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sexta-feira, 5 de julho de 2019

SUA VIDA NÃO É UM ROMANCE


SUA VIDA NÃO É UM ROMANCE
Denize Vicente - Rio de Janeiro - RJ

Outro dia eu conversava com as meninas sobre “mentirinhas”. “Mentiras brancas”. A gente aprendeu a dar nomes mais charmosos a coisas que, se chamadas pelo seu próprio nome, ficariam muito pesadas, não é?

Pra não se entregar na preguiça e provocar um terremoto dentro de casa, por exemplo, a gente mente explicando pra mãe que “esqueceu” de lavar a louça. Para evitar ser tido como X-9, a gente diz que não viu aquilo que o Chefe perguntou pra gente se aconteceu. Pra não magoar, a gente não admite pro outro que o encanto acabou, que era paixão, não amor, e que por isso vai terminar o namoro. Pra não parecer descaso, a gente fala que tinha uma blitzen no caminho e que foi esse o motivo do atraso. Pra não ter as dificuldades de uma vida de verdade, a gente enfeita as palavras e vive a de mentirinha...

Mario Vargas Llosa tem um livro chamado “A verdade das mentiras”; nesse livro ele diz uma coisa muito interessante: “Os homens não estão contentes com o seu destino, e quase todos – ricos ou pobres, geniais ou medíocres, célebres ou obscuros – gostariam de ter uma vida diferente da que vivem. Para aplacar – trapaceiramente – esse apetite, surgiu a ficção. Ela é escrita e lida para que os seres humanos tenham as vidas que não se resignam a não ter.” (p.16, 2ª ed., Editora ARX)

Para além de revelar sua constatação de que o homem não está satisfeito com o rumo que dá a sua vida, desejando outra, diferente da que vive, o escritor nos diz que a ficção foi criada para que, por ela, o ser humano inconformado tenha a vida que queria ter...

Llosa defende os romances sustentando sua importância, porquanto revelam a materialização das obsessões humanas, “com acréscimos sutis ou grosseiros à vida”. Inevitável concluir que as mentiras criadas pela ficção e pelos romances, os “acréscimos sutis ou grosseiros” que materializam nossos desejos e sonhos, têm duração limitada. 490 páginas, cinco semanas, dois meses, três horas por dia... mas não a vida inteira. Duram enquanto dura a leitura. Por outro lado, alguns de nós vivemos a vida toda como se a nossa própria vida fosse uma obra de ficção.


A vida que você tem em suas mãos não é um romance. Não acredite que por acrescentar ou enfeitar situações e fingir motivos você terá, daí em diante, a vida transformada em “perfeita”.

Se é fato que os homens não estão contentes e que gostariam de ter uma vida diferente da que vivem, eu e você não precisamos nos resignar com soluções “trapaceiras” para aplacar esse desejo. A par dos romances e das ficções, há um recurso muito mais edificante e que também foi escrito “para que os seres humanos tenham as vidas que não se resignam a não ter”.

É um livro, também, mas cheio de histórias reais, de homens e mulheres como eu e você, que encararam desafios e situações semelhantes às que nós enfrentamos. Há histórias de quem venceu e histórias de quem se arruinou; de quem mentiu e se deu bem por um tempo, mas acordou a tempo de não se dar mal para sempre, e de outros, que firmaram parceria total com a mentira e pagaram um preço alto por isso. Um livro repleto de experiências e cheio de orientações, escrito pelo maior Autor de todos os tempos: Deus. Sua Palavra é a verdade. E nEle não há mentirinhas.
Deus não é homem para que minta,
nem filho de homem
para que se arrependa.
Acaso ele fala e deixa de agir?
Acaso promete e deixa de cumprir?
(Números 23:19)

Llosa acredita que “não se escrevem romances para contar a vida, senão para transformá-la, acrescentando-lhe algo.” (ib., p. 17). Diz ele que no coração de todos os livros de ficção “chameja um protesto”. E complementa: “Quem os fabula o fez porque não pôde vivê-los, e quem os lê – e neles acredita, durante a leitura – encontra, em suas fantasias, os rostos e as aventuras que necessitava para ampliar sua vida...” (pp. 21 e 22).

