Mostrando postagens com marcador escolhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escolhas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de julho de 2020

PADAMENTO


PADAMENTO
Por Airton Sousa - Direto de Paciência - Rio de Janeiro - RJ

Quando Deus derrubou os muros de Jericó e entregou a cidade ao povo de Israel, as instruções foram bem claras: “Não peguem em nada que vai ser destruído. Se ficarem com qualquer coisa que eu mandei destruir, vocês vão trazer desgraça e destruição ao acampamento Israelita.” (Josué 6:16)

Resumindo: não mexam nas coisas.

Durante o tempo que morei em Sampa, frequentei muito a chácara do meu amigão Jorjão, lá em Sumaré, interior do estado. Jorjão é aquele tipo de anfitrião bonachão que recebe com alegria e muita fartura, que faz muita questão da sua visita e deixa isso muito claro pra você. Mas Jorjão também tem lá suas leis e regras. Quem se comporta bem pode retornar no próximo carnaval e será sempre bem-vindo. Quem não se comporta bem, é “padamento” e deixa de ser bem-vindo.

Não se preocupe em achar o significado de “padamento”. Não vai encontrar. A menos que você seja convidado da Chácara do Jorjão. Só lá e aqui no texto. Logo na entrada tem um cartaz com as regras da casa:

“Os Dez Padamentos”.

E o primeiro padamento é este:
“Só mexa no que você trouxe.”
(eu preciso voltar lá pra me lembrar dos outros nove padamentos).

Quando entraram na cidade, todos viram os tesouros espalhados, moedas, prata, roupas caras. Todos viram. Todos cobiçaram. E todos passaram direto, continuaram andando. Mas Acã... Acã olhou para a esquerda, olhou para a direita... por que não pegar? Ele viu, parou, cobiçou e se apossou. Padamento!

Acã, era “padamento” e, por ser “padamento”, cresceu o olho. Fez escolhas erradas. Comprometeu sua família. Trocou as ordens de Deus por coisas. E mexeu nas coisas amaldiçoadas por Deus. Isso é sério.


Gosto de pensar que Acã era um valente e corajoso homem que pertencia à tribo de Judá e que guerreava por uma causa santa. Fazia parte de um povo que tinha uma história de escravidão e sofrimento por mais de 400 anos, que foi liberto por Deus e conduzido pelo deserto até a terra prometida. Talvez Acã tenha tido oportunidade de ouvir todas essas histórias de seus antepassados, oportunidade de ver e comer o maná, o pão do céu, talvez tenha tido a chance de ver com os próprios olhos o poder, as maravilhas e os milagres de um grande Deus.

O que leva uma pessoa, que conheceu e viveu tudo isso, a, ainda assim, trocar tudo por um punhado de pratas? Movido pela ganância, escondeu uma capa babilônica, um pouco mais de 2kg de prata e cerca de 500g de ouro. Esses cobiçados objetos foram enterrados sob a sua barraca.

Tudo escondidinho e já estava pronto para participar da próxima conquista que era a cidade de Ai – aparentemente, era mais fácil ainda, era vitória, na certa. Não foi. Derrota e humilhação. Voltaram para casa abatidos e com um saldo negativo de 36 soldados mortos.

E quando Josué e os anciãos buscaram uma explicação, a resposta de Deus veio rápida: Israel pecou e, por isso, perdeu a batalha. 

Josué convocou o povo a fim de descobrir o culpado para tamanha desgraça que recaía sobre o povo. Josué foi de tenda em tenda, até encontrar.

O pecado de Acã havia sido descoberto. Acã foi condenado à morte; não só ele, mas também toda a sua família! Acã estava metido com coisas amaldiçoadas por Deus.

Aquele foi um dia muito triste em Gilgal.

Para o nosso próprio bem, a história de Acã nos lembra: cuidado com as coisas que você traz para dentro da sua casa.

Os melhores dias acontecem na medida em que confiamos em Deus.

“Se somos filhos do Senhor, e herdeiros de Seu reino
Morreremos para o mal e para o bem renasceremos
Nova vida de perdão, de poder e de vitória
Reinaremos com Jesus, para sempre em sua glória.”

Confie somente em Deus. O resto é tudo padamento!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

À PROCURA DA LIBERDADE

À PROCURA DA LIBERDADE
Eduardo Dudu Santos - Sankt Peter am Hart, Bogenhofen, Áustria

Já me disseram algumas vezes que eu fui uma criança bastante cordata. Reparem que usaram a palavra “bastante” e não “sempre”. Afinal, acho que é normal do ser humano nascer avesso a regras e leis... Nascemos com aquele ímpeto de fazer o que queremos. Conforme o tempo passa e a gente cresce, a gente aprende a aceitar, ou pelo menos a tolerar as regras que são impostas pela convivência.

