terça-feira, 25 de abril de 2017

CRENÇAS


CRENÇAS
Airton Sousa - Direto de Florianópolis Paciência, Rio

A partir deste ano o Exame Nacional do Ensino Médio, Enem 2017, será realizado em dois domingos consecutivos: 5 e 12 de novembro. Até a última edição, a prova era aplicada em um final de semana, sábado e domingo.

Essa mudança vai beneficiar centenas de jovens que consideram que o sábado é um período especial, separado para descanso e adoração a Deus e que por considerarem que não era correto fazer a prova do ENEM no dia de sábado, eram confinados em uma sala de aula, sem aparelho celular; enquanto os demais estudantes faziam a prova, esses jovens aguardavam até o pôr do sol, para só então iniciar suas provas, o que terminava lá pela meia-noite, e ainda tinham que voltar no domingo para a segunda prova. Isso aconteceu desde que se iniciou o concurso do Enem. Era cansativo e desumano, e desse modo, simplesmente, eles não tinham as mesmas chances que tinham as pessoas que não acreditavam como eles.

Apesar da grande dificuldade que isso tudo causava, não faltava apoio dos outros jovens que tinham a mesma crença, e que não estavam participando do ENEM. Esses outros compareciam até o local da prova para dar aquela força e ficavam do lado de fora torcendo pelos “sabatistas”.


Quando o Ministério da Educação acenou com a possibilidade de mudanças informando que o ENEM poderia ser realizado em dois domingos já a partir deste ano, e disponibilizou um site para votação, eu resolvi participar da campanha. Eu pensei nos meus sobrinhos que já fizeram essa prova e que ficaram confinados, pensei nos meus outros sobrinhos que farão a prova futuramente, e nos jovens da minha igreja que estão crescendo e chegando à idade de prestar esse concurso... Que tal apoiar a campanha? – eu pensei. Escrevi um texto e postei no meu perfil do Facebook:

Não sei se conheço todos pessoalmente, mas sei que tenho 896 amigos no meu Facebook. E é para vocês que preciso contar esta história.

Quando vim morar no Rio, eu voltei a frequentar e hoje sou um membro atuante da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Entre as doutrinas e dogmas da igreja, o sábado é um dia especial, separado para adoração (lembra do empadão e do Feliz Sábado?).

(...)

O ministério da Educação está fazendo uma consulta à população para mudar o dia da prova do ENEM.

Coloco o link, logo abaixo, não vai demorar 3 minutos e não vai doer. Você pode clicar, preencher os dados e votar.

Se você é cristão e acha este lance de guardar o sábado, uma grande bobagem, não tem problema, mas é sua chance de viver a essência do evangelho, ou seja, fazer algo por alguém mesmo que você discorde desse alguém e ao fazer isto "estará participando do que há de mais divino no ser humano".

Se você não é cristão e não está entendendo nada, mas é meu amigão, faça isto em nome da nossa amizade. Esta pesquisa, vai até esta semana. Que Deus abençoe vocês e boa noite.

O primeiro comentário foi negativo; um dos meus grandes amigos escreveu: “Eu acho isto uma grande bobagem. Deus não é autoritário. As provas devem continuar no sábado.”.

O Everton, grande amigo virtual, votou e comentou: “Acabo de votar, amigão. Realmente o que os Adventistas têm que passar por causa da sua fé não é brincadeira...”.

Aí foi a vez do Avair, amigo e executivo de uma agência de Publicidade: “Nobre atitude, Airton... feito. Abraços!”.

Leandro Neres também mandou bem: “Segue mensagem do amigo de velha estrada Airton Sousa, o Amigão! Pela diversidade cultural e religiosa apoiemos essa causa!”.

Luciana Alcântara votou e deu a maior força. Avisou que o site não estava funcionando e quando funcionou avisou que já estava Ok, e quando saiu o resultado da pesquisa, ela foi a primeira a me avisar: “Amigão, deu certo!”. E me mandou o link onde o ministério da Educação informava que a mudança para dois domingos seria feita.