Hoje eu queria que você pensasse nisso. Sem relegar a importância desse gênero literário, quando se trata de preencher as insuficiências da vida você precisa sair de si mesmo, ser outro, e nunca menos do que sonhou, mas inspirado em histórias reais, de gente tão real quanto você, cujas lágrimas e bocejos, alegria e desespero, dores e êxtase se comparam às que você também experimenta.

Sua vida não é um romance. Ela não precisa estar recheada nem coberta de mentiras. A verdade liberta.

“E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.”
(João 8:32 – Bíblia - Nova Versão Internacional)

sexta-feira, 5 de abril de 2019

DIA DA MENTIRA

DIA DA MENTIRA
Denize Vicente – Rio de Janeiro – RJ

Na última segunda-feira o calendário marcava dia 1º de abril, mundialmente conhecido como o “Dia da Mentira” - embora este ano, no Brasil, tenha ganhado um novo nome... você deve ter visto.
A mentira, em todos os tempos, sempre foi mentira, a despeito de tentarmos maquiá-la. “Meia verdade”, por exemplo, é mentira, não adianta. “Mentirinha branca” é mentira também. “Fake news” são mentiras, apesar do jeito americano bonitinho de falar. O fato é que falseamos a verdade muitas vezes, e damos desculpas para não chamar a mentira pelo próprio nome, como se isso pudesse alterar o peso e o efeito das palavras.

Todo mundo já ouviu falar em Jó, nem que seja na famosa expressão “a paciência de Jó”. Jó viveu momentos muito ruins na vida. Seus amigos mais o atrapalharam na luta para se reerguer do que, exatamente, lhe prestaram socorro. Elifaz, por exemplo, falou muita bobagem, muita coisa fora de hora, de contexto, mas em algumas coisas ele estava bem certo, sabe? Uma dessas coisas foi sua descrição dos homens maus. No capítulo 15 do livro de Jó a gente encontra um trecho (v.31) em que, falando sobre o homem mau, Elifaz diz: “como não tem juízo e confia na mentira, a própria mentira será a sua recompensa.”.

Pouca gente pensa no retorno da mentira afetando negativamente a sua própria vida, né? O indivíduo, quando mente, pensa apenas nos benefícios, naquilo que vai ganhar ou deixar de perder, o “lado bom” da mentira. A mentira, quando é lançada, é só alegria! O cara sem juízo, que confia na mentira, não se dá conta de que a própria mentira será a sua recompensa. Mais cedo ou mais tarde.

Nossa motivação para odiar a mentira e amar a verdade não deveria ter a ver com os efeitos, mas com a causa. Você se lembra do bordão "Segue o Líder!"... Quem segue o Líder gosta de imitá-lo, quer ser como Ele. Nossa aversão à mentira deveria, portanto, estar ligada as nossas origens, ao modelo de homem Bom, Jesus Cristo, que deixou as coisas bem claras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida...” (João 14:6). Pronto. O que basta. Ou deveria ser...

Mas se isso não faz sentido pra você, caso você ainda não tenha amor e intimidade com Aquele que se mostrou como o caminho, a verdade e a vida, caso não O enxergue, ainda, como seu modelo, seu líder, afaste-se da mentira em razão daquilo que ela produz. Para os outros e para você mesmo. Embora você não se dê conta, a recompensa do mentiroso será a própria mentira... Que furada!!

#ficaadica: “(...) abandonem tudo o que é mau, toda mentira, fingimento, inveja e críticas injustas.” (I Pedro 2:1).

Pense bem... E abandone essas coisas - o que inclui abandonar toda mentira, seja lá o nome que a gente tem dado a ela.



terça-feira, 12 de março de 2019

FAKE NEWS, A MENTIRA GOURMET


FAKE NEWS, A MENTIRA GOURMET
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro - Rio de Janeiro
        
A geração “gourmet” chegou com tudo!

Transformaram o velho e bom sacolé numa sobremesa cobiçadíssima com ingredientes “selecionados” e sabores pra lá de atraentes. O preço também subiu e você precisa pagar pelo nome “gourmet” do seu... geladinho.


Poderia citar brigadeiro, pipoca, bolo e, acredite, até água! A verdade é que o termo “gourmet” soa bem. Parece que algo é mais especial, mais raro, refinado e sendo assim só pode ser muito bom.

Outro termo que ganhou popularidade no Brasil foram as chamadas “fake news”, que são notícias falsas que se espalham como isopor ralado.

As “fake news” são simplesmente a “gourmetização” da MENTIRA! 



Lembro-me de que há alguns anos eu tive um aluno que apresentava sérios transtornos relacionados com mentiras e isso nos causou uma sucessão de problemas. Suas falas eram como “fake news"... Muitas coisas absurdas, que jogadas para ouvidos desatentos se transformavam num Deus nos acuda.

Numa era de mentiras “gourmet” precisamos ficar atentos. É importante preservar nossa integridade e também a do outro, pois mentira sempre será mentira... seja ela dita dentro de casa ou dita de um palanque eleitoral.

Bem sabia disso o Rei Davi.
Vejo o Salmo 101 como um atestado dos princípios de um bom rei. Ou de uma pessoa de bom caráter.

Nos primeiros versos (1 e 2), Davi desejava manter um relacionamento com Deus, pois sabia que precisava estar bem pertinho dEle para alcançar a integridade que almejava. E também sabia que o caráter de Deus é imaculado, então desejava estar limpo diante de seu Pai.

Nos versos seguintes (3 a 5), ele pede que seus atos dentro de casa ou ocultos não sejam diferentes de seus atos públicos. Ele também enaltece a justiça e repudia a falta dela.

Nos últimos versos (6 a 8), o salmista, que era rei, afirma o quanto é importante ter pessoas honestas ao seu redor:Os meus olhos estarão sobre os fiéis da Terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá. O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala MENTIRAS não estará firme perante os meus olhos.(v. 6 e 7). Já imaginou isso em Brasília?!

Alguns estudos recentes afirmam que contar mentiras acostuma o cérebro às emoções negativas e que essas emoções podem nos levar a contar mentiras cada vez maiores, nos tornando pessoas com cérebros adaptados à desonestidade.

Parece que esse “hábito de estimação” que nós temos é flexibilizado o tempo todo para justificar nossos deslizes diários. Davi entendeu que esse hábito precisa ser tratado por Deus, pois a consistência de seu caráter é esta.

Mentiras são mentiras e ponto. Elas trazem problemas e podem arruinar uma amizade, um casamento, um emprego, uma nação...

Que Deus nos ajude a sermos mais coerentes e dispostos a falar e buscar a VERDADE, com amor, carinho e cuidado.

Um forte abraço!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

RÁ! IÉ IÉ! PEGADINHA DO MALLANDRO!


RÁ! IÉ IÉ! PEGADINHA DO MALLANDRO!
Por João Octávio Barbosa

O Estado (lê-se “país”) de Israel é um pedacinho de polêmica cercado por árabes por todos os lados. Após o massacre cruel que os judeus haviam sofrido por toda a Europa durante a II Guerra Mundial, pareceu bem aos olhos do mundo que a recém-criada ONU separasse um pedacinho de terra para esse povo, onde eles pudessem viver em paz e seguros. O pequeno inconveniente para os povos árabes é que a escolha desse território reservado não foi um local inabitado. Ou seja, se a ideia era proporcionar tranquilidade aos judeus, isso foi tudo o que não aconteceu.


Em 30 de novembro de 1947, apenas um dia após a ONU anunciar a criação de Israel, o Estado judeu já foi atacado pelos seus vizinhos, que dominavam a região. Sem dúvida, o Festival da Boa Vizinhança, tradicional encontro de bairro lá na região mexicana onde morava o Chaves, não acontecia naquelas bandas. Entre um novo morador abusado e a falta de hospitalidade dos antigos moradores, haveria espaço para a paz?

A História diz que sim. E se apresenta na Bíblia. Num cenário incrivelmente parecido, milhares de anos atrás, os judeus fizeram paz com um povo vizinho, porém, ironicamente, por meio de uma mentira. Uma verdadeira pegadinha, digna de Sérgio Mallandro, Faustão ou Sílvio Santos. Se quiser ler nas palavras da versão original, está em Josué 9.


Há mais de mil anos, Josué liderava Israel rumo à posse do mesmo território que o tratado da ONU buscava garantir no século passado. A ordem era expulsar o povo que habitava a região. Diante do medo da aniquilação, a nação de Gibeon teve uma ideia brilhante: fugindo do comum, decidiu não guerrear, mas fazer um acordo de paz com Israel. No entanto, para que esse acordo fosse aceito, era necessária uma pequena encenação.

Então, os gibeonitas forjaram uma aparência de viajantes de uma terra distante. Mentira; eram vizinhos de Israel. Prepararam todo um esquema que incluía: um pequeno grupo dos melhores atores do país para se fingir de embaixadores; roupas e alimentos propositalmente envelhecidos; e uma mentira muito bem elaborada.


Uma vez que eles já sabiam que Israel fora notificado de que deveria destruir (e não negociar) com todos os países vizinhos da região, os gibeonitas afirmaram vir de muito longe. Para lidar com povos muito distantes, Israel não tinha recebido nenhuma ordem. Cometeram um grave erro ao não consultar Deus sobre a proposta (Josué 9:14). Então, aceitaram o acordo de paz, assim como os presentes que haviam sido estragados de propósito.

Israel cometeu a audácia de resolver os seus problemas sem Deus. Talvez naquele momento as pessoas tenham ficado soberbas. Pessoas quem vinham de longe, falando palavras lisonjeiras, deixando os israelitas orgulhosos: “Poxa, lá no fim do mundo estão falando das nossas vitórias épicas!”.


Três dias durou a farsa. Até que o povo de Israel deu de cara com aqueles que se diziam vir de terras mui distantes. Mas promessa é promessa. Foi cumprida, para que Deus não se irasse mais com o seu descumprimento do que com o descuido, comentado no parágrafo anterior. Impedidos de eliminá-los, tornaram os gibeonitas seus serviçais - coisa que eles agradeceram muito, diga-se de passagem.

Os demais povos da região, que estavam na lista negra da destruição, se sentiram ainda mais ameaçados após esse acordo. Gibeon era uma terra grande, na qual muitos desses depositavam as últimas esperanças de deter Israel antes que os judeus os destruíssem. Então, como vemos em Josué 10, esses povos se reúnem para retaliar a Gibeon, que eles consideravam agora um país “traíra”.

Gibeon apela para Israel. Agora são nações amigas, certo? Aquele acordo baseado na pegadinha do Mallandro se mostra a melhor coisa que poderia acontecer. Israel dá proteção aos gibeonitas, e eles são o único povo a sobreviver à conquista de território dos judeus do segundo milênio antes de Cristo.


Israelenses e árabes do século XX e XXI. O quanto eles têm a aprender com os gibeonitas? Se pensarmos em acordos de paz, convivência sem agressão ou hostilidade, poderíamos dizer que muito; mas eu não consigo parar de pensar na história da pegadinha... Na inteligência usada para mentir. Nesses caminhos tortos que trouxeram o sucesso.

Se você esperava que eu fosse terminar o texto de hoje com um parágrafo estilo “moral da história”, que definisse de forma clara o certo e o errado desse episódio, se iludiu. Não sei. Não sei se faria igual ou diferente, nem de um lado, nem de outro. É luta por sobrevivência; ninguém quer morrer. Mas tem uma coisa que o texto aborda de forma simples: Israel não devia decidir nada sem consultar Deus. Você pode aplicar isso a sua vida também. Que solução Deus tem para seu problema, hoje?

Não peço que concordem, espero que reflitam!