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quinta-feira, 7 de junho de 2018

NÃO MOVA A MONTANHA...


NÃO MOVA A MONTANHA...
Filipe Fernandes de Carvalho Souza – Florianópolis – SC

No filme “À Procura da Felicidade”, protagonizado pelo ator Will Smith, Chris Gardner se descobre no meio de um enorme desafio. Sua mulher o abandona devido ao seu desemprego e ele tem que lutar sozinho para criar e manter o filho. No auge da agonia, desabrigado e sem recursos, ele procura um albergue oferecido por uma igreja para passar a noite e ser alimentado. Durante esse período ele entra na igreja e ouve um lindo coral cantar: “Lord, don’t move the mountain, give me strength to climb it”, que, traduzido, significaria: “Senhor, não mova a montanha, dá-me forças para subir a montanha”.


Essa canção, composta por Inez Andrews, nos ajuda a lembrar de que nem sempre as adversidades serão removidas do nosso caminho, mas que receberemos forças do alto para enfrentá-las.

Semana passada eu contei aqui no blog como eu quase desisti de completar a minha parte na prova da Meia Maratona de Balneário, na categoria “duplas”. Por mais de uma vez fui tentado a parar... mas saber que do outro lado do percurso meu pai me aguardava para completar a prova me fez reunir as últimas forças que me restavam para terminar a corrida.

Paulo, escritor da carta aos Coríntios afirma: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”. I Coríntios 10:13.

O mesmo Paulo afirma ainda na carta dirigida aos Filipenses: “Não, caros irmãos, não sou ainda tudo quanto deveria ser, porém estou concentrando todas as minhas energias para insistir nesta única coisa: Esquecendo o passado e aguardando esperançoso aquilo que está à frente, esforço-me para chegar ao fim da corrida e receber o prêmio para o qual Deus está nos chamando ao céu, em Cristo Jesus.”. Filipenses 3:13-14

Vou terminar meu texto de hoje repetindo o que eu disse na semana passada: Algum tempo depois de escrever essas palavras Paulo morreu decapitado, após um longo período preso; mas deixou registrado: “Fiz o melhor que pude na corrida, cheguei até o fim, conservei a fé. E agora está me esperando o prêmio da vitória, que é dado para quem vive uma vida correta, o prêmio que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que esperam, com amor, a sua vinda.” II Timóteo 4:7-8


As cadeias da prisão não foram capazes de conter a fé que Paulo tinha, e nem mesmo a proximidade da morte foi capaz de amedrontá-lo, pois ele sabia que o Pai o aguardava no final da corrida.

Por mais difícil que esteja o seu caminho, não pare. Continue subindo, mesmo que seja caminhando, e mantenha os olhos firmes no alvo!




quinta-feira, 31 de maio de 2018

RUMO AO ALVO - MEIA MARATONA DE BALNEÁRIO


RUMO AO ALVO - MEIA MARATONA DE BALNEÁRIO
Filipe Fernandes de Carvalho Souza – Florianópolis/SC

No dia 29/04/18 eu e meu pai fomos a Balneário Camboriú para participar da Meia Maratona Internacional de Balneário. Saímos de Florianópolis por volta das 5h30 da manhã. Chegamos alguns poucos minutos antes da prova - apenas o suficiente para pegar o kit de corrida e iniciar a prova.

Fizemos a inscrição na categoria de duplas. Eu começaria e meu pai deveria terminar a prova. Eu faria o percurso de Balneário a Itajaí e meu pai faria o mesmo percurso, ao contrário. Seriam 10,5 km para cada um de nós, totalizando 21 km.



Eu havia retomado às minhas atividades físicas e estava nadando há algumas semanas, porém não estava fazendo treinos de corrida. Resolvi reduzir o passo a fim de apenas completar o meu trecho, porém verifiquei que os corredores à minha frente estavam demasiado lentos e aumentei levemente a velocidade.

Por volta dos 7 km de prova eu já estava cansado, mas acreditava que seria possível concluir a prova. Porém, no final da orla marítima de Balneário havia uma elevação de quase 100 metros de altitude para a qual eu não havia me preparado. Devido a algumas demandas de trabalho, durante a semana, eu acabei não consultando o traçado da prova e me deparei com um enorme desafio.