Outro detalhe que me contaram recentemente é que uma das frases mais repetidas no livro de Juízes (na Bíblia) é a seguinte: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto.” (uma das repetições está em Juízes 21:25). Pelas muitas repetições, creio que o autor do livro considerava que a frase descrevia bem a situação dos israelitas.

Refletindo um pouco sobre a imagem transmitida, eu diria que essa foi uma exemplificação do “estado de natureza”(1) definido por Thomas Hobbes séculos depois. Eu me lembro de ter ficado horrorizado quando ouvi a primeira vez falar sobre esse estado da sociedade e me lembro de ter pensado que essa seria uma cena inimaginável. Se bem me lembro, esse foi um dos motivos que ele apresentou para justificar a necessidade de um governador que regesse a sociedade. 

 
De volta à Bíblia, dois versos após o versículo citado acima, ou seja, em Rute 1:2, aparece um contraponto à situação do povo de Israel: Elimeleque. De acordo com a tradição judaica, o significado desse nome é “Deus é o meu rei”. E eu não diria que foi mera coincidência esses versos estarem tão próximos um do outro, porque o início do livro de Rute situa a história de Elimeleque no tempo dos juízes.

Olhe o mundo ao seu redor, olhe a vida como tem sido vivida. É bastante palpável a tendência da sociedade ao dito “estado de natureza”. As pessoas têm buscado fazer o que bem entendem tendo isso como uma pretensa liberdade, sem se importar com quem está ao seu lado. Talvez, se o autor do livro de Juízes estivesse vivo, ele não conseguiria entender porque existem governantes e leis, mas “... cada um faz o que acha mais reto.”.

A reflexão que deve ficar para nós de toda essa história é sobre qual papel vamos querer representar nesse roteiro. A escolha é feita por meio de atos em cada instante; não palavras. A escolha é feita pela decisão de quem se quer seguir. E tudo começa a partir do momento em que abrimos os olhos todo dia de manhã.

É possível que o meu e o seu nome no cartório não sejam Elimeleque; concordo que não é muito comum esse nome, mas, ainda assim, é possível mostrar por meio dos nossos atos que Deus é o nosso rei. Como o próprio Jesus disse: “Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:16).

Com isso em mente... Feliz 2019!



______________________________

Referências/Fontes:


terça-feira, 25 de dezembro de 2018

DE CAVERNA EM CAVERNA

DE CAVERNA EM CAVERNA
Eduardo Dudu Santos - Sankt Peter am Hart, Bogenhofen, Áustria

Hoje me peguei lembrando de alguns fatos da infância, num daqueles momentos em que a gente sempre tem o costume de visitar, nas salas da memória. Quando era criança eu tinha umas tiradas que até hoje me pergunto de onde elas saíam, e foi numa dessas vezes que isto aconteceu:

Era uma noite tempestuosa, daquelas que colocam qualquer um tremendo de medo. Passei alguns anos sem ver outra parecida... Nossa casa ainda estava em construção e havia muitos materiais de obra e até alguns itens improvisados onde não tínhamos o que colocar no lugar.

No alto da casa, mais especificamente na laje, tem uma porta de acesso para se chegar à caixa d’água. Isso hoje, porque na época era uma porta improvisada com madeira de obra e saco de entulho. Acho que nem preciso dizer que a ventania balançava essa porta de um lado para o outro, provocando um barulho alto e parecendo que ela cairia a qualquer momento.

Enquanto minha mãe tentava acalmar minha irmã, instantaneamente me lembrei do verso que tinha aprendido na reunião dos Aventureiros(1), naquela mesma tarde; tinham me ensinado o Salmo 121. Ele é bem curto, vale a pena fazer uma pausa agora e conhecê-lo.

Quando Davi escreveu esse texto, talvez pro blog da galera da época, ele andava sobre o fio da navalha de Saul. Era só dar uma vacilada e sua vida poderia encontrar seu fim. Só que Davi entendia que não deveria levantar a mão contra “o ungido do Senhor”, mesmo que fosse em sua própria defesa; então ele vivia se escondendo pelas cavernas das montanhas de Israel.

Daí o início do Salmo: “Elevo os olhos para os montes: ‘De onde me virá o socorro’?”. A interrogação parece ser para nos colocar para pensar, porque Davi sabia que não eram as cavernas que impediam Saul de encontrá-lo e matá-lo, tanto assim que ele completa com a resposta: “O meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a Terra.”. Essa certeza da proteção divina inspirava o futuro Rei de Israel a prosseguir em sua fuga, confiando que Deus o guardava em cada passo; não eram rochas nem fendas em montanhas que o escondiam, mas “o Guarda de Israel” - aquele que não dorme.

