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terça-feira, 30 de abril de 2019

RECOMEÇOS

RECOMEÇOS 
Airton Sousa – Direto de Paciência – Rio de Janeiro

No meu texto da semana passada, contei sobre a melhor volta da minha vida. E hoje estou lembrando a noite do meu batismo. Ou “batizado”, como chamam alguns.

Naquela noite de 25 de março de 2016, quando entrei no tanque batismal, olhei pra minha igreja lotada, vi meus amigos, familiares... Ali eu pensei: Deus não apenas tem poder para perdoar, mas também tem poder para curar, mudar, abençoar e habilitar para uma nova vida.

Sério! Aquele foi o dia mais feliz da minha vida!

 
Em março deste ano eu tive o prazer de assistir ao batismo da minha irmã querida e essa foi outra história linda de final feliz. Um dia, minha sobrinha Carol reuniu algumas amigas na casa da minha irmã (a mãe dela) para um chá somente com mulheres. Ao final, ela disse chorando:

- Mãe, eu tô cansada de ver você sofrer, sozinha. Sem Jesus no coração. Chega de sofrer!

E naquele momento, ela entregou um roupão, daqueles que as pessoas usam para se batizar na igreja. E disse:

- Eu vou deixar este roupão com você e quando você decidir ser batizada será com esta roupa.

Passou pouco tempo, e eu vi minha irmã entrar na igreja com aquela peça de roupa nas mãos e dirigir-se ao tanque batismal onde foi batizada.

Que noite feliz!


Eu vi minha mãe olhando para minha irmã, e as duas trocaram um sorriso de cumplicidade que eu nunca vou esquecer. Afinal, minha mãe orou durante 32 anos pela volta dessa filha à igreja. Eu vi a Carol chorando e realizando o sonho de ver sua mãe largando uma vida de vícios e sofrimento por uma nova vida ao lado de Jesus. 

Sábia decisão!
 
E isso aconteceu este ano, e era quarta-feira de cinzas.

Quando somos colocados debaixo da água e trazidos de volta para cima, estamos fazendo simbolicamente duas coisas que foram feitas na vida de Cristo: a morte e a ressurreição. Nossos pecados são sepultados e surge uma nova criatura.

Ser batizado é morrer para si mesmo cada dia com a certeza de que a Graça de Deus, que salva pecadores como eu ou como minha irmã, também liberta, perdoa e traz descanso, e estará sobre nós todos os dias. 

Todos os dias!

Essa alegria e emoção também estão disponíveis para você. Você só precisa crer: “Quem crer e for batizado será salvo” (Marcos 16:16) e você precisa também se arrepender: “Arrependei-vos e cada um seja batizado” (Atos 2:38).

E no dia em que você crer, e for batizado “haverá alegria no céu” (Lucas 15:7).

 
Que recomeço sensacional Deus nos concede! Isso é tremendo!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

UM SIMPLES “SIM” BASTA

UM SIMPLES “SIM” BASTA
Por João Octávio Barbosa

Quando o assunto no almoço do seu trabalho é o tratamento dos bandidos, a tendência é uma discussão de extremos. Alguns serão diretos: bandido bom é bandido morto. Outros evocarão os direitos humanos. Se o assunto não for cortado, muito rapidamente facas, farofas e Fantas poderão ser vistas no ar, sendo atiradas na direção do grupo contrário.

Há exatos 76 anos, Getúlio Vargas promulgava o Código Penal Brasileiro. Muitos o consideram brando. De fato, são muitas as formas de evitar que um condenado cumpra a sua pena de forma completa. Isso quando os crimes chegam a ser investigados e os culpados punidos. Outra reclamação comum é a respeito das condições de trabalho dos agentes penitenciários, que se arriscam muito e ganham pouco.


HORA DO GANCHO! O carcereiro mais famoso do século I é o protagonista desta quarta-feira. Ele prendeu São Paulo, que antes de ser a cidade dos times de futebol mais detestáveis do país (“sorry”, Amigão, mas é fato), era apenas um homem, o qual trabalhava em dupla com um tal de Silas. E Paulo e Silas saíam por aí, pregando sobre Jesus.