Após refletir se deveria ou não dar seguimento, na prova, resolvi seguir adiante. Reduzi o tamanho das passadas e continuei correndo até a metade da subida. Senti as forças faltarem, pensei novamente em desistir, mas do outro lado do percurso o meu pai me aguardava para completar a prova. Reuni as últimas forças que me restaram e completei a prova em 1 hora e 20 minutos.

No trajeto de volta meu pai completou o trecho restante em apenas 54 minutos. Descobri o quão fora de forma eu estava, e que apesar de estar treinando natação eu não havia me preparado suficientemente para encarar aquele desafio; porém, o objetivo de encontrar o meu pai do outro lado do percurso me motivou a continuar em frente.

Paulo, escrevendo aos filipenses, disse: “Não, caros irmãos, não sou ainda tudo quanto deveria ser, porém estou concentrando todas as minhas energias para insistir nesta única coisa: Esquecendo o passado e aguardando esperançoso aquilo que está à frente, esforço-me para chegar ao fim da corrida e receber o prêmio para o qual Deus está nos chamando ao céu, em Cristo Jesus.Filipenses 3:13-14

Algum tempo depois de escrever essas palavras Paulo morreu decapitado, após um longo período preso; mas deixou registrado: “Fiz o melhor que pude na corrida, cheguei até o fim, conservei a fé. E agora está me esperando o prêmio da vitória, que é dado para quem vive uma vida correta, o prêmio que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que esperam, com amor, a sua vinda.” II Timóteo 4:7-8

As cadeias da prisão não foram capazes de conter a fé que Paulo tinha, e nem mesmo a proximidade da morte foi capaz de amedrontá-lo, pois ele sabia que o Pai o aguardava no final da corrida.

Por mais difícil que esteja o seu caminho, não pare. Continue subindo, mesmo que seja caminhando, e mantenha os olhos firmes no alvo!



quinta-feira, 10 de maio de 2018

O SANTO DO SANTINHO


O SANTO DO SANTINHO
Filipe Fernandes de Carvalho Souza – Florianópolis - SC
                
Passei minhas férias em Portugal, este ano, e de volta à cidade de Florianópolis resolvi desfrutar do fim do verão na companhia de amigos. Fomos à Praia do Santinho, uma das mais belas da ilha de Santa Catarina. Localizada no norte da ilha a praia é limitada por costões ao norte e ao sul e possui aproximadamente 2 km de extensão[1]. É uma praia adequada à prática de esportes marítimos como o surfe e o kitesurfe e possui a presença de dunas próximas ao costão norte que permitem o acesso à Praia dos Ingleses.


A Praia do Santinho não foi batizada em homenagem aos “santinhos” distribuídos às vésperas das eleições. Na verdade, a praia recebeu esse nome em decorrência da presença de algumas inscrições rupestres entalhadas no seu costão direito, datadas de aproximadamente cinco mil anos. A mais famosa das inscrições daquele sítio arqueológico, a pedra do santinho, aparentava uma figura humana com uma auréola em torno da cabeça e foi o que deu motivo ao nome. Entretanto, no ano de 1944, a pedra foi subitamente removida pelo Padre Rohr e sua equipe e trazida para o museu do Colégio Catarinense - que depois se tornaria o “Museu do Homem do Sambaqui”. A comunidade local de pescadores realizava romarias em frente àquele lugar e ficou bastante revoltada com a remoção da pedra, o que se agravou com o posterior desaparecimento da Pedra do Santinho do museu. Naquele mesmo ano, em virtude da pesca ter sido ruim, os pescadores atribuíram ao Padre a culpa, em decorrência da remoção do Santinho[2].

Inscrição rupestre gravada sobre as rochas existentes no lado Oeste da Praia do Santinho

De acordo com o dicionário Aurélio, a palavra “santo” significa: 1. Sagrado. 2. Diz-se daquele que a igreja Católica canonizou. 3. Puro, inocente. 4. Bondoso, virtuoso. 5. Útil, profícuo. 6. Homem canonizado. 7. Imagem de santo. 8. Homem bondoso, virtuoso. Ou seja, de acordo com o dicionário, o significado da palavra “santo” está relacionado ao exercício da fé e conectado àquilo que se considera sagrado e puro. 

