CARREGAR BANDEIRA - DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Denize Vicente - Rio de Janeiro - RJ
COM LICENÇA POÉTICA
(Adélia
Prado)
Quando
nasci, um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
- Vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.

Não sei onde você
está enquanto lê este texto. Talvez em casa, no seu quarto, talvez no carro, no
metrô, talvez sentado em algum lugar enquanto espera alguma coisa... mas muito
provavelmente a menos de cem metros de você há uma ou algumas mulheres. Quais foram as palavras que você disse a elas hoje, e de que modo vem tratando as mulheres, nos últimos tempos? E são perguntas que eu gostaria de fazer a homens e mulheres...
Hoje é dia de
reflexão. Como você tem tratado as mulheres? É difícil tratar desse assunto em
tempos como estes, quando as pessoas não têm sido tratadas com dignidade,
sejam homens ou mulheres, crianças ou idosos...
Páginas de
jornais, sítios de notícias, livros, redes sociais publicam com lamentável
frequência o desrespeito que modernamente faz parte do dia a dia da gente. Agressões
físicas e verbais que dominam todos os espaços, físicos e virtuais.
Pelo simbolismo deste dia eu gostaria de falar sobre as mulheres...
8 de março. 2019.
Como você tem tratado as mulheres da sua vida? Como tem tratado as outras mulheres?
Não sei quem são ou
foram os seus “ídolos” da juventude, quem são suas referências, sua
inspiração, seu modelo, não sei quem influencia você no seu modo de ser e agir,
mas eu queria citar Jesus Cristo e sua relação com as mulheres.
O livro “Como
Jesus Tratava as Pessoas” traz uma citação que eu gostaria de copiar pra você:
“Em Seu relacionamento com as mulheres, a conduta de
Jesus era tão marcante que somente se pode chamar isso de admirável. Ele
tratava as mulheres como totalmente humanas, iguais aos homens em todos os
aspectos. Nenhuma palavra de depreciação sobre as mulheres jamais se encontrou
em seus lábios. Como o Salvador que Se identificava com os oprimidos e os
deserdados, ele falava às mulheres e sobre as mulheres com completa liberdade e
afabilidade.”.
Quer exemplos? Maria
e Marta, suas amigas, recebem Jesus em sua casa. Lucas 10. Maria se
assenta aos pés de Jesus para ouvir o que Ele tem pra ensinar. Bem, naquele tempo eram os estudantes
que se assentavam aos pés dos mestres e professores. Marta, aliás, se referiu a Jesus assim: “O Mestre está aqui” (João 11). E eram tempos em que não havia
esse papo de um rabino ensinar uma mulher. Mas não é só. Os rabinos diziam que era
melhor ensinar um samaritano do que uma mulher, e você sabe o que eles queriam
dizer com isso, porque sabe qual eram os sentimentos deles em relação aos
samaritanos...
Mas há mais.
Um banquete na
casa de Simão. Uma cena terrível para os judeus daqueles tempos, e que deixou
muitos indignados: Jesus permitiu que uma mulher O tocasse. Uma mulher de
cabelos soltos, gente! Cabelo solto, na época, era coisa das “mulheres de rua”, se é
que você me entende. E Jesus ainda deixou claro, de modo que ficou registrado para
todas as gerações, que ela havia feito uma coisa linda, praticado um belo gesto (Mateus
26:10).
As regras e os
costumes, à época de Jesus, eram muitos e eram rígidos. Por exemplo, um homem
não poderia ficar sozinho com uma mulher em um ambiente, mesmo que fosse sua
irmã ou sua filha. Por causa do que os homens poderiam pensar... E sobre falar
com mulheres em público? “Um homem não
falará com uma mulher na rua, nem mesmo com sua própria esposa, e especialmente
com qualquer outra mulher, por causa do que os homens possam pensar.” Aí
Jesus vem e quebra os costumes judeus falando com uma mulher junto ao poço, sem
o menor constrangimento (João 4).
São muitos
exemplos!
Jesus curando a sogra de Pedro no sábado – quebrando duas regras ao
mesmo tempo, porque tocou nela, segurando sua mão, e curou no dia de sábado.
A mulher que estava
doente há 18 anos, andando curvada (Lucas 13:10-17).
Jesus curou aquela mulher num dia de sábado e colocou Suas mãos nela. De novo
se sobrepondo de uma só vez a dois costumes de Seu tempo.
E a viúva de
Naim, uma cidade ao norte de Israel, que havia perdido seu filho pra morte? Jesus
interrompeu o funeral e ressuscitou a criança para levar alegria àquele coração de
mãe cheio de dor. Lucas 7:11-17
Mas não é só.
Você se lembra da
história da mulher que se embrenhou na multidão para tocar num pedacinho da
roupa de Jesus tentando obter cura porque há doze anos sofria de hemorragia? Jesus
perguntou: “Quem Me tocou?” e chamou a mulher que estava fazendo aquilo escondido
para mostrar a todos que ela era digna de cura. Falou da sua fé, da sua
determinação. E a tratou como uma pessoa em seu próprio direito. Lucas 8:43-48
Mulheres eram
amigas de Jesus. Ele dava a elas respeito e recebia respeito delas. As mulheres eram
tratadas como iguais em todos os aspectos. Mesmo aquelas que Ele nem sequer
conhecia, aquelas que passavam pelo Seu caminho uma só vez.
Ele não perdia a
chance de valorizá-las publicamente. Ele jamais se recusou a ensinar as
mulheres. Infringiu regras deixando claro que merecem respeito e
atenção. Relacionou-se com elas e mostrou que é possível fazer isso “em um
elevado plano espiritual”. “Assim, por Sua própria aceitação delas, Ele pode
verdadeiramente ser descrito como um defensor das mulheres”, como diz Morris
Venden*.
As mulheres não
deveriam precisar carregar bandeira...
Como eu disse,
não sei quem são as suas referências, quem são seus influenciadores, quem você segue, mas o
jeito como Jesus tratava as mulheres é bastante significativo e talvez você
possa escolher Jesus para ser a sua inspiração, de hoje em diante. Respeito e
valorização. Posso lhe garantir que isso fará um bem tremendo à humanidade.
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Referência/Fonte:
Como Jesus Tratava As Pessoas - Venden, Morris - CASA
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