terça-feira, 24 de março de 2015

PAPO DE BOLA


PAPO DE BOLA
(Por Airton Sousa)

O futebol é um dos meus temas e assuntos favoritos, e uma das coisas que mais gosto no futebol é quando há cobrança de pênaltis. O momento que mais me impressiona é aquele instante em que o batedor e o goleiro se encaram até o juiz apitar. Se o goleiro já conhece o batedor, provavelmente sabe que o atacante chutará do lado esquerdo. Mas se o batedor sabe que o goleiro sabe, chutará do lado direito. Que drama filosófico, não é mesmo?

Já viu alguns goleiros e batedores orando ou rezando antes da cobrança do pênalti?

Às vezes acertam, às vezes erram. Mas o que acerta sai para a comemoração com as mãos apontadas para o alto, repetindo o grande gesto do goleiro Taffarel na Copa do Mundo de 1994. Não é mesmo emocionante?


Muitas vezes sofremos do medo da cobrança dos pênaltis. Quando vemos um problema grande pela frente, ficamos apreensivos na hora de escolher o canto para pular. É a hora em que você precisa orar e agir. Mas o que você precisa entender é que existe o momento de orar e o momento de agir; a confusão acontece porque muitos de nós oramos na hora de agir e agimos na hora de orar.

Colocando Deus em primeiro lugar na sua vida, você saberá a hora certa de agir e escolher o canto certo para pular e tentar defender; mas todas as vezes que você tentar adivinhar sozinho o canto certo, pensar demais e agir de menos, correrá o risco de falhar. “Todo atleta em tudo se domina: aqueles, para alcançar uma coroa corruptível: nós, porém, a incorruptível” (I Coríntios 9:25)

Na próxima vez em que você estiver envolvido numa cobrança de pênalti, lembre-se que ninguém está sozinho neste mundo. Você não está sozinho. Existe uma grande torcida. E torcedor quer gol ou uma grande defesa.

Se você é o goleiro, não tente adivinhar o canto em que o batedor vai chutar. Simplesmente entregue seu caminho ao Senhor, confie nEle e Ele tudo fará. E faça a defesa. Se você é o batedor e sabe que o goleiro sabe de que lado você vai chutar, simplesmente busque, em primeiro lugar, o Reino de Deus, e todas as demais coisas serão providenciadas (Lucas 12:31). E meta a bola bem no meio do gol.

segunda-feira, 23 de março de 2015

UMA NOVA CHANCE


UMA NOVA CHANCE
(Por Sérgio Mafra)

Estudar e falar de História foi algo que sempre me fascinou. Entender algumas ideias e observar como elas vão se modificando ao longo do tempo nos ajuda a compreender alguns aspectos essenciais da vida. É muito interessante perceber como em determinados momentos o homem consegue se transformar, se reinventar e assim dar novo rumo, negativo ou positivo, a sua existência.

Guerras, movimentos sociais, políticos, revoluções, quantos desses não são capazes de mudar o rumo de países, continentes e até mesmo do nosso pequeno planeta? Quem não se lembra do que significou a Revolução Industrial, o Renascimento ou mesmo a ascensão de Napoleão Bonaparte na França, com reflexos importantíssimos até mesmo na história do nosso país?

Nosso mundo está em constante transformação e nós também. Quando eu era criança achava que jamais teria dinheiro para comprar um computador de tão caro que era, isso sem falar na festa que fizemos eu e minha irmã ao ter nossa primeira televisão com controle remoto. Mudanças, crescimento, reinvenções, quanta coisa acontece em apenas uma vida! 

Sabe o que mais me deixa entusiasmado ao estudar todas essas mudanças ao longo do tempo e da minha própria vida? Entender que elas não seriam possíveis sem o cuidado, a proteção e o livre arbítrio dados por um Deus de amor. Errar e acertar, ir e voltar, recuar e avançar, quantas oportunidades maravilhosas!

