoje. A história também virou filme em 2009, com o diretor Fernando Meirelles. Não vou mandar “spoilers”. Curtam que é legal.


Há uma semana, exatamente, começou a Paralimpíada. Amanhã, a esta hora (ou um pouco mais cedo, ou um pouco mais tarde, depende de que horas são para você agora), acontecerão as semifinais do “Futebol de 5”, masculino, competição para cegos. É aquele esporte em que os atletas, mesmo diante de suas dificuldades físicas, demonstram claramente o quanto nós, peladeiros de final de semana, não jogamos nada, mesmo vendo.

Cegueira é um problema antigo. É... exatamente. Você, que é meu leitor assíduo das quartas-feiras, sabe que agora é hora de levar o assunto do primeiro parágrafo para os tempos bíblicos. Jesus curou muitos doentes, lemos nos quatro evangelhos, mas a história de “pós-milagre” mais extensa é a do nosso Perfil Sem Curtidas de hoje. O cego de João 9. Vale uma olhada.


O pobre ceguinho está lá, quieto, no canto dele, e ainda é obrigado a ouvir humilhação dos discípulos. Pecador ou filho de pecador são suas opções de rótulo. Jesus diz para não julgar e faz a cura. Controvérsia na vizinhança: É ele? Não é ele? É incrível demais para acreditar. Os fariseus, invejosos de Jesus, querem tirar a história a limpo e decidem interrogá-lo.


O que os fariseus realmente desejavam era intimidar e fazer com que o cego negasse para as multidões que tinha sido alvo de um milagre de Cristo. Eles conseguiram assustar os pais do cego, que não queriam problema com a liderança da sinagoga, e fizeram a Daisy. Ou seja, se fizeram de “deisentendidos”: “Procurem a nosso filho, não temos nada a ver com isso.”. Omitiram apoio a seu filho, que eles viram nascer cego!

Os fariseus também tentam denegrir a imagem de Jesus. Acusam-no de pecar no sábado. Como se fazer um milagre fosse contra a santificação do sábado. Inclusive, abrindo aqui um falso parêntese, se você é cristão e não sabe a trina relação entre o sábado, a sua santidade e Jesus, taí um texto para você analisar bem. O sábado de Deus era transgredido pelos fariseus ao passo que os fariseus acusavam o “Homem-Deus”, Jesus, de transgredir o sábado deles, fariseus.


Aos olhos de quem não queria ver, Jesus não parecia ser de Deus. Eles pedem ao cego, já na sua segunda entrevista, que ele classifique Jesus como pecador e que exalte a Deus como aquele que o curou. O ex-cego já estava ficando impaciente com a maldade dos fariseus, e passou a dar respostas tão sinceras quanto marotas.

São dois lindíssimos foras. Sugere que já que os fariseus estão tão interessados em Jesus poderiam se tornar seus discípulos. E depois critica a hipocrisia deles ao fingir que não sabem quem é Jesus. O ex-cego me sai um excelente advogado de Cristo. Para aquele leitor que no começo do texto não dava nada por ele... “o ceguinho, coitado...”. Malandramente, surpreendeu pela sagacidade.


E com toda a ousadia, sabendo que estava pisando em terreno inimigo, não tem vergonha de assumir: seu médico é, sim, da parte de Deus, pois o que fez foi um grande milagre, recheado de bondade de amor, queiram vocês reconhecer isso ou não!

Foi punido. Rejeitado na sinagoga. Deve ter aumentado ainda mais a fama dele. O “bad boy” do bairro. O incrível ex-cego que chocou a sociedade hebraica. Saiu na capa do Meia Hora*. Até o Mestre Jesus foi atrás dele e o achou (provando que ele estava famoso). Ele reconheceu a necessidade de Jesus. Sua cegueira física já não era problema. Abriu os olhos espirituais também e se entregou a Jesus.

Diferente dos fariseus.

Diferente de você?

Pior cego é aquele...

Não peço que concordem, espero que reflitam!

* Famoso tabloide carioca conhecido pelo bom humor e notícias populares.