sábado, 13 de outubro de 2018

O INCÊNDIO DO MUSEU NOS AJUDA

O INCÊNDIO DO MUSEU NOS AJUDA
Jackson Valoni – Angra dos Reis/RJ

Às vésperas do feriado que deveria trazer à memória a conquista da Independência do Brasil, 7 de setembro, o mundo inteiro, este ano, ficou chocado com a destruição do Museu Nacional, consumido pelo fogo. O museu fez 200 anos de história em junho. O incêndio teve início num domingo sem chuva, em torno das 19h30min. Os bombeiros tiveram dificuldade para conter as chamas porque os hidrantes não funcionavam. O Museu Nacional não tinha estrutura de combate a incêndio e abrigava um acervo de 20 milhões de itens, incluindo documentos da época do Império, fósseis, coleções de minerais, artefatos greco-romanos, e a maior coleção egípcia da América Latina. Repleto de objetos inflamáveis, o cenário da destruição só aguardava a primeira fagulha, que começou pouco depois de os últimos visitantes terem ido embora.


O prefácio de um livro do jornalista Laurentino Gomes revela um pouco que o abandono das memórias históricas do Brasil não é fruto de uma recente gestão negligente, mas desdobramento de descasos que ultrapassam gerações. Veja as considerações desse jornalista na introdução de seu “best seller” 1808, a respeito do Museu Nacional e do Paço Imperial, outro importante museu localizado no Rio de Janeiro que ainda não foi consumido pela tragédia irreparável:

“Seu acervo reúne, além do meteorito, aves e animais empalhados e vestimentas de tribos indígenas abrigadas em caixas de vidro que lembram vitrinas de lojas das cidades do interior. As peças estão distribuídas ao acaso, sem critério de organização ou identificação. O Museu Nacional é ainda mais esquisito pelo que esconde do que pelo que exibe. O prédio que o abriga, o Palácio de São Cristóvão, foi o cenário de um dos eventos mais extraordinários da história brasileira. (...)

Apesar de sua importância histórica, quase nada no Palácio São Cristóvão lembra a corte de Portugal no Rio de Janeiro. A construção retangular de três andares, que D. João ganhou de presente de um grande traficante de escravos ao chegar ao Brasil, em 1808, é hoje um prédio descuidado e sem memória. Nenhuma placa indica onde eram os dormitórios, a cozinha, as cavalariças e as demais dependências usadas pela família real. É como se nesse local a História tivesse sido apagada de propósito. (...)

A mesma sensação de descaso se repete no centro do Rio de Janeiro, onde outro prédio deveria guardar lembranças importantes desse período. [O antigo Paço Imperial] Foi a sede oficial do governo de D. João no Brasil, entre 1808 e 1821, mas hoje um turista desavisado poderia passar por ele sem tomar conhecimento dessa informação. Com exceção de uma carruagem antiga, de madeira e sem identificação, exposta junto à janela direita da entrada principal, nada ali faz referência a seu passado histórico. Na parede ao lado da carruagem, um mapa em alto-relevo mostra os prédios e arranha céus do centro do Rio de Janeiro atual. É uma curiosidade fora de contexto. Em se tratando do Paço Imperial, seria mais razoável que se tentasse reproduzir a cidade colonial da época em que a corte portuguesa chegou ao Brasil.”
(Gomes, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil — São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2007)

É uma tristeza profunda quando levamos nossos pensamentos com apreço àquilo que não pode mais ser resgatado. Hoje, por exemplo, o Museu Nacional tem conseguido valores vultosos de dinheiro de diversas entidades. Até o fim da redação deste texto o Ministério alemão do Exterior, por exemplo, havia prometido doar um milhão de euros para ajudar a reconstruir o Museu Nacional.

O retrato do abandono das memórias do país nos ajuda a refletir sobre nossa própria vida. Também nos ajuda a refletir sobre a atenção que temos por nossa família. E nos ajuda a trazer à mente o histórico da nossa vida e o que nos fez chegar até aqui.

O retrato do abandono das memórias do país nos ajuda a olhar pro Céu e dizer, como num alívio: Meu Deus, como posso ser melhor?

Dá tempo.


