quarta-feira, 17 de junho de 2020

FOME E SEDE


FOME E SEDE
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro – Rio de Janeiro – RJ

Comer e beber são necessidades primordiais para a manutenção da vida de qualquer ser humano. Não suprir essas necessidades de forma correta causa alguns dos piores impactos sobre o organismo: a fome e a sede.

Em razão da pobreza, do calor e da aridez intensa, na região em que vivia Jesus fome e sede estavam presentes no cotidiano das pessoas. A fome e a sede não são desejos superficiais. Há uma ânsia contínua do seu corpo por nutrientes e hidratação para continuar a viver. Em estágios avançados, essa escassez causa dor, uma tremenda agonia e diversas complicações que levam à morte.

Em alguns textos bíblicos encontramos demonstrações dessa experiência de sentir fome e sede:

“Jesus respondeu:
— Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome,
e quem crê em mim nunca mais terá sede.” João 6:35

“Assim como o corço deseja as águas do ribeirão,
assim também eu quero estar na tua presença, ó Deus!
Eu tenho sede de ti, o Deus vivo!” Salmos 42: 1 e 2

“É por isso que essas pessoas estão de pé diante do trono de Deus
e o servem de dia e de noite no seu templo.
E aquele que está sentado no trono as protegerá com a sua presença.
Elas nunca mais terão fome nem sede.
Nem o sol nem qualquer outro calor forte as castigará.” Apocalipse 7: 15 e 16

No contexto de Mateus 5:6 as pessoas que têm fome e sede são aquelas que anseiam, desejam a justiça plena do Reino de Deus, pois: “Justiça e juízo são a base do Teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto.” Salmos 89:14

Mas não é uma justiça qualquer. Não é a justiça que temos por senso comum. É uma justiça baseada no amor de Deus em nos justificar e em perdoar nossos pecados.

          Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5:1

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”... Esses são sedentos e famintos de uma justiça repleta de graça, misericordiosa, benigna, paciente. Um desejo profundo para que a vontade de Deus se cumpra e que Seu Reino venha à Terra. Um desejo para que a justiça de Deus levante o caído, dê liberdade ao cativo, soberania ao oprimido, dignidade a pobres e marginalizados.

Seremos saciados não por merecimento, mas por uma justiça baseada num amor imenso.

Próxima bem-aventurança: Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Mateus 5:7

Um forte abraço!

terça-feira, 16 de junho de 2020

O ÚLTIMO ESCOLHIDO NO TIME


O ÚLTIMO ESCOLHIDO NO TIME
Airton Sousa – Direto da Quarentena

Quando eu era mais jovem, gostava de jogar bola com os jovens da igreja que eu frequentava, em Campo Grande, no Rio. A gente jogava em um campo cedido pelo Batalhão da Polícia Militar, ao lado do cemitério.

Geralmente, quem montava os times eram os dois melhores jogadores da turma e eu via a cara deles quando eu estava entre os que seriam escalados pra jogar. Eu sempre era o último a ser escolhido; às vezes nem era escolhido.

O jogo começava e me mandavam jogar na zaga; daí, eu fazia besteira e me mandavam pro gol; aí, eu tomava uns frangos e me mandavam pro banco.

Eu me lembro até hoje de uma única vez em que eu estava jogando lá na frente e a bola chegou linda nos meus pés; só tinha o goleiro na frente, era chutar e correr para o abraço. Quando o goleiro, o Jeferson, me viu sozinho com a bola, ele disse uma frase que nunca esqueci: “Eu me recuso a levar gol do Zé!”. E simplesmente abandonou o gol. E mesmo assim, eu ainda chutei para fora. Traumatizei, desisti do futebol, mudei pra São Paulo e comecei a torcer para o Palmeiras.

Aquela época, vou lhe dizer, o futebol jogado naquele campinho... é uma das coisas de que mais tenho saudades!

Mas eu levei pela vida a tristeza de não saber jogar futebol. Eu queria ser um craque, mas não rolou um clima entre ela, a bola, e eu.


A grande questão é: será que Deus se importa com o fato de eu ser o último escolhido no time?

Se você acha que Deus não se preocupa, saiba que Ele sabe onde você mora, sabe o nome da rua e o número da sua casa. Seu CPF, carta de motorista. Seu sobrenome. Ele não dorme, Ele guarda a sua entrada e a sua saída. Ele sabe quem deixou você, quem o traiu, quem o molestou, quem o feriu. Ele sabe quem você é.

Se o fato de você ser o último a ser escolhido no time o deixa triste, Deus se importa sim. Com certeza.

Deus se importa com tudo que deixa você triste, ou pra baixo. Ele se importa com cada detalhe da sua vida e no time dEle você nem precisa se contentar com o banco de reservas. Você é sempre escolhido de cara.

Em todos os tempos e lugares, em todas as dores e aflições, quando a perspectiva se afigura sombria e o futuro cheio de perplexidades, e nos sentimos desamparados e sós, o Consolador será enviado em resposta à oração da fé. As circunstâncias podem separar-nos de todos os amigos terrestres; nenhuma, porém, nem mesmo a distância, nos pode separar do celeste Consolador. Onde quer que estejamos aonde quer que vamos, Ele se encontra sempre à nossa direita, para apoiar, suster, erguer e animar." (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pp. 669 e 670).

quarta-feira, 10 de junho de 2020

MANSIDÃO NÃO É FRAQUEZA

MANSIDÃO NÃO É FRAQUEZA
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro – Rio de Janeiro - RJ

“Jesus diz que as pessoas felizes são mansas. O termo grego praus, aqui traduzido como ‘manso’, significa ‘gentil’, ‘cortês’. Ser ‘manso’ não significa ser fraco; também não significa indiferença ou apatia diante dos problemas de nossa sociedade, ou aceitar com passividade os erros dos outros a nosso respeito.