Havia dias bons, e dias ruins. Nos bons, a pregação era bem recebida, pecadores eram convertidos, e eles voltavam para casa em paz. Nos ruins, eram espancados, apedrejados, chicoteados, e encarcerados. Bom, aquele dia tinha sido um dos dias ruins. Confira em Atos 16:19-34.

Quando bateram de frente com o interesse financeiro de pilantras que usavam uma adivinhadora para lucrar, Paulo e Silas foram condenados pela cidade a serem trancados numa prisão por um carcereiro. Esse homem, ao ouvir que deveria guardar os prisioneiros com toda a segurança, teve o cuidado de prender os pés da dupla num tronco, mesmo que já dentro de uma cela trancada.


Paulo e Silas cantam para Deus. E oram. O carcereiro está dormindo, alheio. E eis que há um terremoto. Forte, ele destrói a cadeia inteira. Não há cadeados, nem portas, nem celas. Tudo está aberto para quem quiser fugir. Ao acordar e ver o tamanho da tragédia, o carcereiro não pensa duas vezes: melhor é morrer do que pagar pela fuga de todos. A culpa cairia em cima dele, independentemente dos eventos catastróficos da Natureza.

Aí, Paulo e Silas salvam a vida dele pela primeira vez: “Estamos todos aqui!”. E estavam. Que Paulo e Silas ficassem, até não é tão estranho. Nem eram criminosos, não tinham que estar presos, não tinham que fugir. Mas o que eles fizeram para convencer todos os outros bandidos a ficar... bem, isso é uma coisa que eu nem imagino.


Putz, o carcereiro está atônito agora. Trêmulo, se joga aos pés dos discípulos de Jesus. A vontade é de adorá-los. E a certeza já é muito clara na mente dele: esses dois caras têm algo de divino. Esses cantos, essas preces, esse milagre do terremoto para eles fugirem, e essa preocupação deles comigo para ficarem onde estão... olha, isso é divino! Isso é Deus. Eu quero isso para mim: “O que devo fazer para ser salvo?”.

Paulo responde: - “Creia no Senhor Jesus.”. Ponto. Mas só isso? Não tá fácil demais, não? Assim, em um minuto, num instante, numa situação e pronto? - “É, eu creio. Isso que está acontecendo é muito absurdo, eu não posso negar. Eu creio, então eu estou salvo.”


A gente pode tentar entender isso da forma mais negativa possível e falar: “Poxa, tão fácil que soa injusto.”. Então aquela velha teoria do Bart Simpson é verdadeira (“Posso fazer todas as coisas erradas do mundo, me arrepender no meu leito de morte e ir para o céu.”)? Sim, é verdadeira.

Mas a gente também pode tentar entender isso da forma mais positiva possível. O amor de Deus é tão grande, sua vontade de nos salvar é tão irrestrita, que Ele se agarra ao menor esforço que fazemos para nos redimir, e dali constrói nossa defesa diante de Satanás, a fim de nos dar a chance de ir para o Céu.

Bom, há de se dizer também que após o convite para a crença em Jesus, Paulo e Silas tiveram a preocupação de pregar sobre as verdades bíblicas para o carcereiro e seus parentes. E ali, naquela mesma noite, logo após toda a família cuidar dos ferimentos da dupla presa, e de dividirem uma alegre refeição juntos, foram todos batizados.


Em uma singela noite, o carcereiro fez uma singela escolha, e isso mudou sua vida para sempre. Não teve muito tempo para conhecer novas doutrinas, nem para perder velhos hábitos ruins, nem para mudar seu vestuário, seu linguajar, sua profissão, seus amigos, nada. Nada em sua vida mudou (nem foi pedido que mudasse) a não ser o centro. O núcleo. O foco.

O que pode impedir você?

Não peço que concordem, espero que reflitam!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

FIM DE TARDE NO PORTÃO


FIM DE TARDE NO PORTÃO 
Por Airton Sousa

Ele olhou para um lado... porcos. Para o outro lado... mais porcos. Lembrou-se de um ditado que seu pai sempre dizia: “Quem anda com porcos, farelo come.”. E então percebeu tudo... Ele estava comendo comida de porco.

