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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SORRIA!


SORRIA!
Por Denize Vicente

“Sorri, quando a dor te torturar
e a saudade atormentar
os teus dias tristonhos, vazios.
Sorri, quando tudo terminar,
 quando nada mais restar
do teu sonho encantador.
Sorri, quando o sol perder a luz
e sentires uma cruz,
nos teus ombros cansados, doridos.
Sorri, vai mentindo a tua dor
e ao notar que tu sorris
todo mundo irá supor que és feliz.”

Charles Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons são os autores dessa música que teve versão brasileira assinada por Braguinha.

Cada um sabe a dor que o atormenta, cada um sabe o tamanho do mal que o aflige, mas é preciso continuar sorrindo... Pode até ser um sorriso do jeito que Carlitos sorria, assim meio triste, um tanto amarelo, misturando o palhaço alegre que existe na gente com o adulto que de um jeito criança reclama das coisas que não gosta, ou que sente a dor de sonhos desfeitos e de ombros cansados...

“Sorri” é daquelas músicas que, como diria minha mãe, “dá vontade de chorar de tão linda”. Sua mensagem é de resiliência. Fala de tirar forças de onde não há. Trata de “enganar-se”, e também aos outros, de um modo bom - não apenas porque “ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz”, mas porque sorrir pode, realmente, nos fazer felizes.

 
Dizem que nosso corpo não sabe fazer diferença entre um sorriso espontâneo e aquele meio forçado. E que o efeito orgânico é o mesmo. Então, por que não experimentar?

Ano passado eu escrevi um post, aqui no blog, sobre sorriso. Falei sobre o sorriso de Duchenne (clique AQUI se quiser ler o post), e citei dois versos da Bíblia que eu gostaria de repetir hoje, porque sempre penso neles, especificamente, para duas situações distintas e, por que não dizer, opostas:

“A alegria do coração transparece no rosto...” (Provérbios 15:13 – p.p.)

“... Ele encherá de riso a sua boca e de brados de alegria os seus lábios.” (Jó 8:21)


O verso de Provérbios, pra mim, tem a ver com aquele sorriso que surge com facilidade porque a alegria está reinando soberana. Você está de frente pro mar, num dia de sol ameno e céu azul, reunido com amigos, alguém estica o braço para uma “selfie” e... pronto!, lá está o melhor sorriso de cada um estampado na foto. “A alegria do coração transparece no rosto...”
E pra quem não curte uma praia, basta imaginar a mesma cena num dia de inverno, em volta de uma lareira acesa, numa casa na serra. “A alegria do coração transparece no rosto...”

O verso de Jó, por sua vez, me remete à música lá do começo - “Sorri” -, me fazendo pensar naqueles dias em que não se tem de onde tirar um sorriso porque a dor é grande; porque alguém que você muito ama está num leito de hospital, sofrendo; porque seu filho está envolvido com drogas e não consegue largar; porque você está desempregado há meses e sem perspectiva; porque sua casa é só uma casa e não um lar; porque o amor da sua vida partiu... Sim, eu não sei de que jeito, mas, por mais incrível que pareça, “... Ele encherá de riso a sua boca e de brados de alegria os seus lábios.”. Pra mim, é um verso que fala de um incrível milagre. Sorrir quando você já nem lembrava mais como se faz isso. Porque esse verso, se você reparou, está no livro de Jó – aquele homem que sofreu, sofreu e sofreu mais um pouquinho, e depois ainda mais, mais e um pouco mais.

Eu realmente não sei que tipo de adversidade você está enfrentando neste momento, ou se o seu coração está em festa. Mas, pensando bem... numa ou noutra situação você deveria sorrir. Pra descobrir, como diz a música na sua versão original, que a vida ainda vale a pena. 

Sorria! Quem sabe, amanhã você verá o sol brilhando...

Que Deus o ajude.



“Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through, for you
(…)
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just smile”

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

SOFRER, CAIR, LEVANTAR

SOFRER, CAIR, LEVANTAR
(Por Denize Vicente)

Você já viveu algum dia da sua vida achando que os problemas todos deram as mãos na noite anterior e combinaram de derrubar você com força, pela manhã, ou, no máximo, até o entardecer? 

Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. (Prov. 24:16.)

Essa é uma das mais fantásticas promessas da Bíblia. Repare que ninguém está prometendo que você estará de pé o tempo todo, firme como um muro de concreto; não há garantia de que você não irá cair; mas seja qual for o tamanho e a altura do tombo, tá lá a promessa: você vai se levar, se confiar em Deus, se você for justo. Sete vezes você pode se arrebentar no chão, se machucar todinho, mas se for amigo de Deus você se levantará as sete vezes, até chegar a hora em que aqueles e aquilo que derruba você já não terão mais forças pra isso. Eles mesmos é que tropeçarão.

Pense em Jó. Um homem justo, fiel a Deus. Perdeu, num mesmo dia, todas as suas posses e todos os seus filhos (Jó 1:13-19). A história de Jó aborda um dos temas mais delicados da nossa experiência como seres humanos: como lidar com a dor e o sofrimento? Se você nunca estudou detidamente o livro de Jó, uma hora dessas faça isso. Talvez ele possa ser útil na sua vida, em algum momento, porque há muitos pormenores e muitas lições…

A história de Jó nos ensina muitas coisas, além da paciência. Ensina que a dor vai passar e o sol vai brilhar de novo; que o sofrimento atinge a todos - pessoas legais, íntegras, honestas e fiéis também sofrem (Jó 1:8) e, às vezes, imensamente (João Batista, Paulo, Estêvão, José do Egito, Daniel…); que nem sempre sabemos os detalhes por trás de cada um dos problemas que estamos enfrentando (os capítulos 1 e 2 do livro de Jó são como aquelas cenas de filme em que a plateia sabe tudo o que acontece nos bastidores e os protagonistas não sabem de quase nada, até a cena final - Jó não sabia de todos os detalhes daquela batalha contra ele.); que talvez nunca saibamos, exatamente, a explicação para tudo (Deus conversou com Jó mas não lhe deu todas as respostas – cap. 38 em diante); que nossos melhores amigos nem sempre podem nos ajudar (Jó 2:11) e muitas vezes são muito infelizes naquilo que nos falam… São muitas lições!

Jó perdeu tudo. Caiu, mas não ficou no chão. “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará.”


Essa fantástica promessa não está na Bíblia pra enfeitar o livro de Provérbios, nem se trata de um ditado popular. As promessas divinas podem ser reclamadas, e quem prometeu jamais faltou com a Sua palavra.

Se hoje é um daqueles dias, em que todos os problemas se juntaram pra derrubar você, eu lhe digo: não se entregue! “Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor.” (Salmo 27:14)


sexta-feira, 5 de junho de 2015

HOJE VOU FALAR BEM POUCO

HOJE VOU FALAR BEM POUCO
(Por Denize Vicente)

A propósito dessa ideia, lembro-me de um texto que li ainda criança, na revista Seleções:
“Se você quiser ser incisivo, seja breve; com as palavras se dá o mesmo que com os raios de sol: quanto mais condensados, mais queimam.”
E é nessa linha que faço o post de hoje. Vou ser breve.

Pedro de Lara trabalhou na TV por muitos anos, e eu diria que era um homem esquisito, engraçado, chato, praticamente um filósofo, divertido, implicante, rabugento e querido... Uma vez, filosofando, ele disse: "É melhor doer na carne do que arder na consciência".

Eu e você sabemos: manter a consciência limpa não é fácil. Às vezes, envolve mudança de hábitos, consertar um erro cometido, prestar contas... E isso, geralmente, dói.

