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segunda-feira, 6 de junho de 2016

DESLOCANDO O EQUILÍBRIO!


DESLOCANDO O EQUILÍBRIO!
Por Eduardo Santos

“2016, ano que promete!” Foi o que pensei no final de 2015. Mas, antes disso, o tempo é marcado por dores de cabeça, ansiedade, preocupações, úlceras no estômago, “brainstorming”, vista cansada, desespero e outras coisas, ou seja, monografia! É uma fase crítica, comum a todos os formandos, mas a gente sempre pensa que vai ser diferente no caso da gente. Só que, geralmente, não é!

Confesso que existe um lado positivo em tudo isso. Talvez o mais interessante pra mim seja perceber que meu aprendizado tem transcendido os limites da vida acadêmica.



Explicando de forma bem resumida e simplificada, pra não fazer ninguém dormir, o trabalho é uma proposta alternativa de tratamento de resíduos (coisa de química verde) e, pra isso, é necessário montar um modelo de simulação do resíduo. 
Até então, nada de muito complicado, mas o ponto-chave é que esse modelo é uma solução supersaturada. 
Eis aí o vilão da história, quero dizer, a vilã.




O X da questão é que toda solução supersaturada é incrivelmente instável, assim como os seres humanos. Mas não quero adiantar as coisas! Voltemos para a solução que está mais pra complicação do que pra qualquer outra coisa.


Cada substância possui um limite de solubilidade em um dado solvente com temperatura e pressão fixadas. Por exemplo, o limite do sal de cozinha (NaCl) em água a 25°C e pressão atmosférica é 35g/L, se não me engano. Às soluções que alcançam o limite, damos o nome de saturadas, às que ultrapassam, supersaturadas.

Como disse, as supersaturadas são bem instáveis, beeem instáveis! - de modo que uma leve movimentação pode iniciar um processo de precipitação, deposição de sólido ao fundo do recipiente. Isso ocorre para que a condição de equilíbrio seja respeitada.


Talvez precise esclarecer um pouquinho mais o meu dilema: trabalhar além do equilíbrio implica vencer as leis naturais... Para esse caso, o equilíbrio representa o momento no qual a velocidade de dissolução é idêntica à velocidade de precipitação. Seria como dizer que há duas forças competindo entre si. De repente, isso é o mais interessante.

Digo “interessante” por causa da condição humana! Esse tema já foi abordado por muitas pessoas e costuma ser ilustrado por meio de diversas metáforas. Alguns chamam de “Yin yang”; outros, de “dois lobos que lutam entre si”; há, ainda, aquela que fala da “natureza carnal” e a “natureza espiritual”; e, a que mais ilustra a realidade, em minha opinião, é a que Paulo faz uso em Romanos 6, quando fala sobre “o velho homem”.

Não há uma menção explícita, mas, se fala em “velho homem”, existe um “novo”. E eles se encontram em constante combate dentro da mente de cada pessoa. Algo que é bem ilustrado pelos desenhos animados quando aparecem as influências da consciência no ombro das personagens.

Gosto dessa metáfora pois ela é a única que evoca a consciência humana sobre seus atos e não, simplesmente, impulsos naturais. Apesar de não discordar da existência de inclinações, digo que, por sermos seres pensantes, temos a capacidade de escolha. E cada escolha que fazemos nos coloca mais próximos do velho homem (nascido do pecado) ou do novo homem (nascido de Cristo).


Infelizmente, nesse caso, não há possibilidade de equilíbrio. Existe apenas a predominância do velho ou do novo, sendo que, naturalmente, permitimos que o velho homem tome conta.

Assim, voltamos ao meu problema na monografia: Como vencer as leis naturais? Ou, quimicamente falando, como deslocar o equilíbrio?

Como dizem por aí, "pra tudo tem um jeito!". E a Bíblia ensina de muitas formas, como, por exemplo:

·       "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus." (Hebreus 12:1 e 2);
 ·   "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Filipenses 3:13); e
·      "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20).

Remar contra a maré nunca é fácil - minhas horas dentro do laboratório que o digam -, mas não é impossível! Só é necessário saber como fazer, e pra isso tem conselho de sobra na Bíblia. Somos humanos e com muitas falhas, e as leis naturais parecem gostar de nos lembrar disso, mas, como Químico, eu lhe digo que podemos deslocar esse equilíbrio para onde quisermos.

Basta usarmos as formas corretas; ou melhor, o Auxílio correto!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

DEU TUDO ERRADO... E AGORA?!

DEU TUDO ERRADO... E AGORA?!
(Por Eduardo Santos)

Certa vez, estava ouvindo uma história bastante interessante de um pesquisador chamado Adams - o primeiro nome já não me recordo mais. Ele trabalhava com eletroquímica, um ramo da química analítica que utiliza as diferentes respostas dos diversos elementos químicos frente a um estímulo elétrico.