Mais uma vez, ao começarmos esta semana, temos a oportunidade de escrever um novo capítulo em nossa história. Que tal acrescentarmos alguns elementos para torná-la ainda melhor ou mesmo para dar um novo sentido a ela? Amor, coragem, alegria, humor, aventura... quais deles ou tantos outros podemos colocar na ordem do dia de hoje? Um excelente recomeço para todos nós!

domingo, 22 de março de 2015

MEMÓRIA, LEMBRANÇAS E GRATIDÃO



MEMÓRIA, LEMBRANÇAS E GRATIDÃO
(Por Lucileide Santos)

Mas quando mais nada subsiste de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas, sozinhos, mais frágeis, porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, o odor e o sabor permanecem por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, e suportando sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício imenso da recordação.”¹

Nesta manhã esse trecho me veio à mente e fez todo o sentido, quando, ao comer cuscuz de milho, repentinamente uma lembrança me veio à tona. Recordações de um tempo longínquo da minha infância. A casa da minha vó sempre foi um dos meus lugares favoritos, meu refúgio. Pela manhã vovó costumava nos servir aquele cuscuz amarelinho, tão cheiroso e muito, muito gostoso!

Esse trecho do livro de Proust trata sobre a questão da memória e da reminiscência, ou seja, a capacidade de se reconstruir o passado através dos sentidos. “Em busca do tempo perdido: No caminho de Swann” tem muito significado para mim; além de fazer parte das primeiras leituras que fiz na faculdade, me despertou verdadeira paixão por teoria literária. 

A maneira como Marcel Proust constrói sua narrativa desperta uma incrível percepção sobre os sentidos e como estes trabalham com nossas memórias e lembranças. Muitas vezes de maneira lacunar e falha.   

Essa história toda de memória, recordações e sentidos me lembra de que, muitas vezes, nos deixamos levar por esses processos que nos traem e nos enganam. Por exemplo, minha memória gustativa me levou a lembrar do café da manhã na casa de minha vó, mas como ter certeza de que fazia as refeições na mesa da cozinha ou da sala? Ou de que a mesa era laranja ou verde? Muitas vezes, recriamos memórias em nossa mente ou simplesmente não gravamos algo.

Explico melhor! Nossa memória se divide em memória sensorial, memória de curto prazo e memória de longo prazo, certo? Dentro da memória de longo prazo temos: a memória semântica, a processual e a episódica. Complicou? Sem problemas! Vamos lá! A memória episódica é responsável pela nossa aptidão por recuperar experiências e é essa que nos interessa na conversa de hoje. 

Meu querido autor Proust trabalha com nossa memória episódica e essa memória é justamente a que armazena as experiências pessoais vividas no passado. Deus é sábio e a memória, a meu ver, é um grande presente! É ela, por exemplo, que me dá a possibilidade de ser grata, de adorar a Deus por todas as coisas boas que Ele fez na minha vida. A memória processual me auxilia na questão do ato de ser grato, pois ela é responsável pela lembrança da perpetração dos eventos, ou seja, ela me lembra de que se sou grata a Deus posso ajoelhar e agradecer por isso através da oração! A memória semântica, por sua vez, me ajuda a armazenar conceitos como gratidão, adoração e honra. Assim, posso, todas as vezes que socorrida por Deus saber dar graças, honrá-lo e adorá-lo por todo o cuidado.

Bem, montei todo esse universo de informações para que nos lembremos de que tudo em nós trabalha bem bonitinho! Temos memória e isso é legal, mas nossa memória é lacunar e falha, ou seja, Deus cuidou de você agora? Neste instante? Então não dê tempo para sua memória lhe trair!  Neste mesmo instante agradeça a Ele! Pois depois pode ser que a história não seja bem da maneira como aconteceu e nos sintamos tentados a ficar com todo o mérito! Exageros à parte...

Aproveite o dia para lembrar-se das coisas boas que Deus fez em sua vida e ser grato por isso. Um ótimo domingo.

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Referência:
¹-       Marcel Proust. Em busca do tempo perdido: No caminho de Swann. Volume 1. Pág 74.


sábado, 21 de março de 2015

APOTEOSE


APOTEOSE
(Por Jackson Valoni)

O carnaval possui o título de  “o maior espetáculo da Terra”. Essa festa popular dificilmente teria outro apelido, já que reúne mais de 5 milhões de pessoas e arrecada cerca de 2 bilhões de reais durante os dias de festividade, só no Rio de Janeiro. O desfile das escolas de samba, ponto auge do carnaval, sempre impressiona o público com criativas comissões de frente, gigantescos carros alegóricos, variadas fantasias temáticas e com o ritmo pulsante da bateria.

