sexta-feira, 6 de março de 2020

É O AMOR

É O AMOR
Denize Vicente – Rio de Janeiro - RJ

Se a gente olha ao redor, se entra nas redes sociais, se observa as pessoas no trabalho, na rua, nos clubes, nas igrejas, enfim, nas comunidades e grupos sociais, a gente vê muito, mas muito desamor. Talvez haja pequenas doses de amor entre amigos, entre iguais, entre aqueles que pensam de modo semelhante, mas basta existir ou surgir uma diferença e desponta o desamor.

O dicionário on line traduz o verbete “desamor” nos seguintes termos:

desamor
/ô/
substantivo masculino
1.       perda ou ausência de amor; desafeição, desprezo, indiferença.

Curiosamente, para definir o amor o mesmo dicionário traz uma longa lista de definições. E se por um lado a gente pode pensar na dificuldade de se definir precisamente o que é o amor, por outro, a gente pode perceber as imensas possibilidade do amor:

amor
/ô/
substantivo masculino
    1. forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.
    2.    atração baseada no desejo sexual.
    3.    POR EXTENSÃO
           relação amorosa; caso, namoro.
    4.    POR EXTENSÃO
           atração sexual natural entre espécies animais.
   5.  afeição baseada em admiração, benevolência ou interesses comuns; forte amizade.
    6.    POR METONÍMIA
           a pessoa ou a coisa amada (tb. us. no pl.).
    7.    devoção, adoração.
    8.    FIGURADO (SENTIDO)•FIGURADAMENTE
           devoção de uma pessoa ou um grupo de pessoas por um ideal concreto ou abstrato.
    9.    POR METONÍMIA
           o objeto de tal interesse ou veneração.
    10.  demonstração de zelo, de dedicação.
    11.   MITOLOGIA
            divindade que personifica o amor, como Cupido (Eros para os gregos).
    12.   MITOLOGIA
                cada uma das divindades infantis subordinadas a Vênus e a Cupido.
E segue...

Você percebe que há opções, mas que mesmo diante de tantas possibilidades de amor muita gente tem escolhido desamar?

desamar
verbo
1.        
transitivo direto e pronominal
deixar de amar(-se); não (se) amar.
2.        
transitivo direto
não gostar de; ter resistência a.
3.        
pronominal
cessar de amar um ao outro.

Intolerância, resistência, indiferença são espécies de desamor, afastando os homens uns dos outros, as gentes, os povos.

Tem um bloco de Carnaval muito popular no Rio de Janeiro, que se chama “Simpatia é Quase Amor”. Vem do poema de Casimiro de Abreu (menos conhecido, talvez). A última estrofe, sei de cor, diz assim: 

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é quase amor!

Pra quem já ouviu alguém falar (e acho que todo mundo já ouviu) “Puxa! Como Fulano é simpático!”, vai a dica: simpatia, gente, é quase amor. Não é amor, exatamente, nem ainda, mas é um caminho, sabe? Sorriso, generosidade, simpatia, são caminhos para o amor. Experimente. Pare de destilar o ódio, a indiferença, o desamor por aí. Melhore sua convivência com as pessoas, melhore suas postagens nas redes sociais, melhore seu ambiente de trabalho, as relações familiares. É uma escolha. Com imensas possibilidades.

Escolha amar. Não apenas aqueles que são seus semelhantes, não apenas aqueles que podem retribuir seu amor, não apenas quem é facinho de amar.

Escolha amar o seu próximo, seja ele quem for.

— Vocês ouviram o que foi dito: “Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.” Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está no céu. Porque ele faz com que o sol brilhe sobre os bons e sobre os maus e dá chuvas tanto para os que fazem o bem como para os que fazem o mal. Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam que Deus lhes dê alguma recompensa? Até os cobradores de impostos amam as pessoas que os amam! Se vocês falam somente com os seus amigos, o que é que estão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu.

Sabe a fórmula? Coragem gratidão, perdão e compaixão. Empatia.
 

Escolha o amor.
Comece agora.




_________________________________

Fonte/Referência:

O Que É Simpatia – A Uma Menina (Casimiro de Abreu) – disponível em:

quarta-feira, 4 de março de 2020

QUEM É ESSE?


QUEM É ESSE?
Larissa Oliveira – Bento Ribeiro - Rio de Janeiro - RJ        

Voltando de férias este ano eu trazia na bagagem muita coisa. Além de objetos comprados nas famosas feirinhas locais, trazia também muitas histórias, lembranças, recomendações e fotos para compartilhar com amigos e familiares. Nosso voo estava previsto para chegar ao Rio às 20h05min. Embarcamos sem nenhum imprevisto, o avião decolou pontualmente, agora era só relaxar e aguardar a chegada.

O voo transcorreu com tranquilidade... até o momento do pouso.

Às 19h45min o piloto informou que estávamos nos preparando para a aterrissagem. Alívio. Porém, cinco minutos depois ele disse para afivelarmos os cintos, pois passaríamos por um período de turbulência.