Assim, eu pergunto: pode alguém ser considerado santo?

De acordo com o samba de Bezerra da Silva a resposta é “não”, porque “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão...”.

Apesar de políticos e religiosos, em geral, serem a perfeita contrafação da santidade, o livro do Apocalipse afirma que existe alguém que é verdadeiramente santo: “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo.” (Apocalipse 15:4).

Visto que somente Deus é Santo, Ele possui autoridade para declarar algo santo ou santificar algo, e o livro de Ezequiel corrobora com essa ideia ao afirmar: “E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.” (Ezequiel 20:12). Ou seja, apesar de não possuirmos a santidade de forma inerente a nós, podemos recebê-la, pois Deus é capaz de nos santificar. Acrescenta-se ainda que Ele separou, santificando e abençoando um espaço no tempo (Gênesis 2:3) para que nos lembrássemos de que Ele pode e deseja nos tornar santos. Ou seja, podemos ser santos porque Ele é santo (Levíticos 19:2)!

Entretanto, apesar de Deus ser capaz de nos santificar é preciso que renunciemos ao próprio “Eu” a fim de permitir que Ele nos molde e santifique. Não podemos nos esvaziar por nós mesmos; podemos apenas consentir que Ele execute a Sua obra em nós.

Se esse é o seu desejo, peça comigo: “Senhor, toma meu coração; pois não o posso dar. É Tua propriedade. Conserva-o puro; pois não posso conservá-lo para Ti. Salva-me a despeito de mim mesmo, tão fraco e tão dessemelhante de Cristo. Molda-me, forma-me e eleva-me a uma atmosfera pura e santa, onde a rica corrente de Teu amor possa fluir por minha alma.” (Parábolas de Jesus, Editora CPB, pág 159).

Assim, sejamos santos nEle e tenhamos por certo que aquele que começou em nós a boa obra há de completá-la até o último dia (Filipenses 1:6).

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Referência/Fonte:

quinta-feira, 5 de abril de 2018

GRATIDÃO


GRATIDÃO
Filipe Souza – Florianópolis/SC

Depois de um ótimo mês de férias em Portugal, estamos de volta ao Brasil. O período que passamos por lá foi cheio de aventuras e pudemos perceber o cuidado de Deus por nós em todos os momentos. Conhecemos lugares paradisíacos e pessoas tão maravilhosas que nos fizeram sentir como se estivéssemos em casa, como as famílias G. e M.! Fomos recebidos com tanto carinho que voltamos com vontade de passar pelo menos um pouquinho mais de tempo por lá. Voltamos com o coração cheio de gratidão por tudo o que pudemos desfrutar!

Pensando na viagem não posso deixar de mencionar alguns episódios em que percebi o cuidado de Deus para conosco, como no dia em que chegamos a Portimão, no Algarve, sem saber onde ficaríamos hospedados, pois o endereço informado pelo anfitrião, no aplicativo, não era referente ao local reservado para a estadia. Ficamos perdidos, e após uma hora de buscas meu pai fez uma breve oração e um policial apareceu, do nada, e se voluntariou para nos guiar até o local que estávamos procurando.


Em outra ocasião, pedimos ajuda a um senhor para calibrar os pneus, mas ele colocou uma pressão muito superior à indicada pelo fabricante. Na verdade, quase o dobro. Os pneus estavam a ponto de explodir e chegamos a rodar um dia inteiro com os pneus naquele estado. Felizmente, paramos em outro posto de gasolina e o funcionário ajustou a pressão dos pneus conforme o recomendado. Ele nos disse que havíamos corrido um grande risco, mas, felizmente, Deus nos protegeu!


Certa vez Jesus também estava viajando e entrou em uma aldeia, após passar pela Samaria e pela Galileia, quando saíram ao seu encontro dez leprosos que clamavam para que Jesus tivesse misericórdia deles. Jesus os orientou, então, a se apresentarem ao sacerdote. Enquanto eles iam, a lepra desapareceu do seu corpo. Um deles, que era samaritano, percebendo que estava curado, volta dando graças a Deus. Ajoelha-se aos pés de Jesus e lhe agradece. Jesus então diz:
— Os homens que foram curados eram dez. Onde estão os outros nove? Por que somente este estrangeiro voltou para louvar a Deus? (Lucas 17:18)

Na época de Cristo a lepra era uma doença incurável, e as pessoas que a contraíssem deveriam viver à parte da sociedade, separadas de seus familiares e amigos. O pior de tudo era que as vítimas da lepra eram vistas pelos outros como se estivessem sendo punidas por Deus devido a alguma falta ou pecado que tivessem cometido. Diante desse fato é assombroso saber que apenas um dos dez leprosos voltou para agradecer, e além disso, o único que voltou era estrangeiro.

Semelhantemente ao leproso samaritano nos tornamos mais sensíveis ao belo quando estamos em lugares que ainda não conhecemos. Parece até que nos tornamos cegos e não conseguimos perceber as belezas que existem onde estamos. O mesmo fenômeno tende a acontecer em nossas relações familiares... Esquecemos de voltar para agradecer aos nossos pais e irmãos por tudo o que eles fizeram e fazem por nós.

Como se não fosse o bastante, ainda nos esquecemos de agradecer ao Doador da Vida por nos acordar a cada manhã e acabamos por viver como se Ele não existisse, pois não separamos tempo para estar com Ele. Estamos sempre focados em nossos interesses e apenas nos lembramos de Deus quando a situação sai do nosso controle. Desesperados, então, clamamos: “Senhor tenha misericórdia de nós!”.

Na verdade,  não precisaríamos ficar com tanto medo nos momentos de dificuldade se simplesmente fossemos mais agradecidos e tirássemos tempo para recordar o cuidado de Deus por nós. A escritora americana Ellen White escreveu: “Ao recapitular a nossa história passada, havendo revisado cada passo de progresso até ao nosso nível atual, posso dizer: Louvado seja Deus! Ao ver o que o Senhor tem efetuado, encho-me de admiração e de confiança na liderança de Cristo. Nada temos a temer quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e Seu ensino em nossa história passada.1 — Life Sketches, p. 196.

Sejamos gratos em todo o tempo; afinal, somos peregrinos em terra estranha!



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Referência/Fonte:

1.    Life Sketches of Ellen G. White - disponível em http://www.centrowhite.org.br/files/ebooks/egw-english/books/Life%20Sketches%20of%20Ellen%20G.%20White.pdf – acessado em 03.04.2018.


quinta-feira, 22 de março de 2018

RIO D’OURO E A ÁGUA QUE DÁ VIDA


RIO D’OURO E A ÁGUA QUE DÁ VIDA
Filipe Souza – Florianópolis/SC

Na Serra do Urbião, na Espanha, a 2.080 metros de altitude, nasce o Rio D’Ouro. O rio atravessa o norte do território português e deságua no oceano atlântico tendo sua foz localizada entre as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Atravessa a fronteira de Portugal e Espanha entre as localidades de Miranda do Douro e Barca D’Alva. Ao longo de suas margens podem ser vistos muitos vinhedos de onde se colhem uvas para produção do famoso vinho do Porto. Devido as suas características peculiares, a região vinhateira do Alto D’Ouro foi incluída como Patrimônio da Humanidade na categoria “paisagem cultural”, pela Unesco, no ano de 2001.


Fluindo por vales circundados por montanhas rochosas, o Rio D’Ouro foi represado em alguns trechos onde foram construídas eclusas e barragens que permitem o aproveitamento do potencial hidroelétrico do corpo d’água e tornam o rio navegável em vários trechos. A fim de proporcionar aos turistas uma experiência ampliada das paisagens, são ofertados alguns serviços de cruzeiros que conduzem os viajantes ao longo dos meandros do rio.