O Sambódromo fica lotado com milhares de pessoas empolgadas nas arquibancadas. Alguns grupos espalhados pela plateia soltam gritos de “É campeã!” durante a apresentação da escola pela qual sentem mais afinidade. É um momento áureo para aqueles que se enveredam nesse evento.

Todo o cortejo na Marquês de Sapucaí, porém, depende de uma escolha feita um ano antes do desfile: o Enredo. Este quesito importantíssimo é a base de tudo. O Enredo é o tema principal que a escola irá ilustrar e cantar na Avenida. Lembro que minha infância ficou marcada por um Enredo que contava a história do Sílvio Santos. De alguma maneira, sei o samba-enredo que a G.R.E.S. Tradição cantou em 2001 até hoje. Ah... passava direto nos comerciais do SBT. Decorei.

A partir do Enredo, os carnavalescos devem escrever um resumo que irá direcionar a fabricação das fantasias, alegorias e a composição do samba-enredo. Com base no tema principal, as alas vão dando forma ao que o Enredo pretende contar, com início, meio e fim. Os jurados avaliam se as diversas alas estão compactas, se há espaços vazios entre um bloco e outro, se todos os intérpretes do samba-enredo estão cantando na mesma sintonia das coreografias e se o desfile não fugiu do tema proposto pelo Enredo. Assim, quando chega o grande dia, no Sambódromo, todos os integrantes da apresentação (de 2.500 a 4.000 participantes) devem estar impecáveis durante os 82 minutos que se seguem.

Imagino como deve ser a expectativa de toda a equipe de uma agremiação quando o locutor começa a fazer a apuração das notas dos jurados. Depois de um ano de trabalho, o sucesso dependerá, com grande peso, do repertório desenvolvido pelo Enredo, afinal, é nele que se dá o ponto de partida de todos os preparativos para a apresentação final.

Impossível deixar de mencionar o Enredo mais genial que eu conheço. Sabemos que nos livros, filmes, teatro, novela e cinema, se o roteiro não for bem feito, não ganha o respeito do público. Na Bíblia, todo o desenvolvimento do tema principal ganha vida a partir de Gênesis 3:15. Quando Deus anuncia, ainda no Jardim do Éden, que a descendência da mulher iria ferir a cabeça da serpente e que a descendência da serpente iria, em contrapartida, ferir o calcanhar da descendência da mulher, conseguimos enxergar o grande conflito entre Jesus e Satanás.

Esse grande Enredo de início (Apocalipse 12:7-9), meio (Hebreus 2:14) e fim (Apocalipse 20:10) perfeitos mostra que a vitória de Jesus, o descendente da mulher (Apocalipse 12: 1-5), é certa (I João 3:8). Em toda a Bíblia é possível enxergar a mão de Deus sobre Seu povo, protegendo-o contra o mal. Em toda a Bíblia, o inimigo é derrotado, embora consiga levar consigo pessoas que tiveram chance de voltar para Deus, e isso é uma triste prova a respeito da ferida que a serpente fez, e ainda faz, em Jesus. As marcas dessa ferida estão no corpo de Jesus (João 20:25). São marcas de uma morte brutal entre açoites, humilhação pública e o maior emblema da morte de Cristo, mãos e pés pregados em uma cruz.

“Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha vida eterna” João 3:16

O maior espetáculo da Terra está perto de acontecer e não será outro carnaval. A volta de Jesus é real. O carnaval é a “festa da irracionalidade”, conforme dizia uma propaganda da Globo News. Talvez algum tempo fora de si anestesie os problemas que as pessoas têm. Talvez as pessoas se permitam ficar embriagadas simplesmente porque é o momento de acontecer, de pisar na jaca, de soltar o freio, de se deixar levar...

Do princípio ao fim, o evangelho da salvação é o tema central da Bíblia. Tente conhecer o amor eterno ao invés das paixões passageiras. Tente buscar algo que preencha o tédio ou o vazio da sua vida ao invés de seguir uma multidão controlada por tendências. Sua vida vale ouro para Deus e o amor dEle por você dura para sempre. Há um grande conflito acontecendo, prestes a chegar ao auge, ao seu momento áureo. Aproveite a vida com sabedoria; alguns dias de carnaval, ou qualquer outra festa popular do gênero, não chegam aos pés do que está sendo preparado pra você e pra mim.
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Referências:




COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA Volume 1, páginas 217 e 218, 1º edição, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 2013