Essa bem-aventurança do v.5 é uma continuação das outras duas bem-aventuranças dos v.3 e 4. As pessoas que se humilham na presença de Deus (v.3) e aquelas que choram sua própria miséria espiritual (v.4), certamente serão pessoas mansas e humildes (v.5). É importante observar que, se as duas bem-aventuranças anteriores enfocam nossa relação com Deus (v.3,4), essa bem-aventurança enfoca nossa relação com o próximo. Ou seja, os ‘mansos’ são aqueles que se humilham na presença de Deus e choram por seus pecados, e manifestam um espírito gentil e cordial aos outros. Lloyd-Jones resume a mansidão da seguinte maneira: ‘A mansidão é, em essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros…’”. Pr Luciano R. Peterlevitz

 
Ser manso é ter equilíbrio para alcançar a ousadia necessária para lidar com as situações sem perder o respeito e a compaixão pelas pessoas. É ter equilíbrio mesmo em face da opressão, dolo e desespero. É ir contra o sentimento natural do ser humano. Como já dissemos em textos anteriores, essa é uma virtude do próprio Cristo: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11:29); a mansidão também faz parte dos frutos do Espírito: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gálatas 5:22).

Certa vez, alguns escribas e fariseus trouxeram para Jesus uma mulher que havia sido pega em adultério. Lançaram sobre Ele uma pergunta: “Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (João 8:4,5).

Conhecedor das intenções daquelas pessoas, pois nenhum julgamento tão sério (com pena de morte) era feito daquela forma, Jesus poderia dar duas possíveis respostas. “Não, não podem apedrejá-la” ou “sim, podem apedrejá-la”. Jesus estava com um grande problema, pois se dissesse que não eles alegariam que Ele estava indo contra a lei de Moisés; se dissesse que sim eles alegariam que Jesus estava contra a lei de Roma, já que nenhum judeu podia executar pena de morte sem autorização.

O equilíbrio e a sabedoria de Jesus são tão impressionantes que nos fazem refletir o quanto ser manso também em situações estressantes e decisivas é fundamental.

Sem dizer uma palavra Ele começa a escrever na areia...
“Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, Jesus endireitou o corpo e disse a eles:
— Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!
Depois abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão.
Quando ouviram isso, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, de pé. Então Jesus endireitou o corpo e disse:
— Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você?” João 8:7-10

Em Mateus 5:5 está escrito que os mansos herdarão, e não “conquistarão”, a terra... Não é preciso usar de força nem violência para combater as adversidades. Humildade e mansidão são características de Jesus e enquanto esteve por aqui era isso que suas atitudes demonstravam. Não é à toa que é considerado um dos grandes Mestres da História.

Próxima bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos. Mateus 5:6
           
Um forte abraço!

terça-feira, 9 de junho de 2020

IDENTIDADE


IDENTIDADE
Airton Sousa -  Direto da quarentena

Dos meus tempos de morador de São Paulo, eu lembro que a primeira reação que as pessoas tinham quando reparavam no meu sotaque era me chamar de “carioca”, mesmo eu não tendo nascido no Rio de Janeiro - mas elas não sabiam disso. Eu sempre fiz questão de me mostrar “um carioca legítimo fora da sua cidade”. Assim, meu sotaque era mais chiado que o de costume, meus “s” tinham mais som de “x” do que mesmo a maioria dos próprios cariocas que moravam lá também. Eu fazia questão de ser carioca, de falar do “Mengo” e ressaltar as belezas da cidade. A paulistada correspondia e me chamava de “carioca”.

Até o dia em que fui morar em Campo Grande, ali pelos lados de Santo Amaro, na zona sul, e conheci o Paulinho, hoje meu grande amigo. Quando fui apresentado como “carioca”, ele me olhou de cima a baixo e disse:

- Você é carioca, com essa cara de “Joãozinho Trinta”? Nunca!

Tremi. Meu segredo estava para ser descoberto... Naqueles anos todos de Sampa nunca ninguém havia contestado a legitimidade da minha carioquice. Esse era um segredo que eu guardava a sete chaves. Meus documentos todos nunca ficavam visíveis. Eu fazia muita questão de ser carioca e de ser reconhecido como tal.

- Ah, eu sou carioca, sim; sou filho de nordestinos, mas nasci no Rio. Sou carioca da gema.

Que grande bobagem!

O segredo foi descoberto, numa bela manhã de domingo. Enquanto eu estava no banho, um amigo entrou lá em casa. E enquanto me aguardava, na sala... Eu havia esquecido os meus documentos na mesinha e quando saí do banheiro o amigo estava com minha carteira de identidade nas mãos e me disse:

- Quer dizer que você nasceu em Caxias, no estado do Maranhão... e esse tempo todo “pagando” de carioca... Você é uma fraude mesmo.

Foi o fim de uma era...


Graças a Deus eu entendi que a única identidade que vale é aquela para a qual Deus nos chamou.

E assim começamos uma nova temporada. Novos caminhos, nova vida, novos dias, nova identidade.

“Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas.” II Coríntios 5:17

E nunca esqueça, meu amigo, quem define você não é a sua velha identidade comida pelo tempo, não é o lugar de onde você veio nem para onde você vai. Quem o define não é o caráter torto, sua personalidade distorcida, seus traços mal riscados. Quem define você é a Graça de Deus. E isto basta.