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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

FRACASSEI, E AGORA?

FRACASSEI, E AGORA?

Larissa Oliveira – Bento Ribeiro – Rio de Janeiro - RJ           

          Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa. Isaías 41:10

Na era dos “coaches” ser feliz é uma obrigação, desistir não é opção e fracasso é sinônimo de fraqueza de quem não deu o seu melhor.

Muitas dessas ideias e frases prontas de impacto sempre me incomodaram muito. O “nunca desista dos seus sonhos” pode transformar a vida no próprio pesadelo.

Preciso deixar claro que não quero incentivar você a não sonhar nem a desistir nos primeiros desafios. Não mesmo! Mas muitas vezes precisamos reconhecer e entender a hora e o motivo de parar para que a rota seja redefinida. Muitas vezes ficamos presos a sonhos e metas que nem nossos são...

É bom entender que fracassos fazem parte da vida e não significa que você não deu o seu melhor nem que jogou seu tempo no lixo. 

Tudo vai depender de como você encara a situação.

 

Fiz parte de um grupo musical com uns amigos, há um tempo. Tínhamos as vozes e um violão. Dentre esses amigos havia um que tinha uma vontade muito grande de cantar, mas infelizmente ele não conseguia. E nós não tínhamos coragem de dizer para ele desistir daquilo.   

Graças a Deus tivemos a ideia de contratar um professor de música e não um “coach”, para tentar resolver aquela situação específica.

No primeiro dia de aula o professor chamou nosso amigo de lado e falou pra ele aquilo que quebraria seu coração, pelo menos nós pensamos...

O professor disse que sabia que aquilo era importante pra ele e estar ali conosco o deixava muito feliz. Mas que infelizmente o canto não dava. Mas ele poderia tentar tocar algum instrumento para ajudar o grupo no acompanhamento da canções.

Nosso amigo arranhava o teclado e viu nesse “fracasso” a possibilidade de se aperfeiçoar no instrumento e continuar fazendo parte do grupo dando uma contribuição infinitamente melhor. E assim foi por alguns bons anos...

Sabe, o fechamento de um ciclo pode abrir as portas pra novas oportunidades, sonhos, aprendizados.

O meu conselho é: Nunca desista dos seus sonhos, mas avalie constantemente onde ele está lhe cabendo. Pois "aceitar fracassos pode ser a cura". 

 

Um forte abraço!

           

         

         

 

 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

MUDE O MUNDO. COMECE COM VOCÊ.


MUDE O MUNDO. COMECE COM VOCÊ.
Denize Vicente – Rio de Janeiro – RJ

Há dois dias celebramos o Natal. Em quatro dias fecharemos o ano.


2019 foi um ano difícil. Isso, eu acredito, é uma unanimidade. Na minha análise, o mais difícil dos últimos tempos, e como argumento eu vou mencionar apenas as irreparáveis perdas que sofremos desde as primeiras semanas do ano. Verdadeiros golpes que nos deixaram incrédulos diante da realidade.

Sabe, na maioria das vezes a morte une os que ficam. Nós nos abraçamos quando sentimos juntos a mesma dor, e nos solidarizamos com a dor do outro quando o percebemos frágil.

“Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram”, foi o conselho de Paulo na carta que escreveu aos romanos (Romanos 12:15). E eu acho que ele pensou nisso porque sabia que não bastava lembrar às pessoas sobre ser solidário à dor do outro; antes, era preciso dizer a elas que também devem comemorar com os outros as alegrias que eles experimentam. Porque é uma coisa difícil, bem difícil, embora não pareça...

Neste final de ano, ao fazer sua retrospectiva particular, não conte apenas as tristezas de 2019. Foram muitas, desanimadoras, e algumas quase insuportáveis. Mas é preciso seguir em frente, apesar das lágrimas, a despeito da dor. Desejo que você tenha encontrado braços que abraçam e ouvidos que ouvem, mas também desejo que você seja o abraço, o colo e o ouvido que alguém vai precisar, em 2020.

E quando as últimas horas deste ano estiverem se aproximando e você olhar ao seu redor e perceber a alegria dos outros, alegre-se com eles também. Alguém está feliz porque conseguiu o emprego que buscava (enquanto você mesmo está desempregado); alguém se alegra porque pôde reunir a família toda para a ceia (enquanto sua própria família se encontra despedaçada ou não tem nada de especial para pôr à mesa); alguém está alegre porque vai viajar de férias (enquanto você luta para manter pelo menos as contas em dia)...

Como eu posso me alegrar com a alegria deles??
Esse é o desafio. Chorar com os que choram é mais simples, mas se alegrar com os que se alegram nem sempre é coisa fácil de fazer. Na maioria das vezes a inveja domina...

Eu desejo que você se inspire em Jesus Cristo para viver este finalzinho de ano e todos os novos anos que virão pela frente. Jesus chorou com quem chorava (João 11:35), mas Ele também viveu as alegrias daqueles com quem convivia. Ele estava nas festas, nos almoços de amigos e na casa das pessoas nos momentos em que elas comemoravam alguma coisa, participando das suas alegrias e se alegrando com elas. Isso é amor.