Jó, o homem mais paciente do mundo, também uma vez disse para os seus amigos:  
“Enquanto eu tiver vida em mim, o sopro de Deus em minhas narinas, meus lábios não falarão maldade, e minha língua não proferirá nada que seja falso. (...) Minha integridade não negarei jamais, até à morte. Manterei minha retidão, e nunca a deixarei; enquanto eu viver, a minha consciência não me repreenderá.” (Jó 27:3-5)

Manter a consciência irrepreensível às vezes dói.
Mas é sempre melhor.



Referência:

Pedro de Lara - Pedro Ferreira dos Santos – ator e humorista, nasceu em 25.02.1925 em Bom Conselho, PE; morreu aos 82 anos, em setembro de 2007.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

DEIXE DEUS SER DEUS

DEIXE DEUS SER DEUS
(Por Eduardo Santos)

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.”  (Isaías 55:8-9).

Desde que me lembro, sempre gostei muito daquelas histórias bíblicas em que Deus fala ao homem diretamente, não através de profetas. Mas, ultimamente, tenho desenvolvido um apreço enorme pelo livro de Jó. Creio que o motivo seja o fato de encontrar similaridades variadas com a vida de todo ser humano. No entanto, não é isso que me encanta, não mesmo. Vamos a uma rápida passagem pela história, acho que me farei entender melhor ao fim.

Jó era um homem rico, digo, riquíssimo e muito respeitado no Oriente, em seu tempo. Era um homem íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1:1). Em um dado momento, houve uma reviravolta em sua vida e, aos seus olhos, sem motivo nenhum ele perde tudo, ou quase tudo. O interessante dessa parte é que as catástrofes vêm em sequência, sem dar-lhe a oportunidade, sequer, de respirar. Jó, sem entender coisa alguma, vê sua bela vida sendo transformada em motivo de zombaria e desgosto.

Por um longo tempo, permaneceu paciente e, de maneira nenhuma, blasfemou. A ponto de dar origem à famosa expressão que faz menção à sua paciência e irritar sua própria esposa, recebeu dela o desajuizado conselho: “(...) Amaldiçoa a Deus, e morre.” (Jó 2:9). Felizmente, ele não o seguiu! Mas é possível notar aquele ser, outrora silente, bastante questionador.

O intrigante é que passamos a ver Jó tentando encontrar as respostas para sua situação, questionando como as coisas ocorriam para as pessoas corretas e para as corruptas, convocando Deus para o tribunal a fim de apresentar sua própria defesa. Digo “intrigante” por já ter-me visto nessa situação, mas poderia poupar esse adjetivo para classificar a atitude Divina...

Encontramos a resposta de Deus a Jó nos capítulos 38-41. Pensando como um ser humano, poderíamos esperar que a resposta viesse detonando Jó por ter falado sobre coisas que ele nem mesmo tinha noção. Mas Deus, gentilmente, lhe faz alguns questionamentos que o levam à conclusão de que não sabia do que estava falando. Então ele se expressa numa das falas mais sábias da história bíblica: “(...) ‘Estou sem palavras, pasmado ─ fogem-me as palavras. Não deveria nunca ter aberto a boca! Falei demais, muito mesmo. Estou pronto para me calar e ouvir’.” (Jó 40: 3-5, Bíblia – Versão “A mensagem”).

Todos passamos por situações difíceis e devemos saber que, assim como na história de Jó, a causa de tanto sofrimento é o pecado e seu originador (Satanás). Mas aprendemos, nessa mesma história, que Deus está atento a tudo e não nos desampara nunca; Ele está sempre no controle. E, se aos nossos olhos, as coisas parecem desandar, fica a resposta Divina encontrada em Isaías 55: 8 e 9.

Se permitirmos que Ele nos guie, nossa história será escrita da forma certa. Isso me lembra daquele ditado: “Deus escreve certo em linhas tortas.”. Eu penso um pouquinho diferente. Se as vemos tortas, é porque nos faltam óculos para enxergá-las paralelas!