sábado, 9 de julho de 2016

ENXERGAR

ENXERGAR
Por Jackson Valoni

Usei óculos desde os 10 anos de idade. Nunca tive problemas com apelidos por causa dos óculos, talvez porque eu costumava apelidar meus amigos antes. Não me incomodei em usar óculos, a não ser em dias ensolarados. Dias como aquele em que fui pro Cristo Redentor e tive que ficar olhando pra câmera do celular enquanto o sol castigava meus olhos, já que eu não tinha óculos escuros. Na ocasião, tirei meus óculos de grau porque eu não gostava da aparência “fundo de garrafa” das lentes.




Exceto por esse inconveniente, não houve maiores transtornos para vestir/usar, por 15 anos, um par de lentes com grau à frente dos meus olhos míopes.

Mas decidi fazer uma cirurgia para corrigir a miopia e o astigmatismo. Foi uma das coisas mais tensas que eu faria na minha vida. Fiquei semanas pensando sobre o que eu estava prestes a fazer. Um raio laser apontado em minha retina e pronto: voltaria a enxergar sem precisar de óculos.

Tive medo de ficar cego enquanto estivesse na mesa de cirurgia. Olhava pra todos os lados, todas as cores, nem dormi direito no dia anterior.

Senti muito medo durante o procedimento cirúrgico. Prendi a respiração enquanto o laser fatiava meus olhos. Senti o cheiro dos meus olhos queimando. Antes de essa cena mórbida acontecer, o médico me deu um calmante que pareceu não ter gerado nenhum efeito na hora, mas que me deixou muito grogue ao fim da cirurgia.

O resultado foi um sucesso. Recebi várias recomendações médicas:

"Durma de barriga pra cima", "não se abaixe", "não pegue peso", "não molhe os olhos quando for tomar banho", "não fique no Sol", "use colírio de 2 em 2 horas"...




Dei valor aos meus olhos quando me tornei refém deles. Tudo o que eu fazia era em função deles, porque qualquer descuido resultaria em dor física e preocupação quanto à cicatrização pós-operatória.

Damos mais valor a algumas coisas quando perdemos aquilo de vista. Sentamos sem postura porque nem nos lembramos de que temos coluna; bebemos pouca água porque os rins ainda funcionam bem; dirigimos sem cinto de segurança porque chegamos a salvo no destino.

Talvez seja por isso que, às vezes, Deus é rejeitado e esquecido. Enquanto a vida não se mostra tão difícil, não se sente a necessidade de buscar uma direção do Alto. Como se precisássemos do poder que vem do Céu apenas em momentos de dor...

"Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não fossem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito." Jeremias 2:11

Enxergar é um dom gratuito. Enxergar nossa dependência de Deus até diante das mais corriqueiras atividades é sabedoria. Como num casamento, que o seu relacionamento com o Pai Eterno seja constante, na alegria e na tristeza.

"(...) Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia." Jeremias 2:2



sexta-feira, 8 de julho de 2016

CAI, NÃO CAI. CAI, NÃO CAI...


CAI, NÃO CAI. CAI, NÃO CAI...
Por Denize Vicente

Eu estava ali, passando de carro pela altura do Méier. As ruas, num dia de sol, ficam cheias e movimentadas. As pessoas caminham apressadas. Nem reparam no céu azul, tadinhas... O trânsito não estava parado, mas a gente conseguia andar, no máximo, a uns 50km/h, talvez. Estávamos quase passando em frente ao hospital. Eu não conheço muito bem aquela área e não sei dizer o nome das ruas nem das praças, mas eu passava ao lado de uma pracinha, perto de um hospital, quando vi o rapaz que vinha um pouquinho apressado, caminhando pelo meio-fio. Ele carregava uma pastinha na mão e andava elegante. Não parecia desanimado. Talvez estivesse saindo do estágio, ou indo pro colégio. Faculdade, talvez. Caminhava ligeirinho, ali pelo meio-fio, no sentido contrário ao que iam os carros. Sabia para onde estava indo.

Fiquei impressionada com a cena.

O garoto vinha num pique só, quando, de repente, se desequilibrou. Eu não tenho como descrever pra vocês o que foi aquilo, mas se você me encontrar na rua, qualquer dia desses, pode pedir que eu interpreto. Eu acho que saberei fazer parecido, inclusive a carinha dele.

Ele se desequilibrou. E aquilo durou menos do que uma piscada dos meus olhos. Eu não sei descrever, mas ainda me pego rindo quando me lembro da cena. Não... não pense que eu estou rindo porque o moço caiu. Porque ele não caiu! Ele não caiu, mas não foi simplesmente isso. Ele vinha por ali, virou o pé, flexionou o joelho, se entortou, sentiu que ia cair, arrumou o pé, esticou a perna, estendeu a coluna, levantou o queixo e seguiu no meio-fio sem que ninguém, além de mim e J., que estávamos olhando, percebesse. A carinha dele, com aqueles olhos pretos que em nenhum momento olharam pro chão, seguindo o caminho como se nada houvesse acontecido - apesar de o coração, com certeza, estar disparando -, me impressionou!!

