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quarta-feira, 10 de junho de 2020

MANSIDÃO NÃO É FRAQUEZA

MANSIDÃO NÃO É FRAQUEZA
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro – Rio de Janeiro - RJ

“Jesus diz que as pessoas felizes são mansas. O termo grego praus, aqui traduzido como ‘manso’, significa ‘gentil’, ‘cortês’. Ser ‘manso’ não significa ser fraco; também não significa indiferença ou apatia diante dos problemas de nossa sociedade, ou aceitar com passividade os erros dos outros a nosso respeito.

Essa bem-aventurança do v.5 é uma continuação das outras duas bem-aventuranças dos v.3 e 4. As pessoas que se humilham na presença de Deus (v.3) e aquelas que choram sua própria miséria espiritual (v.4), certamente serão pessoas mansas e humildes (v.5). É importante observar que, se as duas bem-aventuranças anteriores enfocam nossa relação com Deus (v.3,4), essa bem-aventurança enfoca nossa relação com o próximo. Ou seja, os ‘mansos’ são aqueles que se humilham na presença de Deus e choram por seus pecados, e manifestam um espírito gentil e cordial aos outros. Lloyd-Jones resume a mansidão da seguinte maneira: ‘A mansidão é, em essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros…’”. Pr Luciano R. Peterlevitz

 
Ser manso é ter equilíbrio para alcançar a ousadia necessária para lidar com as situações sem perder o respeito e a compaixão pelas pessoas. É ter equilíbrio mesmo em face da opressão, dolo e desespero. É ir contra o sentimento natural do ser humano. Como já dissemos em textos anteriores, essa é uma virtude do próprio Cristo: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11:29); a mansidão também faz parte dos frutos do Espírito: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gálatas 5:22).

Certa vez, alguns escribas e fariseus trouxeram para Jesus uma mulher que havia sido pega em adultério. Lançaram sobre Ele uma pergunta: “Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (João 8:4,5).

Conhecedor das intenções daquelas pessoas, pois nenhum julgamento tão sério (com pena de morte) era feito daquela forma, Jesus poderia dar duas possíveis respostas. “Não, não podem apedrejá-la” ou “sim, podem apedrejá-la”. Jesus estava com um grande problema, pois se dissesse que não eles alegariam que Ele estava indo contra a lei de Moisés; se dissesse que sim eles alegariam que Jesus estava contra a lei de Roma, já que nenhum judeu podia executar pena de morte sem autorização.

O equilíbrio e a sabedoria de Jesus são tão impressionantes que nos fazem refletir o quanto ser manso também em situações estressantes e decisivas é fundamental.

Sem dizer uma palavra Ele começa a escrever na areia...
“Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, Jesus endireitou o corpo e disse a eles:
— Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!
Depois abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão.
Quando ouviram isso, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, de pé. Então Jesus endireitou o corpo e disse:
— Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você?” João 8:7-10

Em Mateus 5:5 está escrito que os mansos herdarão, e não “conquistarão”, a terra... Não é preciso usar de força nem violência para combater as adversidades. Humildade e mansidão são características de Jesus e enquanto esteve por aqui era isso que suas atitudes demonstravam. Não é à toa que é considerado um dos grandes Mestres da História.

Próxima bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos. Mateus 5:6
           
Um forte abraço!

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A GRAMA DO VIZINHO



A GRAMA DO VIZINHO 
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro- - Rio de Janeiro - RJ

Em tempos de modismos virtuais ter equilíbrio é fundamental.

A curiosidade pela vida alheia e a fantasia da vida perfeita têm ocupado um tempo considerável no dia a dia de muita gente. Curtidas, compartilhamentos, seguidores, inscritos, indicam o quanto alguém é popular e influente. Uma corrida insana de uma realidade que só existe dentro da rede.

Toda essa exposição de imagem vem provocando em algumas pessoas um dos piores desejos e sentimentos humanos. A inveja.

E esse sentimento traz questionamentos incômodos, tristeza, angústia e, em alguns, é a ponta do “iceberg” para o desenvolvimento de depressão. Uma vontade de ser quem você não é ou não viver o que você vive. Tudo que faz sentido agora é o que é visto no Instagram, e a sua vida não passa de uma existência sem graça e inútil.

Você provavelmente não tenha chegado nesse extremo, mas é sempre bom refletir sobre o espaço que tudo isso tem tomado dentro de você.

Asafe é o autor do salmo 73 e ele descreve sua tentação em invejar os outros (no caso, os maus e perversos). É interessante notar que ele começa o salmo com uma conclusão (v. 1). Mas antes de chegar a essa conclusão ele confessa que quase perdeu a confiança em Deus por invejar os maus e os orgulhosos (v. 3).

“Os maus não sofrem; eles são fortes e cheios de saúde. Eles não sofrem como os outros sofrem, nem têm as aflições que os outros têm.” Salmo 73: 4 e 5

Enquanto contemplava as vidas fartas, tranquilas e abundosas dos outros ele perdia o foco no essencial...

Asafe questiona até seu próprio caráter, o porquê de andar em retidão, já que iria sofrer. Ele tenta compreender as injustiças da vida e isso só lhe causa angústia.

“Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas de pecado. Pois tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro, e todas as manhãs me castigas. Então eu me esforcei para entender essas coisas, mas isso era difícil demais para mim. Salmo 73: 14, 14 e 16

Até que no verso 17 Asafe entra no Templo e começa e se reconectar com Deus e a entender que conhecê-lO vai muito além de entender de dogmas ou História. Começa a entender que conhecer a Deus vai levá-lo a uma compreensão do que é o supérfluo e do que é o necessário.