Ele foi contemporâneo da técnica polarográfica, uma ferramenta muito potente na quantificação de substâncias químicas. Essa técnica era capaz de determinar a presença de elementos, se não me engano, em concentrações de 1,00x10-7 mol/L - em outras palavras, se pensarmos, por exemplo, em espécies leves, é como se pudéssemos encontrar um palito de 1cm olhando um intervalo de 10Km. Mas ela tinha suas complicações: por ser uma técnica muito sensível, seu aplicador deveria ter muitos cuidados; era à base de mercúrio, um metal extremamente tóxico; seu equipamento deveria ser mantido hermeticamente fechado, pois o mercúrio não podia ter contato com o oxigênio... e por aí vai.

Creio que por esses motivos, e talvez outros, Adams tenha se empenhado em inventar um eletrodo mais simples, um eletrodo à base de grafite. Seu grande desejo era desenvolver um eletrodo que fosse tão eficiente quanto o de mercúrio, que fosse mais simples e que gotejasse assim como o de mercúrio. E foi, então, que ele se deparou com seu enorme problema: sua pasta de grafite não era fluida o suficiente para gotejar. Por essa razão, ele desistiu, pensando que tivesse jogado seu tempo fora. Mas, ironicamente, um aluno seu, de doutorado, resolveu discordar de sua conclusão, levou adiante seus estudos e, hoje, o eletrodo de grafite é um dos mais utilizados, por sua versatilidade.

Não sei ao certo o que passava na cabeça de Adams, mas creio que todos já passamos por momentos assim. Na verdade, me lembrei agora de um relato de uma enorme frustração: a esperança dos judeus em relação à vinda do Messias como o grande libertador político. Essa decepção fica clara em Lucas 24 (a partir do versículo 13), na parte em que fala sobre os dois discípulos no caminho para Emaús. O ideal é que se leia até pelo menos o versículo 31, assim conseguimos ver a maravilhosa explicação da missão do messias dada por Ele mesmo.

Sabe, existem momentos nos quais não enxergamos os propósitos divinos por tentarmos encará-los com nossos olhos egoístas. Tentamos encaixar nossos desejos e nada parece fazer sentido, pois “(...) o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (I Coríntios 2:14).

Se hoje não entendemos certas coisas, peçamos a Deus que nos explique ou que simplesmente nos mantenha tranquilos para continuar agindo de acordo com a vontade dEle, que, no final, tudo vai terminar bem.


Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais ele fará.” (Salmos 37:5)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

AS APARÊNCIAS ENGANAM

AS APARÊNCIAS ENGANAM
(Por Eduardo Santos)

Século XV, uma nova época. Momento de novas descobertas, novos horizontes, novas empreitadas. Foi assim que navios portugueses chegaram até a costa do Novo Mundo, mais especificamente, no que hoje conhecemos como Brasil. Suas ambições? Eram várias! Dentre elas: ampliar seus domínios, desenvolvimento de novas colônias etc., mas, principalmente, encontrar especiarias e artigos de valor, como metais e pedras preciosas.

Essa busca desenfreada por metais preciosos fica clara no primeiro documento enviado de volta à metrópole, por Pero Vaz de Caminha, quando ele menciona a expectativa de encontrar o “fulvo metal”, ao falar do ouro. Momentaneamente, os colonizadores têm suas expectativas satisfeitas ao identificar gestos dos índios indicando a existência de ouro na terra.

Para preocupação da coroa portuguesa, materiais didáticos relatam que, até o ano de 1693, não se achava no território brasileiro outra coisa que não fosse pirita, também conhecida como ouro dos tolos. A pirita é um mineral bastante interessante, pois, apesar de estar longe de ser um metal ─ muito mais longe de ser nobre ─, apresenta coloração e brilho muito semelhantes aos do ouro. De repente, não deve ter sido uma descoberta muito agradável para os garimpeiros que ora se achavam ricos e, logo em seguida, descobriam que haviam encontrado um minério de ferro (FeS2). Por fim, até que conseguiram encontrar jazidas de ouro no Brasil.

Esse enorme desejo por riqueza acompanha a humanidade em todas as eras já vividas. Mas li um conselho, certa vez, que vale compartilhar! Ele diz assim: “Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! e quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata!” (Provérbios 16:16). Não poderia deixar de pensar sobre esse conselho, uma vez que saiu da boca do homem mais sábio que passou por este planeta. Eu me dei conta de que é mais contemporâneo do que inicialmente parece... Então, me debrucei sobre um dicionário para encontrar uma definição da palavra “sabedoria” e encontrei, logo de cara, esta: “grande fundo de conhecimentos”.

Hoje, vivemos num mundo onde temos o conhecimento na palma da mão, ao toque de um dedo. Somos capazes de descobrir qualquer coisa numa velocidade e disponibilidade nunca antes experimentadas pelo gênero humano. Se usarmos uma lógica clara e direta, esta deve ser a era na qual as pessoas são mais sábias... mas será isso real?

Observando as circunstâncias ao redor, eu não poderia responder a pergunta acima afirmativamente. Então, só poderia chegar a uma conclusão: minha pesquisa não estava encerrada. Retornei aos escritos de Salomão e me deparei com esta sentença: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (...)” (Provérbios 9:10). Complementei esse conceito com uma nova definição, do dicionário, da palavra em questão. O sexto significado de sabedoria, no material de consulta, é “razão”, ou, com ajuda de um sinônimo, “discernimento”.