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS - DIA DAS CRIANÇAS 2018


O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS - DIA DAS CRIANÇAS 2018
Denize Vicente – Rio de Janeiro – RJ

A elas, que merecem os melhores pais, os nomes mais lindos, a família mais unida, a melhor educação... a alimentação mais saudável, o amor mais dedicado, os abraços mais carinhosos, e os sorrisos mais frequentes... as alegrias mais vibrantes, a natureza mais viva e bem cuidada, os ares mais limpos e puros, os cantos mais afinados dos pássaros mais coloridos... a cama mais fofinha, o cobertor mais quentinho, as brincadeiras mais divertidas, os primos mais engraçados, as tias mais boazinhas, os avós mais queridinhos, e os colinhos mais fofos para deitar e ouvir histórias antes de dormir ou no meio da tarde...

Às crianças todas do mundo, que merecem menos TV, videogames e iPads, e mais pé no chão, na água, na grama, na árvore... menos indiferença e mais atenção... que merecem uma família amável, pais que não falem palavras feias, professores que as amem, adultos que as valorizem e jamais as subestimem, que as compreendam e não as assustem... adultos que as ensinem a fazer coraçãozinho com as mãos... gente que viva por elas, e por elas faça um mundo melhor, de paz e respeito, gente que as apresente a Deus como um Pai e que não precise dar explicações sobre isso, porque elas já sabem o que é um bom pai... e que sejam felizes por ter um, na Terra, e outro, igualzinho, no céu...


"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."
(Fernando Pessoa, Obra Poética 189)

Não à toa Jesus Cristo chamou a atenção dos adultos que estavam fazendo um cordão de isolamento pra impedir que crianças se aproximassem dEle. Seus “assessores”, os discípulos, entendiam que Ele estava cansado, depois de um dia cheio de compromissos. Ele devia estar cansado mesmo; Sua agenda não era tranquila. Ele já havia estado na Galileia, e de lá seguiu “para a região da Judeia que fica no lado leste do rio Jordão”, acompanhado de uma grande multidão que O seguia – ou seja, não pôde nem dormir na viagem.

Agora já era o final do dia. Ele já havia ensinado suas lições, havia curado pessoas que estavam doentes, num dia como tantos outros, em que ainda teve de lidar com os fariseus, loucos para pegar uma contradição em Seus ensinamentos... Isso cansa, é óbvio.

Foi depois disso tudo que algumas pessoas levaram as suas crianças para Jesus pôr as mãos sobre elas e orar, e foi aí que os discípulos repreenderam as pessoas que fizeram isso.

Sabe a coisa mais linda de Jesus? Sim, a coisa marlinda? Ele era doce. Era amável, amoroso, gentil. Mesmo sendo humano, mesmo cansado, mesmo tendo sido provocado durante o dia, Ele olhou bem nos olhos dos Seus “assessores” e disse calmamente, mas com aquela maior ênfase que você respeita:

Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, porque o Reino do Céu é das pessoas que são como estas crianças.

E aí Jesus pôs as mãos sobre as criancinhas e só depois disso Ele foi embora.

Eu não sei quantas lições a gente pode tirar desse episódio, mas sei que são muitas, e que todas as vezes que você ler essa história em qualquer uma das versões apresentadas pelos Seus próprios seguidores (Mateus 19:13-15, Lucas 18:15-17, Marcos 10:13-16) vai aprender, no mínimo, que o AMOR sempre vence. O amor vence o cansaço, a exaustão, vence o medo, as barreiras, a indiferença, o amor vence a dúvida, a ignorância... O amor abençoa.

Jesus foi um modelo de vida. Se você encontrar crianças, hoje, na rua, ponha a sua mão sobre elas e ore por elas. Dê a sua bênção. Peça a bênção de Deus para essas vidinhas.

Feliz Dia das Crianças pra nós e pra elas!




quarta-feira, 10 de outubro de 2018

BELEZA

BELEZA
João Octávio Barbosa – Bangu – RJ

A palavra do dia é BELEZA.
Muito já se falou sobre a beleza. Vou citar aqui algumas frases famosas sobre esse tema:
“A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la, mas quem consegue descobre tudo.”
“O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos.”
“Quem tem bastante beleza no seu interior pouco precisa da de fora.”
“A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla.”
“Quem possui a faculdade de ver a beleza não envelhece.”

A beleza é um termo relativo, mas também só até certo ponto. Todos querem ter uma vida bonita, que nos deixe orgulhosos de olhar para trás. O que é interessante é observar o que é belo. Eu acredito que a beleza é Deus. Não UM deus. O Deus. O meu Deus. Possivelmente, aquele que você também conhece como Deus, mesmo que não o considere assim. O Deus da Bíblia. E nesse livro, a Bíblia, que Deus chama de “sua palavra”, vemos o seguinte sobre a nossa palavra de hoje, beleza:

“Adorai ao Senhor na beleza da santidade; tremei diante dele toda a Terra.”

