domingo, 27 de dezembro de 2015

OS PRESENTES DE DEUS

OS PRESENTES DE DEUS
(Por Lucileide Santos)

Ah, a natureza! Obra magnífica feita pelas mãos do Criador. Estar em meio a ela, realmente, nos revitaliza. Estive em Bonito/MS, recentemente, e o nome faz jus ao local! Foi ali que pude notar o quanto essa correria desenfreada nos aparta da beleza e da tranquilidade de se estar diante do verde, de assistir ao pôr do sol sem pressa e de contemplar o céu mais estrelado que existe nesta vida!

Nessa viagem vivi experiências bem bacanas, como participar de uma atividade chamada flutuação... Eu explico! Você veste uma roupa de neoprene e usa uma máscara com snorkel; daí, você flutua observando as belezas do fundo de um rio - no meu caso, o rio Olho D’água, localizado em Bonito. Nadar entre os peixinhos não tem preço! Que sensação gostosa! Tudo era tão lindo! Eu fico pensando em como Deus é perfeito e detalhista.

Nessa viagem eu fui também a um lugar chamado Buraco das Araras; é um lugar onde essas aves fazem morada. Quando se olha uma arara de perto, com tantas cores, detalhes e beleza, o primeiro pensamento é: Caramba! Deus é dez! Que presente lindo Ele nos deixou!

Flores, árvores, pássaros e peixes... tudo apontava para uma natureza tão bela que não poderia ser obra do acaso! Toda essa contemplação me lembrou de um poema que li nas aulas de Literatura portuguesa. Vou dividi-lo com vocês:

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira! 
1

Esse é um poema de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa; mas sabem do que me lembram esses versos? Da Nova Jerusalém! Porque enquanto eu estava em Bonito/MS eu pensava: “Não existe por do sol mais bonito do que este!”; “Olhe isso! Que flores lindas, que vegetação incrível!”. Mas assim como o autor do poema que quer tudo mais ideal e do mesmo modo, eu imagino que no Céu tudo será ideal, mas não do mesmo modo... Será melhor!

Amigo, se você já foi a um lugar lindo, esplêndido, maravilhoso, tente imaginá-lo mais bonito. Difícil, né?! Pois é; mas é isso o que Deus tem preparado para nós.
Bonito é incrível, mas mais bonita ainda será a nossa Terra quando restaurada! Eu quero estar lá! Você vem?!

Um domingo maravilhoso para você e sua família!

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Referências:
1-    Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" -
Heterónimo de Fernando Pessoa.

sábado, 26 de dezembro de 2015

QUERIA


QUERIA
(Por Jackson Valoni)

Eu queria ter coragem de traçar uma meta pra 2016. Queria poder dizer que vou estudar mais, ler mais, cantar mais, sorrir mais. Queria poder cumprir quase tudo que aquela música que os Titãs cantam diz.

A música “Epitáfio”, pra mim, é uma esperança perdida. Um profundo lamento, uma dor de cotovelo, uma sofrência de dar gosto.

Aqui jaz fulano de tal, que queria e queria, mas nunca fazia.

Por que eu mesmo, muitas vezes, sou um fulano que pensa em voltar pra academia mas fica com preguiça... quer vender um carro mas não anuncia... precisa largar um vício, mas não busca ajuda?

Certa vez, os irmãos Caim e Abel estavam oferecendo ofertas a Deus, mas Caim fugiu bastante dos protocolos daquele ritual. Ao invés de fazer o combinado, ou seja, oferecer um carneirinho como sacrifício (Gênesis 4:4), ofereceu produtos da terra.

Na verdade, Caim errou feio. Tinha que ser um carneirinho, porque o sacrifício do animal representava o preço do pecado. Caim, seu irmão, e seus pais sabiam disso, mas ele quis oferecer produtos da terra, frutos de seu esforço, já que era agricultor.

Deus não gostou daquela oferta.

Caim apresentou uma oferta que expressava nenhum arrependimento pelo pecado – uma oferta sem sangue. E “sem derramamento de sangue não há remissão”, pois “é o sangue que fará expiação pela alma” (Hebreus 9:22; Levíticos 17:11).