Ele foi tomado de lembranças do seu pai, mais uma vez. Aliás, naquele dia ele se lembrou muito do seu pai. Lembrou-se de como eram as coisas e a vida na casa do pai: “Eu preciso voltar para casa do meu pai”. E enquanto caminhava de volta, vinha ensaiando um discurso para convencer o pai a aceitá-lo:

- Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou digno de ser chamado teu filho.


Mesmo já tendo escrito sobre o “filho pródigo”, aquele que volta, eu também gosto de pensar em quem espera. Aquele olhar cansado, olhando ao longe... Gosto muito de uma canção do Stenio Marcius, cantada pelo Trio Lessa - “Fim de tarde no portão” -, e que me inspirou a escrever o texto de hoje.

“Fim de tarde no portão, a cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão faz das cinzas renascer alento
Na estrada o seu olhar procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar quem diziam já estar perdido...”




No finalzinho de setembro deste ano, uma amiga minha, a Claudia, me convidou para assistir seu batismo na igreja. Ela estava voltando pra casa, depois de 27 anos afastada.

Eu me lembro bem do depoimento de uma amiga sua, a Úrsula: “Ela era minha líder, minha guia, minha amiga, minha irmã e a gente se via todo sábado; mas teve um sábado que ela não apareceu, e no outro também e eu nunca mais a vi, e lá se vão 27 anos.”.

E teve também o depoimento de sua mãe: “Eu orei durante vinte e sete anos por este momento.”.


“Fim de tarde se debruça no portão...”.



Todos os dias, todas as tardes, o pai espera no portão. Mas um dia... aconteceu, e “o moço retornou mendigo”. 

Ele voltou!
 

Voltou com suas roupas sujas, seu coração sujo. Cheirando a porco. Cansado. Maltratado pelo pecado. “O pai depressa correu e abraçou o filho tão querido...”.

O garoto coberto de lama. E o pai chora e grita. E o rapaz tenta fazer o discurso e não consegue. Quando começa a falar, o pai o interrompe e o abraça, e o beija mais uma vez.

“Tudo está perdoado. Tudo esquecido! Os dias de fome e de convívio com os porcos estão no passado. Com um toque de mestre Jesus leva a história ao clímax final: uma festa é preparada para celebrar o retorno do filho. Nenhuma palavra de recriminação moralista. Nenhuma exigência de prestação de contas. Nenhuma condição imposta. Nenhum tempo de prova. Nenhum período de disciplina para observação! Nenhuma ‘quarentena’ ou penitência é exigida.” (O incomparável Jesus Cristo, pág. 78 – Editora UNASP).

Como eu disse lá em cima, não é a primeira vez que escrevo sobre esse assunto, e veja o que eu escrevi, na época: ”Voltar pra casa é a certeza de braços abertos esperando pelo retorno. Cama pronta, o sol entrando pelas frestas do quarto. É um lugar vago na mesa, uma luz acesa, alguém esperando no portão e uma comidinha bem gostosa no fogão, como dizia a canção do Lulu Santos.”. (De volta pra casa, fevereiro de 2015 – Então Serve)

Naquela noite a Claudia disse uma frase que ficou na minha cabeça: “Ninguém foi tão longe que não possa voltar!”, e a Claudia teve a chance de voltar e encontrar o pai amoroso no portão, a sua espera. E pôde perceber Sua bondade e Sua infinita graça e sua misericórdia.



“O Deus que recebe os envergonhados, cegos, leprosos, surdos, imundos. Que não nega a culpa, mas perdoa e cura.” (O incomparável Jesus Cristoibid., pág. 79).

Algum dia todos têm a chance de voltar e reviver e recomeçar... e como é bom saber que “ninguém foi tão longe que não possa voltar”. Não importa quão longe você foi, o quanto distante você está, ainda dá tempo de voltar e, com certeza, há alguém a sua espera.