Sabe o que esses nomes citados acima, têm em comum além de serem meus amigos queridos? Nenhum deles comunga da mesma religião que eu. Cada um deles tem uma religião diferente, e muitos dos meus amigos do Facebook que curtiram e participaram da campanha são ateus e outros são à toas (não consegui evitar o trocadilho, foi mais forte do que eu). Eles sequer sabiam que eu era guardador do sábado, pelo menos eu não tinha mencionado isso até o dia em que escrevi o post, e mesmo assim apoiaram a causa e votaram e pediram aos amigos para votarem também.

Bem, no final, foram feitas as mudanças. Os jovens da minha igreja, meus sobrinhos e todos os sabatistas em geral, terão agora as mesmas chances que todos os demais candidatos.

E aí, amigão, qual é a desse texto? Era só para falar de algo que a gente já está careca de saber?

Então...

Eu lembrei que nunca havia falado para os meus quase mil amigos e seguidores do Facebook, Instagram e Orkut das minhas crenças. Durante muito tempo eles acompanharam minhas festas regadas a cerveja e cigarro, sabiam da minha paixão pelo Palmeiras, da minha coleção de canecas etc., mas poucos sabiam das mudanças que ocorreram na minha vida e de tudo que passei a acreditar desde que vim morar no Rio de Janeiro.

Foi com certo orgulho que eu postei aquilo; postei para 900 amigos que eu havia me tornado um Adventista. Era a primeira vez que dizia isto diretamente. Os mais distraídos não entenderam nada. Como assim, Amigão?

Hoje eu acredito firmemente que nós somos tudo aquilo que vivemos, conhecemos e experimentamos e escolhemos. Então, eu decidi fazer uma reflexão sobre as minhas crenças e a dimensão de tudo isto. Eu contei as doutrinas da igreja Adventista; são 28 crenças. E eu pensei que eu preciso contar isso aos meus amigos.


Estou começando uma série de textos intitulada “Crenças”, mas que você pode chamar de “Crenças do Amigão”. Não irei publicá-las de uma vez; será aos poucos e sempre que eu estiver inspirado.

Vem comigo?
Eu espero você no meu próximo texto.

Que Deus o abençoe e que lhe dê uma terça-feira sensacional!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

DESPRESTIGIADOS, PORÉM SALVOS.

 



DESPRESTIGIADOS, PORÉM SALVOS.
Maria Paula – Niterói/RJ

Eu gosto do que é leve. Eu não sei vocês, mas eu gosto. Gosto muito. E se tem uma coisa que eu acho leve é uma boa história. Eu me amarro em histórias. Gosto de contá-las e de ouvi-las (e depois reinventá-las... Quem nunca?). Mas as histórias, para serem histórias, precisam de algumas características presentes. Primeiro, precisam ter sequencialidade. Em segundo, precisam de uma excepcionalidade. Ninguém narra um evento comum. Depois, ela tem um desfecho e, em algum momento, algum tipo de avaliação ("foi bizarro", "inacreditável", por aí em diante).


Estou falando isso porque, hoje, vou contar uma história. Mas antes de contá-la, quero fazer só mais uma observação sobre histórias. É que eu acho interessante como a história pode ser uma metonímia da vida. A nossa vida tem uma sequencialidade e a gente passa o tempo todo em busca do excepcional, para que nossa história possa ter um desfecho com alguma avaliação positiva. Nesse sentido, não seria surpreendente saber que o Autor da Vida, quando pisou aqui, se apresentou como um grande contador de histórias.

Vamos à história. Está em Lucas 14:8-11.

“(...) Quando alguém o convidar para um banquete de casamento, não ocupe o lugar de honra, pois pode ser que tenha sido convidado alguém de maior honra do que você. Se for assim, aquele que convidou os dois virá e dirá: ‘Dê o lugar a este’. Então, humilhado, você precisará ocupar o lugar menos importante. 0Mas quando você for convidado, ocupe o lugar menos importante, de forma que, quando vier aquele que o convidou, diga: ‘Amigo, passe para um lugar mais importante’. Então você será honrado na presença de todos os convidados. Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado”.

