sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

EM CONSTRUÇÃO

EM CONSTRUÇÃO
(Por Denize Vicente)

Eu moro no Rio de Janeiro, uma cidade que, constantemente, está em obras - especialmente quando se torna sede de eventos esportivos. Foi assim nos Jogos Pan-Americanos em 2007, na Copa do Mundo de 2014, e agora, se preparando para os Jogos Olímpicos de 2016. Poeira, barulho, ruas interditadas, alteração no trânsito... coisas que, facilmente, nos fazem perder a paciência. Mas a gente se conforma porque sabe que, quando a obra acabar, vai ficar melhor. No começo e mesmo com o passar do tempo, parece que só tem poeira levantada, pedras e terra aos montes, buracos e tijolos, vergalhões e transtorno. Quem olha mais atento, porém, percebe que mesmo nessa bagunça toda, antes mesmo do final da obra, alguma coisa já começa a mudar...

Gosto muito de camisetas. Gosto das estampas das camisetas. Umas me fazem rir e eu gosto muito de rir; outras me fazem pensar, e eu também gosto de pensar. Sabe aquelas que têm coisas legais escritas? Pois é. Gosto muito. Dia desses, vi uma bem legal, mas bem legal mesmo. A estampa era de um canteiro de obras, cheio de ferramentas e andaimes, e uma placa dizendo “Em construção”. A legenda: “Tenha paciência, por favor; estou em construção e Deus ainda não terminou o trabalho comigo.”.

Tive vontade de ter uma assim; sete, aliás. Uma pra cada dia da semana. Pra usar todos os dias e deixar que todos saibam que eu estou em construção, para que tenham paciência, porque quando a obra acabar eu serei melhor.

Deus ainda tem muito trabalho pra fazer em mim e eu não sei quando essa obra vai terminar, mas aos poucos já dá pra perceber as mudanças. Quem passa correndo só vê a poeira levantada, os andaimes e alguns montes de terra e buracos; mas se olhar com atenção, vai ver que já existem os fundamentos, que a construção é uma espécie de monumento, porque, pela planta, dá pra notar que Ele não planejou pouca coisa, não.

Como acontece nas obras de qualquer cidade, construções implicam implosões, às vezes. Muitas vezes é preciso derrubar e destruir coisas que estavam há anos, ali, e colocar outras novas no lugar. Outras vezes, coisas que estavam escondidas recebem uma revitalização, e ganham o destaque que deviam ter desde sempre. É quando se passa a dar valor a algo que ninguém sequer notava... Como acontece nas obras de qualquer cidade, a nossa vida também passa por isso. Uma bagunça e um transtorno que exigem paciência.

Considere a possibilidade de que seu filho, seu vizinho, seu amigo, seu marido, seu pai e sua irmãzinha, sua avó, o seu amor, seu namorado, sua esposa, sua tia, a moça do mercadinho, sua prima, seu sobrinho, o moço da bilheteria, o frentista, o motorista, o tio da padaria, a freira do colégio, o padre que visitou a paróquia, o dono da boate ao lado da sua casa, os caras da faculdade, o zelador do seu prédio, o artista da tv, seu chefe, o pastor da igreja... considere a possibilidade de que eles também estejam, assim como eu, em construção. E tenha paciência.

Tenha paciência. Às vezes a obra demora. Mas, quando acabar, nós vamos ficar melhores do que somos hoje. Acredite!

"Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la..." (Filipenses 1:6 - Bíblia - Nova Versão Internacional)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

APRENDENDO COM GATINHOS - lição 2

APRENDENDO COM GATINHOS - lição 2
(Por Carina Baptista)

Oi pessoal, tudo bem com vocês??

Semana passada contei para vocês a história da Frajola, do jeito que a minha mãe a resgatou e que hoje a gatinha está superbem. Essa história é fofa e feliz. Mas a que vou contar hoje não é tão feliz assim, principalmente para mim. Mas, como acontece com tudo, na vida, podemos aprender com ela, também, e encontrar o amor de Deus em todas as coisas.

Uma das gatinhas que foram geradas aqui no quintal teve quatro filhotinhos. Minha mãe já tinha dito que não podia mais ficar com nenhum gato, ao poderoso argumento de que “a ração está muito cara e não temos condições de cuidar de mais cinco gatos”. Entendendo a situação, não insisti, e sabia que quando os gatinhos crescessem teríamos que procurar um lar para eles.

Certo dia, eu estava saindo de casa quando minha mãe e meu primo estavam limpando a caixa d'água; escutei uns miadinhos debaixo da escada e fui ver o que estava acontecendo. Quando cheguei perto, vi que os quatro gatinhos estavam sendo molhados pela água que caía da caixa... Rapidamente, eu os tirei da direção da queda, pedi uma caixa pra minha mãe e os coloquei dentro dela, com a mãe deles. Estavam encharcados e miavam demais; mas ao verem a mãe se acalmaram e começaram a mamar. No dia seguinte, fui ver como estavam, e os encontrei bem sequinhos e fofinhos.