Não espere dos outros a atitude certa; antes disso, seja você mesmo aquele que chora com os que choram e que se alegra com os que se alegram. Isso fará diferença na sua própria vida e não apenas no mundo.

Mude o mundo. Comece com você.

Feliz Vinte Vinte!





terça-feira, 9 de julho de 2019

NA MULTIDÃO

NA MULTIDÃO
Airton Sousa – Direto de Paciência – Rio de Janeiro

Em 2018 estava me descolando pela estação Pinheiros, do metrô em São Paulo, quando ocorreu algo inacreditável.

A estação de Pinheiros é uma das estações mais profundas do mundo, eu acho. São 30 metros de profundidade; ela faz uma interligação com outras linhas de metrô, trens e ônibus. Movimenta mais de 250 mil pessoas por dia.

Os números são impressionantes!

O inacreditável nisso tudo é que naquela tarde chuvosa a multidão parece que era bem maior! Eu mesmo estava impressionado com tanta gente ali, naquela estação, quando, de repente, esbarrei na minha amiga Meire, que mora na cidade Praia Grande. Eu pensei: como pode? Eu estava a 500 quilômetros da minha cidade e a Meire a uns 53 quilômetros de sua cidade, e a gente não se via desde 2014, e nós nos encontramos, do nada, no meio daquela multidão.

É de impressionar mesmo. Nosso encontro foi muito legal e rimos muito daquela coincidência. A Meire é uma grande amiga, que trago sempre no coração.

Sabe quais as chances desse encontro acontecer novamente, sem ser combinado? Nenhuma.

Lembro-me da história de Zaqueu, na Bíblia. Ele soube que Jesus Cristo iria passar na sua cidade, naquela tarde, e ele correu para o meio da multidão. Mas ele era muito baixinho, quase um anão. Faço uma pausa aqui, para explicar esse “quase um anão”: eu tenho uma amiga, muito pequena que tem 1,30m de altura e ela me explicou que ela era quase uma anã, mas não era, pois os anões tem em média 1,20m de altura; não sei se procede, mas foram explicações da minha amiga.

Agora imagine Zaqueu, pequeno daquele jeito, querendo ver Jesus no meio da multidão! Não conseguiria nunca.

Então resolveu subir em uma árvore bem alta e de lá ver Jesus passando com Seus amigos e a multidão que O seguia.

Ele nunca imaginou que Jesus iria olhar para ele. Cristo olhou. A multidão olhou. Um mico e tanto!

Jesus disse:
Zaqueu, desce daí; quero passar esta tarde com você, na sua casa.

Zaqueu nunca mais foi o mesmo. Jesus lhe ofereceu bondade e perdão e ofereceu graça.

Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém roubei alguma coisa, devolverei quatro vezes mais. (Lucas 19:8)

Já reparou o que esses encontros podem nos proporcionar?

E você aí achando que está sozinho no mundo ou que Deus não se preocupa. Ele sabe onde você mora, sabe o nome da rua e o número da sua casa. Seu CPF, carta de motorista. Seu sobrenome.

Ele não dorme, Ele guarda a sua entrada e a sua saída. Ele sabe quem deixou você, quem o traiu, quem o molestou, quem o feriu. Ele sabe quem você é.

Deus vê você no meio da multidão, ou em cima do muro, ou da árvore. E Ele convida você para descer, e Ele deseja entrar na sua casa e ali viver para sempre.

Desejo uma grande terça-feira para você.
Fique com Deus.


terça-feira, 23 de abril de 2019

A VOLTA


A VOLTA
Airton Sousa – Direto de Paciência - Rio

Aconteceu algo muito importante no dia 25 de março de 2016. Naquele dia, além de ter parado de fumar, também foi “o dia da minha volta”.

Mas antes que eu fale realmente sobre isso, preciso de falar de outras voltas.

Eu morei em São Paulo na temporada de 1986 até 2014. Foi uma longa temporada.

Minha mãe, meus irmãos e meus sobrinhos ficaram por aqui e foram crescendo e nascendo outros sobrinhos também e ficando por aqui.

Eu sempre vinha ao Rio ver esse povo todo que eu amo. Vinha de 15 em 15 dias, vinha uma vez por mês, vinha no Natal...

Era sempre aquele alvoroço todas as vezes quando eu vinha ao Rio ver meus irmãos e sobrinhos.

À medida que o ônibus se aproximava do Terminal Rodoviário de Campo Grande meu coração começava a disparar. Eu pensava em quem seria o primeiro a me ver. João Victor sempre me via chegando e saía correndo, avisava que eu estava vindo e voltava para me abraçar.

Depois, vinha o Thiaguinho. Ele era gordinho, vinha correndo e pulava em cima de mim, e quase que a gente caía no chão...