Era uma noite de instabilidade climática no Rio. Temporais se formavam no céu. Raios e trovões eram vistos com frequência e a aeronave balançava um pouco mais. As luzes se apagaram, o piloto nada mais falava, os comissários sumiram. Pela primeira vez tive medo de cair com o avião.

Minha tensão me paralisou. Não se via absolutamente nada da janela, o tempo foi passando e o avião dando voltas, voltas e mais voltas. Um clima de tensão tomou conta daquela aeronave e eu só pensava: – Puxa vida! Será que vamos cair tão perto de casa? Eu não me lembrava de mais nada que estava na minha bagagem; só pensava em quem me esperava em casa.

 
Depois daqueles minutos angustiantes, finalmente às 20h35min pousamos com segurança. Na verdade o piloto estava aguardando a melhor condição de pouso naquele clima turbulento em que se encontrava o céu. Mas a minha pergunta era: por que ele ficou calado tanto tempo?

Eu sinceramente não sei o motivo de ele ter se calado, mas de uma coisa tenho certeza: é que apesar de seu silêncio, o piloto não deixou de conduzir aquele avião por um minuto sequer.

Passamos por períodos turbulentos em nossa vida. Talvez depois de momentos de calmaria e descanso, talvez prestes a realizar sonhos e projetos, nos sentimos de mãos atadas, no ar, sem saber o que de fato vai acontecer. Pode ser que uma angústia aterrorizante nos alcance e nos faça acreditar que estamos sozinhos.

Há algum tempo, no Mar da Galileia, experientes pescadores passaram por uma situação assustadora. Esse mar, na verdade, era um grande lago, que em condições normais era bem calmo. Porém, as características geográficas de clima e relevo da região podiam fazer tudo mudar repentinamente.

“E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas [...]”
Mateus 8:24

Os discípulos de Jesus entraram em estado desespero. Acreditaram que de fato morreriam:
“Mestre, não te importa que pereçamos?” Marcos 4:38

Jesus dormia serenamente na popa do barquinho e havia sido acordado por seus discípulos em verdadeira agonia.

Ele desperta e imediatamente repreende aquela tempestade e ordena que as águas se acalmem. Com tudo em sua perfeita ordem natural, Ele diz:

“Porque estavam com tanto medo? Ainda não têm fé?” Lucas 8:25

Dominados por perplexidade e tamanha grandeza, os discípulos só conseguiram exprimir estas palavras:

         “Quem é esse que até o vento e o mar lhe obedecem?” Marcos 4:41

Quem é esse?

Esse é quem deseja que eu e você desenvolvamos uma fé tamanha, capaz de confiar na providência divina em meio ao silêncio de uma grande turbulência.

Um forte abraço!

terça-feira, 3 de março de 2020

VOLTANDO PRA CASA

VOLTANDO PRA CASA
Airton Sousa – Paciência – Rio de Janeiro - RJ

Sexta-feira 31 de janeiro foi meu último dia em São Paulo. Foram 20 dias de muito trabalho e grandes resultados.

Meu voo estava programado para as 18h25 em uma tarde ensolarada. Apesar da saudade de casa, deu um nó no peito, voltar para casa. É sempre assim. Quando estou aqui não quero ir para lá, quando estou lá, não quero voltar para cá. Mas a vida chama.

No check in, surpreendentemente, a moça pergunta se prefiro a janela ou o corredor. Nunca me perguntaram e sempre me colocaram no corredor. Peço a janela. O melhor lugar para voltar para o Rio de avião é do lado direito e pelo Santos Dumont, o famoso SDU, pois a chegada é a coisa mais linda do mundo. Normalmente os voos chegam pelo mesmo caminho, proporcionando uma visão espetacular da cidade para você contemplar. Às vezes o avião pode mudar a rota, mas o normal mesmo é passar pelo Maracanã, Lagoa, pelo Corcovado e o bondinho.

 
Lá de cima, tirando fotos incríveis, eu penso em como Deus é grandioso e bondoso, e em quantas coisas boas Ele tem feito em nossa vida. E o mais gostoso de tudo isso: como é bom voltar para casa!

O que eu mais gosto no Evangelho é saber que Deus sempre está aguardando nosso retorno. Gosto disso. Eu sempre posso retornar.

O Evangelho me diz que sou amado por Deus. Não porque esteja todos os dias fazendo as coisas certas e guardando todos os mandamentos e cumprindo os regulamentos com fidelidade. Não porque dou esmolas e ofertas e distribuo alimentos e roupas aos moradores de rua. Não por isso. O Evangelho verdadeiro diz: você é digno de ser amado por Deus por uma única razão – porque Deus ama você. Ponto.

Sempre que você se perder por aí e achar que está andando sozinho, em círculo, sem rumo, lembre-se de que o Pai está sempre esperando a sua volta.

“Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro.” – I João 4:19

Enquanto pego minha mala, já em terra firme, e me preparo para desembarcar, eu vou pensando: Deus é bom o tempo todo. Sua bondade é escandalosa!