A perseguição de Saul não parou no momento que Davi se deu conta de que estava seguro nas mãos de Deus, mas a segurança foi suficiente para que ele dormisse em paz. Da mesma forma que eu e minha família dormimos em meio àquela tempestade.

Chega dessa vida de mudar de caverna em caverna! É hora de soluções mais definitivas, hora de socorros mais eficazes! Deus está a postos, só esperando nossa decisão. Que a esperança dessa proteção também seja motivo de tranquilidade pra você, daqui pra frente.

É Natal! Nasceu a esperança!



_____________________

Referências/Fontes:

(1)          O “Clube dos Aventureiros” é, oficialmente desde 1991, um programa mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, específico para crianças menores de dez anos, mas a ideia surgiu em 1972, Washington (EUA), com um programa voltado para esse público, sob a direção de Carolee Riegel. Com o objetivo de “facilitar à criança partilhar sua fé, se preparar para esta vida e para a vida eterna”, o plano piloto do Clube de Aventureiros foi iniciado em 1990 nos Estados Unidos, na Divisão Norte Americana e no ano seguinte, em 1991, a Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia o autorizou, como programa mundial, estabelecendo seus objetivos, currículo, bandeira, uniforme e ideais.


sábado, 3 de março de 2018

A ESCOLHA DO ESCOLHIDO


A ESCOLHA DO ESCOLHIDO
Jackson Valoni - Angra dos Reis/RJ

Minha irmã resolveu arrumar mais dois gatos lá pra casa dos meus pais. Um preto e um branco que tem um olho de cada cor, meio David Bowie.

Há algum tempo, escrevi sobre um gato que minha irmã adotou. Clique AQUI para ler sobre o gato de suéter, se tiver disposição. Para os que estão por fora, a história é simples: tinha um filhote de gato na igreja; minha irmã levou o bicho pra casa contra a vontade do meu pai; o gato ficou com uma bactéria braba no nariz; minha irmã cuidou dele e agora ele está melhor.

Então, meu pai, que nunca gostou de gatos e nunca quis esse bicho em casa, agora tem três. Essa história poderia ficar pior (ou melhor), e vai ficar. 


Minha irmã, sempre ela, agora pegou um cachorro. Ela veio me falar que ele tem "potencial pra ser labrador". É um vira-lata bonito. O nome é Amendoim. Não me lembro do nome dos gatos que fazem companhia ao Louis Vuitton (o bicho que era perebento e que apareceu primeiro lá em casa). 

A chegada do cachorro foi diferente. Meu pai já até passeou com ele, levou pra praia e tudo. Amendoim não deixa os gatos em paz, nem o coitado do Louis Vuitton, que de vez em quando tem que ficar com um cone na cabeça pra ele não passar a pata no nariz ainda sensível por causa da bactéria violenta.


Amendoim coloca os gatos pra correr. Antes, Vuitton é que brigava com os filhotes, principalmente o preto. Acho que todos esses animais estão substituindo minha ausência, desde que me casei. Pensei que Vuitton era suficiente pra suprir o vazio que causei. Caramba, poético!

Não sei qual foi o mérito que esses bichos tiveram pra serem escolhidos por minha irmã. Estavam no lugar certo e na hora certa? Fizeram cara de choro? Eram indefesos? Todas essas razões podem ser verdade, mas eu queria refletir sobre algo mais próximo de você que está lendo isso agora.

O que você fez pra ser escolhido por Deus? Pergunto mais. O que você fez pra Jesus ter morrido por você?

Minha irmã tem um apego pelos animais que eu não herdei. Será que Deus gosta mais dela do que de mim? Isso não faria sentido. Deus usa as pessoas de maneiras diferentes. 

Deus escolhe cada um de nós para uma maneira peculiar de enfrentar a vida.

"Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?" Romanos 9:20,21

Tenho um amigo que diz que ele não tem jeito, e que vai para o inferno. Seria ele um vaso para a desonra que encerra esse verso do livro aos Romanos? Nunca conclua algo semelhante. Não é do propósito de Deus criar alguém fadado à miséria, perdição e sofrimento.

Deus e pecado não se unem. Mas nós, mesmo infectados pelo pecado, conseguimos nos justificar ao Pai por meio de Jesus. Deus escreve uma história de vitórias para cada um de nós, e nos escolheu para sermos especiais no Reino que Ele tem preparado pra nós. 

Cada detalhe da nossa vida pode ser um testemunho incrível para as pessoas que não conhecem sobre o amor de Deus. O Senhor o escolheu para falar a muitos sobre o que Ele fez por você. 

"Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão (...) para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra." Romanos 9:15, 17

Entregue suas escolhas Àquele que o escolheu.