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terça-feira, 24 de setembro de 2019

SOLTANDO A CORDA

SOLTANDO A CORDA
Airton Sousa – Direto de Paciência – Rio de Janeiro

Acabei de ler a história de um alpinista famoso, que estava próximo a bater um recorde importante. Ele desejava subir no topo de uma montanha muito alta e se preparou por meses para aquela aventura. Então, quando achou que estava pronto começou a subir aquela montanha famosa. Ao final do dia decidiu que não faria intervalos, para que tudo fosse mais marcante ele continuaria subindo mesmo depois que já estava ficando tudo escuro. E continuou.

A noite era muito escura naquele ponto da montanha e não era possível enxergar um palmo à sua frente, pois o brilho da lua não conseguia ultrapassar a densidade das nuvens.

Ao seguir por um caminho muito estreito, a pouco menos de 20 metros do topo, ele pisou numa pedra falsa e caiu em uma velocidade muito grande. Naqueles segundos de queda livre, sua vida inteira passou como se fosse um filme em sua cabeça. Mas quando a morte já era certa, o homem sentiu um forte tranco e por um milagre, percebeu, a corda em que ele estava amarrado se prendeu a uma rocha e então ficou pendurado em meio àquela escuridão.

Naquele momento de solidão e medo, suspenso no ar, o homem não viu outra saída a não ser pedir socorro a Deus.
- Senhor, eu sei que o abandonei, mas eu preciso de sua ajuda.

Então uma voz vinda do céu, semelhante a um trovão, apenas diz:
- Corte a corda!

Depois de algum tempo de silÊncio total o alpinista ignorou a ordem de Deus e se agarrou ainda mais à corda.
Deus, triste com o que havia visto, perguntou ao homem:
- Por que você duvida de mim? Eu posso salvá-lo. Apenas corte a corda.

Ele não conseguiu.

Quando o dia amanheceu, uma equipe de resgate o encontrou morto, congelado com as duas mãos agarradas à corda. Ele estava a apenas um metro e meio do chão. Em seu gravador, onde relatava toda aventura, ele registrou o final da sua experiência:
-  Aquela voz insistiu para que eu soltasse a corda, mas eu não consegui.



Setembro foi o mês das coisas novas, dos nascimentos e renascimentos e foi também o mês da prevenção ao suicídio. O “setembro amarelo” é um projeto de conscientização e principalmente de alerta para todos nós.

O alerta é para que cada um de nós possamos escutar mais as pessoas. Permita-se ser o “ouvido” que alguém precisa nesse momento, nem que por míseros cinco minutos. Passe a escutar mais as pessoas e veja como você e o mundo ao seu redor vão mudar muito!

Às vezes a solução está diante dos olhos, mas a escuridão não nos deixa ver e nem ouvir.

Chegue mais perto e pense na distância que Deus percorre para chamar sua atenção, solte a corda que prende você e ouça a voz de Deus.

terça-feira, 23 de julho de 2019

UM JARDIM PARTICULAR – Parte I

UM JARDIM PARTICULAR – Parte I
Airton Sousa – Direto de Paciência – Rio de Janeiro

Eu me lembro de algumas tardes tristes, quando precisava ficar sozinho e me dirigia ao Parque Ibirapuera, em São Paulo. Foram muitas vezes e em uma delas eu estava caminhando distraidamente pela grama molhada. Devido ao mau tempo, o lago cheio de plantas se confundia com o resto da grama, e eu, sem perceber o caminho, escorreguei e cai dentro daquele lago, sujo, cheio de lodo. Saí dali rapidamente, todo molhado, sujo e fedido. Que dia triste foi aquele!

Eu me encostei a uma árvore e chorei... e perguntava por que Deus tinha me abandonado.

Eu me lembrei desse fato quando comecei a escrever o texto de hoje, que é baseado em Lucas 22, um relato dos últimos momentos da vida de Jesus Cristo, antes de Ele morrer.

Sabe, o momento crucial na vida de Jesus Cristo foi quando ele estava sozinho no Jardim do Getsêmani. Aquele foi um dia muito triste na vida dEle. A tristeza era tão grande que ele suava gotas de sangue...


A Bíblia diz que naquele momento todos os pecados do mundo foram depositados sobre Seus ombros e Seu corpo começou a ser moído por esses pecados.

Quando eu caí naquele lago, a primeira coisa que pensei foi: “Vou morrer...”. Esse deve ter sido também o sentimento de Jesus Cristo. Ele sentiu, pela primeira vez, que estava morrendo, e pediu para o Pai tirar aquele “cálice” dEle.

Então Jesus saiu do seu retiro e foi procurar os discípulos que haviam entrado com Ele naquele jardim... mas os encontrou dormindo. E mais uma vez veio aquela sensação de solidão. Nem mesmo os amigos mais chegados conseguiam passar uma simples noite acordados com Ele. Ele lutou aparentemente sozinho.

Mas Jesus Cristo não estava só, nem desamparado. Um anjo desceu naquele momento e O amparou e confortou, animando-O e dando-lhe forças.

“Jesus então se levanta do lugar de oração. Ergue a cabeça e caminha para fora do jardim, para encontrar a multidão. Ele mantém a cabeça elevada como rei que é, daquele momento em diante até a cruz. Enquanto eles o empurram e o arrastam por todo o caminho até o calvário, Ele tem uma força e uma conduta sobrenatural. Ele aceitou o amor e o poder de seu Pai unicamente pela fé. Embora se sinta sozinho na cruz e clame, porque o pai o havia abandonado. Ele não está sozinho. No próprio fim Ele diz: “Pai nas tuas mãos entrego o meu espirito.”.” (Como Jesus tratava as pessoas – Editora Casa página 182).

Esses foram os últimos momentos na vida de Jesus Cristo. Ele teve seu próprio jardim particular de sofrimentos e orações. E venceu.

Muitos de nós enfrentamos nossos “Getsêmani” particulares. E quando isso acontece passamos pelas mesmas fases que Jesus passou, solidão e abandono, e não sabemos como vencer. Ou achamos que nunca vamos vencer.

(Continua na próxima terça.)

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Fonte/Referência:

Getsêmani ou Getsémani (pt) (em grego: Γεθσημανή, transl. Gethsēmani; em hebraico: גת שמנים, transl. Gat Shmanim, do aramaico גת שמנא, Gat Shmānê, literalmente "prensa de azeite") é um jardim situado no sopé do Monte das Oliveiras, em Jerusalém (atual Israel), onde Jesus e seus discípulos oraram na noite anterior à crucificação de Jesus. De acordo com o Evangelho segundo Lucas, a angústia de Jesus no Getsêmani foi tão profunda que "seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.". -  Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gets%C3%AAmani - acessado em 23.07.2019. 


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

DA SOLIDÃO


DA SOLIDÃO
(Por Denize Vicente)

“... A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.1

Não tenho tempo.
Frequentemente, ao argumento de que nos falta tempo, deixamos de olhar para as necessidades dos outros; e se olhamos, pelo mesmo argumento deixamos de fazer alguma coisa por eles.

Curiosamente, executivos que saem do trabalho no final do expediente, mas passam no orfanato que fica no meio do caminho para casa pra deixar um presente de aniversário para uma criança, têm as mesmas 24 horas no seu dia que você e eu temos. Também o jovem que vai ao asilo ensinar artesanato para os velhinhos, e a criança que vai ao hospital cantar para os doentes, todos têm somente 24 horas por dia para dar conta de tudo o que têm para fazer. Não menos curioso é o fato de que essas pessoas não sofrem de solidão... têm sempre um sorriso pra sorrir e estão vivendo melhor do que poderiam, porque têm dado amor, amizade e socorro a quem precisa.

As palavras do Poetinha, parte do poema “Da Solidão”, não destoam daquelas de Isaías e de Tiago:

O jejum que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes.” (Isaías 58:7 - Bíblia - Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo.” (Tiago 1:27 – Bíblia - NTLH)

Há mais do que parece, nas palavras de Vinicius, Isaías e Tiago. Não são mera poesia. O fato, inconteste, é que não significam nada uma religião sem amor e rituais religiosos sem compaixão no coração; o homem que só se preocupa com seus próprios interesses está condenado à solidão amarga que lhe destrói a vida e o afasta da felicidade.

Deixe as desculpas de lado. Seja sensível.
Mas não basta sensibilidade. Não é suficiente se emocionar com a dor e as necessidades do outro. Arrume a sua agenda. Encontre tempo e reencontre o motivo.
Ame com ações.
Ame de verdade.

Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.” (I João 3:18 – Bíblia - Almeida Corrigida e Revisada Fiel)


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Referência:

1.    MORAES, Vinicius de. O Poeta não tem fim: Da Solidão. SP: Vergara & Riba Editoras, 2002, p.43