O Rio D’ouro possui 850 km de extensão, sendo o terceiro rio mais extenso da península ibérica, depois do Tejo e do Ebro. Diferentemente das fronteiras estabelecidas entre países, os rios cruzam os limites estabelecidos pelo homem. Essa peculiaridade impõe que a gestão das águas transfronteiriças seja realizada conjuntamente, pois a área de contribuição dos rios, isto é, a bacia hidrográfica, não respeita os limites territoriais determinados entre os estados. No período de cheias, o controle de vazões do D’Ouro nas barragens do lado espanhol é determinante para minorar possíveis danos no lado português, o que pode acarretar tensões entre os dois vizinhos.

Praça da Ribeira - cheias do Rio Douro em 1909.
Em: Porto Desaparecido - " A água atinge o alto do Muro dos Bacalhoeiros..." 
abril de 2016
https://www.noticiasaominuto.com

Por essas e outras, a relação entre esses povos irmãos muitas vezes é permeada de turbulências... Semelhantemente, o evangelho de João descreve a conturbada relação entre judeus e samaritanos. Ambos os povos descendiam de Jacó e pertenceram à nação de Israel, porém os samaritanos haviam se misturado com outros povos, enquanto os judeus não. A rivalidade entre os dois povos cresceu a tal ponto de não haver mais comunicação entre eles.

Com o intuito de quebrar esse paradigma, Jesus, que era judeu, pede água a uma mulher samaritana que tinha ido ao poço de Jacó ao meio-dia para tirar água. A mulher fica assombrada com o pedido e responde: “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?” (João 4:9). Jesus, então, responde à samaritana: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem está pedindo água, você lhe teria pedido e dele receberia água viva.” (João 4:10). A mulher, então, pergunta mais uma vez: “O senhor não tem com que tirar água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir essa água viva?” (João 4:11). Jesus então lhe responde: “Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (João 4:13,14).



Maravilhada com as palavras de Jesus, a mulher pede a água da vida: “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água.” (João 4:15).

Ao buscar água na hora mais quente do dia, a mulher samaritana buscava escapar do julgamento da sociedade. Ela havia tido cinco maridos e aquele com quem ela convivia não era seu marido. Até então ela havia tentado se satisfazer com seus amores, mas ao encontrar-se com Jesus, a água da vida, ela percebe que havia encontrado Aquele que poderia dessedentar o seu coração.

Ao perceber que Jesus não a julgava por ser samaritana ou por haver tido cinco maridos, aquela mulher volta até a sua cidade e, sem medo de encarar a multidão, convida toda a cidade a ir ver Aquele que conhecia tudo a seu respeito.

De fato, o amor de Jesus não conhece fronteiras, atravessa divisas, pode unir grandes inimigos e alcançar até aqueles que já desistiram de si mesmos. E assim como o rio emana vida por onde passa, Jesus também deseja devolver a paz e a alegria ao seu coração. 

Aceite hoje o Seu convite e beba da fonte que está sempre a jorrar!


quinta-feira, 8 de março de 2018

SAGRES E A NOVA TERRA


SAGRES E A NOVA TERRA
Filipe Souza – Florianópolis/SC

No sudoeste de Portugal, acima das escarpas rochosas, está situada a fortaleza de Sagres, no Algarve. A fortaleza fica na Ponta de Sagres, uma pequena península de rara beleza que se projeta no mar, de onde é possível observar a enseada de Sagres e o cabo de São Vicente[1].


Ao visitar o local não pude deixar de notar a presença de uma grande diversidade de pássaros que sobrevoavam o vasto oceano que envolve a península, e a força dos ventos. No interior da fortaleza pode ser encontrada uma enorme rosa dos ventos, bem como algumas homenagens ao Infante D. Henrique, popularmente conhecido como Infante de Sagres ou O Navegador. O Infante foi o quinto filho de Dom João I de Portugal e teve grande importância no princípio da era das descobertas, fundando a escola de Lagos, onde se reuniram astrônomos, navegadores e cartógrafos que desenhavam cartas náuticas e projetavam embarcações[2].


Ao observar aquele imenso oceano fiquei imaginando as caravelas que singravam os mares em direção ao novo mundo, cinco séculos atrás. Movidas pelo sonho dos exploradores e pela força dos ventos elas desafiavam as crenças populares em monstros marinhos e desbravavam o desconhecido.

 

Ao refletir na ação dos ventos sob as caravelas me recordei da maneira como Deus age em nossa vida. Ao conversar às escondidas com Nicodemos, um religioso sincero, porém bastante desorientado, Jesus declarou: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” João 3:8.

Mas quem é o Espírito de Deus? O Espírito é Aquele que nos convence “do pecado, da justiça e do juízo”, ou seja, daquilo que é certo ou errado (João 16:8). Ele é Aquele que fala aos nossos ouvidos aquilo que devemos ou não devemos fazer. “E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda.” Isaías 30:21.

Mas a despeito do vento indicar a direção e o sentido em que devemos navegar ainda assim podemos escolher assumir por nós mesmos o controle da embarcação e velejar à bolina, em zigue-zague em direção contrária à do vento, como fez Jonas, que rumou para Társis ao invés de ir a Nínive.

Porém, se entregarmos o controle da nossa embarcação nas mãos de Deus, Ele promete ajustar nossas velas e nos conduzir até à nova terra (Apocalipse 21:1). Se esse é o seu desejo, faça comigo esta oração: "Toma-me, Senhor, para ser Teu inteiramente. Aos Teus pés deponho todos os meus projetos. Usa-me hoje em Teu serviço. Permanece comigo, e permite que toda a minha obra se faça em Ti." (Caminho a Cristo, pág. 70 - CPB).

quinta-feira, 1 de março de 2018

ESPERANÇA NO ALENTEJO


ESPERANÇA NO ALENTEJO
Filipe Souza – Florianópolis - SC

Situada na sub-região do Alto Alentejo, encontra-se a freguesia Esperança, concelho de Arronches, Distrito de Portalegre. A freguesia é fronteiriça à Espanha formada por pequenas propriedades rurais.


A fim de conhecer melhor a região ficamos hospedados em uma típica casa alentejana, azul e branca, onde os donos criam ovelhas. Como há raposas na região as ovelhas ficam reclusas no aprisco guardadas por um cão pastor. Procurei me aproximar lentamente a fim de tirar algumas fotografias sem acordar o cão que parecia dormir, mas fui prontamente recebido por rosnados e latidos raivosos.


No dia seguinte, tentei novamente me aproximar das ovelhas, porém o cão frustrou novamente minhas expectativas. Felizmente, dessa vez, a dona da propriedade estava por perto e trouxe uma de suas ovelhas, chamada Deisy, para fora do curral a fim de que pudéssemos conhecê-la de perto.

A dona da propriedade nos contou que Deisy se apegou muito a ela, pois havia sido abandonada por sua mãe-ovelha para morrer - já que não havia pasto suficiente para o rebanho, em razão de uma grande seca que tomou conta da região nos últimos anos. 

Contrariando as leis da natureza, nossa anfitriã foi quem alimentou a pequena ovelha, que passou a considerá-la como sua própria mãe.
  
Essa história me remete à forma como Paulo, autor da carta aos Romanos, descreve qual deve ser a nossa relação para com Deus: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.” (Romanos 8:15). Para Paulo, nossa relação para com Deus não deve ser uma relação de medo, mas de confiança, como pais e filhos.


Paulo conclui sua declaração afirmando que o fato de termos sido adotados nos permite falar com o Criador de forma muito íntima, chamando-o afetuosamente de “Aba” ou “Paizinho”. Curiosamente, o mesmo Paulo declara em sua carta aos Efésios (cap. 2) que nós estávamos condenados, mortos em nossas ofensas e pecados, mas fomos "vivificados", ganhamos vida, pela misericórdia e pelo muito amor com que Deus nos amou. Éramos filhos da ira, condenados à morte, mas pela adoção recebemos a oportunidade de vida eterna!

Assim como Deisy não podia fazer nada a fim de mudar a sua sorte, nós também não tínhamos condições de alterar o nosso destino; mas Deus que é infinito em misericórdia pagou o preço do nosso resgate ao morrer numa cruz em nosso lugar.

O que faremos em resposta a tão grande amor? Continuaremos a viver como escravos dos nossos desejos e erros? Ou nos renderemos em obediência ao nosso amado Paizinho por tão grande esperança?