Até que, um dia, algo muito triste aconteceu.
Eu acordei... e ao chegar à varanda ouvi um miado muito alto. Olhei pela janela e vi a gata mãe na escada olhando pra baixo. Achei aquilo estranho... e fui ver os filhotinhos. Quando desci a escada vi que o portão de casa estava aberto, e a cadelinha do meu primo estava com um dos gatinhos na boca! Foi quando gritei. Imediatamente, ela largou o gatinho no chão. Eu desci correndo, mas já era tarde demais... Ela havia machucado os quatro gatinhos, que não resistiram aos ferimentos.

Dois deles estavam vivos quando eu cheguei, mas não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser ficar ali com eles, ninando os bichinhos, na tentativa, talvez ingênua, de fazê-los sentir menos dor. Naquele dia eu chorei, chorei muito. Acho que só chorei assim quando perdi o Brad. Foi um choro de tristeza profunda. Eu tinha "salvado" aqueles gatinhos dias antes e agora eles estavam mortos. Que dor! Minha mãe me acalmou, dizendo que, infelizmente, essas coisas acontecem neste mundo. E então, foi aí que aprendi a segunda lição com os gatinhos...

Claro que os gatinhos não tiveram culpa pelo que aconteceu, mas penso na fragilidade deles... Os gatos maiores não deixam os cães chegarem perto; percebendo o perigo, eles sobem em lugares altos. Às vezes, nos comportamos como gatinhos frágeis. Estamos tão vulneráveis, que somos atacados por coisas que podem nos tirar a vida ou, pior, a salvação. E quando somos pegos, Deus, que nos ama e promoveu nossa salvação, sente profundo pesar e chora ao ver seu povo padecendo.

Procure se fortalecer, fique preparado para enfrentar os problemas da vida, esteja pronto para identificar o perigo e se defender dele. No mais, não esqueça: se você permitir, não estará sozinho. Eu não pude ajudar os gatinhos, mas Deus pode nos ajudar, sempre!

Um beijo e até semana que vem!
         
         


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O QUE TE ATRAI OS OLHOS?

O QUE TE ATRAI OS OLHOS?
(Por Eduardo Santos)

Hoje foi um dia de lembranças. Revivi na memória alguns momentos que remontam ao meu tempo de ensino médio. Guardo muitas recordações dessa época, de momentos e pessoas muito marcantes. Cada uma por um motivo especial. Lembro-me de manias, conversas, projetos, alguns desentendimentos, risadas e despedidas. Coisas para guardar por um período de uma vida!

Uma das minhas manias no ensino médio era sentar próximo à janela e, coincidentemente, sentava sempre perto da mesma pessoa. Coincidência de início; depois, nos tornamos grandes amigos, amizade que guardo com muito carinho até hoje. Ficar junto à janela era algo estratégico. Sempre tive dificuldade de me manter concentrado por muito tempo e a vida além da janela me ajudava a desligar por um tempo e ter condição de voltar a prestar atenção logo em seguida. Justamente por isso, conversava um pouco, talvez um pouco até demais com essa pessoa amiga.

Existe uma característica do ser humano que colaborava para minha distração e ela se chama “visão periférica”. Ela é muito útil e ótima para perceber movimentos ou qualquer coisa que possa ser considerada uma ameaça fora do foco de nossa visão. Mas, às vezes, ela acaba trabalhando fora da expectativa e desvia nossa atenção. Era mais ou menos isso o que acontecia. Minha grande amiga tinha a mania de bater o calcanhar no chão, desapercebidamente, durante as aulas, e só o movimentar de seu pé era o bastante para me desconcentrar do que era o motivo para eu estar ali: a aula.

Fiquei pensando no propósito de estarmos aqui. Pessoalmente falando, não tenho como dizer que conheço o motivo para cada um estar aqui, o que se espera de nós a partir do momento que recebemos o dom da vida. Mas já parou para pensar no coletivo, como seres humanos que somos? Será que a vida é simplesmente nascer, crescer, reproduzir e morrer? Existe algo além disso aqui?

A Bíblia nos revela claramente que, apesar da brevidade e da fragilidade da vida, não estamos aqui meramente de passagem. Nosso tempo aqui deve ser muito bem usado para fazer uma escolha que define nosso destino eterno. Talvez fosse muito fácil se não tivéssemos distrações a nossa frente, mas, mais uma vez, somos traídos por nossa visão periférica que nos leva a prestar atenção em coisas brilhantes ou que se movimentam fora do nosso foco. E a lista de distrações é imensa, imensa mesmo!