Um pegava minha mala, outro me abraçava, outros falavam meu nome... um ligava para a casa do outro para dizer que eu havia chegado. Era sempre muita festa.
Voltar é sempre bom. Ter alguém à espera é melhor ainda.

Deixe-me contar uma coisa: tinha uma música, do Fagner, que sempre me emocionava... Era a parte da letra que dizia assim: 

“De uma coisa fique certa, amor, A casa vai estar sempre aberta, amor, O meu olhar vai dar uma festa, amor, Na hora que você chegar...”.

Sabe, no dia 25 de março de 2016 eu voltei para o meu primeiro amor. Voltei para Deus. Voltei para a igreja da qual eu fazia parte.
Pois eu lhes digo que assim também vai haver mais alegria no céu por um pecador que se arrepende dos seus pecados do que por noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender. Lucas 15:7

Essa foi a volta mais feliz da minha vida.

sábado, 13 de outubro de 2018

O INCÊNDIO DO MUSEU NOS AJUDA

O INCÊNDIO DO MUSEU NOS AJUDA
Jackson Valoni – Angra dos Reis/RJ

Às vésperas do feriado que deveria trazer à memória a conquista da Independência do Brasil, 7 de setembro, o mundo inteiro, este ano, ficou chocado com a destruição do Museu Nacional, consumido pelo fogo. O museu fez 200 anos de história em junho. O incêndio teve início num domingo sem chuva, em torno das 19h30min. Os bombeiros tiveram dificuldade para conter as chamas porque os hidrantes não funcionavam. O Museu Nacional não tinha estrutura de combate a incêndio e abrigava um acervo de 20 milhões de itens, incluindo documentos da época do Império, fósseis, coleções de minerais, artefatos greco-romanos, e a maior coleção egípcia da América Latina. Repleto de objetos inflamáveis, o cenário da destruição só aguardava a primeira fagulha, que começou pouco depois de os últimos visitantes terem ido embora.


O prefácio de um livro do jornalista Laurentino Gomes revela um pouco que o abandono das memórias históricas do Brasil não é fruto de uma recente gestão negligente, mas desdobramento de descasos que ultrapassam gerações. Veja as considerações desse jornalista na introdução de seu “best seller” 1808, a respeito do Museu Nacional e do Paço Imperial, outro importante museu localizado no Rio de Janeiro que ainda não foi consumido pela tragédia irreparável:

“Seu acervo reúne, além do meteorito, aves e animais empalhados e vestimentas de tribos indígenas abrigadas em caixas de vidro que lembram vitrinas de lojas das cidades do interior. As peças estão distribuídas ao acaso, sem critério de organização ou identificação. O Museu Nacional é ainda mais esquisito pelo que esconde do que pelo que exibe. O prédio que o abriga, o Palácio de São Cristóvão, foi o cenário de um dos eventos mais extraordinários da história brasileira. (...)

Apesar de sua importância histórica, quase nada no Palácio São Cristóvão lembra a corte de Portugal no Rio de Janeiro. A construção retangular de três andares, que D. João ganhou de presente de um grande traficante de escravos ao chegar ao Brasil, em 1808, é hoje um prédio descuidado e sem memória. Nenhuma placa indica onde eram os dormitórios, a cozinha, as cavalariças e as demais dependências usadas pela família real. É como se nesse local a História tivesse sido apagada de propósito. (...)

A mesma sensação de descaso se repete no centro do Rio de Janeiro, onde outro prédio deveria guardar lembranças importantes desse período. [O antigo Paço Imperial] Foi a sede oficial do governo de D. João no Brasil, entre 1808 e 1821, mas hoje um turista desavisado poderia passar por ele sem tomar conhecimento dessa informação. Com exceção de uma carruagem antiga, de madeira e sem identificação, exposta junto à janela direita da entrada principal, nada ali faz referência a seu passado histórico. Na parede ao lado da carruagem, um mapa em alto-relevo mostra os prédios e arranha céus do centro do Rio de Janeiro atual. É uma curiosidade fora de contexto. Em se tratando do Paço Imperial, seria mais razoável que se tentasse reproduzir a cidade colonial da época em que a corte portuguesa chegou ao Brasil.”
(Gomes, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil — São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2007)

É uma tristeza profunda quando levamos nossos pensamentos com apreço àquilo que não pode mais ser resgatado. Hoje, por exemplo, o Museu Nacional tem conseguido valores vultosos de dinheiro de diversas entidades. Até o fim da redação deste texto o Ministério alemão do Exterior, por exemplo, havia prometido doar um milhão de euros para ajudar a reconstruir o Museu Nacional.

O retrato do abandono das memórias do país nos ajuda a refletir sobre nossa própria vida. Também nos ajuda a refletir sobre a atenção que temos por nossa família. E nos ajuda a trazer à mente o histórico da nossa vida e o que nos fez chegar até aqui.

O retrato do abandono das memórias do país nos ajuda a olhar pro Céu e dizer, como num alívio: Meu Deus, como posso ser melhor?

Dá tempo.