Quando Caim teve sua oferta rejeitada, ardeu em raiva. Ele permitiu que aquele sentimento explodisse em sua mente. Invejou seu irmão e não se comoveu diante da reprovação de Deus; pelo contrário, tornou-se ainda mais intransigente quanto à vontade dEle.

Embora Deus tenha rejeitado a oferta de Caim, não rejeitou o próprio Caim.
De igual modo, mesmo quando desapontamos a Deus com escolhas ruins, Ele não se afasta de nós. Deus insiste, utilizando meios inimagináveis, para que tomemos boas decisões.

Caim creu em suas obras, fruto de seus esforços; foi diferente a oferta de seu irmão, conduzida pela fé em obediência aos desejos de Deus (Hebreus 11:4).

Talvez no próximo ano você precise arriscar mais, ou venha a errar mais. Talvez ame mais, ou chore mais. Talvez o lirismo de “Epitáfio” seja um desafio para a sua vida em 2016, mas desejo que você aceite ser guiado por Deus, e que suas metas para o próximo ano reflitam os planos que Ele tem para a sua vida.

Queria poder ver o sol se pôr sem pressa...

“Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e, luz para os meus caminhos.”
(Salmos 119:105)

2016. Aqui habita esperança.

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Referências:

TITÃS. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana. Epitáfio, Abril Music, 2002. CD.

COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA Volume 1, páginas 224 e 225, 1ª edição, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 2013.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

NINGUÉM TEM TÃO POUCO QUE NÃO POSSA DOAR NEM TEM TANTO QUE NÃO PRECISE DE UM POUCO


NINGUÉM TEM TÃO POUCO QUE NÃO POSSA DOAR NEM TEM TANTO QUE NÃO PRECISE DE UM POUCO
(Por Denize Vicente)

Escrevo este texto alguns dias antes do Natal. E decidi contar pra vocês uma história real, algo que me aconteceu há alguns anos e que eu nunca mais me esqueci... A personagem principal da história eu não sei por onde anda, não me lembro do seu nome, não sei como está na vida; mas eu sei que aquele dia em que nós nos encontramos não foi uma coisa qualquer...

Era um dia como o de hoje, próximo ao Natal, e eu estava na rua porque precisava comprar umas frutas e coisinhas pro cabelo (“papo de mulherzinha”, você vai dizer; mas continue a ler mesmo assim, porque vou lhe contar mais do que isso).

Pois foi nessa loja de produtos para cabelo que fiz a minha primeira parada. Naquele lugar funcionava um salão de beleza. Havia fechado fazia uns três meses. Por isso, tudo com descontos entre 30% e 70%. E, sabe-se lá por que, tinha muito mais do que produtos para cabelo, na liquidação: batom, creme para a pele, protetor solar, produtos Payot, Lancôme, Banana Boat, Nivea, John Frieda... muita coisa, de muitas marcas.

Mas não foi por isso que aquela passadinha na loja demorou tanto... foi porque, na verdade, se transformou numa sessão de terapia. A menina que me atendeu não demorou muito tempo para abrir o coração... e começou a me contar da sua vida, triste vida.

Já eram três meses sem salário, mas ela continuava ali, trabalhando, agora nas vendas. Ficava sozinha na loja. Os patrões vinham ao final do dia, todos os dias, mas só para receber a grana das vendas. E ela seguia me contando da sua rotina... olhar triste, meio rouca, resquício de uma gripe ainda nem curada, e foi contando, contando... porque tinha alguém disposto a ouvir.

Casada há três anos, uma filha, e um marido lento - que levava a criança pra creche, mas reclamava tanto que nem ia buscá-la; com quem, me disse, não mantinha mais nenhum tipo de intimidade, e que lhe perguntava prontamente, ao menor esboço de insatisfação da sua parte: "Como é que você vai se virar, se se separar de mim, com essa miséria que você ganha?".

Ela me olha e diz que, mesmo não admitindo pra ele, precisava concordar que não teria mesmo a menor condição de se virar...