Quanto a isso, encontramos no livro de Hebreus um conselho bem próprio: “Assim nós temos essa grande multidão de testemunhas ao nosso redor. Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus." (Hebreus 12:1, 2 – Bíblia – NTLH).

Quando se trata de assunto sério, precisamos encontrar um jeito de acabar com as distrações. Depois de um tempo, descobri como resolver meu problema: toda vez que minha amiga começava a bater o calcanhar, eu colocava a ponta do meu pé por baixo de seu calcanhar, travando o pé dela... e pronto, problema resolvido. No que diz respeito à esfera espiritual, precisamos pedir a Deus sabedoria e força para enfrentar e vencer as tentações que nos são impostas. Caso não atentemos para isso, podemos perder situações e oportunidades de importantíssimo valor para nós.

Um grande abraço e ótima quarta!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

LÁ NO MONTE


LÁ NO MONTE
(Por Airton Sousa)

Olhe bem para esta imagem:


Esse é o Monte das Oliveiras, localizado no bairro de Paciência, zona oeste do Rio de Janeiro.

Das lições que aprendi em 2015, uma delas é experimentar um pouco mais do poder de Deus. Estou convicto de que quando eu oro muito eu tenho muito poder; quando oro pouco, tenho pouco poder; e, quando não oro, é zero poder. Quando a gente procura a felicidade por toda parte e tenta experimentar todos os prazeres em busca dessa tal felicidade, termina fugindo das verdadeiras coisas que atraem felicidade e poder, mas quando você decide olhar as coisas assim como estou fazendo agora, aqui em cima, olhando para leste e oeste, norte e, finalmente, para baixo, em busca de algo que realmente satisfaça a alma e traga alívio e descanso... descobre que é tudo em vão. A única direção em que resta olhar é para cima. Foi o que fiz; e não satisfeito em olhar para cima, resolvi subir um pouco mais além.

Subimos eu, minhas irmãs e um amigo, o Plinio. Acordamos de madrugada, o dia começava a dar seus primeiros sinais. Aqui em cima, nos separamos para orar individualmente. Estou olhando minhas irmãs orando em um dos cantos deste monte; mais adiante, a Bruna, minha sobrinha, está orando também, ajoelhada. Cena emocionante.

Eu vou um pouco mais para a beirada, e me derramo aos pés de Deus. Oro pela minha mãezinha que está muito doente e peço que Deus não a tire de nós agora:
- Dê mais dez anos a ela Senhor, só mais dez anos!

Vem a minha mente a imagem de uma amiga, G., que postou uma foto no Facebook, de lenço na cabeça sinalizando um tratamento de quimioterapia. Não conversei com ela sobre isso, mas aquele sorriso lindo e meigo não sai da minha mente... Peço que Deus tome conta dela também:
- Dê-lhe forças, Senhor!

Grossas lágrimas começam a deslizar pelo meu rosto; choro copiosamente enquanto vou fazendo meus pedidos, um a um. Não sei quanto tempo demorei, mas senti ali a dor de cada um dos meus amigos, a tristeza, a saudade... Desabafei!

Voltamos a nos reunir novamente, e percebo que todos choraram; mas agora todos parecem aliviados. Fazemos um círculo e lemos um texto da Bíblia, oramos novamente, de mãos dadas.

Amanheceu!
O sol aparece no lugar onde deve aparecer. Ficamos ali mais um pouco, fascinados pelo belo alvorecer, vendo as majestosas nuvens brancas flutuando no céu imensamente azul. Lá embaixo, um verde igualmente majestoso. Que espetáculo! Uma exibição clássica da criação. Num impulso, levanto as duas mãos para o céu e começo a cantar bem alto, no que sou seguido por todo o grupo: “Levanto as mãos, em oração...”.

O som de uma voz
Comparado ao trovão
O mundo na palma da mão
Um grão de areia
Comparado ao mar
Grandeza que não posso explicar
Por isso Senhor
Me achego a ti
Prostrado diante do altar
Eu sou pecador
Tu és Salvador
Aceita o meu humilde louvor
Levanto as mãos
Em oração
Pra alcançar Teu trono, ó Pai
Toque minhas mãos
Meu ser sorri ao imaginar
Tuas mãos a me encontrar
O Deus de toda a glória
Vindo me abraçar


Depois disso... estamos prontos para descer e viver mais uma semana. Percebo que as nuvens mudaram de forma, novamente; parece que vi Deus sorrindo.
Será!?

Vai dar tudo certo, mãe. Vai dar tudo certo, G.
Vai dar tudo certo, amigo.

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Referências:

Monte das Oliveiras – Localização: Google Maps - http://migre.me/saGYc - acessado em 20.11.2015.

Toque minhas mãos - Música: Ricardo Martins, Letra: Tuiu Costa – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=LW13jc_bzMA – acessado em 20.11.2015.