Quando entra no Templo ele deixa de olhar para os outros e passa a olhar para o Autor de todas as coisas. Deus não mede nossa vida pelo que temos, deixamos de ter ou pelo que fomos. O que vai definir nossa história é o tipo de pessoa que vamos nos tornar (por meio da permissão que damos a Deus para transformá-la).
 
Asafe assume suas fraquezas e num ato de humildade escreve estas palavras:

“Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento. No entanto, estou sempre contigo, e tu me seguras pela mão. Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras. No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra? Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso.” Salmo 73: 22 a 26


Não tente compreender tudo no mundo. A grama do vizinho, a vida social do colega de trabalho, a prosperidade de alguns ou o infortúnio de outros. Preocupe-se em ser alguém que Deus ficará orgulhoso em honrar.

“Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do Senhor Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito. Salmo 73:28”

E termino com o a conclusão de Asafe. Verso 1:

“Na verdade, Deus é bom para o povo de Israel, ele é bom para aqueles que têm um coração puro.”

Um forte abraço!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

DESLOCANDO O EQUILÍBRIO!


DESLOCANDO O EQUILÍBRIO!
Por Eduardo Santos

“2016, ano que promete!” Foi o que pensei no final de 2015. Mas, antes disso, o tempo é marcado por dores de cabeça, ansiedade, preocupações, úlceras no estômago, “brainstorming”, vista cansada, desespero e outras coisas, ou seja, monografia! É uma fase crítica, comum a todos os formandos, mas a gente sempre pensa que vai ser diferente no caso da gente. Só que, geralmente, não é!

Confesso que existe um lado positivo em tudo isso. Talvez o mais interessante pra mim seja perceber que meu aprendizado tem transcendido os limites da vida acadêmica.



Explicando de forma bem resumida e simplificada, pra não fazer ninguém dormir, o trabalho é uma proposta alternativa de tratamento de resíduos (coisa de química verde) e, pra isso, é necessário montar um modelo de simulação do resíduo. 
Até então, nada de muito complicado, mas o ponto-chave é que esse modelo é uma solução supersaturada. 
Eis aí o vilão da história, quero dizer, a vilã.




O X da questão é que toda solução supersaturada é incrivelmente instável, assim como os seres humanos. Mas não quero adiantar as coisas! Voltemos para a solução que está mais pra complicação do que pra qualquer outra coisa.


Cada substância possui um limite de solubilidade em um dado solvente com temperatura e pressão fixadas. Por exemplo, o limite do sal de cozinha (NaCl) em água a 25°C e pressão atmosférica é 35g/L, se não me engano. Às soluções que alcançam o limite, damos o nome de saturadas, às que ultrapassam, supersaturadas.

Como disse, as supersaturadas são bem instáveis, beeem instáveis! - de modo que uma leve movimentação pode iniciar um processo de precipitação, deposição de sólido ao fundo do recipiente. Isso ocorre para que a condição de equilíbrio seja respeitada.


Talvez precise esclarecer um pouquinho mais o meu dilema: trabalhar além do equilíbrio implica vencer as leis naturais... Para esse caso, o equilíbrio representa o momento no qual a velocidade de dissolução é idêntica à velocidade de precipitação. Seria como dizer que há duas forças competindo entre si. De repente, isso é o mais interessante.

Digo “interessante” por causa da condição humana! Esse tema já foi abordado por muitas pessoas e costuma ser ilustrado por meio de diversas metáforas. Alguns chamam de “Yin yang”; outros, de “dois lobos que lutam entre si”; há, ainda, aquela que fala da “natureza carnal” e a “natureza espiritual”; e, a que mais ilustra a realidade, em minha opinião, é a que Paulo faz uso em Romanos 6, quando fala sobre “o velho homem”.

Não há uma menção explícita, mas, se fala em “velho homem”, existe um “novo”. E eles se encontram em constante combate dentro da mente de cada pessoa. Algo que é bem ilustrado pelos desenhos animados quando aparecem as influências da consciência no ombro das personagens.

Gosto dessa metáfora pois ela é a única que evoca a consciência humana sobre seus atos e não, simplesmente, impulsos naturais. Apesar de não discordar da existência de inclinações, digo que, por sermos seres pensantes, temos a capacidade de escolha. E cada escolha que fazemos nos coloca mais próximos do velho homem (nascido do pecado) ou do novo homem (nascido de Cristo).


Infelizmente, nesse caso, não há possibilidade de equilíbrio. Existe apenas a predominância do velho ou do novo, sendo que, naturalmente, permitimos que o velho homem tome conta.

Assim, voltamos ao meu problema na monografia: Como vencer as leis naturais? Ou, quimicamente falando, como deslocar o equilíbrio?

Como dizem por aí, "pra tudo tem um jeito!". E a Bíblia ensina de muitas formas, como, por exemplo:

·       "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus." (Hebreus 12:1 e 2);
 ·   "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Filipenses 3:13); e
·      "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20).

Remar contra a maré nunca é fácil - minhas horas dentro do laboratório que o digam -, mas não é impossível! Só é necessário saber como fazer, e pra isso tem conselho de sobra na Bíblia. Somos humanos e com muitas falhas, e as leis naturais parecem gostar de nos lembrar disso, mas, como Químico, eu lhe digo que podemos deslocar esse equilíbrio para onde quisermos.

Basta usarmos as formas corretas; ou melhor, o Auxílio correto!