Discernimento é a capacidade de diferenciar entre o certo e o errado, entre o verdadeiro e falso. Mas como diferenciar se tudo é relativo? Você deve se lembrar de que, em nosso século, o que é verdade para mim, pode não ser para os outros. Essa, talvez, seja uma influência da Lei da Relatividade de Einstein aplicada de uma forma inapropriada. Então, como ter discernimento se ele nem mesmo seria necessário? Ser sábio é, realmente, só ter conhecimento? Essas perguntas nos conduzem a algum lugar?

Como já disse, se observarmos o mundo a nossa volta, concluiremos que sabedoria vai além de agregar conhecimentos. Quanto ao relativismo da verdade, convido você a lembrar do fatídico relato lá do começo do texto, sobre a frustração dos colonizadores com sua trágica descoberta. Sabedoria é, antes de tudo, discernimento para distinguir o certo do errado, mas vai mais a fundo: é tornar prática essa distinção através de suas atitudes, é usar o conhecimento para fazer escolhas acertadas. Esta é a tal “phronesis” da qual falava Aristóteles. Ser sábio mesmo é buscar sabedoria da Fonte!

Em meio a tanto conhecimento, “tantas pepitas de cor amarela brilhante”, tantas falsas verdades que nos são oferecidas, seja sábio. Busque sempre a sabedoria onde se pode encontrar, pois “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (...)” (Provérbios 9:10). E não se engane: nem tudo que reluz é ouro!

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Referências:

1-    A corrida do ouro em Minas Gerais. Disponível em: < http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/corrida-ouro-minas-gerais-433563.shtml>. Acessado em: 21/04/2015.
2-    Discernimento. Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/discernimento>. Acessado em: 21/04/2015.
3-    Razão. Disponível em: < http://www.sinonimos.com.br/razao/>. Acessado em: 21/04/15.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

CROMA O QUÊ?!




CROMA O QUÊ?!
(Por Eduardo Santos)

Já ouviu falar de cromatografia?

A cromatografia é uma técnica muito antiga de separação de substâncias químicas. Há relatos de sua utilização logo no primeiro século de nossa era, mas, cientificamente falando, começou a ser posta em prática só no início do século XX. Descoberta por um botânico russo chamado Mikhail Tswett, quando ele pesquisava um método de separação de pigmentos, recebeu, por esse motivo, um nome baseado em duas palavras gregas: chroma que significa “cor” e graphe que significa “escrita”. A separação não é pela cor, isso foi uma das coisas que o descobridor da cromatografia fez questão de explicar, mas elas, as cores, nos ajudam a ter uma ideia do número de substâncias separadas e, às vezes, a classificá-las.

Os anos passaram, não foram muitos, pouco mais do que cem anos, e essa técnica continua sendo usada. Foi aprimorada, é claro, criaram-se inúmeros tipos de cromatografias, mas a base continua a mesma. Só que, conforme o tempo passou, seus utilizadores esbarraram em um enorme problema, quase impossível de ser resolvido: nem todas as substâncias químicas têm cor que os seres humanos podem ver. Como saber se elas estão ali?

Diante dessa grande dificuldade, eles deram um jeito. Passaram a usar o que hoje chamamos de “reveladores”. Funcionam exatamente como os reveladores de fotos antigas - já viu como era o processo? Basta uma aplicação, às vezes com aquecimento, às vezes sem, que a cor logo aparece.

A semelhança desse tópico com a vida humana chega a ser curiosa. Somos capazes de ver certas características das pessoas que nos rodeiam, mas somos diferentes de Deus, que consegue ver, também, o interior (I Samuel 16:7). Existem detalhes da vida humana que possuem cores invisíveis aos olhos humanos e a esses se faz necessário adicionar o revelador, para sermos capazes de caracterizá-los.  Cristo fez isso uma vez, falando aos seus discípulos. Em João 13: 5, Ele diz o seguinte: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”. Isso mesmo, o amor ao próximo é o revelador do discipulado cristão!

Mas não se engane. O amor verdadeiro não vem de nós, vem de Deus, “(...) porque o amor é de Deus (...)” (I João 4:7). Não poderia brotar algo tão sublime dentro de seres imperfeitos. Na verdade, se somos capazes de amar, é porque temos tanto contato com “a fonte” que Seu amor preenche nosso ser e nos transborda, alcançando aqueles que estão a nossa volta. Afinal, “(...) nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.” (I João 4:16). O contrário, apesar de ser duro de ouvir, também é real: “Aquele que não ama não conhece a Deus (...)” (I João 4:8).

Hoje, convido você a se aprofundar nesse amor inesgotável, conhecê-lo e permitir-se ficar fascinado com sua grandeza, atentando no conselho do apóstolo conhecido como “discípulo amado”: “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (I João 4:7).


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Referência:
1.    2006 - Cem anos das palavras cromatografia e cromatograma. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422006000400045&script=sci_arttext>. Acessado em: 07/04/2015.