A graça, nisso tudo, pra mim, foi a postura do rapaz. Um misto de graça com graciosidade – que a gente pode também chamar de elegância. Seria um tombo feio, bem feio. Mas ele não caiu. No meio do caminho para a queda ele se reequilibrou. E seguiu elegante, sabendo para onde estava indo. Simplesmente seguiu.

Fiquei pensando na vida da gente. É bem assim mesmo. A gente, às vezes, precisa andar pelo meio-fio. Ruas cheias, gente parada que não caminha e ainda atrapalha a passagem, calçadas cheias de obstáculos. A gente vai pelo meio-fio e, às vezes, vai na direção contrária à dos que andam velozes, nos carros. Entre carros que vão para um lado, gente parada, e obstáculos, vamos ali, no meio-fio fininho, mantendo o equilíbrio. Até que o perdemos.

E é quando a gente perde o equilíbrio e quase cai - ou vai mesmo ao chão -, que o jeito de a gente encarar a vida se mostra de verdade.

Há quem se deixe abater, que se envergonhe por ter ido ao chão ou quase cair; há quem procure alguém para culpar e também os que nem se levantam mais, depois de uma queda. Mas há os que tentam se reerguer antes de chegar ao chão; os que caem e mesmo assim se levantam; os que precisam de u’a mão pra ficar de pé outra vez, os que sorriem como se nada tivesse acontecido, e seguem. Esses todos são os que seguem. Elegantemente. Sabendo pra onde querem ir.

Você pode ser um desses que, mesmo tropeçando, se desequilibrando e levando tombos, mantém a elegância. E é perto de gente assim que todo mundo quer estar. Gente que mantém “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Gente que “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Gente que “tudo pode naquele que a fortalece”.

A vida tem dessas coisas. De repente tudo fica escuro, você perde o equilíbrio, cai, ou quase vai ao chão; o céu se toma de trevas, e a gente perde a segurança... Porque não é fácil andar na contramão, não é mole desviar de obstáculo e é difícil pra caramba andar no meio-fio.

Eu acho que não vou esquecer tão cedo a carinha daquele rapaz. O jeito como ele reagiu a sua quase queda e a lição que deixou ali, às cinco da tarde, num dia desses de inverno, sol dourado e céu azul, enquanto a vida passava apressada pra tanta gente que nem reparou nele...

Os problemas existem. As dificuldades não são de mentirinha. As lutas são grandes e diárias. Mas existe uma promessa... Sim! Eu gosto de promessas!

“(...) Você andará de cabeça erguida, puro, firme e sem medo. Você não se lembrará dos seus sofrimentos, que serão como águas passadas que a gente esquece. A sua vida brilhará mais do que o sol do meio-dia, e as suas horas mais escuras serão claras como o amanhecer. Você viverá seguro e cheio de esperança; Deus o protegerá, e você dormirá tranquilo. Quando você estiver descansando, nada o assustará; e muita gente virá lhe pedir ajuda.”
(Jó 11:15-19 – Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Você só precisa virar o coração para Deus e orar com as mãos estendidas pra Ele. (Jó 11:13 - NTLH)



quinta-feira, 7 de julho de 2016

QUEM É VOCÊ?

QUEM É VOCÊ?
Por Carina Baptista

Oi pessoal, tudo bem??

Muitas coisas podem acontecer numa viagem de ônibus, inclusive ter ideia para textos. Eu já disse isso aqui e repito: é incrível como podemos aprender com pequenas coisas; algumas que podem até passar despercebidas para muitos.

Como eu disse, eu estava no ônibus; uma viagem curtinha. Sentada na janela, como de costume, observava as coisas passarem. O ônibus parou no sinal. Ainda olhando para fora, vi numa loja de material de construção. Duas portas expostas para venda; elas tinham placas que diziam: "Argamassa R$..." e "Cimento R$...". Achei aquilo engraçado e então me veio um assunto que poderia ser discutido, para conhecimento.

O objeto que eu vi era uma porta. Se eu fosse uma compradora em potencial para aquelas portas, eu teria ficado bastante chateada por não ter, na placa, o preço do objeto no qual ela estava fixada e, sim, o preço de outro item. Aquela placa estava cumprindo seu papel de informar o preço; o único problema é que, teoricamente, estava no objeto errado.

Como tenho mente de publicitária e uma facilidade aguçada para "viajar na maionese", rapidamente relacionei a "placa do preço errado" a nós!! Siiim, você pode estar sendo uma porta com a placa errada ou uma placa presa no lugar errado. Vamos arrumar essa bagunça que é meu raciocínio para todo mundo entender onde quero chegar. Se não funcionar, vamos marcar um chá da tarde que eu terei o maior prazer em conversar pessoalmente. =)

Vamos definir como "porta" todas as pessoas do mundo. Cada porta tem seu jeitinho, e existem muitas portas diferentes. E entendamos como "placa" tudo que externalizamos; o que as pessoas veem em nós. Então, se somos "portas", mas nossa placa diz "argamassa", tem alguma coisa estranha, não é mesmo? E mais: se o preço anunciado é de um produto de valor inferior, ainda corremos o risco de sermos "comprados" por menor preço, apenas porque demonstramos ser algo que, na verdade, não somos.

Não adianta sabermos que somos porta se tudo que indica o que somos diz outra coisa. Esse assunto é um pouco complicado porque tem vários fatores a se considerar, no entanto podemos simplificar, pensando que temos liberdade de aparentar ser o que quisermos, mas que isso não terá valor nenhum se não refletir quem realmente somos.

Viver com uma máscara é trabalhoso e não traduz o que Deus quer para seus filhos. É muito mais autêntico sermos a melhor versão de nós mesmos. Devemos aproveitar que, ao contrário de objetos inanimados, nós fomos criados com personalidade e potencial para mudar o que não gostamos. Não é fácil, a gente sabe, mas ainda bem que não é impossível.


Certa vez eu li essa frase: "As aparências enganam, mas a culpa é do observador". Infelizmente, estamos sujeitos a "avaliações equivocadas" por parte de terceiros, tanto para o bem quanto para o mal, mas o que eu realmente quero que você pense é se está transmitindo aquilo que você, de fato, é.


Minha dica de hoje é, na verdade, um convite ao autoconhecimento! Que você se olhe no espelho da alma com amor e retire tudo aquilo que não traduz o seu verdadeiro valor.
Depois me conte como está se sentindo!

Um beijo e até semana que vem!


quarta-feira, 6 de julho de 2016

OSTENTAÇÃO


OSTENTAÇÃO
Por João Octávio Barbosa

Eu sou a pessoa mais rica do mundo. Sim, eu. E escrevo essa coluna com o único objetivo de ostentar minha riqueza na sua cara.


Meu princípio rege o seguinte: rico não é o que mais tem; é o que menos precisa. Por isso, me considero o mais rico do mundo. Deus tem me abonado com tudo o que eu preciso e muito mais do que eu mereço. 


Hoje é aniversário do dólar, a moeda americana. São 231, anos segundo a Wikipédia*. Minha riqueza não envolve ter nenhum dólar no bolso. Mas, como eu disse, aos meus olhos isso não significa nada de importante. Creio eu que Deus concorda comigo. Porque é a principal lição que tiramos do nosso “Perfil Sem Curtidas” de hoje, a viúva pobre de Lucas 21:1-4. Vejamos:

E, olhando ele (Jesus), viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro;
E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas;
E disse ele: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva;
Porque todos aqueles deram em ofertas a Deus do que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu todo o sustento que tinha.


Com essas palavras, Jesus mostrou a contabilidade diferenciada de Deus. Dá mais aquele que fica com menos. A regra da proporcionalidade gera justiça. Em seu livro “Como Jesus Tratava as Pessoas”, Morris Venden diz o seguinte: “Deus mede nossas dádivas, não pela quantia de dádivas, mas pela quantia que sobrou depois de termos dado.”.

Interessante, não? A viúva deu meros centavos, mas era tudo o que ela podia. Os ricos deram muito, mas ainda muito sobrou. Não é a toa que Jesus afirmou antes que era muito difícil o rico entrar no Céu. Muito difícil não é impossível, é verdade, mas é mais desafiador. O desapego deve ser maior para quem já tem muito.

Mas rico não é o que mais tem; é o que menos precisa. Do que você precisa?
O que você escolhe ser sua prioridade? O jovem rico que era obediente a Deus e queria seguir a Jesus não conseguiu “não precisar” de toda a sua riqueza e desistiu de Cristo. Na parábola de Lucas 16, a partir do versículo 12, o agricultor “louco” não conseguiu “não precisar” guardar as sobras da sua lavoura, em vez de ajudar o necessitado.


Existe alguma coisa na sua vida que você não consegue “não precisar”? A despeito de riqueza, dólar, viúva pobre, ostentação e necessidade, o texto de hoje, na verdade, é sobre coração. Está seu coração entregue a Jesus? Só duas moedas, ou uma grande soma de notas? Cuidado com a pegadinha! Aqui, a resposta ideal para Jesus é: “só as duas moedas”, porque elas representam TODO o seu coração.

Como é bom, para mim, saber que Deus enxerga as minhas atitudes pela ótica das minhas intenções. A clássica frase “De boas intenções o inferno está cheio” é um atentado grotesco aos princípios bíblicos. Jesus não vê como vê o homem. Não se engane também. Abra seu coração. Ele é mais importante do que a sua carteira.


Não peço que concordem, espero que reflitam!


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Referência: