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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

ESTOU MUITO OCUPADA

ESTOU MUITO OCUPADA
Denize Vicente – Rio de Janeiro – RJ

Esta semana eu li uma frase que me deixou inquieta:

“Você está morrendo de tão ocupado
ou está tão ocupado que não tem tempo nem para morrer?”

Algumas vezes ao longo deste novo ano você vai se sentir cansado, preocupado... e provavelmente vai se inquietar. Talvez se questione sobre suas prioridades e se queixe do tempo. Pode ser que você se perca no meio de suas indagações e não encontre respostas, tampouco a saída.

“Você está morrendo de tão ocupado ou está tão ocupado que não tem tempo nem para morrer?”

Se você já fez terapia, se conhece algum Psicólogo ou se tem um amigo bem legal que se preocupa com seu bem-estar, você já foi aconselhado a se recolher, de vez em quando, para pensar, refletir, meditar...



Trabalho, metas, necessidades financeiras, filhos, compromissos, responsabilidades, redes sociais... muitas vezes essas coisas ocupam tanto tempo e espaço na vida da gente que “não se tem condições” de parar um pouco para refletir. Talvez nós estejamos morrendo de tão ocupados!

“Recolher-se”deixar o lugar onde estava, para ir abrigar-se, repousar, ficar sozinho etc. num local privado (tb. fig.)
[dicionário on line]
“Recolher-se” - Regressar (a casa, à terra). Refugiar-se. Concentrar-se, reconcentrar-se. Desaparecer da superfície para operar no interior do corpo. Retirar-se para os seus aposentos. Encerrar-se.
[Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/recolher [consultado em 04-02-2020].

A gente não pode estar continuamente recolhido, ou talvez não possa se recolher por um longo período com frequência, mas é preciso fazer isso não de vez em quando, mas todos os dias, em algum momento, ao menos por um pouco de tempo...

É aí, recolhido, que você toma resoluções, examina as suas atitudes, como foi que tratou as pessoas, como usou suas palavras – para ofender ou para mostrar respeito? para injuriar ou para elogiar? para derrubar alguém ou para levantar?

Recolha-se. É nesses momentos que você avalia o peso que tem dado ao que realmente importa, percebe o preço das coisas, o valor das pessoas e o lugar de cada um. E talvez entenda que pode estar magoando ou fazendo mal a si mesmo, ao seu próximo ou ao seu Deus. 

Recolha-se. Encontre Deus no silêncio. “Deus me é mais íntimo a mim do que eu mesmo.” [Santo Agostinho]*.


Trabalho, metas, necessidades financeiras, filhos, compromissos, responsabilidades, redes sociais... tudo isso tem o seu espaço e o seu lugar, mas não pode nos manter tão ocupados a ponto de nos fazer sentir que “estamos morrendo de tão ocupados”.

Não dá pra ser perfeito, mas dá pra tentar ser melhor do que se tem sido até aqui.

Então recolha-se. Faça boas leituras. Reflita no que está lendo. Ouça boas músicas. Cante. Experimente viver o que você lê e o que você canta.

Recolha-se.

Você vai estar tão bem ocupado que não terá tempo nem para morrer.




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Fonte/Referência:

* “Deus me é mais íntimo a mim do que eu mesmo.” – Santo Agostinho, citado em O espírito vem em auxílio à nossa fraqueza: Pois a nossa força vem do alto - Pe. Anderson Marçal – Editora Canção Nova.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

UMA BELEZA ESCONDIDA



UMA BELEZA ESCONDIDA
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro - Rio de Janeiro

“[...] Essas pessoas são como árvores que crescem na beira de um riacho; elas dão frutas no tempo certo, e as suas folhas não murcham. Assim também tudo o que essas pessoas fazem dá certo.” Salmo 1:3

Quando visitei Pernambuco este ano, um de nossos roteiros era um passeio de jangada que passaria pelo manguezal de Maracaípe. Depois de conhecer belas praias, ilhas, areias brancas de águas cristalinas e quentinhas com paisagens que misturavam o azul celeste do céu com o verde da Mata Atlântica, nosso barquinho chegou naquele local, que a princípio não era o mais bonito. Um cheiro meio estranho, com água mais escura, uma vegetação diferente, um ambiente mais silencioso e opaco.

Decidi, junto com alguns poucos, explorar o local. Descemos e com receio andamos com calma os primeiros passos daqueles caminhos que mais pareciam labirintos. Quando conseguimos de fato enxergar o manguezal só conseguimos dizer: Uau! Que lugar fantástico! Pequenos e médios caranguejos pareciam dançar entre árvores e pequenos buracos na terra, aves descansavam passeando pela água, também vimos cavalos marinhos coloridos e até a lama parecia uniforme com tudo aquilo. De fato, seus recantos formavam uma paisagem única incrível! Pena que nem todos desceram do barquinho para descobrir isso...

Recentemente estava preparando uma aula sobre alguns ecossistemas existentes na cidade. Até que cheguei nele, o manguezal. Talvez você não saiba, mas o manguezal, depois do recife de corais, é considerado o ecossistema marinho mais rico do mundo. Chamado de “berçário do mar”, esse lugar abriga uma infinidade de espécies animais; possui um solo rico em nutrientes e também uma capacidade de amenizar o aumento do efeito estufa e servir como barreiras até contra tsunamis. Essas são apenas algumas poucas características que esse ecossistema desconhecido, degradado e muitas vezes desprezado nos proporciona.

 
Conhecer o manguezal mais de perto me trouxe uma importante lição: que é preciso descer do barquinho muitas vezes, pois aquilo que me transforma, que me atrai, que me renova, pode estar além do que meus olhos podem enxergar agora. E que existe uma beleza escondida, onde há desprezo e descaso.

Não despreze pessoas, não despreze animais, não despreze situações. Descubra belezas ocultas em cada oportunidade que tiver. Novas perspectivas de humanidade e diversidade nascem em nós quando deixamos.

E se você sente na pele a indiferença, a negligência ou o abandono, permita-me dizer que você tem muito mais do que os outros podem ver agora. Abra caminhos, dê chances e veja nesse berçário nascerem propósitos, metas e ações. Assim como o manguezal que desempenha um papel fundamental no equilíbrio ambiental, você existe para desempenhar um papel fundamental que Deus lhe deu aqui na Terra.

Nos versículos um, dois e três do primeiro Salmo é lido sobre a verdadeira felicidade e sua relação com a lei de Deus. Ele compara as pessoas felizes a árvores. Árvores que dão seu fruto no tempo certo, suas folhas não murcham e tudo que fazem dá certo. Porém ele não diz se são árvores de uma floresta, de uma tundra ou de um mangue. A diversidade é que nos faz únicos.

Deus sabe de toda beleza escondida que existe dentro de cada um de nós e quer nos proporcionar uma grande felicidade. Permita-se conhecer a Deus, permita-se conhecer as pessoas e permita-se que outros o conheçam. Você tem uma beleza, uma força e uma delicadeza que são só suas.

Um forte abraço!

sexta-feira, 21 de junho de 2019

POUCO ME IMPORTA

POUCO ME IMPORTA
Denize Vicente - Paty do Alferes - RJ



Pouco me importa. Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.


Alberto Caeiro
Pouco me importa. (24-10-1917) - Poemas Inconjuntos