A santidade do Senhor é descrita como “bela”. Sim, é de uma beleza deslumbrante pensar nesse Deus, maravilhoso em poder, que nós temos. Deus é muitas coisas, entre elas é a beleza. Sem Deus não há beleza; basta ver o mundo natural ao redor que se percebe. Se você acredita que precisa de um belo dia hoje, ponha Deus nele agora!

Hoje é dia de beleza.


terça-feira, 9 de outubro de 2018

EU ME RENDO


EU ME RENDO
Airton Sousa – Direto de Paciência – Rio

Eu vinha andando calmamente pela rua, quando passei em frente a uma casa de onde saía este som, assim: 
Oh, oh, oh, oh!
Eis me aqui, rendido estou.
Oh, oh, oh, oh!
Eu sou teu e tu és meu, Jesus...

Essa é uma música muito linda da Aline Barros e do Fernandinho. E um dos hinos mais cantados também pelo coral da minha igreja.

Talvez você nunca tenha ouvido. Mas, se você conhece, acho que já andou por aí cantando também. E acho que se arrepiou no solo da guitarra. É emocionante!

Eu já estava chegando a minha casa. E fui por ali cantando baixinho:
Oh, oh, oh, oh!...

Essa música conta de um chamado e de uma resposta. E é profundamente significativo quando ouvimos esta voz e atendemos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mateus 16:24).

A Bíblia conta a história de um cego. Um homem que nasceu cego e viveu cego até o dia em que encontrou Jesus. A história está no capítulo 9 do livro de João.

Um dia, esse Jesus ia caminhando quando esbarrou com aquele homem cego. Ao se encontrarem, Jesus parou, cuspiu no chão, fez um pouco de lama com a saliva, passou a lama nos olhos do cego e disse que ele fosse lavar o rosto no tanque de Siloé.
O cego foi, lavou o rosto e voltou vendo.
Os seus vizinhos impressionados com aquela cura, perguntaram:
- Será este aquele cego que vivia pedindo esmolas? Ou é alguém muito parecido com ele?
Ele respondeu:
- Sou eu mesmo. Eu me encontrei com um homem chamado Jesus, que mudou minha vida. A única coisa que sei: eu era cego e agora vejo.

Essa é a história de um homem que andou na escuridão a vida inteira, até o dia em que se encontrou com Jesus Cristo. É um cara que não tem muita coisa para contar. Não se demorou muito falando da sua família, nem de seus filhos, seus amigos. Ele não disse nada. Ele simplesmente foi encontrado por Deus e rendeu-se ao seu chamado. O cego não soube explicar; ele só sabe dizer que era cego e passou a ver. Isso bastou para ele.

Francis Thompson foi um poeta católico. Ele morreu de tuberculose com 48 anos de idade. Mas ele escreveu o poema “Celeste Cão de Caça”, que ilustra essa “perseguição” da graça e do amor de Deus. E no final, a rendição. 

Dele fugi, noites e dias adentro;
Dele fugi, pelos arcos dos anos;
Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos
De minha própria mente; e no meio de lágrimas
Dele me ocultei, e sob riso incessante.
Por sobre esperanças panorâmicas corri;
E lancei-me, precipitado,
Para baixo de titânicas trevas de temores abissais,
Para longe daqueles fortes Pés que seguiam,
Seguiam após mim.
Mas com desapressada perseguição,
E com inabalável ritmo,
Deliberada velocidade, majestosa urgência,
Eles marcavam os passos - e uma Voz insistia
Mais urgente que os Pés -
"Todas as coisas traem a ti, que traíste a Mim".
THOMPSON, Francis. The Hound of Heaven

Quando você coloca tudo na mão de Deus, você se rende.
Ao caminharmos pela história, vemos um Deus procurando o ser humano. Buscando. Perseguindo. Eu sou fascinado por essa busca. É como se fosse uma perseguição quando a única alternativa é render-se. Porque Deus começou procurando desde o Jardim do Éden, e procura até hoje.

A palavra do dia é rendição!

Clique no link e vamos cantar juntos: Oh, oh, oh, oh! Eis-me aqui...