Essa história me faz lembrar algumas histórias - como toda boa história, naturalmente, faz com a gente. Mas vou escolher só uma pra contar. Eu me lembro do aniversário de uma menina. Minha amiga. Muito amiga. Até já falei dela aqui. Ela estava fazendo nove anos, e eu também era criança nessa época. Naquele dia, ou melhor, naquela noite de aniversário, ela decidiu sair pela rua, sem que os pais vissem, procurando os moradores de rua para convidá-los para sua festa. Em sua mente, a ideia parecia genial: tem comida e eles têm fome. Seus pais estavam muito ocupados com os preparativos da festa e, quando olharam pela janela, só viram pessoas entrando pelo portão, mas não eram os convidados que estavam esperando. A menina, então, teve que explicar que os havia convidado. Os pais não acharam tão bom assim, mas, de alguma maneira, negociaram com ela. Acho que dariam comida e, em seguida, eles teriam que ir embora.

O desfecho dessa história foi assim: comida e fim. Mas, bem, em algum ponto essa narrativa e a bíblica se entrelaçam e me fazem lembrar o Reino. Somos nós, os pobres, os moradores de rua, os sem prestígio algum diante da grandiosidade de Deus. Somos nós os que, olhando pra nós mesmos, devemos saber que o lugar que nos cabe é o último. Se entendermos isso, então Jesus, com sua graça, chegará até nós e nos chamará para sentar em um lugar melhor, em lugar de salvação, misericórdia e amor. E esse lugar transformador mudará o nosso ego, fazendo com que, agora, ele saia e leve o Reino a outros desprestigiados, que não podem nos retribuir, como nós não podemos retribuir o que Cristo fez por nós. O Reino chegará a eles, talvez, em forma de comida, de abrigo, de abraço ou de palavra, porque, por serem humanos (como nós somos), são desprestigiados, carentes da graça de Deus, assim como toda a humanidade. 

Mas a boa notícia é que a graça dEle nos alcança para que sejamos o Reino, desde agora e para sempre. 



domingo, 23 de abril de 2017

OFERTA


OFERTA
Pamela Henriques Moreira – Angra dos Reis/RJ

Quem é que não adora uma promoção? Você é do tipo que pesquisa bastante antes de comprar algo?

Minha caixa de e-mail está sempre lotada de propagandas: “Ainda dá tempo de aproveitar nossas promoções!”, “Corra e aproveite!”, “Últimas chances!”, dentre muitas outras. Mesmo no meio dessas “superofertas”, vejo que algumas promoções não são tão vantajosas assim. Não sei você, mas costumo comparar bastante os preços na internet; um amigo meu já falou que eu fico “encaroçando os sites”, fico enrolando para comprar. Rs

Vemos muitas ofertas por aí, de coisas que realmente precisamos e outras que nem tanto, mas que são tão agradáveis aos nossos olhos que acabamos sucumbindo - sem falar naquelas coisas que levamos para casa e ficam guardadas por anos sem nenhum uso.


Fico pensando que tudo na vida tem um preço. Mesmo quando se fala “de graça até injeção na testa”, há um preço que se paga - a dor.

Procuramos por tantas coisas na vida que esquecemos daquilo que está à nossa disposição, sem custo para nós. O que mais desejo em minha vida é paz e sei que dinheiro nenhum paga isso, por mais que de certa forma me dê conforto. Sei também que dificilmente terei paz integral nesta vida, porque se estou sem problema, me incomodo com o de um amigo ou de algum familiar que passa pelas dificuldades que essa vida apresenta.

Homem algum pode redimir seu irmão ou pagar a Deus o preço de sua vida,
pois o resgate de uma vida não tem preço. Não há pagamento que o livre
para que viva para sempre e não sofra decomposição
.”  Salmos 49:7-9

A paz que eu quero é oferecida de graça a mim - uma vida eterna de felicidade, sem dor e sem sofrimento - mas custou muito caro. Como? Jesus pagou um alto preço ao morrer na cruz, sofreu por todos os pecados do mundo e o fez porque nos ama muito. É o ÚNICO que nos oferece uma vida plena. Nada e nem ninguém é capaz disso.

Quer oferta melhor? Viva a verdade que lhe é oferecida! Deus tem um lar preparado para você e o preço já foi pago.