Tem 29 anos. É alta, bonita. Um sorriso largo (que deixava escapar quando eu lhe fazia um elogio e dizia que as coisas não precisam ser assim para sempre), cabelos na altura dos ombros, levemente ondulados, dentes quase perfeitos, uma pele bonita, e uma tatuagem com o nome desse marido, nas costas. Diz pra mim que é do tempo em que era apaixonada por ele. Do tempo em que Deus lhe mostrou "que ele não era o homem certo", mas ela não quis ouvir.

Quase resignada, ela me diz que a culpa é só dela, mas acha que ainda tem o direito de ser feliz, e quer isso! Não quer mais ficar casada com aquele sofrimento. Quer outros céus, outros sóis, eu acho.

Lamentou-se, ainda, das condições de trabalho. Sugeri que ajuizasse uma ação trabalhista para buscar o reconhecimento judicial de seus direitos - nem mesmo sua Carteira de Trabalho foi anotada - mas é incrível como as pessoas de bem é que temem a Justiça, mesmo quando seus direitos são inquestionáveis. Disse que "a dona do salão trabalha com o César Maia" e acha que não deveria processá-la. (É difícil você convencer que a Justiça não quer saber disso. É difícil, porque às vezes a Justiça decepciona até a mim, que acredito tanto e trabalho tanto...)

A certa altura ela já se sentia tão à vontade, que me mostrou a sandália que estava usando... arrebentada quando vinha pro trabalho. E a menina não podia, sequer, ir ao Shopping, distante apenas uns 50 metros, porque não tem hora de almoço e porque não podia fechar a loja antes das sete... Precisava de alguém que fosse até lá e comprasse uma sandalinha “de até trinta reais”. Havia pedido ao segurança da loja ao lado; ele até viu, mas não sabia “comprar essas coisas”... A essa altura, já passava do meio-dia e eu ainda precisava ir ao mercado e fazer tantas outras coisas... mas não consegui dizer que não iria lá pra ela.

Ela queria qualquer sandália.
Com brilhinhos seria linda. Eu não prometi. Disse que iria ao mercado, e “se desse tempo”, iria ao shopping, pra ver. Passei direto, nem entrei no mercado. Procurei a mais delicada, com brilhinhos. Comprei ainda um sanduíche bem gostosinho e algo para ela beber.

Quando entrei de volta na loja, ela me sorriu, como que sem acreditar. Fez questão de pagar a sandália. Eu queria dar de presente, mas ela insistiu e eu achei que seria melhor e mais agradável para ela assim. Decidi comprar uma bolsa, quem sabe, ou outra sandalinha, e levar para a moça, mais tarde, e fiquei pensando: será que é esse o espírito do Natal? Emprestar seus ouvidos, escutar quem não tem com quem falar, falar a quem tanto precisa ouvir, levar um pouco de esperança a um coração desolado, enxergar a beleza de uma alma abatida, dar um pouco de pão e água a quem tem fome e sede, fazer brotar um sorriso de um rosto amarelado de tristeza, valorizar e devolver a autoestima de alguém que caminha curvado, olhando pro chão?

Na sua simplicidade, ela ainda me emocionou. Ainda mais. Pediu que eu escolhesse três batons, e me deu de presente. Meus olhos sorriram com os dela, e eu não vou me esquecer disso. Porque ficou aqui, na minha mente, a prova inconteste de que "ninguém é tão grande que não possa aprender nem tão pequeno que não possa ensinar"; ninguém tem tão pouco que não possa doar nem tem tanto que não precise de um pouco.

Eu, que achava que tinha ajudado alguém, naquele Natal... ganhei a felicidade de ver um sorriso num rosto de alguém que estava triste e se sentia sozinho, minutos antes de eu chegar; e ela ganhou a alegria de ver a minha emoção, pelos delicados presentes que me deu.

A moça me abraçou como se fôssemos amigas há muito tempo e eu lhe desejei um Ano Novo abençoado; uma vida nova, de alegrias, saúde e paz. E depois fui conversar com Deus sobre essas coisas, para que, realmente, tudo acontecesse.

Hoje, depois de alguns anos, não acredito que essa história seja menos comum, na vida de outras garotas de 29 anos, do que era naquela época... Também não é muito diferente a falta de disponibilidade das pessoas para doar um pouco do seu tempo e da sua atenção.

Você correu a semana inteira, com os preparativos de Natal e da ceia de ontem à noite. Talvez tenha dividido a mesa de jantar com quem, se não estivesse com você, mesmo assim não ficaria sem comida. E não há nenhum problema nisso... mas hoje, aí na sua casa, tem o brasileiríssimo “enterro dos ossos”, não é? Todo mundo acordou tarde e vai comer mais tarde ainda. E que tal fazer umas duas ou três quentinhas, antes de começarem a almoçar, e levar pra rua, procurando alguém que esteja sozinho, largado, triste e com fome?

Você também pode ligar pra alguém com quem não conversa há tempos e perguntar SINCERAMENTE, com disposição para ouvir, se está tudo bem com ele.

Também é possível separar um tempo para bater um papo com o porteiro do seu prédio – que não vai poder estar em casa com sua família no almoço de hoje - ou com o segurança do shopping – que trabalhou até tão tarde ontem que nem pôde brincar com os filhos antes da ceia...

Você também pode caminhar um pouco, depois do almoço – você e a galera que está aí com você – e procurar uma criança, na rua, olhar pra ela e oferecer um presente, mesmo que seja um picolé.

Lembre-se: NINGUÉM TEM TÃO POUCO QUE NÃO POSSA DOAR NEM TEM TANTO QUE NÃO PRECISE DE UM POUCO.

Há diversas maneiras de fazer com que o Natal não seja, meramente, uma época de “panelinhas”, quando você se relaciona apenas com quem já se relaciona com você, dá presentes e agrados àqueles que também lhe darão presentinhos e come com quem sempre tem um lugar à mesa...

Que a vida do aniversariante sirva de exemplo e inspiração para nós que hoje comemoramos o Seu aniversário.

Porque se eu não tiver amor...


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

PELO AMOR OU PELA DOR


PELO AMOR OU PELA DOR
(Por Carina Baptista)

Oi pessoal, tudo bem com vocês??

Eu estava há um tempo sem ler a Bíblia (confesso, errei!), mas o Espírito Santo não desistiu de mim e então me deu aquela vontade de ler! Orei, abri em Provérbios, sabia que qualquer verso seria algo sábio e que, de alguma forma, faria sentido para mim. Não deu outra! Abri no capítulo 17, verso 10, que diz: “mais fundo entra a repreensão no prudente do que cem açoites no insensato.”.

Fiquei pensando no quanto esse verso é verdadeiro (por isto está na Bíblia! rs), e logo me veio o assunto para este texto. Fazendo um resumo bem grosso modo, existem duas formas de se aprender na vida: através de nossas experiências e através das experiências do outros.

A Bíblia é cheia de histórias. O principal motivo de elas terem sido registradas é, exatamente, servir de exemplo para nós (todo aquele que tem acesso). O problema é que acabamos optando por aprender "na marra", passando por situações que não passaríamos, caso observássemos o comportamento das pessoas ao nosso redor.

Eu já falei isto antes e repito: enquanto você sentir o desejo de pedir perdão a Deus e mudar o rumo da sua vida, não será tarde. Por mais distante que tenha ido, Ele sempre estará de braços abertos para lhe receber. Podemos escolher ser o prudente, do verso bíblico, e não o insensato que, mesmo apanhando muito, não aprende. Quem é você nesse verso?

Hoje é véspera de Natal; provavelmente você só vá ler este texto depois... deve estar uma correria por ai para arrumar tudo e deixar tudo perfeito para a noite. Para este dia especial, minha dica é que você siga o maior exemplo que o mundo já teve. Exemplo de amor, pureza, compaixão, amizade e de tantas outras coisas boas. Que você nunca esqueça que Ele o ama muito e que espera lhe encontrar um dia para um abraço bem forte e receber você em seu novo lar.

Feliz Natal!!

Um beijo e até semana que vem!