Conheça mais sobre Jesus!

sábado, 22 de abril de 2017

QUINTA-FEIRA


QUINTA-FEIRA 
Jackson Valoni – Angra dos Reis/RJ 

Imagine a cena. Apenas 13 pessoas estão se organizando para participar de um evento. Apenas uma delas sabe o que realmente irá acontecer. O evento já tem data marcada, a quinta-feira antes da Páscoa, e local preparado. A única coisa que os outros 12 homens sabem é que haverá uma confraternização em comemoração à Páscoa. Uma ceia! 

Os 12 comparecem ao local e reparam que existem algumas bacias vazias cuidadosamente arrumadas e um jarro cheio de água.

O idealizador do evento aparece. Seu semblante é indisfarçável; há angústia em seu olhar. Ele sabe que aquela é a última vez em que estaria se encontrando com seus amigos antes de sua morte; sabe também que pouco tempo de vida lhe resta; sabe, ainda, que sua morte foi organizada por um daqueles 12.


Jesus organizou esse evento. O traidor, Judas.

Antes que a ceia tivesse início, antes que o próprio Jesus declarasse mais palavras de bondade e sabedoria, como habitualmente fazia, foi iniciada uma discussão entre os discípulos para saberem quem seria o mais e o menos importante dentre eles.

Algum tempo antes, a mãe dos discípulos Tiago e João havia feito um pedido que revelava exaltação própria e egoísmo: "Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino." Mateus 20:21

Agora, na última ceia de Jesus com os 12, a discussão que envolvia destaque pessoal retornava aos ouvidos de Cristo. Os discípulos viveram com Jesus por três anos, mas isso não foi tempo suficiente para compreender que em Seu reino “não tem lugar o princípio de preferência ou supremacia".

Após essa breve discussão, Jesus se curva diante dos pés empoeirados de Seus discípulos e começa a lavá-los. Ele lavou os pés de Seu traidor.

A última ceia de Páscoa de Jesus com seus discípulos foi precedida por uma cena assustadora! O ser humano possui o coração disposto a se orgulhar de seus próprios feitos, mas Jesus, em cena de profunda humilhação, já que aquela tarefa de lavar os pés era conferida a servos específicos para esse fim, foi executada por quem merece todo tipo de adoração.

O nosso Deus não se importa se entregamos nossa vida poluída a Ele. Sabemos que seremos purificados em Sua presença. Seremos felizes se agirmos assim.


"Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então lhes perguntou: "Vocês entendem o que lhes fiz? Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.

Digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem."
João 13:12-17

sexta-feira, 21 de abril de 2017

HARMONIA



HARMONIA
Denize Vicente – Cidade Maravilhosa/RJ

Viver em harmonia não é fácil, porque geralmente exige que você seja flexível, menos intransigente, mais tolerante, que aceite perder, e que prefira dar mais valor à paz do que à necessidade de mostrar que está certo. Não é tão simples como pode parecer à primeira vista deixar de lado o desejo de receber elogios, enxergar que o outro tem qualidades incríveis que você não tem, que sabe mais que você, tem mais capacidade intelectual, ou mais inteligência emocional, por exemplo. Não é a coisa mais fácil do mundo encontrar tempo para cuidar dos interesses dos outros, envolvendo-se com seus problemas e suas necessidades e carências, quando você tem também seus interesses pessoais, suas carências e suas prioridades... mas esse era o modo de pensar que Jesus Cristo tinha.






“... Peço que me deem a grande satisfação de viverem em harmonia, tendo um mesmo amor e sendo unidos de alma e mente. Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos. Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha...” (Filipenses 2:2-5)

Desejo que neste final de semana você repense algumas coisas na sua vida. Seu comportamento, seu modo de falar com os outros, aquilo que você anda postando nas redes sociais...

Discussões embaladas pelo egoísmo, pela necessidade de mostrar o seu conhecimento, embates tolos pra deixar evidente que você é superior ao outro, que sua visão política das coisas é melhor, que suas convicções religiosas são melhores, fotos e selfies só pelo desejo de ganhar elogios...

Desejo pensar nisso e repensar essas coisas.

Desejo que todos tenhamos entre nós o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha.